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Crianças e a Salvação

Alguns espíritas perguntam aos cristãos qual será o destino das pessoas que morrem quando crianças.Uma das respostas é a passagem em que Jesus cita que das crianças é o reino de Deus, querendo dizer com isso que já estão salvas.Os espíritas dizem então que isto é injustiça, visto que, é melhor morrer criança e se ter a certeza do paraíso eterno do que viver uma vida inteira e ter o risco de ir para o inferno.

O destino de tais crianças e doentes mentais que nunca chegarão a idade da razão não é certo, a teologia católica se divide entre aqueles que dizem que a Misericórdia de Deus permite a salvação dessas almas, promovendo um meio supletivo para o Batismo (elas morrem com o pecado original), e aqueles que defendem que elas vão para o Limbo.

Resumindo as diversas posições, o Manual de Teologia Dogmática de Ludwing Ott mostra, num primeiro momento, a hipótese mais aceita entre os teólogos antigos e depois passa a discorrer sobre as variantes. Aqui vai o texto:A sorte das crianças que morrem em pecado original " As almas que saem desta vida em estado de pecado original estão excluídas da visão beatífica de Deus (de fé).O segundo Concílio universal de Lyon (1274) e o Concílio de Florença (1438 – 45) declararam: ‘Illorum animas, qui in actuali mortali peccata vel solo originali decedunt, mox in infernum descendere, poenis tamen disparibus puniendas’.Este dogma se fundamenta nas palavras do Senhor: ‘Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo [por meio do batismo], não poderá entrar no reino dos Céus’ (Jô. 3, 5).

Todavia, os que não chegaram ao uso da razão podem ganhar a regeneração de forma extra-sacramental graças ao batismo de sangue (recorde-se a matança dos Santos Inocentes). Em atenção à vontade salvífica universal de Deus (I Tm. 2, 4) admitem muitos teólogos modernos, especialmente os contemporâneos, outros substitutivos do batismo para as crianças que morrem sem o batismo sacramental, como as orações e desejos dos pais e da Igreja (batismo de desejo representativo; Cayetano) ou a concessão do uso da razão no instante da morte, de forma que a criança agonizante poderia decidir a favor ou contra Deus (batismo de desejo; H. Klee), ou que os sofrimentos e morte da criança serviriam de quase sacramento (batismo de dor; H. Sheel).

Estes e outros substitutivos do batismo são certamente possíveis, mas nada se pode provar pelas fontes da Revelação acerca da existência efetiva dos mesmos.Os teólogos, ao falarem das penas do inferno, fazem distinção entre pena de dano (que consiste na exclusão da visão beatífica) e a pena de sentido (produzida por meios extrínsecos e que, depois da ressurreição do corpo, será experimentada também pelos sentidos). Mesmo que Santo Agostinho e muitos Padres Latinos opinem que as crianças que morrem em pecado original têm de suportar também uma pena de sentido, mesmo que benigna (‘mitissima omnium poena’; Enchir. 93), ensinam os Padres Gregos (v.g. San Gregório Nacianceno, Or. 40, 23) e a maioria dos teólogos escolásticos e modernos que não sofrem mais que a pena de dano.

Fala em favor desta doutrina a explicação dada pelo Papa Inocêncio III: ‘Poena originalis peccati est carentia visionis Dei (= poena danni), actualis vero poena peccati est gehennae perpetue cruciatus (=poena sensus)’. Como a pena de dano é compatível um estado de felicidade natural; c.f. Santo Tomás, De Malo, Sent. II d. 33 q. 2 ad 2.

Os teólogos comumente admitem que existe um lugar especial para onde vão as crianças que morrem sem batismo e ao qual chamam "Limbo das Crianças". Pio VI saiu em defesa desta doutrina frente a interpretação pelagiana dos jansenistas, que falsamente queriam explicar um estado intermediário entre a condenação e o Reino de Deus.

 

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