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CURSO DE CATEQUESIS: TEMA 37: A VOCAÇÃO DO CRISTÃO

INTRODUÇÃO:

Quando trata dos mandamentos, o Catecismo da Igreja Católica aborda o estudo da doutrina cristã com este belo título: “A vida em Cristo”. Na explicação do Símbolo da fé (primeira parte) se dá a razão dos dons de Deus ao ser humano pela criação, e mais ainda, pela redenção, presente de Deus ao ser humano. O desenvolvimento do ensinamento a respeito dos sacramentos (segunda parte) mostra como na celebração do mistério de Cristo a graça nos é dada, que nos faz participantes da natureza divina e filhos de Deus com o batismo; com o batismo começa uma nova vida, a vida em Cristo. Mas esta vida em Cristo requer o cumprimento dos mandamentos (terceira parte), que é a coerência com a fé e com a vocação, à qual convida São Leão Magno: “Reconhece, cristão, a tua dignidade, e uma vez que foste feito participante da natureza divina, não queiras voltar à tua antiga miséria com uma conduta degenerada. Não esqueças de que Cabeça e de que Corpo tu és membro. Recorda-te de que, arrancado do poder das trevas, fostes transladado ao esplendoroso Reino de Deus” (Sermão 21).

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. Cristo revela quem é o ser humano

Diz o Concílio Vaticano II que “Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a grandeza de sua vocação” (Gaudium et Spes, 22). Cristo, o Filho de Deus feito homem – homem perfeito - , enviado por Deus Pai para nos salvar e nos dar o exemplo, é como o espelho no qual o homem pode saber quem é e a que vocação foi chamado por Deus.

2. O sentido da vida e a vocação do homem

O homem foi criado por Deus, e é a única criatura da terra que Deus amou por si mesma. Dotada de alma espiritual – com entendimento e vontade -, a pessoa humana está, desde a sua concepção, ordenada a Deus e destinada à eterna bem aventurança. O ser humano consegue a sua perfeição na busca do amor, da verdade e do bem. Em conseqüência, fomos criados por Deus, e o sentido da vida está em caminhar para Deus para viver eternamente com Ele: esta é a vocação do ser humano.

3. Viver de acordo com a vocação

O ser humano deve viver de acordo com a vocação à qual tenha sido chamado por Deus; deve seguir a lei moral que Deus mesmo colocou no mais íntimo de cada pessoa e que lhe intima: “Faz o bem e evita o mal”. Todos devem seguir esta lei que ressoa na consciência, porque é uma lei universal e imutável. O cristão conhece o caminho para alcançar a eterna bem aventurança: cumprir os mandamentos.

4. A liberdade do ser humano

Mas o ser humano é livre; e sendo nossa liberdade frágil, pode obedecer – e também desobedecer – a voz de Deus que lhe deu a liberdade para que seja livre de verdade, sem coação alguma, porque quer que se decida por Deus. A liberdade é a raiz do ato humano, e por isso o ser humano é responsável das decisões que voluntariamente adota. Às vezes, a responsabilidade de uma ação pode ficar diminuída – inclusive, anulada – pela ignorância, a violência, o temor e outros fatores psíquicos e sociais. Por causa do pecado original, o ser humano conserva o desejo do bem, mas a natureza humana está sujeita ao erro e inclinado ao mal no exercício de sua liberdade. Por isso é preciso amar a liberdade e defendê-la, mas também é necessário educá-la para que seja “a liberdade que Cristo nos ganhou” (Gl 5,1).

5. A vocação do ser humano

Com sua morte na cruz Cristo livrou a humanidade do demônio e do pecado, merecendo para todos a vida nova no Espírito Santo; com a sua graça restaurou o que o pecado tinha destruído. E esta senda que Cristo traçou é a que deve seguir todo aquele que queira ir após Ele, para unir-se com Ele, para identificar-se com Ele. Não existe outro caminho. Nesta união com Cristo se alcança a perfeição da caridade, a santidade à qual todos estão chamados, como ensina o Concílio Vaticano II: “Todos... são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”. A vida em Cristo atinge sua plenitude na glória do céu.

6. A vocação do ser humano e a felicidade

Além de santos, Deus nos quer felizes, mesmo contando com que – enquanto peregrinamos – precisamos carregar a cruz, que é a condição da existência cristã. A felicidade na terra sempre traz consigo o meio amargo da precariedade. Este paradoxo fica muito bem manifestado nas bem aventuranças, nas quais Jesus ensina quais são os verdadeiros bens. Somos herdeiros do Reino de Deus, e nossa verdadeira e plena felicidade se realizará na visão de Deus, no descanso com Deus. A vida eterna é um dom gratuito de Deus, tão sobrenatural como a graça que conduz a ela.

7. Cristo, princípio e meta de todo ser humano

Cristo, que é o Senhor do cosmos e da história, é para o ser humano em particular “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Como Deus é o criador do universo, que é sustentado com sua palavra poderosa; como homem, é o Redentor do mundo, o único Redentor, pois não existe outro que possa nos salvar. Por isso nossa dignidade, nossa verdade, nossa vida, nosso caminho é Jesus Cristo, a quem o ser humano deve buscar, seguir e amar: “Se conheces a Cristo, sabes tudo; se ignoras a Cristo, não sabes nada”, dizia o escrito afixado em uma biblioteca. O ser humano de nosso tempo tem especial necessidade de buscar, de encontrar a Cristo, já que está vendo destruídas todas as suas esperanças e ninguém mais que Cristo poderá livrar a humanidade do desamparo que a aprisiona. Cristo é a esperança da humanidade, porque “Cristo é o amor que ama, é o caminho para ser andado, a luz para ser acesa, a vida para ser vivida, o amor digno de ser amado” (Madre Teresa de Calcutá). Quem encontra a Cristo experimenta o milagre de ver sua vida transformada, com um ideal que o apaixona e lhe dá vontade de viver, como a loucura confessada por São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

8. Propósitos de vida cristã

  • Meditar muitas vezes nas palavras do Papa São Leão Magno: “Reconhece, cristão, a tua dignidade”, e tirar conseqüências para a própria vida.
  • Aproveitar o estudo desta parte do Resumo do Catecismo da Igreja Católica, não só para conhecer, mas para realmente “viver em Cristo”.
  • Frente à onda de ignorância, tomar a determinação de buscar a Cristo, para conhecê-Lo e ama-Lo melhor.
Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
Fonte: Livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España
Tradução: Pe. Antônio Carlos Rossi Keller

 

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