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O Papa, Chefe Supremo da Igreja de Cristo (Aprofundamento e Apologética)

"E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19)

A palavra Papa vem do grego e significa PAI. O Papa é o representante (Vigário) de Cristo na Terra, sucessor de São Pedro no governo da Igreja Católica. Tem autoridade sobre todos os fiéis católicos e sobre toda a hierarquia eclesiástica, incluindo o Concilio Ecumênico. Ele é infalível quando define alguma verdade “ex-cathedra” (do trono), em assuntos de fé e de moral. Esta infalibilidade foi declarada no Concilio Vaticano I, em 1870 na Constituição Pastor Aeternus.

A eleição do Papa é reservada aos Cardeais que se reúnem no Conclave; o novo Papa é eleito com 2/3 dos votos e só participam os Cardeais com menos de 80 anos. Não há em todo o mundo outro Estado que eleja assim o seu Chefe. Até 1059 a eleição do Papa era feito pelo clero de Roma, com a aprovação popular.

Quando eleito, o Papa muda de nome. A rigor, escolhe o nome que quiser para ser chamado durante seu pontificado - o tempo que ele passará como líder maior da Igreja Católica. Mas, recentemente, a escolha tem sido norteada por dois critérios principais:

I) Muitos papas têm homenageado apóstolos de Jesus, usando nomes como João ou Paulo, ou junções, como João Paulo;

II) A escolha também tem a função de indicar a linha da administração do papa.

A escolha de um nome especial para o papa segue uma tradição iniciada por Jesus. Ao indicar o "primeiro papa", ele mudou o nome do pescador Simão para Pedro, dizendo que ele seria a pedra sobre a qual se ergueria a Igreja. Depois de Pedro, o próximo papa a trocar de nome foi João II, no ano 533. Ele não quis usar seu nome de batismo, Mercúrio, o deus romano do comércio e dos ladrões, optando por homenagear o papa João I (523-526) e o apóstolo de Jesus.

A vida dos papas é muito importante não só para os cristãos, mas também para a História Geral, pois, a partir da queda do Império Romano do Ocidente, eles foram figuras determinantes em muitos acontecimentos da História.

Ao instituir a Igreja, a partir do Colégio dos Doze Apóstolos, Jesus o quis como um grupo estável e escolheu Pedro para chefiá-lo (cf. Mt 16,16; Jo 21,15-17). Todo grupo humano precisa ter uma Cabeça visível para manter a sua ordem e unidade. A missão de Pedro e dos Papas, seus sucessores, sempre foi a de manter a Igreja unida e guardar a doutrina da fé. O Código de Direito Canônico da Igreja, diz que:

“O Bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a Cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e aqui na terra Pastor da Igreja universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na terra o poder ordinário supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente.” (Cân. 331)

A Igreja tem a sua Cabeça divina, invisível, o próprio Cristo; e tem a sua Cabeça humana, o seu chefe visível, o Papa. Cristo assim o quis. Diz o Catecismo da Igreja Católica que:

“Somente a Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor constituiu como a pedra da sua Igreja. Entregou-lhe as suas chaves, instituiu-o pastor de todo o rebanho”. (Catecismo da Igreja Católica, § 881)

Vale ressaltar que, tratando-se da autoridade que Cristo deu a São Pedro, a Constituição Dogmática Pastor Aeternus excomunga quem não reconhecê-la:

“Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado.” (Constituição Dogmática Pastor Aeternus, DS 1823)

Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado.” (Constituição Dogmática Pastor Aeternus, DS 1825)

Por todas essas razões os Bispos de Roma são os sucessores de Pedro, com jurisdição sobre toda a Igreja.

Objeção: “A pedra a quem as Escrituras se referem é o próprio Cristo e não Pedro.”

Ora, embora na maioria das passagens bíblicas "pedra" ou "rocha" realmente se refira a Jesus, existem exceções. O próprio Jesus que disse ser a "Luz do Mundo" (cf. Jo 8,12) disse aos apóstolos que também eles deveriam ser "Luz do Mundo" (cf. Mt 5,13). Além disso, a Escritura refere-se à Abrãao como sendo a pedra (cf. Is 51,1-2), e mesmo São Pedro chama os cristãos de “pedras vivas” (cf. 1Pd 2, 4-5).

Portanto, o fato de Jesus aplicar a Pedro uma figura que a Bíblia exaustivamente aplica a Jesus, bem mostra a intenção de Jesus em fazer de Pedro um representante de Cristo na terra. O que, por sinal, Ele confirmou explicitamente ao dar autoridade a Pedro não apenas de ligar e desligar na terra, mas também no Céu.

Objeção: “Em grego, a palavra para pedra é petra, que significa uma rocha grande e maciça. A palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é petros, que significa uma pedra pequena, uma pedrinha.”

Na verdade, todo este discurso é falso. Como sabem os conhecedores de grego (mesmo os não católicos), as palavras “petros” e “petra” eram sinônimas no grego do primeiro século. Elas significaram "pequena pedra" e "grande rocha" em uma velha poesia grega, séculos antes da vinda de Cristo. Esta distinção já havia desaparecido no tempo em que o Evangelho de São Mateus foi traduzido para o grego. A diferença de significados existe, apenas, no grego ático, mas o Novo Testamento foi escrito em grego Koiné - um dialeto totalmente diferente. E, no grego koiné, tanto “petros” quanto petra significam "rocha". Se Jesus quisesse chamar Simão de "pedrinha", usaria o termo “lithos” (para a admissão deste fato por um estudioso protestante, veja D. Carson, The expositors Bible Commentary [Grand Rapids: Zondervan, 1984], Frank E. Gaebelein, ed., 8: 368).

Objeção: “Os católicos, por desconhecerem o grego, pensam que Jesus comparava Pedro à rocha (cf. Mt 16,18). Na verdade, é justamente o contrário. Ele os contrastava. De um lado, a rocha sobre a qual a Igreja seria construída: o próprio Jesus ("e sobre esta PETRA edificarei a Minha Igreja"). De outro, esta mera pedrinha ("Simão tu és PETROS"). Jesus queria dizer que ele mesmo seria o fundamento da Igreja, e que Simão não estava sequer remotamente qualificado para isto.”

Devemos sim fazer uma tradução do português para o grego. Mas, com certeza igualmente, devemos ir do grego para o aramaico, pois sabemos que esta foi a língua falada por Jesus, pelos apóstolos e por todos os judeus da Palestina. Era a língua corrente da região. Muitos, talvez a maioria, soubessem grego, pois esta era a língua franca do Mediterrâneo. A língua da cultura e do comércio. A maioria dos livros do Novo Testamento foi escrita em grego, pois não visavam apenas os cristãos da Palestina, mas de outros lugares como Roma, Alexandria e Antioquia, onde o aramaico não era falado.

Sabemos que Jesus falava aramaico devido a algumas de suas palavras que nos foram preservadas pelos Evangelhos. Veja no momento em que Ele diz na cruz, "Eli, Eli, Lama Sabachtani" (cf. Mt 27,46). Isto não é grego, mas aramaico, e significa, "meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" E tem mais: nas epístolas gregas de São Paulo (por 4 vezes em Gálatas e outras 4 vezes em 1Coríntios), preservou-se a forma aramaica do novo nome de Simão. Em nossas bíblias, aparece como Cefas. Isto não é grego, mas uma transliteração do aramaico Kepha (traduzido por Kephas na forma helenística).

E o que significa Kepha? Uma pedra grande e maciça, o mesmíssimo que petra. A palavra aramaica para uma pequena pedra ou pedrinha é evna. O que Jesus disse a Simão em na referida passagem foi "tu és Kepha e sobre esta kepha construirei minha igreja."

Quando se conhece o que Jesus disse em aramaico, percebe-se que ele comparava Simão à rocha; não os estava contrastando. Podemos ver isto, vividamente, em algumas versões modernas da bíblia em inglês, nas quais este versículo é traduzido da seguinte forma: 'You are Rock, and upon this rock I will build my church'. Em francês, sempre se usou apenas “Pierre” tanto para o novo nome de Simão, quanto para a rocha.

Objeção: “Se kepha significa petra, porque a versão grega não traz "tu és Petra e sobre esta petra edificarei a minha Igreja"? Por que, para o novo nome de Simão, Mateus usa o grego Petros que possui um significado diferente do petra?”

Porque não havia escolha. Grego e aramaico têm diferentes estruturas gramaticais. Em aramaico, pode-se usar kepha nas duas partes de Mt 16,18. Em grego, encontramos um problema derivado do fato de que, nesta língua, os substantivos possuem terminações diferentes para cada gênero.

Existem substantivos femininos, masculinos e neutros. A palavra grega petra é feminina. Pode-se usá-la na segunda parte do texto sem problemas. Mas não se pode usá-la como o novo nome de Simão, porque não se pode dar, a um homem, um nome feminino. Há que se masculinizar a terminação do nome. Fazendo-o, temos Petros, palavra já existente e que também significava rocha. (Obs da Barca de Jesus: Estrutura semelhante ocorre na língua portuguesa: Pedro e pedra.)

Por certo, é uma tradução imperfeita do aramaico; perdeu-se parte do jogo de palavras. Mas, em grego, era o melhor que poderia ser feito.

Além da evidência gramatical, a estrutura da narração não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja. Veja a forma na qual se estruturou o texto de Mt 16,15-19. Jesus não diz: "Bendito és tu, Simão. Pois não foi nem a carne nem o sangue que te revelou este mistério, mas meu Pai, que está nos céus. Por isto, eu te digo: és uma pedrinha insignificante, e sobre a rocha edificarei a minha Igreja. ... Eu te darei as chaves do reino dos céus."

Ao contrário, Jesus abençoa Pedro triplamente, inclusive com o dom das chaves do reino, mas não mina a sua autoridade. Isto seria contrariar o contexto. Jesus coloca Pedro como uma forma de comandante ou primeiro ministro abaixo do Rei dos Reis, dando-lhe as chaves do Reino. Como em Is 22,22, os reis, no AT, apontavam um comandante para os servir em posição de grande autoridade, para governar sobre os habitantes do reino. Jesus cita quase que verbalmente esta passagem de Isaías, o que torna claríssimo aquilo que Ele tinha em mente. Ele elevou Pedro como a figura de um pai na família dos cristãos (Is 22,21), para guiar o rebanho (Jo 21,15-17). Esta autoridade era passada de um homem para outro através dos tempos pela entrega das chaves, que se usavam sobre os ombros em sinal de autoridade. Da mesma forma, a autoridade de Pedro foi transmitida, nestes dois mil anos, através do papado.

Objeção: “Santo Agostinho, em seu Sermão nº. 295 afirmou que a pedra é a confissão de Pedro ‘tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo’ e não o próprio Pedro.”

Não há maiores problemas acerca disto. O próprio Catecismo da Igreja Católica, em um determinado momento, afirma que Jesus construiu a Igreja sobre a confissão de São Pedro, muito embora reafirme, inúmeras vezes, que Simão Barjonas é a Pedra a que se referia Jesus. São Pedro, naquele episódio, fez uma profissão de fé acerca da messianidade de Jesus Cristo. Em virtude desta profissão de fé, o Senhor o elegeu príncipe dentre os apóstolos e coluna visível da unidade da Igreja. Em outras palavras, em virtude de profissão de fé de Pedro, Jesus o escolheu para ser a Pedra da Igreja.

Sintaticamente, a Pedra a que Jesus se referia é São Pedro (não há qualquer elemento sintático que permita ao exegeta mais tresloucado uma conclusão diferente). Porém é bem absurdo tentar separar o homem daquilo que ele professa, ou seja, afirmar que a Pedra seria a confissão de Pedro, e não Pedro também. Se fosse assim, a Confissão de Pedro não seria de Pedro. Portanto, por metonímia, pode-se afirmar que o Senhor construiu a Sua Igreja sobre a profissão de fé de São Pedro (uma vez que tal profissão de fé foi o motivo que levou à escolha do pescador para ser o Chefe dos Apóstolos).

O fato de ter Santo Agostinho feito a afirmação acima em nada altera a verdade de que o Grande Doutor de Hipona foi um dos maiores defensores do primado de Roma, e, nesta esteira, do primado do próprio São Pedro.

Analisemos mais detalhadamente, o Sermão 295 no qual Santo Agostinho afirma que é sobre a profissão de fé de São Pedro que Jesus construiria Sua Igreja. Nele é que está a famosa frase usada pelos prostestantes na tentativa de fazer crer que o grande doutor de Hipona negava o primado petrino: "Sobre a afirmação que (tu, Simão) fizeste: tu és o filho do Deus vivo construirei minha Igreja". No entanto, vejamos outros trechos deste mesmo Sermão (todos os grifos foram acrescentados):

São Pedro, o primeiro dos Apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar: Por isto eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. (...). Dentre os apóstolos, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja toda. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja uma. Assim, manifesta-se a superioridade de Pedro, que representava a universalidade e a unidade da Igreja (...). A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. (...) No mesmo sentido, também depois da Ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar Suas ovelhas. (...) E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque, dentre os apóstolos, Pedro é o primeiro."

Vemos que Santo Agostinho não rejeita que São Pedro esteja em posição de destaque entre os apóstolos. E como demonstrado acima, Santo Agostinho ensina o primado de Pedro. Além disso, há sua famosa afirmação Roma locuta, causa finita est” (Sermão 131,10). Portanto, que Santo Agostinho, na verdade, era um árduo defensor do papado.

Objeção: “No mesmo trecho destacado, Santo Agostinho ensina que o poder das chaves fora concedido a toda a Igreja e não a Pedro particularmente.”

Isto se deve ao fato de que na época Santo Agostinho combatia os hereges Montanistas e os Novacianos que negavam o poder da Igreja de perdoar os pecados, e esses últimos diziam que tal poder era pessoal, e teria desaparecido com a morte de São Pedro. Eis um dos textos de Santo Agostinho, sobre este tema:

“Quando interrogava a Pedro, o Senhor interrogava também a nós Quando ouves o Senhor dizendo: Pedro, tu me amas? (Jo 21,16), lembra-te de um espelho e procura ver-te nele. Pois que outra coisa Pedro aí fazia se não representar a Igreja? Por isso, quando interrogava a Pedro, o Senhor nos interrogava também a nós, interrogava a Igreja. Para saberes que Pedro era figura da Igreja, recorda aquela passagem do Evangelho: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não a vencerão. Eu te darei as chaves do Reino dos céus (Mt 16,18-19). É um homem só que as recebe. Quais sejam as chaves do Reino dos céus ele explicou assim: O que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,19). Mas, se apenas a Pedro é que isso se disse, somente Pedro é que fez isso: morreu e partiu. Quem, portanto, liga e quem desliga? Ouso afirmar que também nós temos essas chaves. (Comentário ao Evangelho do III domingo da Páscoa - ano C (Jo 21,1-19))

Santo Agostinho aqui apenas destaca a sucessão apostólica.

Objeção: “Há diversos tratados na Biblioteca do Vaticano que remontam o século II, passando também por dois dos maiores doutores da História da Igreja, a saber, Agostinho e Jerônimo, que traduzem o ‘tu és Pedro’, por ‘tu tens dito’. O codex Vaticanus do séc. IV, na biblioteca do Vaticano traz ‘SUIPO’, uma contração grega da expressão ‘SU EIPAS’ (tu tens dito). Os copistas adicionaram posteriormente PETROS fazendo assim ‘SU EI PETROS’. Séculos antes do Codex vaticanus, há referências a ‘SU EIPAS’, desde o século II. Logo terímos: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo... Tu tens dito (su eipas), sobre estra pedra edificarei a minha Igreja’ (cf. Mt 16,18), ou seja, sobre a pedra que ‘tu tens dito’, Pedro. Note que esta expressão não é incomum a Jesus quando o assunto é Sua divindade. Quando o Sumo Sacerdote o conjura sobre este mesmo assunto, Jesus responde: ‘Tu tens dito’, su eipas, (cf. Mt 26,64).”

A lógica por detrás do argumento é a seguinte: "todas as Bíblias do mundo não refletem aquilo que Jesus realmente disse a São Pedro (cf. Mt 16, 18); todas trazem a frase: ‘tu és Pedro’, mas o Senhor, verdadeiramente teria vaticinado: ‘tu tens dito’”.

Seria genial se tal assertiva não mandasse às favas, de uma só vez, as doutrinas protestantes da sola scriptura e do livre exame. Afinal de contas, se este trecho está tão desvirtuado, o que nos garantiria que diversos outros não o estão? Se o "tu és Pedro" é uma inserção posterior dos copistas, o que garante que os tais copistas não inseriram e não retiraram diversos outros trechos?

Nosso interlocutor protestante aderiu à teoria mais flagrantemente anti-bíblica que se pode imaginar. E tratou-se de uma adesão sem comprovação dos motivos. Afirmou que o Codex Vaticanus traz "suipo" ao invés de "su ei petrus". Afirmou, mas não comprovou. Afirmou, igualmente, que desde o século II haveria referências ao "su eipas". Deixemos, então falar dois cristãos do século II acerca deste ponto:

"Simão Cephas respondeu e disse, 'tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo. Jesus respondeu dizendo-lhe: 'Bendito és, Simão, filho de Jonas: não foram a carne nem o sangue quem te revelaram, mas o meu Pai que está no céu, E eu também te digo que és Cephas, e sobre esta rocha eu construirei a Minha Igreja; e as portas do Inferno não prevalesserão contra ela." (Tatiano, o Sírio, Diatsseron 23, 170 d. C)

No texto acima, datado do ano 170 da nossa era, percebe-se claramente que a citação do trecho de São Mateus é rigorosamente idêntica àquela que todas as Bíblias do mundo trazem nos dias de hoje. E, naquele tempo, segundo o nosso interlocutor, os tais copistas ainda não haviam entrado em ação para deturparem a Sagrada Escritura.

Vejamos, agora, outro trecho:

"Teria algo sido retido ao conhecimento de Pedro, a quem se chamou 'a rocha sobre a qual a Igreja seria construída', com o poder de 'desligar e ligar no céu e na terra'?" (Tertuliano, Demurrer Against the Heretics 22, 200 d. C)

Como se vê, Tertuliano, antes de ser enganado pelos copistas da Bíblia, ao citar o mesmo trecho de São Mateus deixa claro que Jesus Cristo construiu Sua Igreja sobre o velho São Pedro.

Por fim, nosso caro interlocutor afirma que tanto Santo Agostinho quanto São Jerônimo igualmente traduziram o trecho em questão como "tu tens dito", e não com "tu és Pedro". Novamente, não há qualquer citação ou, pelo menos, qualquer referência bibliográfica. No entanto, é fácil demonstrar a falsidade de tal assertiva.

Que Santo Agostinho traduzia o texto como "tu és Pedro", ficou evidente das citações acima retiradas do Sermão 295. Repita-se:

"São Pedro, o primeiro dos Apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar: Por isto eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja."

Não há qualquer dúvida possível diante de evidência tão flagrante.

E quanto a São Jerônimo? Basta recorrermos à Vulgata (que, como é sabido, é a tradução da Bíblia que o mesmo empreendeu para o latim) para que tenhamos exata medida de como ela traduzia:

"et ego dico tibi quia tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam et portae inferi non praevalebunt adversum eam."

E na neo-Vulgata:

“Et ego dico tibi: Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam; et portae inferi non praevalebunt adversum eam.”

Já basta e não há qualquer necessidade de que nos alonguemos neste ponto...

 

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