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A Imprensa e o Papa

Ainda este ano D. Henrique, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju, fez uma análise interessante sobre o comportamento de nossa imprensa diante das declarações do Papa:

"Com o Papa no Brasil, os meios de comunicação dão todo tipo de cobertura, manifestam todo tipo de opinião e dizem todo tipo de disparates...

O problema é que não pode bem avaliar as palavras do Santo Padre quem não compreende o que é o cristianismo, qual o seu centro gerador e sua idéia fundamental.

Quando o mundo escuta o Papa, avalia sua palavra a partir do confronto com a sociedade atual e com as modas dominantes. Triste engano, porque o referencial do Sucessor de Pedro – como o de toda a Igreja – somente pode ser o Evangelho: Quanto ao fundamento ninguém pode colocar outro além daquele que foi colocado: Jesus Cristo!

É assim que vemos articulistas e analistas até competentes em outros campos dizendo bobagens de doer nos ouvidos e na alma! O que demonstra que a imprensa brasileira é simplesmente analfabeta em se tratando de religião. Darei três exemplos, partindo do mais simples para o mais complexo:

1. Ontem, uma repórter da Globo anunciou como uma coisa muito importante que o Papa entrou para celebrar a Missa de canonização de Santo Antônio Galvão levando um crucifixo... Ridículo! O Papa entrou portanto o seu báculo em forma de cruz (chamado de férula), que ele traz sempre, em todas as missas solenes! Então, ignorância de fazer rir.

2. A revista Veja desta semana diz que os embates em torno da moral são o centro da doutrina católica. Este é o tipo de bobagem que revela um gravíssimo mal-entendido. O cristianismo não é um moralismo. O centro da nossa fé é Jesus Cristo. Basta; só isso! Todo o resto: a doutrina e as exigências morais decorrem desse fato: a paixão por sermos discípulos daquele que nos revela a verdade plena sobre Deus e sobre o homem. Com o moralismo preocupam-se os meios de comunicação, que em cada palavra do Papa somente procuram uma novidade ou uma declaração que se contraponha ao pensamento da moda... Aí fica realmente difícil compreender o que o Santo Padre está falando...

3. O Roberto Pompeu Toledo, ainda na Veja, ironiza a Igreja, porque o filho que nasceu por milagre de Fr. Galvão era de um casal não casado religiosamente. Conclusão do grande teólogo: Santo Antônio Galvão é mais aberto que o Papa. Raciocínio boboca de gente que não compreende nada de fé, da doutrina católica e se mete a colocar o bico onde não lhe cabe... Não sabe ele que Deus concede a graça a quem quer e não cabe à Igreja impor limites a ação de Deus... A Mãe católica não se arroga a dona de Deus nem pensa que o Senhor tenha de pedir-lhe licença para fazer suas maravilhas. Mas, a mundana lógica do Roberto Pompeu Toledo, que compreende de cristianismo como eu compreendo de física quântica, aproveita o fato para criticar o Papa...

O problema é que todo mundo se acha cristão e conhecedor do cristianismo quando, na verdade, a grande maioria das pessoas que formam opinião no nosso País não compreende quase nada de cristianismo nem de Igreja católica. Então, o remédio é continuar ouvindo os asnos dizendo asneiras. A gente ri e, às vezes, ferve de raiva..."


Fonte:


Estas palavras sintetizam bem a famosa imparcialidade tão pregada por eles. Seria mais honesto admitir que tal imparcialidade não existe. Se bem que o problema também se encontra na ignorância de quem se mete a falar sobre aquilo que não sabe.

 

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