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O seminarista e o uso da batina

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Seminaristas podem andar de batina?

Depende do bispo. O hábito eclesiástico não é obrigatório, e alguns bispos não gostam muito.

Já o sacerdote não precisa do gosto do bispo, ele é obrigado a usar, seja a batina, seja o clergyman.

A obrigatoriedade é a do clérigo, assim como a do celibato, a da obediência e etc. Mas nem por isso vão ser celibatários e obedientes depois de diáconos.

Na forma extraordinária, o seminarista utiliza quando recebe a tonsura. Na forma ordinária, não saberia dizer com respeito às rúbricas.


As virtudes, como os vícios, são frutos de hábitos, ou seja, repetição. Se adquire o hábito de usar a batina com a repetição, tal como o hábito do celibato com a repetição dos costumes referentes a este.


O desejo e a confirmação de Deus para servir a Cristo pelo sacerdócio vem muito antes da Ordenação. Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci e te chamei Jr 1,5. O amor pela Sagrada Liturgia, pelos sacramentos, pela castidade, pelas virtudes já deve ser cultivado ainda em tempo de vocacionado. O seminarista para os olhos do mundo não é apenas um mero candidado ao sacerdócio, mas alguém que reflete a vontade de Jesus ao perpertuar em seus ministros ordenados o ofício confiado pelo Pai em salvar almas. Lembrem-se que é pensando nas milhares pessoas que você irá batizar, confessar, unir ao matrimônio, etc que Deus quer que você vocacionado, renuncie a si mesmo e O siga para este grandioso ministério.

O Concílio Vaticano II oderna na decreto Optatam totius que todos os seminaristas seja como um
pré-padre no exemplo de fidelidade a Deus, e essa fidelidade começa do amor à batina até a entrega da morte, ou seja, sempre.
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Exponha-se aos alunos o contributo dos Padres da Igreja oriental e ocidental para a Interpretação e transmissão fiel de cada uma das verdades da Revelação, bem como a história posterior do Dogma tendo em conta a sua relação com a história geral da Igreja. Depois, para aclarar, quanto for possível, os mistérios da salvação de forma perfeita, aprendam a penetra-los mais profundamente pela especulação, tendo por guia Santo Tomás, e a ver o nexo existente entre eles. Aprendam a vê-los presentes e operantes nas acções litúrgicas e em toda a vida da Igreja. Saibam buscar, à luz da Revelação, a solução dos problemas humanos, aplicar as verdades eternas à condição mutável das coisas humanas e anuncia-las de modo conveniente aos homens seus contemporâneos.

Optatam totius parágrafo 16 - disciplinas e seu método.





Do mesmo modo que convém ao postulante/noviço usar hábito, convém ao seminarista usar batina.
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O postulante/noviço não sabe se vai professar os votos, ele pode sair do instituto, mas tem que se habituar às virtudes referentes à vocação à qual aspira.
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É muito oportuno o questionamento sobre o uso da batina pelo seminarista ou não, mas com princípios inválidos, logo, conclusões equivocadas. Porém, algo de muito bom podemos tirar de tudo isso:

1°. Realmente o hábito eclesiástico é para clérigos (no caso dos diocesanos) e religiosos (aqui varia de comunidade religiosa à comunidade religiosa [...]).

2°. A infração de uma regra não pode tolher o uso, explico-me: se um seminarista, o qual não é clérigo, usa o hábito eclesiástico por veleidade, vaidade e afins, logo, não é por isso que não convenha o uso do mesmo, salvaguardando o legítimo uso com piedade, discrição etc.

Assim, penso que seja útil trazer um texto de Santo Tomás de Aquino que nos pode abrir horizontes.

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A batina é um mau para quem não é clérigo?
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Antes de mais nada, cabe-nos a clareza do que seja o mal em poucas palavras.

O grande Doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino, ensina-nos que
o mal enquanto mal não é algo nas coisas, mas é privação de algum bem particular, que inere a algum particular, e mais adiante explica que algo se diz mau de dois modos:

1. simpliciter;

2. secundum quid;

Com respeito ao n° 1: Ora, dizemos que é mau simpliciter o que é mau em si. E isto se dá quando algo é privado de algum bem particular de que depende a sua perfeição, assim como a doença é um mal para o animal, por privá-lo da igauldade de humores que se requer para o perfeito ser do animal.

Com respeito ao n°2: Diz-se que é mau secundum quid o que não é maus em si, e sim com relação a outra coisa; uma vez que, evidentemente, não é privado de um bem de que dependa a sua perfeição, mas de um bem de que depende a perfeição de outra coisa, assim como o fogo é privado da forma de água, da qual não depende a perfeição do fogo, mas da perfeição da água; donde o fogo não ser mau em si, sendo mau porém, para a água.

Assim, a própria pena é boa simpliciter, mas é má para este pecador; e por isso se diz de Deus que Ele cria o mal, mas dá a paz, já que a pena não contribui o apetite do pecador, mas para a paz contribui o apetite daquele que recebe a paz. Criar, no entanto, é fazer algo que não foi posto na existência por ninguém antes. E, assim, evidentemente, diz-se que o mal foi criado não enquanto mal, mas enquanto é bom simpliciter, e mau secundum quid.

O hábito eclesiástico contribui para a formação do candidato ao sacerdócio, auxilia-o na mortificação e na penitência, visto ser este o significado do hábito. Em poucas palavras, o hábito eclesiástico é uma mortuária, no dizer do Pe. Paulo Ricardo.
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Basta para nós que a Igreja durante séculos utiliza deste método para formar os candidatos para sabermos que ele é salutar. A penitência e a mortificação fazem parte da vida clerical, assim como da religiosa¹. A razão para tal é de fundo teológico mesmo, ou melhor, do abandono da sã teologia.
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¹ As monjas do Carmelo não abandonaram seus hábitos e continuam morando neste belíssimo país tropical.

Ficou claro que a Batina, e/ou qualquer distintivo não é mau simpliciter, nem secumdum quid, né?! Sendo assim, pode a vontade de quem usa ser má, mas nunca a culpa será da batina e/ou do distintivo.

É bom lembrar que Santo Tomás de Aquino no De Malo diz que mesmo um tato de louvor/amor à Deus pode ser mal, quando não é feito como se deve e quando se deve e da maneira que se deve. Logo, não é o amor ou o louvor que é mal, sem sem si mesmo (simpliciter), nem com relação a algo (secundum quid), mas a vontade do operante.

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Para os que querem seguir as normas da Igreja, mesmo quando ela não nos obriga mas apenas aconselha: na Diocese de Roma os seminaristas utilizam o hábito eclesiástico na admissão.
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O Padre Paulo Ricardo disse-nos: o hábito eclesiástico me protege de mim mesmo!, observando como a concupiscência fica inibida pela penitência trazida pelo hábito eclesiástico.
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Os seminaristas precisam desta penitência e mortificação também? A resposta é evidente e nem sequer precisa pelo artigo ser exposta.

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A Igreja obrigou sim o uso do hábito para seminaristas, e ainda é ao menos na forma extraordinária. Se forma ordinária não é obrigatório, isso é devido ao espírito conciliar condenado por Josef Ratzinger em seus inúmeros escritos. Devemos ser fiéis à letra do Concícilio e não ao seu espírito, o qual é revolucionário (como afirma Nicola Bux) e de ruptura (Josef Ratzinger, o qual continua afirmando isso depois de Papa).

É necessário esclarecer que o uso da batina é impotante, até importantíssimo. Visto que a concupiscência é combatida com o uso do hábito, no calor, no frio, com a postura a ser testemunhada etc.

Contudo, é preocupante quando os entes acidentais são tratados como entes substanciais. Exemplo: Homem é quem tem cérebro. Logo, anacéfalo pode morrer; visto que um dos atributos do homem é a sua racionalidade, a qual os materialistas atribuem ao cérebro, e não à alma, como a razão pode demonstrar.

Usamos esta anologia para que possamos compreender que um sacerdote que não usa a batina, nem mesmo clergyman, está em desobediência (exceto no caso do clergyman), sim. Contudo, sua formação pode ter sido um tanto deficiente, e mesmo sua formação humana no seio de sua família, impedindo-o de ter atitudes de caráter enérgico. É necessário sermos compassivos, sem deixar de sermos autênticos e no tempo oportuno, levar seminaristas e sacerdotes de boa vontade a fazerem uso do hábito eclesiástico.

E que fique claro: o uso do hábito auxilia muitíssimo. E é por esta razão que a Santa Madre Igreja nos ordena a usar as possibilidades descritas acima.

Esse é um dos benefícios da batina. Uma vez que a nossa memória e a nossa imaginação, duas das quatro faculdades internas de nossa complexidade intelectual, são estimuladas pelos sentidos externos: olfato, tato, gustação, audição e visão.

Tudo que auxilia os sentidos externos é excelente. E tudo o que os leva a imaginar outras coisas menos nobres, ou mesmo más em si mesmas, deve ser evitado.

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Não nos iludamos julgando servir o Evangelho se tentamos diluir o nosso carisma sacerdotal mediante um interesse exagerado pelo vasto campo dos problemas temporais, se desejamos laicizar o nosso modo de viver e de proceder, se apagamos até os sinais exteriores da nossa vocação sacerdotal. Devemos conservar o sentido da nossa singular vocação, e tal singularidade deve exprimir-se também no nosso vestuário exterior. Não nos envergonhemos! Sim, estejamos no mundo! Mas não sejamos do mundo! Discurso do Papa João Paulo II ao clero romano

Se o seminarista não usa por piedade, por todos os fundamentos acima explicitados, mas usa por exibicionismo, por mero saudosismo, porque é
bonito apenas, é mais conveniente que nem use. É melhor que saia do seminário, pois a fashion-week não é para seminaristas.
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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

O seminarista e o uso da batina
David A. Conceição 08/2012 Tradição em Foco com Roma.

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