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Eles também não gostam do Ecumenismo.


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Após o ingresso contínuo em massa dos anglicanos à Igreja de Cristo, agora chegou a vez dos luteranos. Há muitos sites jornalísticos e até mesmo o Zenit estão noticiando os fatos de uma forma mais detalhada, o interessante é que lendo as redes sociais protestantes constatei uma revolta dos mesmos com isso que vem acontecendo, um deles mencionou que "a Igreja Católica quando elaborou o ecumenismo já tinha em mente o objetivo de levar os evangélicos para si, só os ingênuos acreditam que o ecumenismo se trata de mera união de cristãos na diversidades".

- Ingênuos - Foi uma palavra muito bem colocada para designar os modernistas, lefrevistas e relativistas de ambos os lados.

Afinal, o que é o Ecumenismo?

* Para abordar a questão, é claro, devemos primeiro entender como a Igreja define o ecumenismo. Basicamente, ecumenismo é o diálogo espiritual e a atividade que a Igreja estabelece com outros cristãos. "Outros cristãos" neste contexto é compreendido como não católicos validamente batizados.

Isso quer dizer, por exemplo, que o diálogo Católico - Ortodoxo ou Católico-Anglicano constitui ecumenismo, porque tanto os Anglicanos quanto os Ortodoxos são cristãos não-católicos validamente batizados. Mas o ecumenismo não compreende o diálogo Católico-Islâmico ou Católico-Hindu, porque os muçulmanos e hindus não batizam em nome da Santíssima Trindade. A Igreja descreve esse tipo de atividade espiritual com religiões não-cristãs como "diálogo interreligioso".

Enquanto estamos definindo termos, devemos notar que, quando lidamos com celebração comum entre católicos e outros cristãos, devemos distinguir entre communicatio in sacris ( comunicação nas coisas sagradas - co-participação nos sacramentos) e o mais geral communicatio in spiritualibus ( comunicação na espiritualidade - oração em comum).

Geralmente, a Igreja encoraja communicatio in spiritualibus entre católicos e protestantes, mas limita estritamente a communicatio in sacris a alguns sacramentos, e mesmo assim entre católicos e membros de uma Igreja oriental não-católica (veja canon 844). Por "igreja oriental não-católica" queremos dizer uma igreja oriental histórica (Ortodoxa do Leste, Ortodoxa oriental ou Igreja Assíria do Leste) cujos sacramentos e sucessão apostólica a Igreja reconhece como válidos. É diferente dos protestantes (incluindo Anglicanos), cujas afirmações de ter sacramentos válidos e sucessão apostólica a Igreja Católica não reconhece.

O Espírito do Diálogo Ecumênico

Admitidamente, a Igreja tem visto alguns abusos em nome do ecumenismo desde o encerramento do Concílio Vaticano II. Os partidários da FSSPX conhecem muitos desses abusos, e freqüentemente colocam a culpa por tais abusos no Concílio. Eles acreditam que o diálogo ecumênico esvazia a doutrina da Igreja e leva necessariamente à heresia do indiferentismo religioso (a idéia de que as diferenças entre as religiões não são essencialmente importantes). Alguns argumentam, ainda, que o ecumenismo por si mesmo é uma heresia. Eles pensam que o ecumenismo necessariamente encerra um esvaziamento do ensinamento tradicional da Igreja Católica, de que ela, e só ela, é a Arca da Salvação da Nova Aliança.

Ao fazer tais acusações, esses indivíduos falham em levar em conta a tradição perene da Igreja. Reconciliatio et Paenitentia, a exortação apostólica pós-sinodal do Papa João Paulo II sobre reconciliação e penitência, tanto aborda quanto esclarece a posição da Igreja no que se refere ao diálogo ecumênico. De fato, o Santo Padre vai além da abordagem do mero diálogo ecumênico, quando inclui todo diálogo no qual a Igreja presentemente se engaja com o propósito de empreender a verdadeira reconciliação entre as pessoas.

Com sua típica clareza de pensamento, o Santo Padre ensina:

Há que relembrar, por fim, que da parte da Igreja e dos seus membros, o diálogo, seja qual for a forma sob a qual ele se desenrole — e existem e podem existir formas muito diversas, pois o próprio conceito de diálogo tem valor analógico — não poderá nunca partir de uma atitude de indiferença em relação à verdade; mas tem de ser, sobretudo, uma apresentação da verdade, feita serenamente e com respeito pela inteligência e pela consciência dos outros. O diálogo da reconciliação não poderá nunca substituir ou atenuar o anúncio da verdade evangélica, que tem como objetivo preciso a conversão, abandonando o pecado, e a comunhão com Cristo e com a Igreja; mas deverá servir para a sua transmissão e realização, através dos meios deixados por Cristo à Igreja para a pastoral da reconciliação: a catequese e a Penitência.

Esse ensinamento solidamente insere o diálogo ecumênico na Tradição teológica e doutrinal da Igreja.

Primeiramente, o Papa João Paulo II aborda a preocupação de que o diálogo ecumênico esteja sendo usado para propagar o indiferentismo religioso. Ele reitera que o diálogo "não poderá nunca partir de uma atitude de indiferença em relação à verdade". Ele lembra os cristãos para nunca abordar o diálogo ecumênico com uma indiferença em relação à verdade.

Dessa forma o Santo Padre fecha definitivamente a porta para um possível falso uso, ou abuso, do diálogo ecumênico. Ele então reitera os princípios católicos do Concílio Vaticano II que governam o envolvimento da Igreja no diálogo ecumênico. Explica, ainda, que todo diálogo no qual a Igreja está engajada, incluindo aquele com os nossos irmãos separados, deve iniciar com "uma apresentação da verdade".

Vaticano II afirma o Papel Tradicional do Papado

Então qual é a verdade, como apresentada pela Igreja? Quais são os princípios com os quais a Igreja aborda nossos irmãos cristãos separados? Essas são questões importantes porque os partidários do cisma de Lefebvre com freqüência argumentam que, com o propósito de facilitar o diálogo ecumênico, o Concílio Vaticano II minimizou a afirmação da Igreja de ser a única fundada por Cristo sobre a pedra de São Pedro.

Os padres conciliares anteciparam essas objeções em sua declaração sobre Ecumenismo, Unitatis Redintegratio. Neste documento conciliar, os padres conciliares ensinam claramente:

Para estabelecer esta Sua santa Igreja em todo mundo até a consumação dos séculos, Cristo outorgou ao Colégio dos Doze o ofício de ensinar, reger e santificar. (Cf. Mt 28,18-20, confrontando com Jo 20,21-23) Dentre eles escolheu a Pedro, sobre quem após a profissão de fé, decidiu edificar a Sua Igreja. A ele prometeu as chaves do Reino dos céus (Cf. Mt 16,19, confrontando com Mt 18,18) e, depois da profissão de seu amor, confiou-lhe a tarefa de confirmar na fé todas as ovelhas (Cf. Lc 22,32) e de apascentá-las em perfeita unidade (cf. Jo 21,15-17).

Alicerçado nas Escrituras, os princípios ecumênicos do Concílio Vaticano II afluem dos ensinamentos de Cristo e seus Apóstolos. O Concílio ensina que a Igreja de Nosso Senhor, e portanto a unidade cristã, deve ser edificada sobre a rocha de São Pedro.

Ademais, o Concílio afirma que a tarefa de preservar e confirmar essa unidade da Igreja de Nosso Senhor pertence a São Pedro e seus legítimos sucessores no Papado Romano. A objeção de que os ensinamentos do Concílio Vaticano II sobre ecumenismo esvaziariam o papel do papado falham, pois este texto reitera o que a Igreja sempre ensinou de acordo com sua Sagrada Tradição. São Pedro é, e sempre foi, o fundamento da unidade entre os cristãos.

Ecumenismo mantém a Presença Real

São Pedro e seus sucessores são o alicerce da unidade na Igreja. No entanto, esse alicerce foi estabelecido por Jesus Cristo. Nosso Senhor é a fonte de unidade na Igreja, especialmente no que concerne Sua Real Presença no Santíssimo Sacramento.

Devemos ter isso em mente quando defendermos os ensinamentos do Concílio sobre ecumenismo, porque muitos Lefebvristas também alegam que o ecumenismo mina a fé católica na Presença Real de Nosso Senhor com o propósito de agradar os não-católicos. Essa alegação é falsa. Continue lendo o decreto do Vaticano II sobre ecumenismo, e você descobrirá o seguinte ensinamento: "E na sua Igreja instituiu o admirável sacramento da Eucaristia, pelo qual a unidade da Igreja é significada e realizada."iii

Em outras palavras, o Concílio Vaticano II convoca a Igreja a promover a unidade cristã pelo diálogo ecumênico. De fato, o concílio reconhece que a unidade não pode ser plenamente realizada ou simbolizada a não ser pelo sacramento da Sagrada Eucaristia. O Concílio Vaticano II não só mantém a posição católica tradicional acerca do Santíssimo Sacramento, mas também claramente afirma essa posição no mesmo decreto pelo qual o ecumenismo é promovido. Os padres conciliares, ao promover o diálogo ecumênico, procuraram trazer os nossos irmãos cristãos separados de volta à plena comunhão com a Igreja católica pela Eucaristia. A Eucaristia simboliza nossa unidade com a Igreja como católicos, primeiramente com Deus e então uns com os outros. Este simbolismo só pode ser plenamente realizado pelo Santo Sacrifício da Missa.

Trazendo-nos o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como perpetuando o sagrado sacrifício de Cristo na cruz, a Missa une todos os discípulos de Cristo no tempo e no espaço, unindo-os em uma Igreja. A intenção do ensinamento do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo é ajudar a reunir com a Igreja todos aqueles discípulos cristãos que se separaram por cismas históricos e heresias.

O Concílio de Florença

"Essa posição ecumênica representa um desvio da Tradição Católica", alegam muitos partidários do cisma da FSSPX. "Não se acha, antes do Vaticano II, exemplo de engajamento da Igreja Católica em atividade ecumênica similar". Essa alegação aflige muitos apologetas católicos, porque não conhecem outros exemplos de prática ecumênica da Igreja Católica com aqueles que dela se separaram. Ainda assim, tais precedentes existem na Tradição Católica.

O exemplo mais importante é provavelmente o Concílio Ecumênico de Florença. Esse concílio inteiro oferece um claro precedente da Tradição Católica para o envolvimento presente da Igreja no diálogo ecumênico. Afinal, o Concílio de Florença buscava reunir o Leste Ortodoxo e o Oeste Católico.

Durante a quarta sessão deste concílio, o Papa Eugênio IV decretou:

Eugênio, bispo, servo dos servos de Deus, para um registro permanente. Nos é apropriado render graças ao Deus Todo-Poderoso. ... Pos vejam, os povos do ocidente e do oriente, que estiveram separados por tanto tempo, apressam-se a entrar em um pacto de harmonia e unidade; e aqueles que sofreram justamente durante a longa discordância que os manteve separados, enfim depois de muitos séculos, sob o impulso Dele de quem provém toda a boa dádiva, encontram-se pessoalmente nesse lugar, impulsionados pelo desejo de Santa União.

Algumas questões devem chamar nossa atenção aqui.

Primeiramente, o Oriente e o Ocidente foram afastados um do outro por um cisma, como reconhecido pelo Papa Eugênio IV nesse decreto. Essas Igrejas apesar de tudo reuniram-se depois de muitos séculos para tentar reconciliar suas diferenças. Esse é um ato de ecumenismo, que o Papa Eugênio IV atribui ao Espírito Santo.

Na verdade, o papa não apenas atribui esse diálogo ecumênico à inspiração do Espírito Santo, mas prossegue para defender tal diálogo no Concílio de Florença como nossa obrigação cristã, afirmando: "Estamos cientes que é nosso dever e o dever de toda a Igreja de envidar todos os esforços para assegurar que essas felizes iniciativas progridam e tenham sucesso através de nosso mútuo esforço, de forma que mereçamos ser - e sejamos assim chamados - cooperadores com Deus".

A Tradição Sustenta a Oração Ecumênica

Agora alguns críticos do Concílio Vaticano II mantêm que esse ensinamento do Concílio de Florença se aplica somente ao diálogo ecumênico, não à oração em conjunto entre católicos e não-católicos. Entretanto se relermos a citação acima do Concílio de Florença, perceberemos que o papa insiste: "Nos é apropriado render graças ao Deus Todo-Poderoso". Essa é uma oração de ação de Graças.

Embora eles ainda não tenham curado seu cisma, o Pontífice Romano recitou essa oração com os padres conciliares, tanto da Igreja Católica Ocidental quanto da Oriental Ortodoxa. Esse é um exemplo claro da Tradição Católica de um papa e bispos católicos orando com aqueles irmãos cristãos que estão separados da comunhão plena.

Autoridade Espiritual Não-Católica

Alguns partidários dos cismas pós-Vaticano II desdenham o respeito demonstrado pela Igreja pela liderança eclesiástica das Igrejas e denominações não-Católicas. Essas pessoas mantêm que a Igreja deveria continuar denunciando os líderes espirituais não-Católicos como hereges e cismáticos. Desviando-se da unidade espiritual da Igreja, afirmam, os ministros protestantes e o clero Ortodoxo perdem qualquer autoridade espiritual que possuem, e por tanto qualquer direito de serem tratados com deferência pelos fiéis Católicos. Essa não é, entretanto, a posição do Papa Eugênio IV, que disse, no Concílio de Florença:

Finalmente, nosso caríssimo filho João Paleólogo, imperador dos Romanos, juntamente com nosso venerável irmão José, Patriarca de Constantinopla, os apocrisiários das outras Sés patriarcais e uma grande multidão de arcebispos, clérigos e nobres chegaram a seu último porto, Veneza, em 8 de fevereiro último.

Isso é um reconhecimento, tanto por parte do Papa Eugênio como dos padres conciliares, do título religioso e da dignidade do Imperador Ortodoxo João Paleólogo e do Patriarca Ortodoxo José de Constantinopla. Apesar de sua separação de Roma, O patriarca José é recebido no Concílio de Florença pelo Papa Eugênio IV como um irmão.

A abordagem do Concílio Vaticano II ao ecumenismo, pelo qual a Igreja trata autoridades espirituais não-Católicas tanto com respeito quanto com dignidade, portanto, mantém os mesmos princípios ecumênicos defendidos no Concílio de Florença. Sem dúvida, a realidade da heresia e do cisma ainda existe após o Concílio Vaticano II (Cf cânon 751), tanto quanto existia anteriormente ao Concílio de Florença. Entretanto, no diálogo com nossos irmãos separados, a Igreja escolhe não lhes jogar na cara os termos "herege" e "cismático".

E quanto aos Protestantes?

Apesar de tudo isso, ao defender uma posição católica tradicional do Concílio de Florença - em outras palavras, uma posição verdadeiramente baseada na Sagrada Tradição da Igreja - um apologeta católico inevitavelmente encontra a objeção de que estes textos se aplicam somente ao ecumenismo católico em relação às Igrejas ortodoxas Orientais. E quanto ao ecumenismo católico-protestante desde o Concílio Vaticano II? Existe um exemplo semelhante de um concílio ecumênico? Essas são questões importantes, uma vez que os partidários da FSSPX geralmente fazem um grande alarde a respeito do convite feito a seis teólogos protestantes a que participassem do Concílio Vaticano II como consultores.

Um ligeiro aparte: devemos notar que havia muitos observadores adicionais ortodoxos e protestantes no concílio. Os famosos "seis protestantes" constantemente citados pelos oponentes do Concílio Vaticano II eram simplesmente observadores no conselho que estava envolvido com a reforma litúrgica determinada pelo Concilio. Sugerir que esses "seis protestantes" praticamente criaram a liturgia reformada do Papa Paulo VI é um grande exagero!

Se aceitamos o Concílio de Trento como uma expressão autêntica da Tradição Católica (aceitação a que os católicos estão obrigados), então algumas objeções falham por não levarem em conta a Tradição Católica. Nos documentos da décima terceira sessão de Trento, lemos:

O Sacrossanto Geral e Ecumênico Concílio de Trento, reunido legitimamente no Espírito Santo .... concede no que toca ao Santo Concílio, a todas e a cada uma das pessoas eclesiásticas ou seculares de toda a Alemanha, de qualquer graduação, estado, condição e qualidade que sejam, que desejem concorrer a este Ecumênico e Geral Concílio, a fé pública e plena segurança que chamam salvo-conduto, ... ainda que se devessem se expressar em particular e não em termos gerais, os mesmos que quiseram se tenham por expressados para que possam e tenham faculdade de conferenciar, propor e tratar com toda liberdade das coisas que tenham de discutir no mesmo Concílio Geral, e permanecer e viver nele, e também para representar e propor tanto por escrito como de viva voz os artigos que lhes parecesse e conferenciar e discutir com os padres ou com as pessoas que indicar o mesmo santo Concílio, sem injúrias nem ultrajes, e igualmente para que possam retirar-se quando quiserem quando for sua vontade.

Devemos fazer algumas observações importantes aqui.

Primeiramente, o Concílio de Trento convidou e ofereceu estadia segura para os protestantes que quisessem ir e participar daquele concílio ecumênico.

Em segundo lugar, Trento convidou protestantes de todas as classes sociais e patentes eclesiásticas para compartilharem suas visões teológicas, propor tópicos para debate, e participar, em geral, das atividades diárias daquele concílio ecumênico.

Em terceiro lugar, Trento permitia que os protestantes se retirassem a qualquer tempo.

Finalmente, Trento convidou protestantes para serem mais que simples observadores.

Claramente, em Trento foi feito um convite público ao diálogo ecumênico entre Católicos e Protestantes. E uma vez que o Luteranismo tomava a maior parte da nação alemã à época do Concílio, esse convite foi muito mais amplo que o convite feito a um punhado de teólogos protestantes no Vaticano II. Trento permitia aos protestantes presentes ao Concílio um grau de participação muito maior do que o permitido aos teólogos protestantes observadores no Vaticano II.

O Vaticano II e a Liberdade Religiosa

Podemos agora focar nossa atenção por um momento na questão do Vaticano II e a liberdade religiosa. Enquanto tecnicamente falando essa é uma questão teológica diversa, e no entanto, freqüentemente mesclada com o ecumenismo por aqueles que desafiam a ortodoxia do Concílio Vaticano II. Na verdade, essa é provavelmente o obstáculo teológico mais difícil que os partidários da FSSPX devem superar antes de se reconciliarem com a Igreja, especialmente devido à crença popular e errônea de que o Arcebispo Lefebvre se recusou a assinar a Declaração sobre Liberdade Religiosa do Concílio Vaticano II, Dignitatis Humanae.

Qualquer estudioso com acesso aos arquivos do Vaticano sabe que esse boato é falso. O Arcebispo Lefebvre assinou sim o documento em questão. Na verdade, qualquer um que procure a assinatura de Lefebvre no documento não precisa procurar além do Acta Synodalia (Os atos do Sínodo)

Depois que o partidário do cisma da FSSPX supera o choque inicial de ver a assinatura de Lefebvre na Dignitatis Humanae, ele geralmente oferece uma objeção teológica ao magistério do Concílio Vaticano II sobre liberdade religiosa. Em resumo, essa objeção pode ser expressa como se segue: O Papa Pio IX condenou a proposição seguinte no seu Syllabus de Erros*: "15. É livre a qualquer um abraçar e professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira." Isso parece contradizer o que ensina a Dignitatis Humanae sobre liberdade religiosa, que afirma:

Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Esta liberdade consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres de coação, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência(...)

Em um primeiro momento, esses dois ensinamentos magisteriais parecem irreconciliáveis. No entanto, a Igreja não pode contradizer a si mesma, e obviamente não pode falhar, também. Então devemos fazer uma cuidadosa distinção entre liberdade moral e política.

A condenação do Papa Pio IX da liberdade religiosa é destinada aqueles que afirmam que toda expressão religiosa se equivalem - aqueles que dizem que o homem possui uma liberdade moral de escolher qual expressão religiosa lhe agrada mais. Por volta do tempo do Concílio Vaticano II, aproximadamente dois terços do mundo jazia sobre o jugo da política opressora do comunismo ateu, então o Concílio Vaticano II abordou essa situação na Dignitatis Humanae. Em resumo, o Concílio ensinou que todos os fiéis têm a liberdade política de cultuar Deus, e os vários estados comunistas não podem coagir os fiéis religiosos ao ateísmo.

Uma vez que compreendamos esse contexto, podemos ver como os ensinamentos do Papa Pio IX e do Concílio Vaticano II são facilmente reconciliáveis, porque eles abordam situações diferentes. Ao reconhecer a liberdade religiosa, a Dignitatis Humanae reafirma a obrigação moral do homem de buscar a verdade, afirmando: "todos os homens, que são pessoas dotadas de razão e de vontade livre e por isso mesmo com responsabilidade pessoal, são levados pela própria natureza e também moralmente a procurar a verdade, antes de mais a que diz respeito à religião. Têm também a obrigação de aderir à verdade conhecida e de ordenar toda a sua vida segundo as suas exigências."

Visões Novas com um Alicerce sólido

Concluindo a apologia dos ensinamentos do Vaticano II sobre ecumenismo, podemos afirmar que esses ensinamentos são visões novas da nossa Tradição Católica, formuladas para abordar novas crises que surgiam no mundo moderno. Elas não representam um desvio do que a Igreja sempre ensinou. O ecumenismo católico é fundamentado solidamente na Tradição Católica, como transmitida pelos concílios ecumênicos anteriores, e simplesmente ressurgiu no Concílio Vaticano II.

Os ensinamentos do Vaticano II sobre ecumenismo apoiam-se nos precedentes ecumênicos da Igreja estabelecidos no Concílio de Florença e no Concílio de Trento. Como católicos, podemos acolher o magistério do Concílio Vaticano II sobre ecumenismo, porque esse magistério tem raízes sólidas na Tradição Católica.

* Referência do site The Catholic Legate

PARA CITAR ESTE ARTIGO:



Eles também não gostam do Ecumenismo.
David A. Conceição, março de 2011, blogue Tradição em Foco com Roma.



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