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Indulgências


Essa história de venda de indulgências se concretiza num ou outro caso de abuso e não numa prática comum até Trento como os protestantes descrevem.

Indulgência é a remissão da pena temporal devida aos pecados já perdoados.

Indulgência plenária é a que remite toda a pena temporal devida; parcial a que remite só parte dela. 

Todo pecado leva uma culpa e uma pena. A culpa é perdoada na confissão. A pena deve ser expiada nessa vida ou na outra, como no caso de uma dívida que é perdoada, mas não os juros (penalidade).

A Igreja tem o poder de perdoar esta pena através das indulgências.

A indulgência é a remissão diante de Deus da pena temporal pelos pecados já perdoados no que se refere à culpa, que o fiel devidamente disposto e sob determinadas condições adquire mediante a intervenção da Igreja, a qual, como ministra da redenção, dispensa e aplica com autoridade o tesouro das expiações conquistadas por Cristo e pelos santos.

A indulgência é parcial ou plenária, dependendo de se libera somente uma parte ou toda a pena temporal causada pelos pecados. Ninguém pode oferecer a indulgência que adquire por pessoas que ainda vivem. As indulgências parciais ou plenárias podem ser aplicadas aos defuntos como sufrágio.  

A própria Bíblia nos fala de uns pecados maiores do que outros. Jesus diz a Pilatos: “O que me entregou a ti tem maior pecado” (João XIX, 11). Ora, se entre duas faltas tão graves, como eram a covardia de Pilatos e a traição de Judas, se estabelece uma diferença, quanto mais aqueles pecados que são faltas graves por sua natureza e aqueles que todo mundo está vendo serem faltas leves.

Nosso Senhor mesmo no Evangelho repreende os judeus na sua cegueira, no seu egoísmo, enxergam faltas leves nos outros, ao mesmo tempo que não enxergam faltas muito graves em si próprios, dizendo que estes judeus vêem um arqueiro no olho do próximo e não vêem uma trave no seu: “Por que vês tu, pois, a aresta no olho de teu irmão, não vês a trave no teu olho?” (Mateus VII, 3). Em outra ocasião, depois de censurar os hipócritas escribas e fariseus, porque se esforçam por observar preceitos pequeninos e não cuidam de cumprir com os grandes preceitos da lei de Deus, depois de dizer que eles deviam observar estes últimos sem omitir aqueles outros, Nosso Senhor acrescenta: “Condutores cegos, que coais um mosquito e engolis um camelo” (Mat. XXIII, 24).

Portanto, segundo o ensino do Divino Mestre, pode haver diferença muito grande de pecado para pecado, diferença tão grande como há de um “mosquito” para um “camelo”, de um “arqueiro” para uma “trave”.

A própria razão nos indica a diferença entre pecados mortais e veniais.

Toda mentira é pecado, porque faltar à verdade é ofender a Deus. Mas uma coisa é a mentira inocente, de mera desculpa, para ocultar algum fato desagradável, e outra é a mentira que encerra em si uma calúnia que vai manchar miseravelmente a reputação de próximo. A censura feita aos outros é sempre pecado, porque é faltar com a caridade. Mas não se pode comparar a censura bem fundamentada sobre falta leve, feita com moderação, com a censura maliciosa sobre faltas graves de que não se tem certeza. Não se pode comparar uma simples palavra dita por imprudência com uma blasfêmia premeditada. A mesma ação e o mesmo pecado podem variar no grau de culpabilidade, conforme se tenham cometido com maior ou menor advertência ou consentimento da vontade, que também admitem graus.

Não querer fazer distinção alguma entre pecados mortais e veniais é mostrar-nos um Deus excessivamente rigoroso, que condena o homem ao fogo eterno mesmo por faltas muito leves, porque destas faltas é certo que Deus não faz vista grossa e temos de prestar contas delas no juízo, onde seremos chamados à responsabilidade até por uma palavra inútil: “E digo-vos que toda palavra ociosa que falarem os homens, darão conta dela no dia do juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado” (Mat. XII, 36 e 37); “Sede vós, logo, perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito” (Mateus V, 48).

Não ver nenhuma diferença entre pecados graves e leves, considerar qualquer pecado como merecedor da condenação eterna, e ao mesmo tempo exigir o arrependimento para se obter o perdão, arrependimento este que implica necessariamente um sério propósito de emenda (do contrário não é arrependimento sincero) é o mesmo que colocar-nos numa situação sumamente angustiante, em que são raríssimos os que escapam dos tormentos do Inferno. 

Lembrando que a penitência pede um arrependimento e sacrifício que indique uma mudança de vida, podemos realcionar os seguintes versículos sobre o tema:

Mateus XXVI, 75

Lucas VII, 37-50

Lucas XV,11-32

Lucas XVIII, 13

Lucas XIX, 8

Lucas XXIII, 41

II Cor. VII, 10  

Jesus falou de indulgências sim.

Vê por exemplo quando fala sobre a prisão e que ninguém sairá de lá até pagar o último centavo.

Claro fica que o texto não fala de uma prisão terrena - Mt 5, 22.25-26 - Fala de um julgamento onde o Juiz pode condenar, mandar para o fogo da Geena, ou pode apenas lançar na prisão de onde pode sair.;

O  único Juiz com poder de lançar na Geena é Deus, e esta prisão é um lugar que não é a Geena ou inferno, pois dali ninguém sai, nem é o céu, pois este não é uma prisão.;

Portanto é um lugar a parte de onde podemos sair, após pagar o último centavo.

Ora esta "dívida" nada mais são que as consequências de nossos pecados, que são perdoados na confissão.

Se nós fizermos tudo correto, pagamos nossas divídas e vamos para o Céu. Se fizermos errado e não nos arrependermos vamos para o Inferno, se fizermos errados, mas nos arrependermos, porém ainda faltar PENITÊNCIAS (lembra: Arrependei-vos e fazei penitência dito pelo próprio Jesus), esta "dívida" deverá ser paga na prisão.

Ou seja vamos pagar, ou purgar nossas dívidas, nesta prisão de onde poderemos sair, após pagar o último centavo.

As indulgências nada mais são que estes "centavos" que nos faltam para apagar nossa dívida. Se plenária, apaga toda dívida, se parcial, parte da dívida.

A Igreja fala em LUCRAR indulgência por isto, pois Jesus trata a questão como uma dívida.

Quando lucramos indulgências de 50 anos, por exemplo, equivale, não ao tempo de permanência no purgatório porque é atemporal, mas ao tempo que precisaríamos passar em penitência para nos livrar de tal dívida (não de tal pecado que foi perdoado na confissão).


PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Indulgências David A. Conceição 03/2011 Tradição em Foco com Roma.

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