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Dividir o Pará. Sim ou não?


Acredito que toda a população brasileira ficou surpresa com a notícia do plebiscito que irá decidir o destino do Pará que poderá se dividir em 3 estados. Eu mesmo não gostaria de ver o Rio de Janeiro, com sua tradição histórica e católica, ser repartido como pizza cujo fim nem saberíamos.

Quais seriam as vantagens e desvantagens da divisão geográfica do Pará?


Segundo os próprios moradores, das regiões de tapajos, carajás e do nordeste paraense a região de Carajás é a que possui o pior nivel de escolaridade, saúde, água encanada, coleta de lixo. Como isso é possivel? Se dessa região estão 3 das cidades que mais contribuem para a exportação do atual estado do Pará.

Os moradores alegam que sofrem com diversos problemas como a falta de distribuição elétrica, a péssima qualidade das rodovias para que os produtos sejam exportados ou importados de maneira mais eficaz, eles tem uma grande potencial mineral porém não tem profissionais qualificados na cidade, pelo fato das Universidades públicas estarem sucateadas, sem o apoio da VALE os cursos de engenharia da UFPA seriam inviáveis.

Se o estado de Carajás for criado, seria grande desde o começo já que contariam com a hidrelétrica de Tucuruí, com o potencial bovino da região, e teriam a maior província mineral do Brasil, talvez do planeta.

O estado de Carajás iria ter 296.616,2 Km² mais de 1.300.000 habitantes, mais de 800.000 eleitores, e 39 cidades. Não há o que temer, pode vir um futuro grandioso onde é necessario que se libertem das correntes do passado e busquem o seu futuro, o progresso.

A questão é que Marabá nunca foi uma cidade qualquer, neste século sempre esteve contribuindo e muito para a economia do Pará, no ciclo da borracha, da castanha, do diamante e agora do ferro.

Acontece que com pessoas da região governando fica muito mais facil remediar problemas, que pela questão burocratica levariam meses a mais, fruto da distância? Do desinteresse? Ou de ambos? Não acham que cargos públicos como assistentes sociais, médicos, professores universitários, policiais, etc. São muito interessantes para uma região?

Se preocupam muito com os cargos politicos achando que o novo estado só será criado pela corrupção e acabam esquecendo dos principais motivos, com a criação do novo estado o desenvolvimento vai fluir de forma mais fácil ou até espontânea, motivados pelo ego de que o Pará é o segundo maior estado não conseguem ver os beneficios da divisão do estado e esquecem que estados como Tocantis e Mato Grosso do Sul deram certo, esquecem também que o governo do estado não tem a infraestrutura necessária para conseguir chegar de maneira efetiva em todos os cantos do Pará.

Um estudo sobre a divisão do Pará foi feito, pelo que vi várias pessoas concluiram que a divisão é viável economicamente e socialmente tanto para os novos estados e para o estado do Pará.

No Tocantis tem 4 universidades com cursos de medicina, lá tem 1,3 milhões de habitantes a região sudeste do Pará tem 1,5 e não tem um curso de medicina sequer e faltam médicos no hospital regional.

Se aprovados em plebiscito, os Estados do Tapajós e de Carajás serão compostos por 27 e 39 municípios respectivamente. Mais um governador, vice-governador e três senadores (cada um com dois suplentes)

O Pará hoje conta com 17 deputados federais, que pela constituição dá direito a 41 deputados estaduais. Com a divisão será que vão manter esses mesmos 17/2?! Acredito que deve ficar no mínimo 12 deputados federais para cada, o que permitirá o número de 36 deputados na assembléia de cada novo estado.

Para quem é contra a divisão argumenta que o Pará possui uma vasta plataforma territorial e sua gestão, para se tornar eficaz, necessita de medidas que visem a descentralização administrativa, mas não ao ponto de se criar uma nova unidade federada, bem como uma acompanhamento mais próximo dos orgãos de controle político-fiscal, no sentido de priorizar a moralidade na administração pública.

Mas o que a maioria, pelo que vejo nas enquetes, querem a divisão e acreditam que as regiões dividias irão se desenvolver mais. É questão de raciocínio básico. Se o prefeito mora do lado da sua casa é mais fácil cobrar, se ele mora em outro bairro dificilmente ele irá fazer uma obra importante em seu bairro. A mesma coisa acontece com o Pará, o Governo tem sua sede a 1000 km de distância e são as regiões menos desenvolvidas, se dividir o que restará ganhará muito, devido o governo cuidar melhor de um território menor e nem tão menor assim. Mesmo dividido o Pará será 5 vezes maior do que o Estado do Rio de Janeiro e quase do tamanho do Estado de São Paulo.

As regiões dos futuros novos Estados buscariam financiamento externo para seus projetos de desenvolvimento, financiar é uma coisa comum nos Estados, São Paulo pega bilhões em empréstimo para seus Projetos que são pagos com o desenvolvimento obtido com os investimentos. Com status de Estados os novos governadores estarão livres para conseguir empréstimos para desenvolver suas regiões que não são atendidas por Belém. O maior beneficiário será o novo Pará que não terá responsabilidade de cuidar de regiões enormes sem orçamento suficiente.

Essa divisão irá afetar também as divisões diocesanas. De um certo modo, estou até torcendo pela divisão do Pará para que Bento XVI crie novas dioceses e nomeie bispos ortodoxos para começar o trabalho da sua Reforma naquelas regiões. Tudo o que acontece em nossas vidas sempre tem algo do plano de Deus que não compreendemos de início, mas que depois é motivo para darmos graças. Rezemos!

 

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