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Mais um “abacaxi” para os ativistas da Sé vacante descascarem

Toda seita é formada por grupos que se desligam do seu corpo original e passam a combatê-lo. E a recompensa prometida para quem se alicia a nova corrente religiosa é primeiramente a salvação, em seguida todo sacrifício feito para o crescimento da seita e ataque ao tronco de origem é visto como um ato de louvor à divindade cultuada sendo que a própria -através de visões, relevações ou atos de inspiração de seu mentor- aprova tudo o que está sendo feito. A visão da divinvidade corrobora com a doutrina da seita criada. Essa lavagem cerebral impede do membro fazer qualquer questionamento pois a denominação religiosa é imposta como enviada pela própria divindade.

A mesma situação acontece com os ativistas sedevacantes, que formam um grupo (não, "grupo" é ainda um elogio, pois a idéia de grupo equivale a uma quantidade numerosa, vamos classificá-los como "dezena", já que nem isso formam aqui no Brasil) que se desligaram da Igreja formalmente (ainda que há alguns que tem vergonha de assumir essa posição publicamente devido à anormalidade do fato para explicar esse tipo de ideologia para um leigo) e se julgam os eleitos, os verdadeiros, os únicos, os escolhidos para guardarem a fé e tentarem de todos os modos elucidar o mundo sobre as terríveis heresias da que eles chamam de "Igreja Conciliar".
É uma dezena patética de pessoas que não oferecem risco nenhum, não crescem e de vez em quando contratam um dito sacerdote argentino "El Espina és magnífico!" para rezar suas missas (válidas?) e receberem de suas mãos os sacramentos (válidos? ilícitos? com que jurisdição?).

Como toda seita, é preciso criar uma doutrina para diferenciar-se do seu ramo primário. E além da criação da doutrina da vacância que eles sustentam apenas com citações de Santos com valor dogmático, -Usam muito citações de São Roberto Belarmino, mas Santo Tomás de Aquino era contra a Imaculada Conceição e vimos que sua posição não gozou de infabilidade- também foi inventada uma doutrina que não faz eco nenhum com a Tradição e com os ensinamentos católicos, a de que cristãos e mulçumanos não adoram o mesmo Deus.

Algumas considerações:

O Deus de Aristóteles é, evidentemente, o mesmo Deus de Santo Tomás e nosso. E ele era pagão.

A falta de conhecimento de Aristóteles no que tange à Trindade ou à fé cristã não impede o raciocínio natural que podemos ter sobre Deus. O mesmo pode ser dito da noção de Deus dentro do Islamismo, se essa noção for adequada ao entendimento filosófico do que compreendemos como Deus. Afinal o conhecimento de Deus não restrito à fé nem à Revelação.

Uma coisa é servir-se da Igreja como único meio da salvação. Outra coisa é dizer que o conhecimento de Deus está restrito à fé ou à Revelação. Esta última é tese condenada pela Igreja no Concílio Vaticano I, pelo extremismo ilógico o padre Feeney foi condenado porque foi tão longe no entendimento de que fora da Igreja não há salvação que acabou negando a validade do batismo de desejo.

Nós católicos temos a fé verdadeira, total, e por isso acreditamos no Deus verdadeiro; os "ortodoxos" e protestantes tem uma noção incompleta ou distorcida da Revelação e acreditam no Deus verdadeiro; os mulçumanos não tem a fé verdadeira, mas cultuam o Deus verdadeiro e os hindus mesmo os supostamente monoteístas não possuem a fé verdadeira e nem cultuam o Deus verdadeiro, pois a noção de Deus deles é completamente diferente da nossa.

O mulçumano, tendo em vista aspectos da doutrina de sua religião, cultua um Deus único, criador do céu e da terra e remunerador, ou seja, o Deus verdadeiro, mas tal culto não implica que essa doutrina seja verdadeira e de fato não é e nem que ele será aceito, pois isso depende das disposições subjetivas de quem presta o culto, ignorância invencível ou não.

Vejamos a incompatibilidade da Tradição com a doutrina sedevacante.

Catecismo de São Pio X

"Daqueles que estão fora da Igreja

225) Quem são os infiéis?

Os infiéis são aqueles que não foram batizados e não crêem em Jesus Cristo, seja porque crêem e adoram falsas divindades, como os idólatras; seja porque, embora admitam o único Deus verdadeiro, não crêem em Cristo Messias, nem vindo na pessoa de Jesus Cristo, nem como havendo de vir ainda: tais são os maometanos e outros semelhantes"

O Papa Leão XIII distingue os idólatras dos adeptos do Islamismo ao fazer a Consagração de toda raça humana ao Sagrado Coração de Jesus

"Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai os vossos olhares sobre nós, humildemente prostrados diante de vosso altar. Nós somos e queremos ser vossos; e para que possamos viver mais intimamente unidos a Vós, cada um de nós neste dia se consagra espontaneamente ao Vosso Sacratíssimo Coração.

Muitos nunca Vos conheceram; muitos desprezaram os vossos mandamentos e Vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros trazei-os todos ao Vosso Sagrado Coração.

Senhor, sede o Rei não somente dos fiéis que nunca de Vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei que eles tornem quanto antes á casa paterna, para que não pereçam de miséria e de fome. Sede o Rei dos que vivem iludidos no errom ou separados de Vós pela discórdia; trazei-os ao porto da verdade e à unidade de fé, a fim de que em breve haja um só rebanho e um só pastor.

Sede o Rei de todos aqueles que estão sepultados nas trevas da idolatria e do islamismo, e não recuseis conduzi-los todos á luz e ao Reino de Deus.

Volvei, enfim, um olhar de misericórdia aos filhos do que outrora vosso povo escolhido; desça também sobre eles, um batismo de redenção e de vida, aquele sangue quem um dia sobre si invocaram.

Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai-lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a todos; fazei que de um a outro pólo do mundo ressoe uma só voz: Louvado seja o Coração divino que nos trouxe a salvação! A Ele honra e glória por todos os séculos dos séculos. Amém".

E sobre o documento Nostra Aetate, os críticos passam ao largo da nota que ela faz a carta que o Papa Gregório VII escreveu ao rei Anazir (Al-Názir) da Mauritânia. Nela está dito:

"Vós e Nós estamos unidos, por uma caridade peculiar, comparada com o resto das nações, pois nós acreditamos e confessamos o Deus único, mas duma maneira diferente, a Quem nós louvamos e veneramos diariamente como Criador do tempo e Governante do Mundo" (Papa Gregório VII, Epístola 21, Migne´s Patrologia Latina).

Texto original: " Hanc itaque chatitatem nos et vos speciabibus nobis quam caeteris gentibus debemus, qui unum Deum, licet diverso modo, credimus et confitemur, qui eum Creatorem saeculorum et gubernatorem hujus mundi quotidie laudamus et veneramur.

Não há de errado na citação da Nostra Aetate. Ela diz que os mulçumanos possuem algumas crenças e práticas corretas, que podemos considerar como uma religião natural, e que por isso a Igreja olha com estima para eles. Dizer que adoramos o mesmo Deus significa que, sendo deus na concepção islâmica também eterno, criador do universo, infinito, justo e misericordioso, etc. só pode ser tratar do mesmo Ser. O fato de negarem a Trindade ou a Encarnação significa que erram a respeito de Deus e não que adoram outro deus além do Criador. O que podemos contestar é se os fiéis estão sendo instruídos sobre a necessidade da fé na Trindade e na Encarnação, e em como os mulçumanos erram a respeito disso.

"Quem, conhecendo bem o Antigo e o Novo Testamento, ler o Corão, vê claramente o processo de redução da Divina Revelação que nele se efetuou. É impossível não perceber como ele está longe daquilo que Deus disse de Si mesmo, primeiro no Antigo Testamento pela bova dos profetas, e depois de modo definitivo no Novo Testamento por meio de Seu Filho. Toda esta riqueza da auto-revelação de Deus, que constitui o patrimônio do Antigo e do Novo Testamento, foi de fato posta de lado no Islamismo.

Ao Deus do Corão se dão alguns nomes mais belos que se conhecem na lingua humana, mas em última instância trata-se de um Deus fora do mundo, um Deus que é apenas Majestade, nunca Emanuel, Deus-conosco. O Islamismo não é uma religião de redenção. Nele não há espaço para a Cruz e para a Ressureição. Menciona-se Jesus, mas apenas um profeta que prepara a vinda do último profeta, Maomé. Recorda-se também Maria, Sua Mãe virginal, mas se acha totalmente ausente o drama da redenção. Por isso, não apenas a teologia, mas também a antropologia do Islã se acha muito distante da cristã."

Cruzando o Limiar da Esperança, página 98, João Paulo II

Cremos no mesmo Deus e não há desavenças. As coisas são bem simples: embora creiamos num mesmo Deus, os judeus ficaram acreditando no mesmo Deus de forma incompleta, e os mulçumanos no mesmo Deus de forma deturpada. Nós estamos certos, eles é que estão errados.

Lógico, a teologia sobre a unicidade monoteísta não impede a evangelização que todo católico deve fazer aos islâmicos, que devem se converter e se incorporar ao Corpo Místico de Cristo, tal como fez Magdi Allan, convertido que recebeu os sacramentos das mãos de Bento XVI.

Agora, quero ver como os ativistas sedevacante vão sair dessa, já que não há "ambiguidade" nas declarações dos Papas sobre a questão, aproveito a grande quantidade de leitores que esse blog tem para deixá-los com uma mão na frente e outra atrás, já que uma vez pedi refutação com um ativista de Anápolis e até hoje ele me deixou sem resposta. Clássico.

Rezemos para que essas almas se libertem dessa desgraça e retornem para o verdadeiro caminho conforme determinou Cristo.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino