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Brasil, país dos cartéis


Por Victor Fernandes, CONS Paraná

Em anos recentes, assistimos à aquisição da Sadia pela Perdigão. Também presenciamos a compra da Brasil Telecom pela Oi. No atual momento, discute-se a fusão do Carrefour com o Pão de Açúcar. É nesse contexto de gradativa supressão da livre concorrência que assistimos ao nascimento de outro descalabro: a compra da Webjet pela GOL, evento que diminuirá a disputa pelo mercado entre as empresas, empurrando os preços das passagens aéreas para cima. Entretanto, nem de longe isso é o pior, como será demonstrado:


Bem se sabe que o princípio da livre concorrência é essencial para a existência e manutenção do capitalismo. Portanto, suprimi-lo equivale a destruir o sistema econômico vigente, é retroceder na liberdade econômica que o caracteriza. Não por acaso, no ranking anual de liberdade econômica da Heritage Foundation estamos mais próximos do Irã, de Cuba e da Eritréia que da Grã-Bretanha ou dos Tigres Asiáticos. Que ninguém considere esse fato como algo acidental, fruto da "inocente" incompetência e da "cândida" malandragem dos nossos dirigentes (ou haddadianamente, dirigentas): é manobra calculada, consciente, planejada. É a construção do socialismo petista em curso.

Muitos talvez duvidem da atual ascensão do socialismo em terras brasileiras, já que aparentemente a propriedade privada não foi tocada, e os grandes empresários, classe "reacionária" por excelência, apóia entusiasmadamente o governo atual, sob o qual lucra como nunca. Esse falso paradoxo é explicado pelo professor Olavo de Carvalho:



[...]Se o sistema medieval havia durado dez séculos, o absolutismo não durou mais de três. Menos ainda durará o reinado da burguesia liberal. Um século de liberdade econômica e política é suficiente para tornar alguns capitalistas tão formidavelmente ricos que eles já não querem submeter-se às veleidades do mercado que os enriqueceu. Querem controlá-lo, e os instrumentos para isso são três: o domínio do Estado, para a implantação das políticas estatistas necessárias à eternização do oligopólio; o estímulo aos movimentos socialistas e comunistas que invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal; e a arregimentação de um exército de intelectuais que preparem a opinião pública para dizer adeus às liberdades burguesas e entrar alegremente num mundo de repressão onipresente e obsediante (estendendo-se até aos últimos detalhe da vida privada e da linguagem cotidiana), apresentado como um paraíso adornado ao mesmo tempo com a abundância do capitalismo e a “justiça social” do comunismo. Nesse novo mundo, a liberdade econômica indispensável ao funcionamento do sistema é preservada na estrita medida necessária para que possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios político, social, moral, educacional, cultural e religioso.

Com isso, os megacapitalistas mudam a base mesma do seu poder. Já não se apóiam na riqueza enquanto tal, mas no controle do processo político-social. Controle que, libertando-os da exposição aventurosa às flutuações do mercado, faz deles um poder dinástico durável, uma neo-aristocracia capaz de atravessar incólume as variações da fortuna e a sucessão das gerações, abrigada no castelo-forte do Estado e dos organismos internacionais. Já não são megacapitalistas: são metacapitalistas – a classe que transcendeu o capitalismo e o transformou no único socialismo que algum dia existiu ou existirá: o socialismo dos grão-senhores e dos engenheiros sociais a seu serviço.

(CARVALHO, Olavo de; in "História de quize séculos")
Se com o trecho acima fica claro o interesse dos metacapitalistas em subsidiar a ascensão de grupos políticos comprometidos com o controle da economia, seja sob a forma de escorchantes impostos ou de regulamentações draconianas, ou pior, sob a forma de condicionamento dos valores, do intelecto e da sensibilidade da sociedade, talvez ainda não esteja claro o interesse dos próprios socialistas neste tipo de cópula sacrílega. Para elucidar esse aspecto, recorreremos a outro artigo do mesmo autor:


[...]Se todos os meios de produção são estatizados, não há mercado. Sem mercado, os produtos não têm preços. Sem preços, não se pode fazer cálculo de preços. Sem cálculo de preços, não há planejamento econômico. Sem planejamento, não há economia estatizada. “Comunismo” é apenas uma construção hipotética destituída de materialidade, um nome sem coisa nenhuma dentro, um formalismo universal abstrato que não escapa ileso à navalha de Occam. Não existiu nem existirá jamais uma economia comunista, apenas uma economia capitalista camuflada ou pervertida, boa somente para sustentar uma gangue de sanguessugas politicamente lindinhos.[...]

[...]Alguns grandes capitalistas ocidentais tiraram da demonstração de von Mises algumas conclusões mais agradáveis (para eles próprios). Se a economia comunista era impossível, todos os esforços destinados nominalmente a criá-la acabariam gerando alguma outra coisa. Essa outra coisa só poderia ser um capitalismo oculto, como na URSS, ou um socialismo meia-bomba, uma simbiose entre o poder do Estado e os grupos econômicos mais poderosos, um oligopólio, em suma. As duas hipóteses prometiam lucros formidáveis, aquela pela absoluta ausência de impostos, esta pela garantia estatal oferecida aos amigos do governo contra os concorrentes menos dotados. Se a primeira ainda comportava alguns riscos menores (extorsão, vinganças pessoais de funcionários públicos mal subornados), a segunda era absolutamente segura.

(CARVALHO, Olavo de; in "Quem foi que inventou o Brasil?")
No Brasil, capitalismo é isso: uma parceria de empresários inescrupulosos que querem se ver livres das incertezas do mercado a custa do nosso bolso, ao lado de políticos que dão a eles a chave do cofre desde que permitam-lhes usar a sociedade como um grande laboratório para seus experimentos culturais. Coisas como kit gay,cartilha das drogas e reconhecimento da prostituição como profissão é a esquerda fazendo da sociedade seu Lego, montando e desmontando os valores do povo brasileiro ao sabor dos instáveis e doentios caprichos de seu macabro senso lúdico.

 

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