.

Devoção à Virgem Maria é necessária à salvação



"Em que sentido é necessária a devoção a Maria"

Quando se afirma, pois, que a devoção a Maria é necessária 
para salvar-se:

a) Deve-se distinguir, antes de tudo, entre necessário e necessário. Existe, com efeito, uma necessidade que é absoluta e uma necessidade que é hipotética, uma que é física e outra que é moral. De qual dessas necessidades se está falando no presente caso? Tenciona-se a falar, evidentemente, não propriamente a uma necessidade absoluta ou antecedente, como se Deus não tivesse outro meio de salvar as almas, mas de uma necessidade hipotética ou conseqüente, isto é, em conseqüência da vontade mesma de Deus, que quis livremente dispor assim. Trata-se, além disso, não de uma necessidade física, como se ninguém tivesse, sem isso, capacidade física de salvar-se; mas se trata, antes, de uma necessidade moral,entendida no sentido de que alguém, recusando-se a servir-se desse meio, viria a comprometer de modo muito sério a consecução de seu fim, ou seja, de sua eterna salvação.

b) Trata-se, ademais, de afirmar essa necessidade hipotética e moral para os adultos e não propriamente para as crianças (ou adultos equiparados às crianças) incapazes de atos de devoção. Portanto, para estas a devoção a Maria não é necessária, como o são a graça santificante e o Batismo. Com relação aos adultos mesmos, trata-se, a seguir, dos que conhecem, como se supõe, suficientemente a Maria, o lugar extraordinário que Ela ocupa e a parte necessária que Ela desempenha, pela livre vontade de Deus, na obra de nossa salvação, como Medianeira, isto é, como Co-redentora, Mãe espiritual da humanidade e Distribuidora de todas e de cada uma das graças divinas.


Ficam excluídos, portanto, todos os adultos que, sem culpa sua, carecem desse conhecimento, como são os fiéis não ainda instruídos ou os fiéis não suficientemente instruídos. Nesses, com efeito, dada sua ignorância não culposa, pode-se facilmente supor uma devoção implícita,interpretativa, no sentido de que estariam prontos a venerar e a invocar Maria, se tivessem dEla um conhecimento suficiente.

c) Trata-se, enfim, de uma recusa positiva de culto e devoção a Maria ou de positiva indiferença para com o mesmo. Esse desdém, com efeito, faria logicamente supor que o culto e a devoção a Maria seriam praticamente considerados coisa ilegítima e inútil, o que é erro grave contra a fé, condenado pelo Concílio de Trento (Sess. XXV).

Restringida a questão a estes limites, não é nada difícil demonstrar com sólidos argumentos que a devoção a Maria é necessária para salvar-se."

ROSCHINI, Gabriele. Istruzioni Mariane, capítulo IV, n. 3, pp. 305s

Uma marca forte da espiritualidade de nosso querido Papa João Paulo II era o seu amor a Maria Santíssima, que se desdobra nos seus riquíssimos ensinamentos. Em todos os seus pronunciamentos e documentos, a Virgem Maria está sempre presente.

Desde a sua juventude, quando se deparou com o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort, o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, a devoção à Maria passou a ocupar um lugar especial em sua vida de seminarista, padre, bispo, cardeal e Papa. Ele mesmo disse:

"A leitura deste livro marcou em minha vida uma transformação decisiva... A conseqüência foi que a devoção de minha infância e mesmo de minha juventude para com a Mãe de Cristo ganhou uma nova dimensão... Enquanto antes me mostrava reservado, com medo de que a devoção a Maria pudesse deixar Cristo na sombra, em vez de lhe dar prioridade, entendi agora, à luz do Tratado de Grignion de Montfort, que a realidade é totalmente diferente. A devoção a Maria, que tomou assim, uma forma determinada, continuou viva em mim. Tornou-se uma parte integrante da minha vida interior e de meu conhecimento espiritual de Deus." (Papa João Paulo II).


Se um católico aprende a grandiosidade da intercessão de Maria e da mediunidade de tantas graças que Ela nos concede, por obrigação moral deve rezar por ela ao menos en agradecimento. Mais claro que o texto postado no início do tópico, impossível. Leia com calma.

Além disso um padre daqui costuma dizer que para entrar no céu todos vão ter que "aceitar" nossa Senhora. Isso é bem provável, dado que a teologia admite como provável a hipótese que no momento da morte os mistérios de fé que sem culpa não tivemos a oportunidade de conhecer nos serão revelados.


A devoção a Maria não é um simples ornamento do Catolicismo, nem mesmo um socorro entre muitos outros, que podemos usar ou não, a nosso critério. É uma parte integrante da Religião. Deus quis vir a nós por meio de Maria, e só por meio d’Ela podemos ir a Ele.

Termômetro espiritual e garantia da salvação

Assim como, para certificar-se da vida de uma pessoa, o médico perscruta as batidas de seu coração, nós, para sabermos se uma alma é virtuosa, se ela vive da vida cristã, averiguamos se o culto à Santa Virgem das Virgens lhe é indiferente ou agradável.

Sim, a devoção a Maria é como um termômetro espiritual que marca — se assim podemos dizer — a temperatura de nossa alma, que revela suas disposições secretas. Se as práticas desta devoção nos agradam, podemos estar tranquilos quanto ao estado de nossa alma. Mas se sentimos que há frieza entre nós e a Santíssima Virgem, se abandonamos os atos de culto a Ela, se negligenciamos as orações cotidianas, se alegamos falta de tempo para recitar o Rosário, tenhamos cuidado: nossa virtude diminuiu, a fé de nossa Primeira Comunhão esvaiu-se, estamos no caminho que nos afasta de Deus!

Compreende-se, pois, a necessidade de insistir neste tema, de estimular a piedade e a devoção a Nossa Senhora. Para nós, esta devoção é uma garantia de salvação!

Como assim? É que, se amamos a Virgem Maria, trabalharemos para nos assemelhar a Ela. Somos irresistivelmente levados a imitar as pessoas que nos são simpáticas: ­quereríamos pensar, falar, viver como elas. Oh! que preciosa segurança para nosso futuro se amarmos a Santíssima Virgem a ponto de querermos ser imagens vivas d’Ela na Terra! Como Ela, evitaremos tudo quanto desagrada a Deus e tudo quanto causaria prejuízo a nossas almas; como Ela, faremos todo bem, cumpriremos nosso dever, praticaremos a virtude. Com isso, podemos ter confiança.


O exemplo de São Francisco de Sales

Por outro lado, está garantida uma proteção especial da Santíssima Virgem a quem é, de fato, Seu devoto. Quando lhe vierem as provas, as tribulações, as tentações, por mais numerosas e violentas que forem, com a assistência de Maria, ele jamais desesperará. Como prova disso, haveria mil fatos emocionantes para contar. Vejamos somente este, extraído da vida de São Francisco de Sales.

Jovem ainda, São Francisco estava atormentado por uma tentação, contra a qual ele lutava com energia. Mas, numa hora de desânimo, o futuro apareceu-lhe com cores sombrias: ele imaginava-se perdido, condenado ao inferno... Ser condenado, ser separado de Deus, que ele amava como um pai, de Nossa Senhora, que ele venerava como uma mãe, e isso por uma eternidade sem fim!... Este pensamento torturava-lhe o coração e lhe arrancava soluços.

Certo dia, em que ele entrou numa igreja sob essa triste impressão, sentiu como uma mão invisível que o empurrava para os pés de uma imagem de Nossa Senhora.


Ajoelhou-se diante dela e suplicou a Maria que lhe obtivesse a graça de vencer essa tentação que o obcecava, e terminou sua oração com estas belas palavras: “Se devo odiar a Deus eternamente no inferno, suplico-Vos uma coisa: obtende-me pelo menos a graça de amá-Lo de todo o meu coração nesta Terra!”.

Terminada sua oração, levantou-se vencedor: a Consoladora dos Aflitos o havia livrado daquele tormento!


Prova de predestinação

Caros leitores, se de vez em quando temos pecados a lamentar, se somos testemunhas entristecidas de quedas humilhantes, não seria porque abandonamos o culto à Santíssima Virgem, porque renunciamos à piedade e, assim, nos privamos de uma assistência que nos teria preservado?

Podemos concluir que uma piedade sólida e sincera é uma prova de predestinação. Se tivermos essa convicção e tomarmos a firme resolução de cultivar, sempre mais e mais, a devoção à Santíssima Virgem e praticar as virtudes que Ela nos inspira, será este um dos melhores frutos desta leitura.


Revista Arautos do Evangelho, Ano IX, nº 105, Setembro 2010, p. 50s.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino