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É permitido oferecer a Santa Missa na intenção de hereges falecidos?


Não se reza por infiéis de qualquer tipo, hereges, cismáticos ou apóstatas nas intenções públicas da missa (aquelas em que se lê o nome da pessoa no Memento, ou se lêem as intenções do livrinho da secretaria da igreja antes da missa). Somente é permitida (e encorajada) a intenção privada.

O pecado público e notório (suicídio, por exemplo) não permite a presunção de inocência. É análogo, na justiça civil, à prisão em flagrante, onde não há a presunção do "inocente até que se prove o contrário".

A proibição de se enterrar tais pecadores públicos (os excomungados, suicidas, etc) com os ritos e em cemitério cristãos, e de se rezar PUBLICAMENTE (privativamente não é e nem nunca foi proibido) por tais mesmos, dá-se por motivo de PRUDÊNCIA da Igreja. Se ele foi ou não perdoado por Deus ou se se arrependeu no último microssegundo, não temos como saber e a Igreja não tem poder para julgar a disposição interna. Mas sim pela sua atitude externa. E um suicida ou um maçom tiveram atitudes externas extremas 100% incompatíveis com o caráter e moral de um cristão, por isso que são privados dos PRIVILÉGIOS de se ser sepultado em um cemitério cristão e de receberem orações públicas (incluindo missas).

Será que as pessoas andam lendo Urs von Balthasar demais, achando que por ele ser contrário a Rahner o tornaria um conservador? Essa viagem toda de teoria do Inferno vazio, que incorre obrigatoriamente na contradição e mentira do que foi dito por Deus no Antigo Testamento e por Cristo no Novo Testamento, virou moda! E é heresia da pura! A infinita misericórdia de Deus é infinita, mas também Deus sendo a mais pura Verdade, não pode se contradizer e prometer e estabelecer uma coisa e fazer outra. Ao menos, não o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, de Israel, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Mesmo adorado pela Igreja Católica. Talvez esse deus-miguxo é que seja contraditório em si mesmo... Mas não há Deus sem ser este primeiro citado anteriormente, o resto são demônios.

Mas não se preocupem. Até o padre Ratzinger quase caiu na armadilha de Balthasar, mas graças à sua brilhante mente, conseguiu sair dela.

Da enciclopédia católica

Only baptized persons have a claim to Christian burial and the rites of the Church cannot lawfully be performed over those who are not baptized. Moreover no strict claim can be allowed in the case of those persons who have not lived in communion with the Church according to the maxim which comes down from the time of Pope Leo the Great (448) "quibus viventibus non communicavimus mortuis communicare non possumus" (i.e. we cannot hold communion in death with those who in life were not in communion with us).

It has further been recognized as a principle that the last rites of the Church constitute a mark of respect which is not to be shown to those who in their lives have proved themselves unworthy of it. In this way various classes of persons are excluded from Christian burial -- pagans, Jews, infidels, heretics, and their adherents (Rit. Rom., VI, c. ii) schismatics, apostates, and persons who have been excommunicated by name or placed under an interdict.

If an excommunicated person be buried in a church or in a consecrated cemetery the place is thereby desecrated, and, wherever possible, the remains must be exhumed and buried elsewhere. Further, Christian burial is to be refused to suicides (this prohibition is as old as the fourth century; cf. Cassian in P.L., XL, 573) except in case that the act was committed when they were of unsound mind or unless they showed signs of repentance before death occurred.

It is also withheld from those who have been killed in a duel, even though they should give signs of repentance before death. Other persons similarly debarred are notorious sinners who die without repentance, those who have openly held the sacraments in contempt (for example by staying away from Communion at Easter time to the public scandal) and who showed no signs of sorrow, monks and nuns who are found to have died in the possession of money or valuables which they had kept for their own, and finally those who have directed that their bodies should be cremated after death.

In all such cases, however, the general practice of the Church at the present day has been to interpret these prohibitions as mildly as possible. Ordinarily the parish priest is directed to refer doubtful cases to the bishop, and the bishop, if any favourable construction can be found, allows the burial to proceed.

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Lembrando que, no tema em tela:

1. Não se separa os ritos funerais, das missas rituais funerais, todas se tratam de Missa de Requiem

2. O sujeito só tem o atenuante SE TIVER DEMONSTRADO PUBLICAMENTE ARREPENDIMENTO antes de morrer.

O Direito Canônico também proíbe a sepultura, funeral e missas funerais de pecadores manifestos (Cân 1184 e 1185). A exceção é para arrependimento de último segundo MANIFESTO e TESTEMUNHADO. Ao que me consta por exemplo, não havia sequer testemunhas no suicídio do Cobain, e nem gravações onde ele tenha demonstrado seu arrependimento.

Repetindo à exaustão: a Igreja não pode julgar a disposição interna dos fiéis, e nem presumi-la.

No parágrafo 1 alínea 3 do can 1184, cita-se pecadores manifestos que podem causar escândalo público. Suicídio é pecado manifesto contra o Espírito Santo (a nãp ser que haja atenuantes ou arrependimento, mas aí só Deus pode julgar), não precisa de mais de dois neurônios para ligar A com B.

Não tem nada de abolido.


PARA CITAR ESTE ARTIGO:


É permitido oferecer a Santa Missa na intenção de hereges falecidos?
David A. Conceição, julho de 2011, blogue Tradição em Foco com Roma.



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