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Intercessão dos Santos e Mediação de Cristo

Tudo aquilo que de alguma forma se entrincheira em contrariedade ao Magistério ligado pela Santa Igreja Católica não o faz senão em modulação de intermediação satânica - como já predito por Cristo, no que toca às tentativas que se empreenderiam nesse diapasão - e, portanto, antiCristã, de forma tal a se chafurdar em um antro que os torna indignos de respeito.

As manifestações físico-esculturais daqueles que são de modo ímpar tangidos pela Graça Divina - os Santos -, por sua vez, concertam-se no Maravilhoso Caudal do Magistério Católico, já que, com a disponibilização de exteriorizações mais palpáveis dos focos de concentração de santidade existencial, assegura-se a consolidação de subsídios mais robustos ao aprendizado das linhas reitoras do Projeto Divino.

 

Não existe Cristianismo em plano adventício ao Catolicismo; existem, isso, sim seitas apóstatas erigidas sobre doutrinas satânicas - como as previstas na Bíblia.

Vejam só: tudo o que é Divino é Uno; o que é imanentemente imperfeito e diabólico é plúrimo. As correntes protestantes pseudoevangélicas encartam-se categorialmente nesta ordem de coisas.

Cristo não pede nada a Deus; Cristo é Deus! A Mediação a que se alude não se dá de forma "advocatícia", mas atuativa: é Cristo que Divinamente age em relação à humanidade! Os Santos podem lhe suplicar atuações específicas, por meio das intercessões.

Quando os protestantes afirmam que só Cristo pode interceder por nós, eles blasfemam, porque negam a Sua Condição Divina. Isso porque Deus é Substancial e Conceitualmente autossuficiente. Aquele que pede, suplica ou roga algo o faz porque por si mesmo não pode garantir a concretização do objeto de seu desejo. Ou seja, porque é insuficiente para a consecução daquilo a que visa. Deus em ponto algum é insuficiente. Deus é o que é por si, ou seja, a mais perfeita Manifestação da Suficiência.


interceder
[Do lat. intercedere.]
Verbo transitivo indireto.
Verbo bitransitivo indireto.
1.Pedir, rogar, suplicar (por outrem); intervir (a favor de alguém ou de algo):
Vendo que o amigo sofrera injustiça, intercedeu por ele;
“Conta-se que .... intercedeu [Charles Nodier], junto do pai, em favor de uma senhora acusada de traição” (Melo Nóbrega, O Soneto de Arvers, p. 10).


E mais: a mediação Cristã de aposição intermédia em relação a Deus e aos homens dá-se no que toca à concessão de graças e à propiciação de intelecção, ainda que parcial e fragmentária, da Substância Divina.

Isso se dá pelo seguinte: embora Deus seja imóvel, como pontificado na Suma Teológica, de São Tomás de Aquino, o qualificativo da imobilidade não Lhe opõe empecilho algum, já que Lhe é possível a mobilização dialeticamente agrilhoada à preservação de sua substancial imobilidade, como se pode inferir dos escritos teológicos de Hegel, em uma determinação individualizante que Lhe reveste de tônus concreto, conteudisticamente definido, ínsito à plataforma de materialidade mundana.

Essa possibilidade restou explorada quando da concepção de Cristo através do poder do Espírito Santo, em determinação particular conteudisticamene, de forma relativa, definida, vinculada à condição humana, conhecida como concretização do Verbo. Como se sabe, o Redentor sempre Se proveu de conformação consubstancial Divina e humana. O que se pode captar intelectualmente da substância Divina pelos homens foi a manifestação em Cristo aperfeiçoada. Deus é o Pai e Deus é o Filho, e a vinda Deste proporcionou um novo estádio de profissão e exercício da Fé, já que é por Seu intermédio que a humanidade atinge a graça Divina.

De fato, a Redenção de todos nós, propiciatória do alcance da graça Divina, deu-se pelo Divino Sacrifício de Cristo, consumado através de de Sua condição humana, como determinada em particularização conteudística nessa toada realizada, que por ser comparticipada por todos nós, virtual ou efetivamente integrantes do Povo de Deus, viabilizou o proveito humano universal desse sacrifício. Daí, a mediação: só por intermédio do Redentor alcançamos a Graça Divina. Deus, em sua Unidade, desdobra-se trinitariamente, mas é por Via de Cristo que alcançamos as Suas Graças. É Cristo que nos as concede. E a concessão dessas Graças pode se dar em atendimento à intercessão daqueles que melhor cumpriram as Diretrizes Divinas.

À imobilidade de Deus atentou S. Tomás de Aquino pelo seguinte: Deus é a Causa Primeira de todas as coisas - que por uma causa primeira clamam pelo fato de que se tudo fosse causado por algo exterior a si mesmo, em uma remissão ôntica infinita, chegar-se-ia à conclusão paradoxal de que tudo é cegamente instrumento de algo e nada é instrumento de coisa alguma, já que para a instrumentalização é necessário um fim, e um fim não pode surgir em virtude de instrumentos, já que estes é que para a concretização daquele se concebem.

Essa causação de coisas é conceitualmente dinâmica, ou seja, trata-se de mobilização para a geração de algo. Como Deus de nada é efeito, ou seja, já que Ele é incausado, a sua existência não é imanentemente mobilizada como a das suas criaturas, já que, repita-se, a mobilização dá-se como geração móvel de algo. Ao contrário, sua existência é imanentemente imóvel; daí a sua eternidade. Tudo que apresenta algo de efêmero é sintomaticamente móvel, já que a mobilidade é o que caracteriza a transitoriedade (transitório, de fato, é aquilo que transita). O que é efêmero tem a sua finitude acarretada pela mobilidade, pois. Como Deus é Incausado e Imóvel, ele é plenamente eterno, já que nada causa a sua mobilidade e seu fim (nós, pelo contrário, estamos a findar ininterruptamente, já que não somos o que éramos há dez segundos atrás, em virtude dessa mobilidade: nossa existência se move e se transforma no quadro desse movimento, ou seja, aquilo que era e deixou de ser em virtude dessa transformação se findou, por alguma causa externa).

Deus, por motivos que extrapolam a órbita de minha inteligência, criou o homem, dotado de atributos relativos de perfeição que ressaíram de Sua Absoluta Perfeição. Um dos aspectos mais salientes dessa perfeição foi gerado como aquilo que entendemos por livre arbítrio, cujo exercício, contudo, foi a causa da visceral imperfectibilização humana.

O homem, uma das mais perfeitas criações Divinas, foi maculado pelo pecado em virtude de conduta de consumação propiciada a partir de seus dons de perfeição. Embora Deus o tenha, em vista disso, expulsado do paraíso, não o abandonou, e passou a intervir diretamente na esfera do mundano, mobilizando-se, pois, no Divino Desiderato de restabelecer a plenitude da Santidade humana. À inobstância dessa mobilização, Ele não deixou, por óbvio, de ser Deus, mas apenas desdobrou-se, sem perder a Unicidade, em Entes de dinamização Divina, que não afrontavam a sua imobilidade substancial.

Quando dessa mobilização Divinamente Deliberada, Deus passou a se transformar pontualmente, permanecendo, não obstante, idêntico. Essas transformações foram captadas pela inteligência humana e, daí, surgiram as divergências nomeclaturais, manifestas, por exemplo, nas solidificações designativas de Javé e Eloi. Deus permitiu, então, ser Suscitado por causas estranhas a Si Mesmo, provenientes do âmbito mundano. Isso pode ser entrevisto em suas manifestações de ira em função de condutas dos homens que destoassem de Seus Mandamentos; é dizer: condutas humanas lhe causavam determinados estados de ânimo antropomorfizados. Simultânea e dialeticamente permanecia imóvel e imune a tais ordens de suscitações.

Em um dado estádio da existência humana, essa dimensão dinâmica de Deus concretizou-se em Cristo. Por isso, desde a Sua Plena Assunção dos Dotes Divinos, concentrou em Si toda a Mobilidade Divina, no que diz com a Intervenção em plano terreno. Deus-Pai permanece, pois, imóvel, no Seu aperfeiçoamento Entitariamente Divino. Daí a aludida mediação, que nada tem a ver, pois, com a intercessão.

Já no que toca ao ponto da mediação exclusiva de Cristo entre Deus e os homens, apenas asseverei que todas as graças divinas se consumam por seu intermédio, e, não, por sua intercessão. A respeito disso busquei desenvolver um raciocínio que se me possibilitou após meditação detida acerca da evolução bíblica do histórico de intervenções e manifestações divinas e das construções teológicas das quais se pode extrair inferências a seu respeito.

Talvez seja necessária uma investigação genealógica sobre o processo de tradução bíblica no que diz respeito especificamente ao termo "mediador", já que os vocábulos gregos comportam costumeiramente uma gama ampla de acepções, da qual se deve extrair aquela que melhor se afine ao Espírito dos Livros Sagrados, consoante descortinado pelo magistério da Santa Igreja Católica.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino