.

Nietzche, absolutamente ininteligível

No excelente filme A queda, Hitler diz que não tem piedade de ninguém, que piedade era um "sentimento inferior".

Era este o tipo de moral que Nietzsche pregava. O nazismo bebeu muito de Nietzsche. Claro que os nietzschianos odeiam ser lembrados disso... Dizem que o dito cujo foi mal entendido, que foi deturpado... Que ao pregar contra a compaixão, contra os fracos ele estava sendo "metafórico".


Nietzche defendia um esquecimento do passado. A lembrança do passado era um fator negatvo e o homem deveria, portanto, viver o instante sem pensar nele. Defendia então que as concepções de bom e mal são fruto do que homens inventaram no passado e se deveria reeditar isso.

Baseado em Schopenhauer, afirmava que o homem deveria seguir as paixões, pensando no instante.
Ora, com todo o respeitonão, parece que seu pensamento é de uma pessoa que está interiormente conflituosa e por isso prega a paixão do momento presente. Basta lembrar que ele foi internado numa clínica psquiátrica.

O pensamento deste sujeito é absolutamente contrário à concepção “Tomista”. Atentemo-nos, por exemplo, à gênese da linguagem em Nietzsche.
De acordo com Nietzsche o intelecto humano é gerador de ilusões, criador de metáforas, como também, é o próprio meio pelo que o homem encontra auxílio para existir. Afinal, é com o intelecto que o homem “desenvolve suas principais forças na dissimulação”.

Dissimulando o homem conserva-se perante os outros indivíduos possuindo a necessidade de viver social e “gregariamente”, desse modo, procura viver em paz.
A paz concebida é o que estabelece o princípio do “instinto de verdade”, pois é daí que surge “a designação uniformemente válida e obrigatória para as coisas e a própria legislação da linguagem contém as primeiras leis da verdade: pois nasce aqui pela primeira vez o contraste entre verdade e mentira”.

Em tal contraste é que os homens constituem por meio da convenção a própria linguagem ; ou seja, a linguagem é o sentido metafórico que o homem dá às coisas.
Assim, é por meio de “excitação nervosa” que constituímos imagens das coisas, então, emitimos sons articulados, e tudo não passa de um processo metafórico.

Nietzsche considera que o nascimento da linguagem não ocorre logicamente, pois diferente da concepção clássica, não há nada que provenha das essências das coisas; para ele “todo conceito nasce da identificação do não-idêntico”, afinal, a espécie “folha” não possui nenhuma relação com os indivíduos naturais designados por tal espécie.

Do mesmo modo o conceito “honestidade” enquanto espécie, forma geral (universal), não pode ser conforme as individualidades; significa que, “a omissão do individual e do real nos proporciona o conceito como nos proporciona também a forma, onde a natureza, ao contrário, não conhece formas nem conceitos, e muito menos gêneros, mas somente um X inacessível e indefinível para nós” .


A verdade para Nietzsche não passa de “uma multiplicidade incessante de metáforas” adquiridas e estabelecidas por meio de relações humanas. Trata-se de uma concepção gregária, na qual o homem adquire consciência ilusória.
Consciência ilusória que exprime claramente o que Nietzsche designa por: “distanciamento em rápido vôo do cânone da certeza”. Portanto, é desse modo que Nietzsche demonstra a gênese da linguagem (linguagem enquanto convenção metafórica manifestada a partir de contrastes entre verdades e mentiras) relacionada à formação da consciência e ao instinto gregário.

Onde poderíamos encontrar qualquer concepção inteligível ou espiritual?... Afinal, é totalmente avesso à concepção da Filosofia Cristã!


Ao apregoar o esquecimento de todos os valores de bem ou mal e viver segundo suas paixões, ele autoriza o leitor a praticamente suplantar todos os limites morais e buscar somente as paixões.


Pra qualquer um que não tem em que basear seus valores, é uma filosofia extremamente anti-cristã.
Pode até ser que, em muitos dos aforismos do Nietzsche, se encontre uma pérola aqui ou ali - afinal, saber escrever com talento ele sabia. Agora, o cerne do pensamento de Nietzsche - a negação da moral cristã, a negação da piedade contra os mais fracos, o superhomem - só podia dar no nazismo, inventem os relativistas o que inventarem para defendê-lo.

E sim, Nietzsche não era anti-semita.

Recomendo àqueles que queiram ou precisem ler Nietzsche leiam, também, depois (ou antes) o livro "O ressentimento na moral" de Max Scheler (de sua fase católica).

"(...) Nietzsche pensa que a caridade , a castidade, a humildade e a paciência são vistas como valores apenas pelos débeis e fracos, pelos que não têm força para superar a opressão e as situações de injustiça, etc.

Scheler afirma que, ainda que se possa dar, de fato, desvios, a moral cristã en si mesma nada tem a ver com o ressentimento, porque o amor cristão não é um movimento que vai do imperfeito ao perfeito, não é desejar o que não se tem, mas que é dar-se e doar-se por parte de quem tem e se sente cheio de valor e felicidade.Tal é o amor de Deus pelos homens, que não busca neles algo que Ele não tenha, mas que é comunicação do que Deus possui em plenitude. O perdão cristão não é um não poder se vingar, mas um ato cujo valor positivo e autônomo é vivido pelo cristão. O mesmo acontece com a castidade: não se baseia no desconhecimento ou na incapacidade de experimentar e viver certas realidades, mas na apreensão de um valor positivo superior. São atitudes que tem sentido e valor em si mesmas e não por sua relação com um estado de debilidade e insatisfação."

É unâmide a posição de que as conclusões e os aforismos de Nietzsche a respeito da Igreja, da religião e do cristianismo são inaceitáveis para um católico.

De outro lado não é incorreto afirmar que o pensamento de Nietzsche ajudou a introduzir (ou melhor, reintroduzir) certos conceitos na filosofia ocidental - tal como o vitalismo - que pode, se depurado, gerar frutos positivos para o pensamento ocidental.


E, também, não vejo dificuldade de todos aceitarem que a leitura da obra de Nietzsche por quem não tem um sólido preparo doutrinal e filosófico pode, sim, significar um perigo para a fé. E, de outro lado, para aqueles que têm o necessário preparo e necessidade de ler tal autor que o faça com consciência tranquila.


E, mesmo com preparo e necessidade, não custa consultar o diretor espiritual. Os assuntos da vida interior são mais complexos do que teorias "frias". É temerário expor-se ao risco.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino