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O Primado de Pedro

Cristo deu a São Pedro a primazia de jurisdição, não apenas a de honra (como querem os autoprocalmados ortodoxos), pois, de outro modo a Igreja ficaria sem uma cabeça visível.

As palavras que pronunciou em Mateus são bem claras. Quanto a citação de "pedra" da Primeira Carta de São Pedro (IPd. II, 4), só uma pessoa que não entende de análise sintática pode achar que o sujeito de pedra no versículo citado pode ser transferido para Mateus e, além disso, a doutrina ali exposta em nada afeta o primado petrino, pois Pedro e seus sucessores são o fundamento visível da Igreja militante, mas é evidente que de uma maneira mais profunda o fundamento é Jesus.

Além disso, Nosso Senhor cumpre essa promessa após a ressurreição, dirigindo-se a São Pedro: “Apascenta meus cordeiros”.

Depois da Ascensão, o exercício da primazia é bem claro e aceito, pois Pedro assume um papel inconteste de chefe.

Ele:

1) Preside e dirige a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1, 15-25);

2) É o primeiro a anunciar o Evangelho no dia de Pentecostes (At 2, 14 ss.);

3) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo (At 4, 5 ss.);

4) Acolhe na Igreja o primeiro pagão (At 10,1 ss.);

5) Fala em primeiro lugar no Concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, e decide sobre a questão da circuncisão: “Então toda a assembléia silenciou” (At 15, 7-12).

Fora esses argumentos bíblicos, a história nos testemunha o primado petrino. Com efeito sabemos que a primazia dos bispos de Roma foi aceita e acatada:

1) pelos escritores eclesiásticos, como Santo Inácio (+107), Santo Irineu (+202), Tertuliano (+245), etc. declarando todos que o bispo de Roma possui a supremacia porque é sucessor de Pedro (os protestantes geralmente distorcem Santo Agostinho e mesmo que tivessem razão nas considerações de Agostinho sobre o primado, isso só implicaria que neste ponto ele estava errado, assim com Orígenes estava no que tange ao sexo, já que a Igreja pensa em conjunto e não se fia pela doutrina particular de ninguém).

2) pelos Concílios. Por exemplo, os Padres do concílio de Calcedônia, em 451, enviam ao Papa São Leão uma carta pedindo confirmação dos decretos por eles emitidos. Sucessivamente os concílios de Constantinopla, o 3º realizado em 680, o 4ºem 869, o Concílio de Florença em 1413, composto de Padres gregos e latinos, proclamam a primazia do sucessor de São Pedro, e dizem que Jesus Cristo deu a este sucessor, na pessoa de Pedro “plenos poderes para apascentar, dirigir e governar a Igreja inteira”.

3) pelo costume de apelar ao bispo de Roma, afim de terminar contendas. Assim, já no 1º século, São Clemente escreve à Igreja de Corinto, para acabarem com uma discussão, E ISTO FEZ O PAPA ESTADO VIVO O APÓSTOLO SÃO JOÃO. Santo Atanásio e São Crisóstomo recorrem ao Papa para defesa e amparo dos direitos. Amiudadas vezes o bispos do oriente recorrem ao Papa pedindo sua proteção.

4) a história certifica que os Papas sempre tiveram consciência de seu papel. No século II, o papa São Vitor ordena aos bispos da Ásia, sob pena de excomunhão, que adotem o uso comum da Igreja para a celebração da Páscoa. No século III, o papa Estevão proíbe aos bispos da Ásia e da África que tornem a batizar os que tinham sido batizados validamente por hereges.

Por fim, vale lembrar que a primazia e a infalibilidade derivada dela não são sinônimo de totalitarismo, já que bem delimitadas às questões de fé e moral e balizadas pela Revelação e pelo Magistério anterior. É essa a lição dos corretivos que Nosso Senhor e Paulo dão para Pedro.

Ninguém diz que Pedro passou a não ser chamado Simão, a questão é mais profunda que uma simples mudança de nome, ela revela um papel que o Apóstolo teria e, na mesma medida em que ele continua a ser chamado Simão, em especial pelos que lhe são mais próximos, é chamado muito mais de Pedro.

Santo Agostinho, comentando o epísídio diz:

"San Agustín, retractationes, 1,21
Dije en cierto lugar hablando del apóstol San Pedro, que en él, como en una piedra, fue edificada la Iglesia. Pero no ignoro que después he expuesto en muchas ocasiones las palabras del Señor: "Tú eres Pedro y sobre esta piedra edificaré mi Iglesia" en el sentido de que la Iglesia está edificada sobre aquel a quien confesó Pedro diciendo: "Tú eres el Cristo, el Hijo de Dios vivo". Pues Pedro, llamado por esta piedra, representa la persona de la Iglesia que está edificada sobre esta piedra. El Señor no le dijo: Tú eres la piedra, sino tú eres Pedro y la piedra era Cristo ( 1Cor 10,4), a quien confesó Simón, así como a éste le confiesa toda la Iglesia y por esta confesión ha sido llamado Pedro. De estas dos opiniones puede elegir el lector la que le parezca más probable".

Ou seja, Pedro é a pedra visível da Igreja, assentada sobre Cristo. O fato dele ser humano e errar em nada contraria a infalibilidade que ele e seus sucessores (os Papas) contam.

No episódio de Mateus, Pedro, guiado pelo Espírito, revela a divindade de Nosso Senhor, e, nessa situação, é lhe dado o poder das chaves. Mais a frente, quando o Aspóstolo demonstra sua fraquesa humana, ao não querer a Paixão, Nosso Senhor lhé dá um belo carão.

O que isso indica?

Indica que Pedro, em questões não relacionadas com o governo espiritual da Igreja (fé e moral) pode errar, mas que no que se refere à fé e à moral ele não pode, pois sempre estará sustendado pelo Espírito Santo ou, de fato, não estarias apascentando as ovelhas.

Desenvolvendo:

Jesus Cristo ordenou que seus apóstolos ensinassem a humanidade os ensinamentos de Deus, por tanto, os apóstolos são infalíveis nos seus ensinamentos (que importam apra a salvação), pois, Cristo disse que estaria com ele até o fim do mundo. As próprias "Chaves do Reino dos céus e a promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam sobre ela" (Mt 16, 18-19) é uma característica da infalibilidade do Papa, pois, se Nosso Senhor disse aos apóstolos que eles iriam ensinar a humanidade e que estará com sua Igreja (composta inicialmente por São Pedro e os outros 11 onze apóstolos) até o fim do mundo, então, pela providência divina, esta Igreja não ensinaria nada contra a vontade de Deus. Também em Lc 22,31ss temos que Jesus fala a São Pedro (Simão) nos seguintes termos :

“Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos pereinar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por sua vez, confirma os teus irmãos.”

Umas das passagens de extrema importância é Jo 21,15-17, pois, ela refuta a objeção de que São Pedro teria perdido sua autoridade por ter negado Nosso Senhor Jesus Cristo por três vezes, conforme o próprio Cristo profetizou em Lc 22,34. Segue a passagem de Jo 21,15-17, onde por três vezes São Pedro recebe de Jesus Cristo a missão de apascentar (doutrinar) suas ovelhas, como uma compensação:

Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?" Respondeu ele: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta os meus cordeiros." Perguntou-lhe outra vez: "Simão, filho de João, amas-me?" Respondeu-lhe: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo." Disse-lhe Jesus: "Apascenta os meus cordeiros." Perguntou-lhe pela terceira pela vez: "Simão, filho de João, amas-me?" Pedro entristeceu-se por que perguntou pela terceira vez: "Amas-me?", e respondeu-lhe: "Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo." Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas."

Por tanto, o Papa é infalível nas suas funções como autoridade instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, no entanto, ter a infalibilidade de ensinar não significa necessariamente ser santo, pois, como foi visto, São Pedro, primeiro Papa da Igreja fundada por Jesus Cristo pecou ao negá-lo, mas, Nosso Senhor perdoou-o conforme a última passagem citada e foi canonizado por que morreu martirizado pelo Imperador Romano.

A única ocasião em que Deus interfere no livre-arbítrio dos apóstolos é quando estes cumprem a missão de doutrinar as ovelhas de Deus, pois, os seres humanos não têm condições de se comunicar com Deus como em uma simples conversa informal, e a ciência humana é incapaz de descobrir diretamente a vontade de Divina, ou seja, por seus próprios méritos, o ensinamento do ser humano é falho, mas Jesus disse que mandaria o Espírito da verdade que iria auxiliá-los nesta tarefa de suma importância. O fiel comum não é capaz, através de debates com outras pessoas, de definir um ensinamento isento de erro, mesmo os grandes teólogos não possuem essa capacidade, e suas conclusões somente são aceitas, quando são colocadas sob apreciação do Magistério Infalível da Santa Igreja centrada na figura do Papa, pois, como dissemos, Cristo, Nosso Senhor afirmou a seus apóstolos que somente eles conheceriam o Espírito da Verdade.

Pedro e Roma

"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).

Como corroborar isso com as Epístolas paulianas?

Ora, antes mesmo de nossa era, uma colônia de judeus conseguira estabelecer-se em Roma, obtendo liberdade de culto e um bairro próprio, na parte de além Tibre. Alguns pagãos, entusiasmados com a doutrina de Moisés, haviam abraçado o judaísmo. No dia de Pentecostes, em Jerusalém, judeus prvenientes de Roma e prosélitos romanos, ao ouvirem o discurso de São Pedro, aceitaram o batismo e, ao regressarem à capital do Império, constituíram o primeiro núcleo de fiéis, não só porque os fiéis de Roma foram seus primeiros filhos espirituais, mas também porque (como testemunham os Padres) foi ele quem organizou esta igreja e estabeleceu aí a sua Sé.

São Pedro chegou a Roma em 42, e aí permaneceu alguns anos. Por inspiração divina transferiu sua Sé de Antioquia para Roma. Expulso com os judeus em 49, pelo imperador Cláudio, conseguiu voltar logo depois, e aí permaneceu até seu martírio, em 67.

Em 57, quando São Paulo escreveu a Epístola aos Romanos, a igreja de Roma já parece bem organizada e os convertidos do paganismo superavam os de origem judaica. Eram tão numerosos que em 64 deu uma grande multidão de mártires. Várias mvezes São Paulo havia desejado visitá-la, mas as circunstâncias não haviam permitido.

Encerrando sua terceira viagem, São Paulo planejava conquistar para Cristo o Ocidente. Eis, pois, que se apresenta uma oportunoidade para ir a Roma. Escreve, portanto, anunciando que depois de ir a Jerusalém levar as ofertas, na viagem que faria a Espanha, passaria por Roma.

A Epístola foi escrita em Corinto, na casa de Caio, no ano 57. Pelo que parece, foi levada a Roma pela viúva Febe, diaconisa de Ceneris, três anos antes que Paulo chegasse prisioneiro à capital imperial.

Ou seja, a Carta aos Romanos além dos ensinos doutrinários e conselhos, tinha um caráter um tanto intimista e, por esse fato, que no final da Epístola São Paulo relembra seus amigos mais próximos.

O testemunho da Tradição

O Primado de Pedro não podia perecer com a pessoa do Apóstolo, mas devia ser transmitido a seus sucessores, pois a posição de fundamento outorgado por Cristo a São Pedro toca a estrutura da própria Igreja; se esta deixasse de ter fundamento visível, deixaria de ter um dos traços essenciais que Cristo lhe quis dar. Por conseguinte, era da vontade de Jesus que a prerrogativa concedida a Pedro se comunicasse perenemente aos sucessores deste.

Ora, Pedro morreu como bispo de Roma. Disto se segue que os subseqüentes bispos e Roma são até hoje os detentores da jurisdição universal que o Senhor comunicou ao Apóstolo principal.

Estas proposições dogmáticas são corroboradas por um rápido percurso da história do cristianismo, a qual ensina que:

1)de fato, Pedro terminou sua missão como bispo de Roma;

2)os sucessores de Pedro sempre manifestaram a consciência de possuir jurisdição sobre a Igreja inteira.

Vamos analisar o primeiro ponto:

A morte de São Pedro em Roma

Consideremos primeiramente os testemunhos literários.

a) A estada de Pedro na Cidade Eterna é insinuada já pela primeira carta do Apóstolo, que em 64 foi escrita de Babilônia (V, 13), nome que, conforme o Novo Testamento (vide Apocalipse), designa a capital pagã do Império Romano.

b) Decênios depois, em 96/98, o bispo de Roma São Clemente escrevia aos Coríntios:

“Lancemos os olhos sobre os excelentes Apóstolos: Pedro, que, por efeito de inveja injusta, sofreu não um ou dois, mas numerosos tormentos, e que, depois de ter dado testemunho, se foi para a glória que lhe era devida. Foi por efeito da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência... Depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, ele deu testemunho diante daqueles que governavam e assim deixou o mundo, indo-se para o lugar santo... A esses homens... juntou-se grande multidão dos eleitos que, em conseqüência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo” (V, 3-7; VI, 1).

Conforme a evolução do idioma grego, “dar testemunho” significava na época de Clemente “atestar com o sangue, sofrer morte violente”. À menção do martírio de São Pedro e São Paulo, Clemente acrescenta a de muitos outros mártires, frisando que todos esses justo deixaram entre nós magnífico exemplo; esse entre nós se refere a Roma, de onde Clemente escrevia.

c)Por volta de 107, Santo Inácio de Antioquia escrevia aos romanos:

“Não é como Pedro e Paulo que eu vos dou ordens; eles foram Apóstolos; eu não sou senão um condenado” (IV, 3)

“Tais palavras não equivalem literalmente à frase: São Pedro foi a Roma. Mas, suposto que lá tenha ido, Santo Inácio não teria falado de outro modo; suposto que não tenha ido, a frase carece de sentido” (Duchesne, Histoire ancienne de L´Eglise).

d)Entre 165 e 170, o bispo Dionísio de Corinto atestava aos romanos:

“Tendo vindo ambos a Corinto, os dois Apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica; a seguir, indo-se para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e por fim sofreram o martírio simultaneamente”. (em Eusébio, Hist. Ecl. II 25, 8).

Quem quiser acreditar em protestantes ao invés do bispo de Corinto no segundo século que acredite, mas aceite a s conseqüências de tal ato, pois não poderá alegar, no que tange a isso, ignorância invencível, apenas orgulho invencível.

e)No início do século III era Orígenes quem escrevia:

“´Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado com a cabeça para baixo” (cf. Eusébio, Hist. Ecl. III, 1).

Deixando os testemunhos literários, que se poderiam prolongar, passemos agora aos da arqueologia.

Por volta de 200, um presbítero romano chamado Gaio dirigia-se nos seguintes termos a um grupo de hereges:

“Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja” (em Eusébio, Hist. Ecl. II 25, 7).

Tais dizeres foram ilustrados pelas recentes escavações feitas em Roma durante dez anos no subsolo da Basílica de São Pedro: encontram-se vestígios de um mausoléu cristão posto em meio a túmulos pagãos ao qual dá acesso uma via que parece ter sido muito freqüentada; junto a esse túmulo numerosas inscrições (graffiti) de visitantes fazem menção do Apóstolo Pedro. No sepulcrozinho de 80 x 80 cm, que os arqueólogos cavaram até tocarem o solo virgem, encontraram ossos humanos dispersos e misturados com terra, que foram cuidadosamente recolhidos; além disto, deram com os destroços de uma urna de mármore fino de 77 x 30 cm... Sem descer ao plano das hipótese minuciosas, meramente conjecturais, julgam os historiadores que o lugar assim descoberto representa o primeiro local onde foram depositados os despojos mortais de São Pedro. E com razão assim pensam: no ano 67, quando morreu este Apóstolo, os cristãos ainda não possuíam seus cemitérios próprios, devendo por isso forçosamente usar cemitérios pagãos; se, pois, no Vaticano São Pedro foi enterrado em uma necrópole pagã, esta deve ter sido realmente a primeira mansão póstuma do Apóstolo, indicada aliás explicitamente pelos testemunhos de Gaio e dos graffiti.

Pode-se observar ainda o seguinte: no início do século IV o Imperador Constantino constriu a Basílica de São Pedro em Roma. Podia ter escolhido para isto, ao lado do lugar que ele tomou, um terreno livre, plano, apto para uma ampla construção (no chamado “Circo de Nero”). Não o fez, porém; mandou construir a Basílica no lugar mais incômodo e contra-indicado, tomando um terreno de forte declive, terreno com um diferença de 13 cm na direção NE-SO, e já ocupado por um cemitério (coisa que os romanos costumavam respeitar)! Se Constantino assim violou todas as leis de construção e deferência aos mortos, ele deve ter tido um motivo muito sério, motivo que não pode ser senão a presença, em uma parte da necrópole, de um túmulo caro a todos os cristãos de Roma: o túmulo de Pedro!

É verdade que pessoas sérias tem dúvidas da data em que Pedro chegou a Roma e se ele lá esteve realmente durante 25 anos, mas ninguém contesta a morte do Apóstolo na Cidade Eterna.

A palavra "Papa" é só um título (também usado pelo Patriarca dos Coptas, mas sem um sentido de usurpação de jurisdição), como de "Servo dos Servos de Deus".

O exercício do primado pelos sucessores de Pedro

Não seria razoável crer que nos primeiros séculos o primado romano se tenha manifestado como hoje. De um lado, as comunicações entre os diversos núcleos católicos eram difíceis; de outro lado, o surto de heresias e desordens deu ocasião para que a Igreja manifestasse aos poucos sua estrutura petrina. O primado era, já na Igreja primitiva, atribuído aos Pontífices Romanos não por preponderância política, mas por motivos estritamente religiosos.

a) No fim do século I, tendo surgido um litígio entre os fiéis de Corinto, o bispo de Roma, São Clemente, lhes escreveu uma carta autoritativa, chamando-os energicamente à ordem:

“Se alguns não obedecem ao que Deus mandou por nosso intermédio, saibam que incorrem em falta e em perigo muito grave” (c. 69).

A carta terminava anunciando o envio de legados romanos a Corinto, os quais, esperava o Pontífice, haveriam de voltar para Roma levando a notícia da restauração da paz entre os discordantes.

É altamente significativo o fato de que o bispo de Roma, e ele só, tenha intervindo em questões internas da igreja em Corinto, embora em Éfeso ainda vivesse o Apóstolo São João (como eu já havia dito ao longo deste debate), e outras comunidades tivessem relações mais freqüentes e fáceis com Corinto que Roma. Leve-se em conta também a deferência que a igreja de Corinto (embora fosse, como a de Roma, fundada por um Apóstolo) prestou ao documento de Roma: a admoestação surtiu o efeito almejado, como se depreende do fato de que em 170 aproximadamente a carta de São Clemente ainda era habitualmente lida nas reuniões dominicais dos fiéis de Corinto (Eusébio, Hist. Ecl. IV 23, 11).

b) No início do século II Santo Inácio de Antioquia escrevia aos cristãos de Roma, reconhecendo ser sua comunidade a mestras das outras: “Não invejeis a ninguém, instruístes os outros. Também eu quero guardar aquilo que ensinais e preceituais” (III, 1). Aos romanos confiava Santo Inácio o cuidado das comunidades da Síria: “Somente Jesus Cristo e a vossa caridade (ágape) exerçam para com elas o papel de bispo” (IX, 1). “Ágape” vem a ser, para Santo Inácio, o sinônimo de “comunidade cristã” ou de “Igreja” ( Tral. 13, 1; Esmirn. 12, 1; Filad. 11, 2); é este o sentido que o santo bispo parece supor quando diz ser a igreja de Roma “a que preside à caridade (ágape)” e “a que preside na região dos Romanos” (Rom, prol.). Estas expressões, segundo bons historiadores, significam preeminência em relação às demais comunidades católicas. O testemunho de Inácio torna-se particularmente significativo desde que se leve em conta que era proferido por um bispo de Antioquia, cidade onde Pedro teve uma de suas primeiras sedes episcopais (Eusébio, Hist. Ecl. III, 36).

c) Na segunda metade do século II registrou-se a controvérsia da Páscoa: um grupo de bispos da Ásia Menos, recusando seguir o calendário e os costumes vigentes em Roma, assim como nas demais regiões católicas, foi ameaçado de excomunhão pelo Papa São Vitor (Eusébio Hist. Ecl. V 24, 9-18). E ninguém contestou ao Pontífice o direito de assim proceder; devia parecer claro a todos que nenhum bispo pode estar em comunhão com a Igreja universal sem estar em comunhão com a Igreja de Roma.

d) Santo Irineu (+ 202 aproximadamente) deixou-nos um dos mais eloqüentes testemunhos em favor de Roma:

Tendo afirmado que a verdade se encontra nas comunidades fundadas pelos Apóstolos, continua: “Mas, já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, só nos ocuparemos de uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ele guarda, e a fé que ela comunicou aos homens, chegaram a nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que... querem procurar a verdade onde não se pode encontrar. Com esta comunidade de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos Apóstolos” (Adv. Haer. III 3, 2).

Em uma palavra: a conformidade com o ensinamento dos sucessores de Pedro é o critério da ortodoxia.

e) Em meados do século III, São Cipriano, bispo de Cartago, chamava a cátedra de Roma “cátedra de Pedro, a Igreja principal, donde se origina a unidade sacerdotal (isto é, a unidade dos bispos!)” (epist. LV, 14). Contudo São Cipriano parece não ter tirado as últimas conseqüências destas palavras, pois recusou submeter-se ao Papa Estevão no tocante à validade do batismo conferido por hereges.

À medida que nos adiantamos no decorrer dos séculos, vão aumentando em número e significado os textos e fatos que atestam o primado de Roma . Por exemplo, nos litígios teológicos do século IV em diante, a Sé de Roma foi, geralmente, tida como supremo tribunal (vejam o caso do arianismo).

A esses testemunhos deve-se aplicar um princípio clássico no cristianismo: “Quod apud multos unum invenitur, non este erratum, sed traditum” (Tertuliano), isto é, uma crença uniformemente professada por diversas comunidades não pode provir do erro, mas deriva da legítima tradição.

Por fim, vale salientar que alguns protestantes dizem que Pedro errou em matéria doutrinária em Mateus XVI, 22-23. Mais uma vez erram, pois isso foi antes de Pentecostes, quando a promessa do Divino Mestre se concretizou de fato.

Conclui-se, então, que o primado pretino é incontestável.

 

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