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Por que beijamos o anel episcopal?

É muito antigo o costume fazer a genuflexão diante do Papa, dos cardeais e diante dos bispos. Este gesto manifesta respeito e adesão a quem são designados pastores da Igreja de Jesus Cristo. Mas por um acaso você já parou para pensar no porquê fazemos isso?

Quando fazemos a genuflexão diante do Papa, dos cardeais e bispos, beijamos-lhe o anel episcopal, ou no caso do Papa, o anel do pescador (S. Pedro era pescador, o papa é sucessor de S. Pedro). O ato de beijar a mão continua ainda hoje a ser um gesto de veneração, de respeito e submissão, e ao mesmo tempo, de certa intimidade e afeto. Os filhos costumavam beijar a mão aos seus pais, senão habitualmente, pelo menos, quando se encontravam depois de alguma ausência.

Os afilhados e sobrinhos costumavam cumprimentar os seus padrinhos e tios, beijando-lhes a mão e pedindo-lhes a bênção. É sinal de cortesia e de muito respeito, um cavalheiro beijar a mão a uma senhora, um gesto que as senhoras muito apreciam. Dentro da hierarquia da Igreja, sempre os súditos beijavam as mãos aos superiores, em sinal de respeito e obediência. Como o Papa e os bispos usavam um anel, o uso de beijar a mão, passou para o anel, e assim, quando se cumprimentava o papa ou um bispo, beijava-se-lhe o anel. Ora este costume de usar um anel tem o seu significado, onde se pode encontrar também a razão porque se beija.


Clemente de Alexandria sugeriu que os Cristãos usassem nos seus anéis símbolos de Fé, como a pomba, o peixe e a âncora. Embora alguns Padres e Doutores da Igreja tomassem os anéis como manifestação de luxúria, é evidente que eles já eram usados pelos cristãos no século IV.

Foi por essa mesma altura que os bispos os começaram a usar, mas ainda não como símbolo de poder e autoridade, mas como um simples sinete para autenticarem os seus documentos. No ano 610 o papa Bonifácio IV (608-615), indicava que o anel do bispo devia ser um sinal do sagrado ministério.
Alguns anos depois, o Concílio de Toledo, Espanha, estabeleceu que, quando um bispo deposto for readmitido no seu ministério, devem ser-lhe restituídos, o seu báculo, a sua estola e o seu anel. Assim o anel tornou-se um sinal inseparável do ministério episcopal.

Os papas Gregório VII (1073-1085), e Inocêncio III, (1198-1216), insistiram em que o báculo e o anel, são símbolos de autoridade espiritual, e não podem ser conferidos pelo Estado, mas apenas pela Igreja. Por essa razão, quando alguém ia cumprimentar o papa ou o bispo beijava-lhe o anel. É muito provável que o uso do anel nos Bispos fosse motivado, além das razões simbólicas, pela funcionalidade para os próprios Bispos autenticarem os seus atos (era um costume muito usado na antiguidade).

Assim, o anel episcopal exprime o mistério nupcial de Cristo e da Igreja. O Bispo, imitando Jesus Cristo, era considerado esposo da Igreja a ele confiada. Com o anel, o Bispo é o esposo da Igreja local e é-lhe pedido que seja fiel e puro na fé e na conduta da vida. O Anel Pastoral, com ouro e pedras preciosas – normalmente ametista, é também um dos ornamentos obrigatórios dos Bispos cristãos, que o vincula a sucessão apostólica e ao poder sacramental para transmitir as bênçãos e principalmente as ordens sacras. Beijar o anel Episcopal à mão de um Bispo é o sinal externo e visível do respeito e submissão devotados ao poder clerical. Significa a união do bispo com a Igreja e sua inquebrantável fidelidade.

Por isso que ao venerarmos o nosso bispo, beijamos o seu anel. Em sinal de submissão, respeito, reconhecimento à sua autoridade como pastor das nossas almas, ao poder dado a ele como sucessor dos apóstolos. Saibamos então, que nada é por acaso, essas coisas todas na igreja tem não só um mas vários motivos e um simbolismo muito rico.

Filotéia.

 

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