.

Raro vídeo de missa celebrada por Dom Lefebvre em Saint Nicholas du Chardonnet



A Igreja poderia ainda que não se aplique mais o rito previsto no antigo Ritual Romano para remitir os efeitos da excomunhão após a morte do réu, reabilitar a memória de Dom Lefebvre e Dom Mayer, mas, para isso, ela teria que reconhecer que cometeu uma injustiça no caso dos bispos citados, pois, ainda que tenham se arrependido, eles não vieram até a Igreja buscar o perdão publicamente.

Sem contar que qualquer sacerdote próximo poderia ter absolvido Dom Lefebvre e Dom Mayer in extremis, caso eles estivessem arrependidos. Podem, no entanto, ter se salvado, se apenas seguiram a sua consciência invencivelmente errônea.

Seria inclusive mais fácil para a Fraternidade de reconhecer esse erro como ignorância invencível. Mas teimam em insistir que D. Lefebvre era o baluarte da fé católica.

Na verdade, ele não passava de um produto do meio onde foi criado, com severas limitações teológicas e eclesiológicas modeladas à maneira de uma meia-dúzia de teólogos (Le Floch, Ousset). Suas posições NUNCA refletiram a Tradição em si, mas apenas um entendimento da tradição feito por alguns teólogos gálicos que moldaram sua formação intelectual. E dentro dessa limitação, realmente seu entendimento era invencível e completamente justificável. Ainda mais pelos resultados que produzia por onde passava, pois eram formidáveis (todos os lugares onde ele foi missionário ou bispo tiveram um grande aumento no número de católicos e na solidez da fé das pessoas, isso é inegável).

Neste contexto, o lema do episcopado dele é perfeito: "Tradidi quod et accepit"

A contraposição é tão grande, que os próprios membros da Fraternidade colocam o debate do andamento do concílio como sendo uma luta de forças entre D. Lefebvre e o inimigo modernista ferrenho, incorporado no Pe. Josef Ratzinger* (cf. Mallerais, Tissier. Marcel Lefebvre: The biography. Kansas City : Angelus Press, 2004). E agora, agem como se nada tivesse acontecido? Aceitam a autoridade daquele que sempre utilizaram como saco de pancadas e fingem que nada aconteceu? Chutavam o cachorro e agora passam assobiando como se não fosse com eles?

*Quando jovem teólogo, Sua Santidade tinha opiniões muito heterodoxas. Graças a Deus eram apenas opiniões de teólogo. ;-) Como dizia o Cardeal Siri: "Credo Deo Revelanti et non theologo opinanti!"

Depois ao amadurecer em idade e experiência, e principalmente ao assumir o episcopado, a ficha foi caindo e o então jovem Pe. Ratzinger se transformou no Cardeal Ratzinger, defensor ferrenho da ortodoxia, e agora como Papa, Bento XVI não só defende a ortodoxia como defende uma leitura tradicional daquilo que ele mesmo propôs no Concílio, reconhecendo seus próprios erros e limitações.

Um dos grandes problemas da maioria dos lefebvristas é não acreditar na capacidade e possibilidade de conversão das pessoas. Uma vez herege e modernista, sempre herege e modernista, e para eles este estado não muda. Isso é latente principalmente nos norte-americanos e outros países protestantes, visto sua formação social protestante calvinista de predestinação, winners versus losers, etc e tal. A Igreja Católica nunca defendeu isso.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino