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Rezar o terço na Santa Missa. Sim ou não?


Muitos contemporâneos não têm bem presente o real significado da ativa participação dos fiéis na Santa Missa, tão recomendada pela Igreja. Confundem, por vezes, essa participação como se concelebrassem com o sacerdote, ou como se este fosse apenas um dirigente do culto, o “presidente” da celebração. Há, nesse sentido, uma deformada idéia de sacerdócio, não diferenciando da maneira exata aquele comum, que todos os batizados possuem, do hierárquico, em decorrência da ordenação.

Cumpre salientar que a diferença entre os leigos e os que recebem o sacramento da Ordem não é de grau, mas de essência. “O sacerdócio ministerial ou hierárquico dos bispos e dos presbíteros e o sacerdócio comum de todos os fiéis, embora ‘ambos participem, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo’, diferem, entretanto, essencialmente, mesmo sendo ‘ordenados um ao outro.’”[1]

Não se trata de uma simples organização administrativa que coloca o sacerdote acima do fiel, porém de uma distinção profunda, espiritual e permanente, uma marca na alma, fruto da graça. “Idêntico, pois, é o sacerdote, Jesus Cristo, cuja sagrada pessoa é representada pelo seu ministro. Este, pela consagração sacerdotal recebida, assemelha-se ao sumo Sacerdote e tem o poder de agir em virtude e na pessoa do próprio Cristo; por isso, com sua ação sacerdotal, de certo modo, ‘empresta a Cristo a sua língua, e lhe oferece a sua mão.’”[2] E semelhante poder não é mera autorização externa, mas uma virtude doada pelo Espírito Santo no sacramento que configura o padre a Jesus, Nosso Senhor. Pela Ordem, mais do que pregadores religiosos ou líderes da comunidade, os ministros ordenados são “verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento.”[3]

A Santa Missa, pois, é um autêntico sacrifício. O sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai pelo perdão de nossos pecados. Não um novo, pois o da Cruz foi suficiente, mas o mesmo, tornado presente. Há uma identidade substancial entre a Cruz e a Missa, como entre elas a Última Ceia. Esta foi a antecipação da Cruz como a Missa dela é a atualização.

É a Missa o mesmo, único e suficiente sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecido de uma vez por todas, ao Pai, na Cruz do Calvário, pelo perdão de nossos pecados, tornado real e novamente presente, ainda que de outro modo, incruento, no altar da igreja pelas mãos do sacerdote validamente ordenado.

Mesmo, único e suficiente: a Missa não é um novo sacrifício para saldar nossa dívida para com Deus. Oferecido de uma vez por todas, ao Pai, na Cruz do Calvário: a Missa é o mesmo sacrifício da Cruz, não um outro. Pelo perdão de nossos pecados: como a Cruz foi a causa de nosso perdão, merecendo-nos a graça de Deus, assim também é a Missa. Tornado real e novamente presente: a mesma Cruz é tornada presente diante de nós, pois para Deus não há limite de espaço ou tempo. Ainda que de outro modo, incruento: na Cruz, Cristo derramou Seu Preciosíssimo Sangue; na Santa Missa, a Cruz é tornada novamente presente, mas de outro modo, sem derramamento de Sangue – não é, repetimos, uma nova morte de Cristo, mas a mesma e única, porém de modo incruento.

No altar da igreja: todo sacrifício precisa de um altar; a Cruz foi o altar onde Cristo ofereceu o sacrifício de Seu Corpo Santíssimo; na Missa não há uma Cruz física onde Cristo deva morrer, mas um altar onde é celebrado o sacrifício e os dons são oferecidos. Pelas mãos do sacerdote: num sacrifício, além do altar, é preciso uma vítima e um sacerdote, um sacrificador; quando o altar foi a Cruz, Jesus Cristo foi a Vítima, mas também o Sacerdote, pois ninguém O matou, antes Ele mesmo Se entregou à morte por nós; na Santa Missa, se o altar é o da igreja, e a vítima é Cristo, eis que o sacrifício é o mesmo, também há identidade quanto ao sacerdote, o sacrificador. Validamente ordenado: Jesus mandou que os Apóstolos realizassem o sacrifício feito na Cruz e antecipado na última Ceia, e eles passaram o mandato a seus sucessores e aos colaboradores destes; os sucessores dos Apóstolos são os Bispos, e os colaboradores os padres, unidos a Cristo pelo sacramento da Ordem.

Então, não são dois sacrifícios, o da Cruz e o da Missa, mas um só, o da Cruz, tornado presente na Missa?

Isso mesmo! É o que afirmamos na resposta à última pergunta. Acompanhemos o que escreveu o Papa João Paulo II na Encíclica Ecclesia de Eucharistia:

“Este aspecto de caridade universal do sacramento eucarístico está fundado nas próprias palavras do Salvador. Ao instituí-lo, não Se limitou a dizer ‘isto é o meu corpo’, ‘isto é o meu sangue’, mas acrescenta: ‘entregue por vós (...) derramado por vós’ (Lc 22, 19-20). Não se limitou a afirmar que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas exprimiu também o seuvalor sacrifical, tornando sacramentalmente presente o seu sacrifício, que algumas horas depois realizaria na cruz pela salvação de todos. ‘A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrifical em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor’.

A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, ‘o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício’. Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: ‘Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá’.

A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial, a ‘exposição memorial’ (memorialis demonstratio), de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrifical do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário.”[4]

“O augusto sacrifício do altar não é, pois, uma pura e simples comemoração da paixão e morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima. ‘Uma... e idêntica é a vítima: aquele mesmo, que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes, se ofereceu então sobre a cruz; é diferente apenas, o modo de fazer a oferta.’”[5]

Quem oferece um sacrifício é sacerdote. Daí que os presbíteros católicos assim sejam designados.

Tanto o fiel quanto o sacerdote que a celebra participam da Missa, porém de modos distintos. Enquanto a maneira própria do celebrante participar da Missa é exatamente celebrando, o fiel participa assistindo-a com toda a vontade de unir-se aos sentimentos de Cristo. Se não pode, como o padre, ser o próprio Jesus oferecendo-Se na Cruz, deve, então, assistir o maravilhoso espetáculo do sacrifício de um Deus-homem que morre por nossos pecados com a disposição de alma de quem aspira imitar aqueles santos que estiveram aos pés do Calvário. A Cruz torna-se presente na Missa, e porquanto naquela estavam presentes a Santíssima Virgem e o discípulo amado, São João, o Apóstolo e Evangelista, quando estamos assistindo o Santo Sacrifício devemos ter as mesmas atitudes de ambos.

Certamente, não estavam Nossa Senhora nem São João batendo palmas: sua alegria pela salvação que se operava era interna, e se misturava com uma viva dor pelos pecados da humanidade, cometidos de tal forma que fizeram Deus sofrer e derramar Seu Sangue por nós. Imitando os sentimentos e atitudes de São João e da Virgem Maria aos pés da Cruz, estamos participando da Missa de um modo santo e salutar.

São Leonardo de Porto Maurício, ardoroso apóstolo da Santa Missa, nos dá seu ensino, ainda bastante atual: “Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.”[6]

Feitas essas considerações, atentemos para a recomendação do Magistério da Igreja:

“É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica que a própria natureza da liturgia exige e à qual o povo cristão, ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido’ (1Pd 2,9; cf. 2,4-5), tem direito e obrigação, por força do batismo.”[7]

Mas também ressalva:

“Por isso, estas celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja, manifestam-no e implicam-no; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, dos ofícios e da atual participação.”[8]

Isso quer dizer que a tão propalada “participação ativa” não implica em uma igualdade entre os participantes. Quem oferece o Santo Sacrifício da Missa é o sacerdote. E mais: o sacerdote celebrante, não os que assistem e sejam, eventualmente, sacerdotes. Todos os demais não celebram, mas assistem ou ouvem a Missa. Os conceitos de “participar” da Missa e de “ouvir” Missa não se excluem: todos devem participar, sacerdotes e leigos, mas o modo dos últimos participarem é ouvindo, assistindo.

Evidentemente, esse ouvir Missa não impede o exercício de legítimos ministérios leigos na celebração, como o de cantor, comentarista, leitor, acólito. Ainda assim, estão ouvindo Missa, não celebrando. Ouvir e assistir, pois, são a maneira de os leigos participarem da Missa.

A participação ativa, tão pedida pela Igreja, implica em unir, de fato, nossos sentimentos e nossa inteligência ao que está ocorrendo sobre o altar. Ora, isso não se faz somente com as respostas e com os cantos. Quantos, aliás, dos que respondem todas as partes próprias aos leigos destinadas e sabe de cor todos os cantos realmente sabem o que estão fazendo, sabem que a Missa é sacrifício?

Quem assim age, cantando tudo, respondendo tudo, mas achando que a Missa é apenas uma reunião de oração oficial da Igreja, sem dar-se conta do caráter sacrificial da mesma, está, de fato participando da Missa como pede a Igreja?

Em vista disso, concluímos que não são os cantos e as respostas que fazem uma plena e ativa participação dos leigos na celebração. Ela é muito mais de união ao mistério celebrado. Vamos à Missa como quem vai ao Calvário!

Claro, o interior deve refletir-se no exterior. E tal se dá quando respondemos ao sacerdote, quando cantamos, fazemos os gestos específicos. Contudo, não é essa a única maneira de participar, de assistir a Missa.

Muito devotamente assiste a Missa, participa da Missa, quem, unido intimamente à Cruz tornada presente, permanece num eloqüente silêncio, meditando cada ato do sacerdote sobre o altar. Esse silêncio é um modo legítimo de significar, exteriormente, o que se passa no interior.

E aqui chegamos ao objeto específico destes comentários. É correto rezar o rosário durante a Missa? Ele não desvia a atenção do que é essencial na celebração?

Claro que não! Rezar o rosário é unir-se a Nossa Senhora na contemplação dos principais mistérios da sua vida e de seu Filho. Ninguém melhor do que a Santíssima Virgem para nos ensinar como estar diante da Cruz. Se ela ofereceu suas dores e uniu-se ao sacrifício de Cristo no Calvário, sabendo portar-se como ninguém, e se a Missa é a Cruz tornada presente, unir-se ao sacrifício celebrado com a sua ajuda é uma excelente medida.

Assim, para melhor participarmos da Missa convém, sim, pedir o auxílio de Maria, convém, sim, meditar os eventos da Cruz – que se torna presente na Missa – com a sua companhia. Stabat Mater Dolorosa iuxta Crux lacrimosa! Obviamente, essa ajuda e presença de Nossa Senhora para nos acompanhar quando vamos ao Calvário – a Missa – não ocorre apenas com a recitação do rosário. Podemos suplicar os benefícios da Virgem, para que ela nos ajude a melhor viver a Missa e contemplar os mistérios, de variados modos.

Não estamos aqui dizendo que a recitação do rosário é a melhor forma de participação na Missa, nem que a companhia da Santíssima Virgem para nos ajudar a assistir o sacrifício da Missa só se possa alcançar com essa oração. Nosso intuito é bem outro: mostrar que a reza do rosário não contraria a plena e ativa participação na Missa. É uma dentre tantas maneiras de participarmos do Santo Sacrifício. Se for apenas uma recitação mecânica, estará errada, como também errada será a mera resposta ao padre. Sem embargo, rezar o rosário unindo nossas preces à Virgem, crendo que no altar é celebrado o maior mistério pelo qual somos salvos, a verdadeira renovação do sacrifício da Cruz, pode ser um notável ato de piedade.

“Não poucos fiéis, com efeito, são incapazes de usar o Missal Romano ainda quando escrito em língua vulgar; nem todos são capazes de compreender corretamente, como convém, os ritos e as cerimônias litúrgicas. A inteligência, o caráter e a índole dos homens são tão vários e dissemelhantes que nem todos podem igualmente impressionar-se e serem guiados pelas orações, pelos cantos ou pelas ações sagradas feitas em comum. Além disso, as necessidades e as disposições das almas não são iguais em todos, nem ficam sempre as mesmas em cada um. Quem, pois, poderá dizer, levado por tal preconceito, que tantos cristãos não podem participar do sacrifício eucarístico e aproveitar-lhe os benefícios? Certamente que o podem fazer de outra maneira, e para alguns mais fácil: por exemplo, meditando piamente os mistérios de Jesus Cristo ou fazendo exercícios de piedade e outras orações que, embora na forma difiram dos sagrados ritos, a eles todavia correspondem pela sua natureza.”[9]

Muitos, por exemplo, assistem a Missa acompanhando pelo missal, respondendo às orações etc. É um modo muito proveitoso, pois assim conhecemos a rica tradição litúrgica da Igreja, com suas preces belíssimas para cada dia do ano eclesiástico. Contudo, se esse acompanhar das orações não for reflexo de uma profunda fé no caráter sacrificial da Missa, pouco acréscimo espiritual teremos. Aqueles que, em vez de lerem no missal as cerimônias prescritas, recitam o rosário, mas o fazem como união, em Maria, ao Cristo que se oferece na Cruz (ou fazem outras orações, como a via sacra, uma meditação etc), estão participando de modo muito mais eficaz da celebração e, portanto, colhem dela muito mais graças, do que os que respondem a tudo, cantam tudo, mas esquecem que a Missa, mais do que Ceia do Senhor, é o seu sacrifício.

O que importa, urge esclarecermos isso, não é tanto entender o conteúdo teológico de cada palavra dita pelo sacerdote ou mesmo respondida pelos leigos – do contrário, a Missa em latim não seria incentivada pela Igreja –, e sim compreendermos o que é que se passa no momento. Muitos sequer assimilam o significado das orações e frases do rito; sabendo, entretanto, o que se passa durante esse mesmo rito, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, pode-se colher os benefícios de tão grandioso sacrifício oferecido ao Pai em nosso resgate. E a oração do rosário pode muito bem expressar esse entendimento, essa compreensão – talvez não erudita, mas plenamente aderida ao que acontece no altar – de que a Missa e a Cruz são a mesma coisa.

Se o rosário for expressão de nossa fé no sacrifício e adesão a ele, está excelente! Talvez tenhamos algo a aprender com nossas avós, piedosamente passando por entre as contas do santo terço, unidas, pelo amor a Nossa Senhora, à Cruz de Jesus Cristo celebrada e tornada presente no altar.

O próprio Magistério explicita:

“Impede ouvir a Missa com fruto a recitação do Rosário ou de outras orações durante o Santo Sacrifício?

A recitação destas orações não impede ouvir com fruto a Missa, desde que haja um esforço possível de seguir as cerimônias do Santo Sacrifício.”[10]

[1] Catecismo da Igreja Católica, 1547

[2] Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei, de 20 de novembro de 1947, nº 62

[3] Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, de 21 de novembro de 1964, 28

[4] Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Ecclesia de Eucharistia, de 17 de abril de 2004, nº 12

[5] Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei, de 20 de novembro de 1947

[6] São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto

[7] Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, de 14 de dezembro de 1963, nº 14

[8] Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, de 14 de dezembro de 1963, nº 26

[9] Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei, de 20 de novembro de 1947, nº 98

[10] Sua Santidade, o Papa São Pio X. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, nº 667

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Rezar o terço na Santa Missa. Sim ou não? David A. Conceição, março de 2011, blogue Tradição em Foco com Roma.



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