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Eucaristia: purifica ou não dos pecados?


Se a Eucaristia nos purifica de nossos pecados, por que precisamos estar em estado de pureza para recebê-la?

Santo Tomás nos ajuda a compreender o porque deste desejo divino de se estar conosco, é que os amigos, que se amam de coração, querem estar unidos de tal modo que formem uma só pessoa. Deus não só se dá a eles no reino eterno, mas já neste mundo se deixa possuir pelos homens na união mais íntima possível. Ali, - como nos diz Santo Afonso de Ligório, ele está como atrás de um muro nos olhando e nos ajudando, até que chegue o dia, no paraíso, em que O veremos face a face.

Devemos, portanto, estar certos de que uma pessoa não pode fazer nem pensar fazer coisa mais agradável a Jesus Cristo, de que comungar com as disposições convenientes a tão grande hóspede. Assim se une a Cristo, pois esta é a intenção do Senhor. Fiquemos atentos a isto: disposições convenientes e não dignas, porque se estas fossem exigidas, quem poderia comungar? Só um outro Deus seria digno de receber um Deus.

Basta que ordinariamente falando, devemos comungar em estado de graça e com vivo desejo de crescer no amor a Jesus Cristo. O Pai tudo colocou nas mãos do Filho e este quando vem até nós traz consigo imensos tesouros de graças.

O Concílio de Trento nos ensina que a comunhão é o remédio que nos livra dos pecados veniais, das nossas faltas cotidianas e nos preserva dos mortais. (Sess.XIII,c.2). Diz-nos que somos livres das falhas cotidianas porque, segundo Santo Tomás, por meio deste sacramento, o homem é estimulado a fazer atos de amor e por eles se apagam os pecados veniais. Somos preservados dos pecados mortais, porque a comunhão nos confere o aumento da graça que nos preserva das faltas graves. (Summa Theol. 3p,q.79,a.4)

Sobre isso escreveu Inocêncio III:
Jesus Cristo com Sua Paixão nos livrou do poder do pecado, mas com a Eucaristia nos livra do poder de pecar. Além disso, este sacramento inflama de modo especial as pessoas no amor de Deus.

Portanto ele nos livra dos veniais e nos preserva dos mortais.


Basta considerar, como ensina o CRO,
a própria natureza do pão e vinho, enquanto sinais simbólicos deste Sacramento. Os mesmos efeitos que o pão e o vinho produzem no corpo, o Sacramento da Eucaristia também os produz todos, de modo mais elevado e perfeito, para a salvação e bem-aventurança da alma
. Sendo assim, do mesmo modo que a um morto não faria diferença alguma a administração de pão e vinho, o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor de nada aproveitam à alma que esteja morta, isto é, privada da graça primeira.

Você sabe o que significa estar em pecado mortal? Significa estar privado de toda participação na vida divina. Não há qualquer elo sobrenatural entre Deus e o Homem se este está privado da graça. Receber os Sagrados Mistérios neste estado, seria o mesmo que jogá-los no lixo. Um sacrilégio. Por aí se vê que todos os benefícios que o Sacramento logra dizem respeito apenas à conservação e ao aumento da graça, e não à sua restituição, que só é possível via Penitência.

Que este sacramento apague as faltas veniais, também pode ser compreendido através da analogia simbólica. Novamente o CRO:

O que a alma perde, pelo ardor das paixões, quando comete pequenas faltas em matéria leve, a Eucaristia lho restitui integralmente, pela eliminação das próprias faltas menores.Para não nos afastarmos da comparação feita, isto [o apagamento das faltas veniais] tem analogia com o processo pelo qual sentimos o alimento natural aumentar e refazer, aos poucos, as calorias que se gastam e perdem em combustão diária

A Eucaristia tem ainda por efeito: preservar-nos contra o pecado mortal; moderar a concupiscência; servir-nos de penhor para a vida eterna.


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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Eucaristia: purifica ou não dos pecados?

David A. Conceição 08/2011 Tradição em Foco com Roma.

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