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Fogo no Inferno. Metáfora ou realidade?


Jesus fala muitas vezes da "Geena", do "fogo que não se apaga", reservado aos que recusam até o fim de sua vida crer e converter-se, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo. Jesus anuncia em termos graves que "enviar seus anjos, e eles erradicarão de seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e que pronunciar a condenação: "Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno!" (Mt 25,41).

O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.

"Com relação ao inferno deve-se crer com fé divina:

1º - Que existe o inferno constituído pelos demônios e pelos que morreram em pecado mortal, mesmo que fosse um só.

2º - Que no inferno os condenados são atormentados por dupla pena: a de dano e a pena de sentidos, sendo esta principalmente de fogo.

3º - Que as penas que os condenados do inferno cumprem são eternas, e jamais terão fim, nem serão atenuadas.

4º - Que não são as mesmas penas para todos, mas diversas, conforme o número e a gravidade dos pecados, que mereceram a condenação eterna.

É teologicamente certo, se bem que não de fpe, que o fogo, com o qual os condenados do inferno são atormentados é um fogo real ou corpóreo, não metafórico." (Cardeal Gaspani. Cathecismus Catholicus, aprovado pela Santa Sé)

Como as almas, que não são materiais, mas espirituais, poderão queimar num fogo real?

Santo Tomás explica na Suma. Enquanto não posto seus comentários, fiquemos com o mesmo Cardeal Gaspani, eminente teólogo e comentador tomista:

"É disputado ainda livremente entre os teólogos de que maneira o fogo real pode atormentar os espíritos puros, como o dos demônios, e as almas dos condenados antes da ressurreição dos corpos; qual a natureza do fogo do inferno; onde se encontra o inferno, se acima, ou abaixo da terra, se é um lugar, se é um estado..."

A ação do fogo sobre as almas é, segundo a doutrina mais comum, com o fim de aprisionamento, e não de cremação. Isto porque as almas não são materiais e, portanto, não podem se queimar.

Lembremos, ademais, que, após a ressurreição da carne, os condenados terão, sim, corpos e, portanto, "matéria para queimar" no fogo do inferno. Santo Tomás mesmo que os corpos dos condenados terão duas propriedades: incorruptibilidade e passibilidade, pois para que o fogo do inferno os atormente sem consumi-los é necessário que sejam incorruptíveis, e para que sofram o dano eterno é necessário que sejam passíveis.

Vemos, portanto, que no inferno existe fogo real, não metafórico (embora não se saiba sua natureza), e que esse fogo tem ação de aprisionamento sobre as almas (até a ressurreição da carne), e de cremação (após a ressurreição), ainda que, nesta última, os corpos sofram, queimem, mas não se consumem.

De Santo Tomás

"Capítulo CLXXVI

OS CORPOS DOS CONDENADOS SERÃO PASSÍVEIS E SEM DOTES, MAS ÍNTEGROS

Como nos santos a beatitude da alma extender-se-á, de certo modo, pelo corpo, conforme nos referimos acima, assim também a miséria da alma refletir-se-á no corpo. Como o bem natural não será retirado da alma, não o será, outrossim, o do corpo. Os corpos dos condenados ficarão íntegros na sua natureza, sem, contudo, possuírem as condições pertencentes à glória dos beatificados. Esses corpos, portanto, não serão sutis nem impassíveis, mas unir-se-ão à sua natureza pesada e passível, que lhes será, ainda, agravada: não serão ágeis, mas somente empurrados pela alma; não serão claros, mas obscuros, para que as trevas da alma mostrem-se nos corpos, conforme se lê em Isaís: "os seus rostos serão de faces queimadas" (Is 13,8).

Capítulo CLXXVII

OS CORPOS DOS CONDENADOS SERÃO PASSÍVEIS, MAS INCORRUPTÍVEIS

Deve-se saber que, apesar de os corpos dos condenados serem passíveis, contudo não se corromperão, bem que isso pareça ser contrário ao que agora experimentamos, pois a paixão, quanto mais veemente, tanto mais é prejudicada a substância.

Haverão, então, dois motivos para justificarem porque a paixão, apesar de perpetuamente continuada, não prejudicará os corpos.

Desse modo, aqueles corpos sofrerão para sempre, sem se corromperam, porém.


Capítulo CLXXVIII

A PENA DOS CONDENADOS EXISTIRÁ JÁ ANTES DA RESSURREIÇÃO

Se é evidente, pelo que se acabou de dizer, que tanto a felicidade quanto a miséria futuras realizam-se principalmente na alma, secundariamente, porém, e por certa derivação, no corpo, a felicidade ou a miséria da alma não dependem da felicidade ou da miséria do corpo, mas mais dela mesma. Como, após a morte e antes da ressurreição dos corpos, umas almas apresentam-se com a merecida bem-aventurança, outras, com a merecida miséria, isso evidencia que, já antes da reassunção dos corpos, algumas almas gozarão da felicidade, conforme atesta a Segunda Carta aos Coríntios: "Todos nós sabemos que, quando destruída essa tenda em que vivemos na terra, teremos no céu uma casa feita por Deus, uma habitação eterna, não feita por mãos humanas"; e: "Cheios de confiança desejamos sair deste corpo para habitar com o Senhor." (II Co 5,1.8)

Outras almas, porém, viverão na miséria, conforme se lê no Evangelho de São Lucas: "O rico morreu, e foi seupultado. Achando-se em tormentos no inferno..." (Lc 16,22--23)

Capítulo CLXXIX

A PENA DOS CONDENADOS CONSISTE EM MALES ESPIRITUAIS E CORPORAIS

Por isso também os textos das Sagradas Escrituras que prenunciam as penas corporais para as almas dos condenados, isto é, que elas serão atormentadas pelo fogo.


Capítulo CLXX

PODE A ALMA SOFRER A AÇÃO DO FOGO CORPÓREO?

1 - Para que não se pense ser absurdo sofrer a alma separada do corpo ação do fogo corpóreo, deve-se considerar que não é contra a natureza da substância ser retida pelo corpo. Isso realiza-se pela própria natureza, como se poder verificar na união que há entre a alma e o corpo, e nas mágicas, em que o espírito fica retido por imagens, por anéis, ou coisas semelhantes. Entretanto, isso pode ser também feito por virtude divina, de modo que as substân cias espirituais, sem embargo de por natureza estarem elevadas acima de todos os corpos, sejam retidas por determinados corpos; ou seja, pelo fogo do inferno, não como se a ele estivesse unida, mas de certo modo a ele se submetendo. Esse fato, ao ser verificado pela substância espiritual, é-lhe aflitivo, isto é, ver-se ela submetida a uma criatura inferior. Esse conhecimento que é aflitivo à substância espiritual, confirma o que se diz: a alma ao ver-se queimada, queima-se. Não deixa também de ser razoável dizer-se que aquele fogo é espiritual, porque o que a aflige é o fogo, conhecido como retendo-a.

2 - Que tal fogo seja corpóreo, comprova-se pela afirmação de São Gregório, que disse sofrer a alma a ação do fogo não só enquanto o vê, mas também enquanto o experimenta." (Comp. Th., CLXXVI-CLXX)


Magistério da Igreja:

Diz o Credo Atanasiano, que se reza na liturgia e é doutrina da Igreja, por ser testemunho da Tradição Oral.

"Porém, é necessário para a eterna salvação crer também fielmente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. (...) À sua vinda, todos os homens irão ressuscitar com seus corpos e dar contra de seus próprios atos; e os que fizeram o bem, irão para a vida eterna; os que fizeram o mal, ao contrário, ao fogo eterno.

Esta é a fé católica: todo o que não a crer fiel e fielmente não poderá salvar-se." (Denz., 76)


Por sua vez, o Sínodo de Arles, em 473, sob o pontificado do Papa Simplício, ensina, infalivelmente:

"Portanto, de acordo com os recentes decretos do venerável Concílio, condeno juntamente conosco aquela sentença

(...) que diz que não há fogo
nem inferno." (Denz., 338)


O mesmo sínodo, mais adiante, continua a explicitar:

Professo também que os fogos eternos e as chamas infernais estão prepararadas para as ações capitais (...)." (Denz., 342)

De outra sorte, o Sínodo de Toledo XVI, em 693, por sua Confissão de Fé, sob o pontificado do Papa Sérgio I, condena os hereges e os cismáticos que, por sua culpa, estão fora da Igreja de Cristo, dizendo que serão "castigado[s] com condenação eterna, e até o fim dos séculos será abrasado com o diabo e seus companheiros em fogueiras ardentes.." (Denz., 575)

Certamente é do conhecimento de todos as aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, em Fátima.

João Paulo II foi um discípulo de Nossa Senhora Fátima.

Nossa Senhora depois de pedir aos pastorinhos que fizessem sacrifíos pelos pecadores, diz a Lúcia:

(«Ao dizer estas palavras abriu de novo as mãoes como nos dois meses anteriores. O reflexo que elas expediam pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de FOGO e mergulhados nesse FOGO os demônios e almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas CHAMAS que delas mesmas saiam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, - assim como o cair das faúlhas nos grandes incêndios - sem peso nem equilibrio, entre gritos e gemidos de dor e de desespero que horrrorizavam e fazim estremecer de pavor.

Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa.»

Face a esta visão, os pastorinhos deram um grito que impressionou vivamente os que os rodeavam.

-Ai Nossa Senhora! - E o rosto, de expressão transtornados, tornam-se quase cadavéricos (pastorinhos).

Os pobres pequenos assustados, como que a pedir socorro, levantam a vista para a Nossa Senhora que lhes diz com bondade e tristeza:

-Vistes o Inferno para onde vão as alamas dos pobres pecadores.

 

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