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A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo (1ª Parte, Tópico 20)


“A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo” do Pe. Tomas Pégues, O. P., é uma excelente obra para aqueles que desejam iniciar o estudo da Obra Magna de Santo Tomás. Um tanto raro aqui no Brasil, haja vista que sua última edição em português data do início da década de 40, este livro é formulado como todos os catecismos tradicionais em perguntas e respostas e é de agradável leitura.



PRIMEIRA PARTE: DE DEUS, SER SOBERANO E SENHOR DE TODAS AS COISAS


XX. DA AÇÃO PESSOAL DE DEUS NO GOVERNO DO MUNDO: O MILAGRE


De que modo Deus governa o universo?

Conservando-o no ser e conduzindo-o ao fim para que foi criado (CIII, 4).


É o próprio Deus quem conserva a existência dos seres?

Sim; posto que é também certo, utilizar-se de uns para conservar outros, segundo a ordem de dependência que Ele mesmo estabeleceu ao criá-los (CIV, 1, 2).


O que quereis dizer quando afirmais que Deus conserva por si mesmo todas as coisas?

Entendemos que todas as criaturas recebem de Deus diretamente, e sem intervenção estranha, o que nelas há de mais íntimo, aquilo, em virtude do que todas participam do fato da existência (CIV).


A conservação do universo, assim como a criação, é obra própria e exclusiva de Deus?

Sim, pois ambas têm por fim direto e imediato a existência, e a existência é efeito privativo de Deus (CIV, 1).


Pode Deus aniquilar o mundo?

Sim (CIV, 3).


O que seria necessário para o realizar?

Seria bastante que Ele suspendesse por um instante a ação, por virtude da qual lhe dá e continua dando em cada momento o ser.


Logo, a existência das coisas só se mantém debaixo da ação direta, absoluta e constante de Deus?

Sim; do mesmo modo que a luz do dia depende em absoluto da presença e atividade solar; com a notável diferença, porém, de que o sol emite necessariamente os seus resplendores e, pelo contrário, a ação divina é toda liberdade e bondade infinitas.


Deus destruiu alguma parte da criação?

Não (CIV, 4).


Destruirá no futuro?

Também não (idem).


Por quê?

Por que o fim da criação é a sua glória e esta glória exige, não a destruição, mas a conservação do criado (idem).


As criaturas experimentam mudanças e transformações?

Sim; mais ou menos profundas, em conformidade com cada espécie, e dentro da mesma espécie, conforme os seus diversos estados.


Estas transformações estão previstas no plano da Providência?

Sim, posto que podem contribuir, e de fato contribuem, para o fim previsto, que é a glória de Deus e o bem do universo.


Algumas delas são devidas à opção direta e imediata de Deus?

Sim (CV, 1-8).


Quais são?

As que se efetuam nos últimos elementos componentes dos seres materiais, ou nas faculdades afetivas dos espirituais, e o princípio de qualquer ação em toda criatura (CV, 6, 7).


A quem devem atribuir-se as mudanças e transformações produzidas nos seres materiais, quando as causas segundas são incapazes ou insuficientes para efetuá-las, atento o curso ordinário da natureza?

Devem atribuir-se a Deus, e se chamam milagres (CV, 1, 2, 4, 5).


Logo, Deus faz milagres?

Sem dúvida; Deus faz milagres, os quais podemos agrupar em três categorias: aqueles, para cuja execução são impotentes todas as forças criadas; os que estas forças não poderiam efetuar pela razão do sujeito em que se realizam e os que não podem atribuir-se a forças naturais, pelo modo como se efetuam (CV, 8).


Por que Deus fez e ainda tem feito milagres?

Deus faz milagres quando apraz ao seu divino beneplácito, para fazer sentir ao homem a sua grandeza, e obrigá-lo a reconhecer como intervém no mundo, para sua glória e bem dos homens.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino