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A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo (1ª Parte, Topico 21)


“A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo” do Pe. Tomas Pégues, O. P., é uma excelente obra para aqueles que desejam iniciar o estudo da Obra Magna de Santo Tomás. Um tanto raro aqui no Brasil, haja vista que sua última edição em português data do início da década de 40, este livro é formulado como todos os catecismos tradicionais em perguntas e respostas e é de agradável leitura.


PRIMEIRA PARTE: DE DEUS, SER SOBERANO E SENHOR DE TODAS AS COISAS

XXI. DA AÇÃO DAS CRIATURAS NO GOVERNO DO MUNDO: ORDEM DO UNIVERSO

As criaturas podem exercer o influxo de umas nas outras para efetuar as mudanças e alterações que se observam no mundo?
Sim; e neste mútuo influxo se funda a ordem do universo (XLVII, 3).

Estas ações estão reguladas pelas leis da Providência Divina?
Sim; e de modo especialíssimo (CIII, 6).

Por quê?
Porque são o meio ou instrumento de que Deus se utiliza para conduzir as criaturas em conjunto ao fim que lhes assinalou (idem).

Pode Deus prescindir do concurso das criaturas no governo do mundo?
Sem dúvida alguma pode, porém foi melhor que as utilizasse, pois deste modo Ele aparece maior, e a criatura mais enobrecida e perfeita.

Por que as criaturas ganham em nobreza e perfeição?
Porque concorrem com a ação soberana de Deus, na obra de guiar os seres ao seu fim último (CIII, 6-3).

Por que Deus aparece maior?
Porque se manifesta Nele sinal de grandeza e poderio soberano o ter a seu serviço uma legião de ministros que executem submissos os seus mandatos (idem).

Logo, quando as criaturas exercem mútuo influxo, limitam-se a cumprir as ordens absolutas de Deus?
Sim; porque é impossível que executem atos não previstos, nem ordenados no plano da Providência Divina (idem).

É possível que a atuação da criatura, obrando como instrumento de Deus, no governo do mundo, perturbe ou contrarie o plano divino?
Não; porque quaisquer que sejam os seus atos, ordenados estão por Deus, para o bem do universo (CIII, 8 ad 1).

Podem, não obstante isto, ser causa de algum mal particular?
Sim; podem ocasionar alguns males físicos e até morais, porque, em determinadas ocasiões, umas vezes perturbam a ordem inferior de um grupo de seres e outras vezes impedem alguma manifestação secundária do poder e da vontade de Deus.

Ferem estes males particulares a ordem estabelecida no plano divino?
Considerando o plano em conjunto, não.

Por quê?
Porque o soberano poder de Deus é tal, que se utiliza do mal particular, e depois de o ter subordinado a um fim mais elevado ele vai contribuir para o bem universal (idem, XIX, 6; XXIII, 5 ad 3).

Logo, não há ação das criaturas que não esteja maravilhosamente disposta, para cooperar, sob a direção suprema de Deus, para o bem do universo?
Não; e se alguma coisa aparece prejudicial ou deslocada, num plano inferior, considerando de um ponto de vista mais alto, ela tem sempre a razão suficiente, sapientíssima e profundíssima.

O homem pode, neste mundo, abranger e compreender a maravilhosa grandeza e harmonia do plano divino?
Não, pois necessitaria conhecer todas as criaturas, assim como os incontáveis segredos do plano divino.

Onde as compreenderá?
Somente no céu. Na bem aventurança eterna.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino