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A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo (1ª Parte, Tópico 24)


“A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo” do Pe. Tomas Pégues, O. P., é uma excelente obra para aqueles que desejam iniciar o estudo da Obra Magna de Santo Tomás. Um tanto raro aqui no Brasil, haja vista que sua última edição em português data do início da década de 40, este livro é formulado como todos os catecismos tradicionais em perguntas e respostas e é de agradável leitura.

PRIMEIRA PARTE: DE DEUS, SER SOBERANO E SENHOR DE TODAS AS COISAS

XXIV. DA AÇÃO DOS ANJOS BONS NO HOMEM; OS ANJOS DA GUARDA

Os anjos podem exercer influência no homem?
Sim, pois são de natureza puramente espiritual e, portanto, superior à humana (CXI).

Podem iluminar a nossa inteligência?
Sim, dando-lhe vigor e pondo ao nosso alcance a Verdade puríssima que eles contemplam (CXI, 1).

Podem intervir diretamente na nossa vontade?
Não; porque a volição é um movimento interior que só depende de Deus, sua causa (CXI, 2).

Logo, somente Deus pode atuar diretamente e mudar, como lhe apraz, os movimentos da vontade humana?
Sim; só Deus o pode fazer (idem).

Os anjos podem excitar a imaginação e as demais faculdades sensitivas?
Sim; porque estando intimamente ligadas ao organismo dependem do mundo corpóreo submetido à ação dos anjos (CXI, 3).

Podem exercer influência nos sentidos externos?
Sim; pela mesma razão, exceto quando a excitação provém do demônio, e neste caso pode ser contrabalançada por outra de um anjo bom (CXI, 4).

Por consequência, os anjos podem dificultar e impedir a obra dos demônios?
Sim; porque a justiça divina submeteu os demônios, como castigo do seu pecado, ao domínio dos anjos (idem).

Deus envia os seus anjos para exercerem algum ministério entre os homens?
Sim; Deus serve-se deles para promover o bem e para executar os seus desígnios junto dos mortais (CXII, 1)

Envia, com este fim, todos os anjos?
Não (idem).

Quais são os que nunca são empregados?
Os da primeira hierarquia (CXII, 2, 3).

Por quê?
Porque é privilégio desta hierarquia o de permanecer constantemente junto ao Trono de Deus (idem).

Que título obtêm os anjos da primeira hierarquia, em atenção a este privilégio?
O de anjos assistentes (idem).

Quais são, pois, os enviados?
Todos os da segunda e terceira hierarquia. Porém, note-se que as Dominações presidem ao cumprimento dos decretos divinos e as outras ordens – Virtudes, Potestades, Principados, Arcanjos e Anjos – são os executores (CXII, 4).

Deus destina alguns anjos para a guarda dos homens?
Sim; porque a divina Providência decretou que o homem, ignorante no pensar, inconstante e frágil no querer, tivesse como guia protetor, na sua peregrinação até ao céu, um daqueles espíritos ditosos, confirmados para sempre no bem (CXIII, 1).

Deus destina um anjo para a guarda de cada homem, ou um só para guardar muitos?
Destina um para cada homem, porque Deus mais ama uma alma do que todas as espécies de criaturas materiais e, apesar disto, determinou que cada espécie tivesse um anjo custódio encarregado do seu governo (CXIII, 2).

De que ordem Deus toma os anjos da guarda?
Toma-os do último coro (CXIII, 3).

Todos os homens, sem exceção, têm um anjo custódio?
Sim; todos o têm enquanto vivem neste mundo, em atenção aos obstáculos e perigos do caminho que têm de percorrer até chegar ao fim (CXIII, 4).

Nosso Senhor Jesus Cristo o teve, enquanto homem?
Considerando que era pessoa divina, não convinha que o tivesse; porém, teve anjos com a nobilíssima missão de servi-Lo (idem).

Quando cada anjo custódio começa a exercer o seu ministério?
No instante em que o homem aparece no mundo (CXIII, 5).

Os anjos custódios abandonam, alguma vez, os homens confiados a sua guarda?
Não; velam por eles sem interrupção até que exalem o último suspiro da sua vida (CXIII, 6).

Afligem-se à vista das tribulações e males do seu protegido?
Não; porque depois de fazerem o que está em suas mãos para evitá-los, reconhecem e adoram neles a grandeza insondável dos juízos de Deus (CXIII, 7).

É boa e recomendável a prática de invocarmos com frequência o nosso anjo da guarda e lhe confiarmos nossas pessoas e coisas?
É prática excelente e muito recomendável.

Quando invocamos os anjos da guarda, eles acodem, infalivelmente, em nosso socorro?
Sim; porém com sujeição e conformidade com os decretos divinos e de modo que seja em coisa ordenada, em harmonia com a glória de Deus (CXIII, 8).

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino