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Tradição em foco com Roma no Facebook


Houve um debate de rico conteúdo sobre a Missa na página do Facebook e gostaria de compartilhar com as pessoas que não tem essa rede social ou que tem mas não pode visualizar.




  • João Nascimento Telles Jr. Super apoiado!!! Aqui na minha cidade a moda é a Missa Sertaneja, entopem a igreja com flores de papel crepom, colocam toalha xadrez sobre o altar, e por todo lado vê-se berrantes, bules, palhas de milho, chapéu de palha, galinhas d'Angola de barro, sanfonas, etc. Não vejo a hora disso cair no conhecimento da Congregação para a Disciplina dos Sacramentos!!
    Ontem às 19:12 · · 2 pessoas

  • Emmanoel Igor Poxa, e a versus popullum que a Igreja aprova? Este tesouro da Igreja não pode ficar de fora!Claro, sendo bem celebrada!
    Ontem às 19:54 ·

  • Juliana Teixeira Pelo que entendi pode ser na sexta...
    Ontem às 20:17 ·

  • Marcos Feijó Felipe Fico feliz com a missa ordinária celebrada como deve ser... o extraordinário não pode deixar de ser o que é, extraordinário.
    há 10 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck Versus populum é tolerância da Igreja e transitório, nunca um tesouro. Colocar no mesmo saco o que a Igreja sempre fez com algo que, embora não seja mal em si mesmo, fere a tradição litúrgica e deixa menos explícito o dogma eucarística, é relativismo litúrgico!
    há 9 horas · · 4 pessoas

  • Emmanoel Igor Lamentável o seu comentário Rafael Vitola Brodbeck. A versus populum não deixa "menos explicito" o dogma eucarístico. O Rito ordinário é bem claro que há duas liturgias, palavra e eucarística. Fico pensando se o seu FB não foi hackeado, pois li muito dos seus artigos e o que hoje eu sei são devidos aos seus artigos
    há 7 horas ·
  • Emmanoel Igor A Igreja e o Espirito Santo nunca deixariam brotar dentro dela uma liturgia que fosse uma ofensa e nem uma pedra de tropeço para a evangelização. Sabemos que há padres e bispos que abusam da liturgia gerando um descrédito ao versus populum, e acho que vc deve estar desacreditado com tudo isto

    há 7 horas ·

  • Emmanoel Igor Mas saiba que há muitos padres que celebram a missa versus populum tal como a Igreja pede e quando vemos uma missa dessa nós podemos ver que o Concilio Vaticano II gerou um tesouro grandioso que converteu muitas pessoas, esta convertendo os futuros santos da Igreja e converterá uma multidão!
    há 7 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck ‎1. Meu caro, então não entendeste meus artigos. O versus populum é LEGÍTIMO, é VÁLIDO, é LÍCITO, mas daí ser um TESOURO, é algo muito distante.
    há 7 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck ‎3. O Espírito Santo não deixa uma liturgia irreverente, inválida, ilícita ou heterodoxa entrar na Igreja. É óbvio! Mas onde eu falei o contrário? Claro que o versus populum é válido e é ortodoxo. Só que é contrário à tradição RITUAL da Igreja e, por expressar de modo menos visível o que há por trás do símbolo, não pode ser um tesouro.
    há 7 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck ‎4. Não podemos cair nos erros trads, mas por outro lado, fechar os olhos para as realidades mais profundas também não.
    há 7 horas · · 1 pessoa

  • Rafael Vitola Brodbeck ‎5. Não disse que padres que celebram versus populum são menos santos ou menos ortodoxos. Meu próprio diretor espiritual o faz. Membros do Salvem o fazem. A questão é mais complexa e não pode se reduzir a ficares chamando comentários que não entendes de lamentável.
    há 6 horas · · 2 pessoas

  • Rafael Vitola Brodbeck PS: O Vaticano II, concílio LEGÍTIMO da Igreja, ORTODOXO, e que DEFENDO ATÉ A MORTE, não está em discussão.
    há 7 horas ·

  • Emmanoel Igor Vou repetir o que você disse e o que eu disse. Você disse:"Colocar no mesmo saco o que a Igreja sempre fez com algo que, embora não seja mal em si mesmo, fere a tradição litúrgica e deixa menos explícito o dogma eucarística, é relativismo litúrgico!"
    há 6 horas ·
  • Emmanoel Igor Desde quando a versus populum fere a tradição liturgica? Desde quando um Rito Aprovado deixa menos explicito o Dogma eucarística? De forma alguma. É lamentável sim o que diz e é irreverente ao Rito ordinário que eu expus a sua total capaciade de santificação.

    há 6 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck E mantenho o que disse: se nunca foi feito, fere a tradição, pois tradição é passar adiante o que recebemos. Veja que não falei em Tradição Apostólica, mas em costumes! Atente-se ao rigor e exato sentido das palavras antes de tentar debater comigo.
    há 6 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck Mais: o fato de a Igreja aprovar um rito indica que ele é ortodoxo, ou seja, que é imune de heresias, mas não significa que não possa ser aperfeiçoado (do contrário, não haveriam reformas de tempos em tempos), e se pode ser aperfeiçoado é porque, NOS SEUS ACIDENTES, podem não ser perfeitos. Ora bolas.
    há 6 horas · · 1 pessoa

  • Emmanoel Igor OLha Rafael, falar que a versus populum deixa menos explicito o dogma eucaristico é lamentável. Eu vejo muito explicito o dogma em toda a missa
    há 6 horas ·

  • Marcos Feijó Felipe Rafael Vitola Brodbeck creio que a resposta do Emmanoel seja pelo termo "relativismo litúrgico" utilizado para descrever essa situação... a aprovação e licitude do Versus Populum não condizem com o termo aplicado. Claro que entendo (por conhecer sua posição) que o termo está sendo aplicado pois comparar duas coisas distintas é relativizar uma delas, mas para um leitor desatento pode dar a entender que o uso do Versus Populom é por si relativismo.
    há 6 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck TU vês, Emmanoel, porque tens formação. Mas um padre "de costas" mostra mais que a Missa é PARA DEUS. Uma Missa versus Deum fala por si só. A versus populum não. E não estou falando de rito ordinário X extraordinário.
    há 6 horas · · 1 pessoa

  • Emmanoel Igor Não é isso não marcos. Não suportei chamar a versus populum de "deixar menos explicito o dogma eucaristico".
    há 6 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck Obrigado, Marcos Feijó Felipe: o leitor que me conhece, e suponho que o Emmanoel Igor me conheça, sabe que o relativismo litúrgico foi usado por colocar na mesma barca uma posição de 40 anos contra uma de 2.000.... Bem, expliquei o que entende por menos explícito. Quem não entender, azar.
    há 6 horas ·

  • Emmanoel Igor Aqui nã coloquei em questão a licitude da versus populum e a ilicitude da versus Deum. Sei muito bem que ambas são válidas. Mas achar que o dogma eucarístico é mais explicito na Versus Deum, ou seja, aparece mais nesta orientação do que a Versus Populum é errado. Ambas o mistério eucaristico tem o seu lugar e mesmo nível de destaque. "Menos explicito", leiam o original que ele postou e verá o sentido de destaque. E sei que daqui a alguns séculos, antecipando o que eu chamo de tesouro, todos os teólogos chamarão a versus populum de tesouro em detrimento da reforma da reforma liturgica promovida pelo Papa Bento XVI. Bom, encerro aqui a minha participação, pois a minha cabeça está explodindo! PAX ET BONUM!
    há 6 horas ·

  • Juliana Teixeira Precisei copiar Rafael Vitola Brodbeck, pois aqui você disse tudo: TU vês, Emmanoel, porque tens formação. Mas um padre "de costas" mostra mais que a Missa é PARA DEUS. Uma Missa versus Deum fala por si só. A versus populum não. E não estou falando de rito ordinário X extraordinário.
    há 6 horas · · 1 pessoa

  • Rafael Vitola Brodbeck Emmanoel Igor, vou tentar mais uma vez: se ambas as posições explicitam DE MODO IGUAL, qual o sentido de argumentarmos a favor do versus Deum? Veja, não se trata de crítica à Igreja nem aos padres que celebram versus populum, e sim de reconhecer um dado: os ritos são protegidos pelo Espírito Santo, segundo a doutrina dos "fatos dogmáticos" (pesquise essa expressão), e não podem conter heterodoxia. Todavia, podem ser comparados uns com os outros, sim. O bizantino enfatiza mais o esplendor do que o romano, e, então, o romano é menos explícito nesse quesito. Já o romano enfatiza mais o equilíbrio entre a nobreza e a simplicidade, sendo o bizantino menos explícito. Qual o problema disso? Estás vendo chifre em cabeça de cavalo e classificando como lamentável uma posição legítima. Só posso atribuir isso ao teu desconhecimento mais profundo das questões litúrgicas, em que pese tua boa vontade. Aliás, profetizas que daqui a alguns séculos chamarão o versus populum de tesouro: como sabes disso? És adivinho? E "em detrimento" da reforma de Bento XVI? DETRIMENTO? Ou seja, o versus populum é melhor do que o que o Papa tem feito???
    há 6 horas ·

  • Celso Porto Nogueira Lc Desde que me ordenei celebrei todos os Dias versus Deum, não só espiritualmente mas também no aspecto visível e sacramental. Na liturgia da Palavra, Cristo está na minha frente, quando o proclamo tendo o ambão e o lecionário diante de mim. Na liturgia eucarística, Cristo também está na minha frente, como na frente dos demais fiéis, sobre o altar. O fato de os fiéis poderem ver claramente o que se passa no altar (o que não é possível no caso de altares pegados na parede) é uma oportunidade a mais que a Igreja dá para que participem ativamente e com fruto da celebração, o que não deixa de ser uma riqueza.
    há 3 horas ·

  • Taiguara Fernandes de Sousa Parece que a único argumento do Emmanoel é chamar o comentário do opositor de "lamentável"... Que lamentável, Emmanoel! No mais, é claríssimo o que disse o Vitola: "versus populum" é coisa recente, e por isso mesmo não faz parte do tesouro tradicional da Igreja; a tradição litúrgica sempre foi de celebrar-se "versus Deum".

    Que o "versus populum" não passa tão bem quanto o "versus Deum", como sinal externo, o dogma eucarístico é um fato notório. E quem diz isso é o próprio Cardeal Ratzinger - hoje Pontífice gloriosamente reinante: o "versu populum" fecha a comunidade em si mesma, enquanto o "versus Deum" abre a comunidade para o infinito; o "versus populum" é imanente, o "versus Deum" é transcendente.

    Mas certamente o Emmanoel não irá responder nada e apenas dizer que o comentário do Cardeal Ratzinger também foi "lamentável"...

    há 3 horas ·

  • Rafael Vitola Brodbeck Padre, acho que o fato positivo de se ver o que se passa no altar é sufocado pelos fatos positivos do versus Deum que, conforme disse anteriormente, foram magistralmente expostos pelo então Cardeal Ratzinger, por Uwe Lang e por Mons. Klaus Gamber. Os argumentos deles são os meus.
    há 3 horas · · 1 pessoa

  • Rafael Vitola Brodbeck Claro que toda Missa, mesmo voltada ao povo, é, no fundo voltada para Deus. Mas o "padre de costas" é um sinal eloquente de que é um sacrifício, e não um show, de que o beneficiário é o homem, o fiel, mas o destinatário é Deus. E é o modo como SEMPRE se celebrou, em TODOS os ritos, inclusive nos orientais. Celebrar de frente ao povo é novidade. Só em São Pedro se celebrava de frente ao povo, para melhor ficar "ad Orientem", dado que a basílica foi construída desse modo: ainda assim, na Consagração, o povo se voltava de costas.
    há 3 horas · · 2 pessoas

  • Rafael Vitola Brodbeck O padre de costas não está de costas ao povo, mas está olhando NA MESMA DIREÇÃO QUE O POVO. Todos juntos diante de Deus.

    Sei que o senhor e outros bons padres, quando celebram versus populum, celebram "espiritalmente versus Deum". Vejo a piedade dos legionários, que sabem, mesmo diante do povo, fixar o olhar e o espírito em Deus. Isso é notável. Mas nem todos conseguem. O versus Deum, o "de costas" ajudaria a esses padres também.

    há 3 horas · · 2 pessoas

  • Rafael Vitola Brodbeck Segundo a tradição litúrgica universal, que vem dos tempos apostólicos, perseverou nas catacumbas, perpassou a Idade Média e a Idade Moderna, chegando até nós em todos os ritos, orientais e ocidentais, a posição ordinária do sacerdote na maior parte da celebração da Santa Missa é voltado para Deus – versus Deum –, i.e., com ele entre o povo e o altar. Evidentemente, nas partes em que dialoga com a assembléia, sendo representante de Deus para ela, volta-se, conforme as próprias rubricas do Missal, para os fiéis. Permanece, pois, “de costas” ao povo para falar com Deus.

    Todavia, a partir dos anos 50 do século XX, alguns já começaram a celebrar, eventualmente, na posição versus populum, i.e., voltados para o povo, com o altar entre o sacerdote e o povo. Alegavam que as celebrações primitivas eram assim – o que se demonstrou não ser verdadeiro – e também que a Missa, como ceia, era melhor representada desse modo. Todavia, além de tal posição não ter encontrado guarida na tradição da Igreja, a Missa, se bem que também ceia, é mais do que isso: é sacrifício. E sacrifício oferecido a Deus, portanto o sacerdote, normalmente, deve voltar-se para Ele.

    Faz-se uma ressalva ao costume medieval nas basílicas romanas de se celebrar versus populum, mas para melhor simbolizar o sacrifício e preservar a posição ad Orientem de modo físico, não apenas espiritual, uma vez que tais basílicas foram construídas de maneira que o sacerdote, para oferecer o sacrifício de frente ao Oriente, deva colocar-se diante do povo, olhando para ele. Note-se, entretanto, que, durante o Cânon, ou Oração Eucarística, o povo todo ficava de costas para o padre, olhando para o Oriente junto com ele, em uma só atitude de adoração. Essa posição versus populum nas basílicas romanas foi, claro, invocada quando as celebrações desse modo começaram a se popularizar.

    As rubricas do atual Missal Romano permitem a celebração versus populum, quer porque se generalizou tal costume (pela argumentação modernista, ou pela argumentação das basílicas romanas), quer porque o povo poderia ver o que se passa no altar. Sem embargo, essa permissão não é uma obrigatoriedade, e qualquer sacerdote pode licitamente celebrar versus Deum, como tradicionalmente se fazia. Isso explicamos no item seguinte.

    Afaste-se, portanto, o equivocado pensamento de que a celebração versus Deum é somente reservada ao uso extraordinário do rito romano (ou seja, o rito romano tal qual celebrado até a reforma litúrgica pós-conciliar), como também a tese modernista de que a Missa, como ceia, deve ser feita, necessariamente, ou mais apropriadamente, de frente ao povo. A celebração versus populum, permitida pela lei litúrgica, não é essencial e, segundo a maioria dos liturgistas, nem mesmo demonstra tão explicitamente o caráter da Missa. Em nossa opinião, a melhor – embora, infelizmente, não mais tão amplamente usada – posição do celebrante, na Missa, é a versus Deum.

    Uma terceira opção, intermediária, é possível, a partir das rubricas do Missal em vigor: celebrar os Ritos Iniciais e a Liturgia da Palavra versus populum, e a Liturgia Eucarística e os Ritos Finais, versus Deum.

    De qualquer modo, seja na posição versus Deum, seja na versus populum, seja na opção intermediária, o celebrante deve voltar-se para o povo nas partes em que o Missal assim dispõe.

    O altar construído longe da parede – que já existia antes da reforma, sendo comum nas catedrais medievais, notadamente nas basílicas romanas – pode ser usado tanto para a celebração versus populum, como para a versus Deum: basta escolher o lado do altar no qual se deseja celebrar. Eles não foram construídos, originalmente, para que a Missa fosse celebrada versus populum, e sim para que o padre pudesse circundá-lo na incensação. O altar construído junto à parede obviamente só permite a celebração versus Deum, mas tal tipo de altar só pode ser erguido, de acordo com a lei em vigor, em casos excepcionais (claro que os que já existem e não puderem ser removidos ou modificados sem prejuízo para sua preservação ou para seu valor artístico ou histórico podem continuar, e um outro altar, no meio do presbitério, é construído).

    Quando oferece o sacrifício da Missa versus populum, o celebrante deve evitar mirar o povo, exceto quando as rubricas assim o mandam. Desse modo, ainda que de frente para os fiéis, irá concentrar-se em Deus e não no povo que está frente a ele. Os olhos devem estar focados no Missal, na cruz sobre o altar, ou em um ponto da igreja que mostre sua impessoalidade, ou seja, que não está celebrado para os fiéis, senão para Deus – pelos fiéis. Mais atenção a esse cuidado se deve ter durante a Oração Eucarística, principalmente na Consagração.

    Evidentemente, quando celebra com a assistência de um só ministro (as chamadas Missas sine populo – sem povo – ou Missas privadas), o sacerdote celebrará, por sua própria natureza, sempre versus Deum.

    há 3 horas · · 1 pessoa

  • Rafael Vitola Brodbeck O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados.

    “(...) a imolação incruenta, por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da Consagração, Jesus Cristo torna-se presente sobre o altar no estado de Vítima, é levada a cabo somente pelo sacerdote, enquanto representante da Pessoa de Cristo, e não enquanto representante da pessoa dos fiéis.” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei)

    Mais ainda, ele não está simplesmente dando as costas ao povo, mas virando-se, junto com ele, para a mesma direção. O sacerdote, na Missa versus Deum, posiciona-se exatamente com o restante dos fiéis: todos miram o mesmo alvo, todos olham para o mesmo lugar, todos estão alinhados, como um verdadeiro povo, à frente do qual está o sacerdote, seu líder. Interessante é observar que os setores liberais e progressistas, defendendo a exclusividade da Missa versus populum, acabam criando um clericalismo que eles mesmos criticam, opondo sacerdote e fiéis uns aos outros.

    Além disso, por óbvio centra a atenção do povo no sacerdote e a atenção do sacerdote no povo, ao invés de ambos centrarem-se em Deus. O culto versus populum acaba, na prática, favorecendo o antropocentrismo. Evidentemente, nem todos os que celebram versus populum assim o fazem, pois é perfeitamente possível a Missa externamente voltada para o povo e, ao mesmo tempo, espiritualmente centrada em Deus. É o atual Papa, quem ensina: “Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo].” (RATZINGER, Cardeal Joseph. Versus Deum per Iesum Christum. A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang, in “30 Dias”, março de 2004) Entretanto, ainda que a versus populum não seja, em si, antropocêntrica ou negadora da absoluta centralidade de Cristo na Eucaristia, não há como negar que a celebração versus Deum favorece, pela posição do sacerdote, a centralização da Missa em Deus.

    Sem dúvida que em qualquer posição, o padre olha para Deus. Mas a posição versus Deum é mais simbólica nesse sentido. Até porque, por tal argumento, deveríamos, então, em vez de olhar para o altar, olharmos todos uns para os outros. O padre não fica “de costas”, propriamente, mas “olhando na mesma direção que nós”.

    Posição esta que é tradicional não só no rito romano (seja o tradicional, seja o novo - apesar de, nesta última forma, não ser tão comum), como nos ritos orientais (e mesmo nos demais ritos latinos).

    “Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio generalis Missalis Romani, a Introdução Geral ao novo Missal Romano, de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir - “sempre que possível” - os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação (...).” (RATZINGER, Cardeal Joseph. Versus Deum per Iesum Christum. A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang, in “30 Dias”, março de 2004)

    “Por último, penso que se o sacerdote rezasse, em algumas ocasiões, a Liturgia Eucarística versus Deum – algo perfeitamente possível segundo as normas atuais –, isso também ajudaria a perceber qual é a orientação espiritual da Liturgia – em direção a Deus, o que não significa nenhum desprezo do Povo. Aliás, alguém diz para a pessoa do banco da frente: ‘você está de costas para mim’?; ou que os noivos, no sacramento do Matrimônio, estão de ‘costas para o povo’?” (BELLO, Joathas, Algumas reflexões sobre a liturgia, disponível em http://ictys.blogspot.com/2005/10/algumas-reflexes-sobre-liturgia.html)

    Em resumo, no Novus Ordo Missae, na forma de rito romano promulgada por Paulo VI, em uso na Igreja Ocidental desde então, pode o sacerdote, sem problema algum nem oposição dos superiores ou dos Ordinários, celebrar "de costas aos fiéis", na posição versus Deum, tradicional, própria, e muito mais rica dos pontos-de-vista teológico, histórico e mesmo espiritual. Longe de afastar os fiéis, essa prática só os faz crescer ainda mais na compreensão do mistério da Cruz, tornado presente em cada Santa Missa. Tomara essa posição do sacerdote seja revalorizada, para que o antropocentrismo dê lugar a quem de direito, ainda mais na Missa, Cristo Rei, que no altar, invisível e incruentamente, se imola ao Pai por nós. Mais elevados espiritualmente, melhores cristãos sairão os fiéis de uma Missa em que se observe até mesmo esse aparente detalhe da posição do celebrante: embora, substancialmente, a Missa seja a mesma, tal elemento acidental muito favorece a que tenhamos a correta apreensão da idéia de sacrifício, além de acrescentar à sacralidade do rito e à piedade de todos os que dela tomam parte, transmitindo a riqueza multissecular da Santa Igreja Católica.

    Sobre o tema do versus Deum, além dos escritos pelo PAPA, na época Cardeal, como prefácio nos livros do Uwe Lang e do Gamber, há o livro do próprio Papa, “Introdução ao Espírito da Liturgia”, cuja única edição em português foi publicada pelas Paulinas de Portugal, e que eu tenho e li, e que defende o “versus Deum” físico também.

    há 3 horas · · 1 pessoa

  • Celso Porto Nogueira Lc Não vale comparar o tridentino na teoria com o ordinário atual na prática. Se comparamos prática com prática, na missa tridentina as pessoas ficavam rezando o terço, fazendo a via-sacra, novenas e devocionários. Os homens saíam para fumar um cigarro e voltavam. Os atos de piedade e devoção, na prática, tinham mais valor que a missa. Era tamanha a alienação que o coroinha precisava tocar a sineta para avisar que estava acontecendo a consagração. Os padres, habituados pelos gestos mecânicos impostos sub peccato acabavam automatizando a missa, rezando-a com pressa, nas mais das vezes só de memória; o fervor, a atenção e a devoção passavam longe de muitos padres que transformavam os gestos em salamaleques sem sentido. A liturgia não era o alimento espiritual dos fiéis. Esse era o caos que alguns denominam a "missa de sempre", "imutável" etc. Por algo se fez a reforma; o Espírito Santo não inspira coisas inúteis à sua Igreja.
    há ± 1 hora · · 1 pessoa

  • Rafael Vitola Brodbeck Concordo, padre, com muito que o senhor falou e, aliás, já conversamos sobre isso em e-mail. O fato do Espírito Santo não inspirar coisas inúteis à Sua Igreja e o fato também da reforma ser fruto do Espírito Santo não significa que TODA a reforma, em seus DETALHES, seja inspirada. A proteção do Espírito Santo às leis universais, como são as litúrgicas, é no sentido de proteger contra a heresia (é por isso que, ao contrário do que pregam os lefebvrianos, a Missa "nova" não só é válida, como lícita, legítima e ORTODOXA). Não é uma proteção a chancelar, como se dogmática fosse, cada linha do Ordo renovado. O rito é ortodoxo, sem dúvida, mas alguns seus detalhes são passíveis de, COM SUBMISSÃO AO PAPA, reformas e invocação do que, na linha dos que entendem do assunto, críticas saudáveis.
    há ± 1 hora ·

 

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