.

2 anos de proibição de cultos protestantes nos trens da SuperVia


Quarta feira agora, 14/09/2011, completou dois anos que a Super Via, empresa terceirizada que administra a Companhia Brasileira de Trens Urbanos no Rio de Janeiro, proibiu a realização de cultos protestantes nos vagões durante as viagens. Foi de fato uma boa medida?

Quem já precisou pegar trem no Rio sabe o que é o martírio de ir até a central do Brasil ouvindo culto protestante totalmente descabido e invasivo. Aquela m* de pandeiro na cabeça da gente 40 , 50 minutos!

No trem, acho bom proibir mesmo. Da mesma maneira que deviam proibir ouvir músicas em celulares sem fone de ouvido.

A procissão passa, tem trajeto, roteiro e ocorre esporadicamente, em geral nos mesmos dias, conhecidos da população, e muitas vezes em feriados. Protestantes cantarolando nos trens ocorrem nos dias úteis, com rodízio de seitas, ininterruptamente de terminal a terminal, por vezes em vários vagões (mas em geral no terceiro e quarto) ensurdecendo trabalhadores e estudantes que acordam às 04 h da manhã para o labor.

Se o Estado é laicista como é o nosso na prática, é perigoso quando se mete a legislar sobre religião. Hoje são os evangélicos os proibidos de fazer cultos nos trens, amanhã podemos ser nós, os católicos, a ser proibidos de fazer procissões?

Cultos nos trens podem "atrapalhar" tanto quanto procissões pelas ruas ("atrapalham" o trânsito, movimentam as autoridades municipais e a Polícia Militar - usando a máquina pública para eventos de uma religião determinada -, incomodam os não-católicos pela ostensividade da pregação, "poluem" o som etc). São argumentos que já foram, aliás, invocados em países que perseguiram o catolicismo.

Se o Estado quer ser laico, que seja laico mesmo, deixando as religiões legislarem em suas esferas.

Mas comparar as procissões a isso que os "crentes" fazem seria errado pois:

A Constituição Federal de 1988 garante sim a liberdade de culto, mas NÃO EM ESPAÇOS PÚBLICOS SEM AUTORIZACÃO DO PODER PÚBLICO E CONTRA A VONTADE ALHEIA. Os cultos tem a liberdade total de serem realizados em LOCAIS APROPRIADOS para a ocorrência destes, ou seja, as igrejas e templos. Os trens não são locais de cultos, são meios de transporte de uma população que o usa para ir trabalhar ou viajar.

As procissões são realizadas mediante força da lei que institui o feriado para isso (Sexta da Paixão, Corpus Cristi, Padroeiros, Festas juninas, etc). E antes, as paróquias emitem comunicação às autoridades comunicando o evento e solicitando apoio policial.

Em comparação com as procissões :

1) Caráter compulsório: Geralmente, pessoas no trem só saem para a estação, para surfar, para o hospital ou para o lugares escatológicos. As procissões definem trajetos e horários com antecedência. As pessoas que participam da mesma acorrem a ela por livre vontade e podem desviar.

2) Assiduidade: Cultos no trem acontecem de segunda à sexta, no horário de rush, em meio massivo de transporte urbano, sem concessão do Poder Público para realização ou aviso prévio. Procissões ocorrem em dias previsíveis, muitos dos quais feriados, em geral em horários de menor movimentação ou definidos por tradição local frequentemente previsível pelo mais elementar bom senso (como as procissões noturnas com velas; ou nos horários tradicionais de missas).

3) Razoabilidade temporal: Pessoas no trem viajam ao Centro do Rio, a maior parte de pé, em ambiente fechado e em trajetos que duram mais de 1h. Princípio basilar da Física: para quem está dentro do trem, os demais passageiros estão em repouso e todos os ouvidos devem ouvir, à revelia da vontade, cultos protestantes que duram praticamente a viagem inteira. Ao menos os vendedores põem-se em movimento constante.

4) Saturação: O alto índice de seitas faz com que o rodízio de pastores seja suficiente para "atender" a praticamente todas as composições do horário de rush, tornando irrazoável a escolha de uma composição sem cultos. Julgo que se os pastores que andam nos trens fossem maquinistas seriam mais que suficientes para suprir a demanda durante a greve e com intervalos menores entre as composições.

5) Transporte público: Quem quiser ir a um culto, deve se encaminhar a uma igreja. Cultos protestantes em trens não são manifestações de cultura ou tradição locais. Os trens são recentes e a maior parte da modernidade não registra uma utilização religiosa protestante dentro das composições, originalmente concebidas com o intuito de transportar as almas dentro de seus corpos para a capital.

Por fim, a questão é a ideologia por trás da proibição. A lei não visa discriminar os evangélicos; nem poderia, pois o Estado é laico. Ela discrimina a religião, mesmo que só os evangélicos se encaixem nela.

Não nos esqueçamos que a perseguição estatal aos católicos JÁ começou. Hoje é a vez dos crentes. Amanhã, o golpe é dado em nós.

Sejamos mais profundos e não deixemos que nossas divergências para com a DOUTRINA dos protestantes nos ceguem e nos façam comemorar quando um Estado usa de um poder ilegítimo para os perseguir - quando, no futuro, farão conosco. Aliás, já fazem. Rezemos!



PARA CITAR ESTE ARTIGO:

2 anos de proibição de cultos protestantes nos trens da SuperVia David A. Conceição 09/2011 Tradição em Foco com Roma.

Grupo Tradição - Vaticano II acesse:
http://migre.me/f52mT


CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS: 

tradicaoemfococomroma@hotmail.com

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino