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Aprenda a ser depressivo com o seriado ONE TREE HILL

Há um tempo atrás os brasileiros clamavam por algo que os tirassem do tédio e monopolia das emissoras abertas, até que por fim nosso clamor foi ouvido e vieram os canais de TV por assinatura com a vantagem da variedade de canais que oferece um perfil adequado aos seus telespectadores. A Fox conta com um público de palhaços, pessoas angustiadas, sonhadoras e zumbi intelectuais. É nitidamente claro pelo modo como anunciam filmes que foram exibidos umas 600 vezes no mês como se fossem inéditos.

Outra característica da emissora é na quantidade de enlatados americanos horríveis que mantém no ar enquanto os melhorzinhos logo ficaram extintos após o término da temporada. Um dos seriados mais estranhos pelo seu conteúdo de desprezo ao ser humano é
One Tree Hill.

A atmosfera do seriado é de ateísmo prático. Uma grupo de jovens sem Cristo que agem movido mais pelo instinto selvagem do que com a razão, virtudes como a misericórdia, perdão, compreensão, auxílio e solidariedade é inexistente do dia a dia desse grupo marcado pelo egoísmo e sentimento de disputa entre si. Cenas de brigas verbais e físicas com direito a quebra de garrafa no rosto da pessoa é constante. O namoro é visto como um protocolo social entre os rapazes para qualificar seus lugares em postos disputados na escola, pois a regra é que se tenha vida sexual ativa. Justamente por serem membros de uma sociedade atéia, valores como a castidade e casamento são fúteis para os mesmos.

Não se abraçam, o beijo (quando beijam) é frio, não ajudam um ao outro, são frios e secos. De uma certa forma retrata a realidade da personalidade americana, mas de modo bem acentuado.

O ponto central da rotatividade do cotidiano dos personagens é o

estado depressivo. Eles não sorriem, não se divertem, curtem tristeza, melancolia e angústia. Até para organizar festas e durante a festa todos tem uma expressão facial deprimente e corrompida.

Em termos técnicos, "a depressão é um transtorno afetivo, caracterizado por uma alteração psíquica e orgânica global, com conseqüentes alterações na maneira de valorizar a realidade e a vida.
DSM IV ". Na pessoa deprimida há uma falta de vitalidade que poderá estar acompanhada de sentimento de tristeza, falta de confiança em si próprio, sentimentos de culpa generalizados, pessimismo e nos casos mais graves pode haver tendência ao suicídio.

Entre uma temporada e outra os personagens não encontram nunca uma luz no fim do túnel. O percurso de suas vidas é rumo a auto-destruição e falência moral e psicológica.

Tudo isso é explícito na snopse e *descrição dos personagens principais:


Lucas Eugene Scott

É um rapaz que tinha,
como grande rival, seu meio-irmão Nathan, já que Nathan era arrogante por ser o capitão do time de basquete de Tree Hill High e por seu pai ter escolhido sua mãe, Deb, ao invés da mãe de Lucas, Karen.

Ao entrar para o time de basquete, Lucas e Nathan, depois de muitas brigas, conseguem se aproximar. Devido ao fato de seu pai, Dan, não ter sido presente em sua vida, Lucas cresceu com o apoio de seu tio Keith, irmão de Dan,
que morre assassinado por ele, já que Dan passou a invejar a relação de Keith e Lucas e de Keith e Karen, a mãe de Lucas. Lucas descobre um problema cardíaco que o impede de jogar integralmente nos jogos, o mesmo problema que seu pai Dan enfrenta. Com relação a sua vida amorosa, Lucas sempre teve problemas em estabilizar seus relacionamentos: no mesmo momento que namorava Peyton, gostava de Brooke.

Quando começa a namorar Brooke, fica novamente com Peyton. Esse dilema se intensifica na 5ª temporada, 4 anos após a formatura no colégio, quando Lucas começa a namorar Lindsay. Finalmente, na 6ª temporada, Lucas percebe que Peyton é seu amor e a pede em casamento, deixando o seriado no último episódio dessa temporada, juntamente com Peyton e a filha recém-nascida do casal.



Nathan Scott

Era o astro do time de basquete da escola e fazia parte da mais rica família da cidade. É
obrigado a aceitar seu meio-irmão odiado em seu time de basquete do colégio e, com isso, acabam se tornando amigos e verdadeiros irmãos. Casou-se adolescente com Haley, sua colega de sala, tutora, e melhor amiga de Lucas. A relação dos dois é conturbada, cheia de entraves e os pais de Nathan não aprovam, à primeira vista, o casamento do casal. Mas sua relação com Haley, verdadeira e forte, sobrevive a todos os problemas e faz com que Nathan "amadureça" ao longo das temporadas e deixe de ser arrogante, passando a ser um "marido e pai exemplar" e um ótimo jogador de basquete. Após muitas tentativas e após ter superado um acidente que o deixou de cadeira de rodas momentaneamente, Nathan consegue, no final da 6ª temporada, ser convocado para jogar pelo time Charlotte Bobcats da NBA. Na 7ª temporada, enfrenta problemas com uma amante exigindo dinheiro da família e, por isso, também enfrenta problemas com sua renovação de contrato com a NBA. No final de uma temporada, se encarrega de dar suporte à sua mulher Haley, apoiando-a em sua nova tour e quando esta perde sua mãe.




Peyton Elisabeth Sawyer

Começa a série namorando Nathan, que a desprezava. Era uma líder de torcida que já passou por
inúmeras desilusões amorosas, a destacar: Nathan, Lucas e Jake. É melhor amiga de Brooke, com a qual disputa, em grande parte da série, o amor de Lucas.

Contudo, após Lucas declarar seu amor por Peyton, elas permanecem grandes amigas e Brooke segue outro caminho no que diz respeito ao amor. Amante da música punk e de artes em geral, tornou-se produtora e descobriu, junto com Haley, a astro do rock, Mia. Peyton é uma artista talentosa, mas retraída, que consegue realizar seu sonho e lançar um CD.

Perdeu a mãe cedo e, na adolescência, descobriu que é adotada. Passou por um processo de auto-conhecimento depois disso, principalmente ao conhecer a mãe biológica, doente terminal de câncer. Ao engravidar de Lucas, descobre uma doença que, no parto, poderia matá-la ou matar o bebê; mas, mesmo assim, resolve prosseguir com a gravidez. Abandona a série no final da 6ª temporada, quando casa com Lucas e consegue sobreviver ao parto, dando luz à filha do casal: Sawyer Brooke Scott.




Haley James Scott

Haley James, melhor amiga de Lucas Scott e garçonete do Karen's Cafe, era a típica nerd da escola, mas, juntamente com Lucas, começa a se envolver com os populares do colégio Tree Hill High, sobretudo com Nathan, para o desgosto inicial de Lucas, que, nas primeiras temporadas, não se dava bem com o meio-irmão.

Acaba se casando com Nathan no final na 1ª temporada. Desde o início da série, demonstrava grande talento em cantar, saindo na 2ª temporada em tour com o polêmico personagem Chris Keller (Tyler Hilton), abandonando Nathan. Na 3ª temporada ela volta à Tree Hill para reconquistar o marido e na 4ª anuncia sua primeira gravidez. Na formatura de Tree Hill High, torna-se a oradora e, durante seu discurso, sua bolsa estoura e sai às pressas dar à luz seu filho e de Nathan, James Lucas Scott.

Haley reviveu seu sonho de gravar um segundo disco com sua amiga Peyton Sawyer (5-6-7). Na 7ª temporada sai em tour novamente com seu marido e seu filho Jamie, com 7 anos.

Também nesta temporada se reaproxima de sua irmã Quinn, que inicia sua participação no seriado.
Juntas, assistem à morte de sua mãe, o que leva Haley a uma profunda depressão, que permanece até o fim da temporada, quando descobre estar grávida novamente. Na 8ª temporada ela dá à luz sua segunda filha, Lidia Bob Scott, nome escolhido em homenagem à sua mãe, Lidia.


Brooke Penelope Davis

Nas primeiras temporadas (1-4) é capitã das líderes de torcida da Tree Hill High, é independente, sedutora e sabe como
manipular os homens. Rica e popular no colégio, não mede esforços para conquistá-los. Era, nos primeiros episódios da série, a vadia da escola. Ao conhecer Lucas, torna-se frágil e vulnerável sentimentalmente falando, se apaixona e torna-se sua namorada. Mas é traída por sua melhor amiga Peyton, que também é apaixonada por Lucas.

Na 3ª temporada cria uma linha de roupas chamada "Clothes over Bro's" (
Roupas acima de garotos, em referência à sua decepção amorosa). Contudo, o triângulo amoroso prevalece até a 4ª temporada, quando Lucas assume verdadeiramente seu amor a Peyton. Com o tempo Brooke recupera sua amizade com Peyton, vira amiga de Lucas e apoia o casal. Na 5ª temporada, sua empresa Clothes Over Bro's se torna um sucesso mundial. Rica, volta a Tree Hill para restabelecer as amizades e para abrir uma filial de sua loja.

Seu sonho passa a ser construir uma família,
já que não teve uma de fato. Sua mãe Victoria Davis (5-8), só se interessava por sua linha de roupas, dirigia a empresa em Nova York, mas nunca demonstrou afeto pela filha, situação que muda no final da 6ª temporada, quando Victoria se reconcilia com Brooke. Também na 6ª temporada, Brooke conhece Julian Baker (Austin Nichols), produtor de filmes, quando este foi a Tree Hill em busca de Peyton, sua ex-namorada.

Julian acaba se apaixonando por Brooke, e estabelece um relacionamento sério. Na 7ª temporada, Brooke fica arrasada ao descobrir sua
incapacidade de ter filhos. Antes disso, já tinha demonstrado seu interesse pela maternidade ao cuidar de duas garotas, uma bebê que precisava de ajuda para fazer uma cirurgia e uma adolescente problemática, Sam. Na 7ª temporada, Brooke contrata uma modelo para a sua nova linha de roupas, a recém-liberada-da-reabilitação Alex Dupré, que se apaixona por Julian e acaba se tornando a protagonista de um filme escrito por ela e dirigido por ele. Contudo, Alex amadurece e se limita ao trabalho de atuar no filme de Julian, deixando o casal em paz. Brooke, então, aprova o filme e é pedida em casamento por Julian no final da temporada.


* extraído do site fã-clube blogspace.

No andamento das temporadas, todos os personagens:

Tem uma diminuição clara do interesse ou prazer em quase todas as atividades do seu dia-a-dia.

Tem diminuição do amor próprio, em que o seu EU lhe parece empobrecido por sentimentos de auto-desvalorização, culpa excessiva, ou por achar-se moralmente condenável e incapaz de rendimento valioso algum.

Chegam ao ponto de dirigir-se amargas reprovações, insultar-se e esperar ser castigado ou repelido pelos outros, por não ter pudor em comunicar aos demais os seus defeitos. Mais, costuma não ter ideia alguma de porquê este processo acontece, ao ponto de dirigir as suas autocríticas para o passado e abrigar a ideia de que não foi nunca melhor.

Tem uma inibição, em geral, de todas as funções, como por exemplo, a diminuição da capacidade de concentração e decisão, insónias ou hipersónias quase todos os dias, ou ainda fadiga ou perdas de energia
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Tem pensamentos auto-destrutivos recorrentes ou ideação suicida.

Reagem mal à perdida de uma pessoa amada, por ter-se mostrado indigna do seu amor, ou por esta lhe ter rejeitado. Demonstram com frequência uma perdida da capacidade de amar e uma dificuldade em deslocar o seu interesse erótico para uma outra pessoa nessas circunstâncias.

O seriado ao transmitir a mensagem da depressão para seus fãs todo o processo descrito acima é inconsciente para o sujeito: quantidade de energia de repressão para conter o ódio e encobrir a hostilidade, DISTORCENDO um desejo de vingança e denegrição da pessoa amada para reprovações punitivas da CONSCIENCIA MORAL contra o próprio EU.

Quando o processo se torna consciente é já sob a forma de auto-acusações punitivas, crenças de ser despojado de todo o valor, de uma sensação desprazerosa, profunda ou de falta de controlo emocional, que pode oscilar desde profundas dependencias submissas a comportamentos violentos de agressividade.

A base é o medo de rejeição e a incapacidade de tomar decições na altura apropriada. Parece haver um corte com a coragem, ou melhor dito, uma dificuldade em usá-la na altura certa. E isto acaba por conduzir a comportamentos de agir sem pensar ou evitar tomar decisões.

Ou então pode conduzir a comportamentos de vitimização, onde a ansiedade é lançada para outra pessoa, para que ela se preocupe consigo e absorva esta energia negativa onde você ganha e ela perde.

Relativamente ao enigma do
suicídio, do ponto de vista da psicologia sabemos que nenhuma pessoa experimenta impulsos ao suicídio que não sejam impulsos de destruição orientados primeiro para outras pessoas, e voltados logo contra o EU. Sabemos que a criança pequena antes de lançar o seu investimento nas pessoas que a rodeiam é narcísica, basta-se a ela própria, e consegue sempre encontrar meios para obter prazer. Nesta fase nunca pensa em suicídio. Só depois de entrar em relação com o mundo das pessoas, revestindo-as libidinalmente, pode mais tarde ocorrer-lhe tais pensamentos.

A razão principal de porque deve tratar-se, se estiver em depressão, é porque esta sinaliza a perda da capacidade de amar, a presença de uma libido (interesse amoroso) pouco flexível, isto é, uma libido demasiado pegajosa no mundo relacional. Isto impede as pessoas de aumentarem o seu leque de opções e faz aferrarem-se a relacionamentos muitas vezes patológicos que não levam a mais do que depressões, angústias, ansiedades, dependências e a desperdiçarem tempo precioso das suas vidas.

É claro que isso é um parecer pessoal, e indico aos amigos que não vejam esse seriado e procurem outra atividade televisiva para arejar a mente e que não influencie negativamente o comportamento humano como fazem as novelas brasileiras.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino