.

Católicos na luta contra os hereges


Em obediência ao Concílio Vaticano II " Não basta, porém, que o povo cristão esteja presente e estabelevido num país; não basta também que ele exerça o apostolado do exemplo; está estabelecido, está presente com esta finalidade: anunciar Cristo aos seus concidadãos não-cristãos pela palavra e ação, e ajudá-lo a receber plenamente a Cristo" Ad Gentes Artigo 3 cap. 15 em continuidade com a Tradição Católica e Apostólica é ação missionária o anúncio e o combate aos inimigos da fé que trabalham arduamente pela ruína das almas.

Não nos deixemos enganar pelo falso espírito de caridade, hereges convictos são ajudantes do diabo (Santo Agostinho). Por essa razão, apresentaremos cartas e textos que corroboram com o combate à heresia tão amortecido pelo irenismo e relativismo dos dias atuais, recordando, sempre, "que a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes". (Ef 6,12):

Padre Manoel Bernardes

“Nem se engane alguém com as especiosas aparências destes homens [os hereges], quando mostram nas igrejas maior modéstia que muitos católicos, ou se portam liberais e afáveis, ou afetam erudição e letras. Porque destas primeiramente têm, quando muito, só as naturais juntas com tal arrogância e fasto, que com dois dedos de eloqüência latina ou grega, presumem dominar a Sagrada Teologia e interpretar as Divinas Escrituras. Mas, se alguém os provoca a desafio, ou lançam tudo a gritaria e descompostura, ou não aceitam, como desavergonhados, sobre covardes e ignorantes.

Isto experimentou várias vezes o nosso São Francisco de Sales nos países dos Chablaix. E de virtudes, impossível é terem as verdadeiras e sólidas, faltando-lhes a fé, fundamento de todas e princípio de agradar a Deus, Autor delas. Só lhes ficaram algumas cascas, que lês guardam com suma hipocrisia, e que os demônios, que são os seus padrinhos, ou familiares e assessores (como sentem os Santos Padres), lhes não impugnam, ou por não espantar a caça, que está segura no laço da condenação, ou porque serve também ao seu intento de pegar o contágio aos bons, que pensam que também eles o sejam.

Porque, como disse São Bernardo, todo herege é ovelha na lã, raposa nas entranhas, lobo nas obras: ‘Haeretici oves sunt habitu, astu vulpes, actu et crudelitate lupi’. Querem parecer, mas não ser bons; e querem ser, mas não parecer maus, porque o parecer bons lhes serve de que os não tenhamos a eles por maus, e de que sejam piores, sendo maus não só para si, senão para quem se lhes chega, tendo-os por bons” (Padre Manoel Bernardes. Nova Floresta. Livraria Chardron, Porto: 1911, 5º tomo, p. 175-6).

Papa Bento XV

“Um zelo tão ardente em salvaguardar a integridade da Fé atirava São Jerônimo em veementíssimas polêmicas contra os filhos rebeldes da Igreja, que ele considerava seus inimigos pessoais: ‘Ser-me-á suficiente responder [dizia ele] que jamais poupei os hereges e que empreguei todo o meu zelo em fazer dos inimigos da Igreja meus inimigos pessoais’. Em uma carta a Rufino ele escreveu: ‘Há um ponto em que não poderei concordar contigo: poupar os hereges, não me mostrar católico’. (...) Sabemos com que vigor ele combatia os inimigos da Igreja.

Aplaudindo seu jovem companheiro de armas, Agostinho, que sustentava os mesmos combates, e felicitando-o por haver com este atraído sobre si o furor dos hereges, Jerônimo lhe escreveu: ‘Honra à tua bravura! O mundo inteiro tem os olhos postos sobre ti. Os católicos veneram e reconhecem em ti o restaurador da antiga fé, e, sinal ainda mais glorioso, todos os hereges te amaldiçoam e me perseguem contigo com um ódio igual, matando-nos pelos seus desejos, na impossibilidade nos imolar sob seus gládios’.

Este testemunho se acha magnificamente confirmado por Postumiano, em Sulpício Severo: ‘Uma luta de todos os instantes e um duelo ininterrupto com os maus concentravam sobre Jerônimo os ódios dos perversos. Nele, os hereges odeiam aquele que não cessa de os atacar; os clérigos, quem lhes recrimina a vida e os crimes. Mas todos os homens virtuosos, sem exceção, o amam e admiram’. Este ódio dos hereges e dos maus levou Jerônimo a suportar penosos sofrimentos, sobretudo quando os pelagianos se atiraram sobre o mosteiro de Belém e o saquearam; mas ele suportou com equanimidade todos os maus tratos e todas as injúrias, disposto que estava a morrer pela defesa da Fé cristã” (Papa Bento XV - Encíclica “Spiritus Paraclitus”, de 15 de setembro de 1920, sobre São Jerônimo, Padre e Doutor da Igreja).

Padre Manoel Bernardes

“(...) Daqui veremos a cautela, estranheza e ainda desprezo com que nos devemos portar com os hereges. É dogma de São Paulo em vários textos (Tito 3, 10; 2 Tim 3,1s; Rom 16,7); e São João (2 Jo 5, 10) proíbe até saudá-los: ‘Nec ave ei dixeritis’; onde se note que ‘ave’, ou ‘salve’, por estilo dos romanos, se dizia na entrada, como o ‘vale’ à despedida; e, porquanto, com semelhante gente, mais segura é a despedida do que a entrada, e quem evitar esta evitada tem aquela, por isso diz São João que nem a saudação ‘ave’ lhe digamos.

Como têm as entranhas da intenção corruptas, é força que o bafo das palavras seja pestilento; e, se nos desviamos do que respira um apestado ou tísico por ressalvar a nossa saúde corporal, quanto mais depressa devemos evitar o de um herege por acautelar a alma?

O mesmo São João confirmou com o exemplo o que ensinara com a palavra, pois não quis entrar no banho onde Cerinto, herege, se lavara. Notável é o caso que sucedeu a São Martinho, bispo: por uma leve e quase inevitável comunicação que teve com Itácio, herege, levou uma repreensão do seu Anjo, e dali por diante experimentou mais dificuldade e trabalho em curar os possessos, e por dezesseis anos que lhe restaram de vida se absteve de entrar em sínodo” (Padre Manoel Bernardes. Nova Floresta. Livraria Chardron, Porto: 1911, 5º tomo, p. 174-5).

Dom Felix Sardá y Salvany

"A suma intransigência católica não é senão suma caridade católica. Suma caridade em relação ao próximo, quando para seu próprio bem o confunde, envergonha, ofende e castiga. Suma caridade em relação ao bem alheio, quando, para livrar o próximo do contágio de um erro, desmascara seus autores e fautores, chama-os por seus verdadeiros nomes de maus e perversos, fá-los aborrecer e desprezar como aborrecidos e desprezados devem ser, denuncia-os à execração comum e, se possível, ao elo da força social encarregada de reprimi-los e puni-los.

Suma caridade, finalmente, em relação a Deus
, quando para Sua glória e serviço se faz necessário prescindir de todas as considerações, passar por cima de todos os limites, afrontar todo respeito humano, ferir todos os interesses, expor a própria vida e todas as vidas que seja preciso expor para tão alto fim" (SALVANY, Dom Felix Sardá y. El Liberalismo es pecado. Edição E. P. C., S. A.: Madrid, 1936, cap. XXI, p. 85).

Santo Atanásio

"Que Deus vos console. Soube que não só vos entristece meu exílio, senão sobre tudo o fato de que os outros, quer dizer os arianos, se hão apoderado dos templos por violência e, entretanto, vós haveis sido expulsos desses lugares. Eles então possuem os templos; vós, em troca, a tradição da Fé apostólica. Eles, consolidados nesses lugares, estão, na realidade, à margem da verdadeira Fé, em troca vós, que estais excluídos dos templos, permaneceis dentro dessa Fé. Confrontemos, pois, que coisa seja mais importante, o templo ou a Fé, e resultará evidente desde logo, que é mais importante a verdadeira Fé.

Portanto, quem há perdido mais, ou quem possui mais, o que retêm um lugar, ou o que retêm a Fé? O lugar certamente é bom, suposto que a1i se pregue a Fé dos Apóstolos, é santo, se ali habita o Santo.
Vós sois os ditosos que pela Fé permaneceis dentro da Igreja, descansais nos fundamentos da Fé, e gozais da totalidade da Fé, que permanece inconfusa. Por tradição apostólica ela há chegado até vós, e muito frequentemente um ódio nefasto há querido destruí-la, mas não há podido; ao contrário, esses mesmos conteúdos da Fé que eles hão querido destruir, os hão destruído a eles. (...) Portanto, ninguém prevalecerá jamais contra vossa Fé, meus queridos irmãos, e se em algum momento Deus vos devolver os templos, será necessário o mesmo convencimento: que a Fé é mais importante que os templos. E precisamente uma Fé tão viva supre para vós, por agora, a falta dos templos. (...)

Portanto, agora também, de que serve a eles ter os templos? Sim, efetivamente os têm, mas isso aos olhos daqueles que se mantêm fiéis a Deus indica que são culpáveis, porque hão feito cova de ladrões e casas de negócios, ou lugares de disputas vãs o que antes era um lugar santo, de modo que agora este pertence a quem antes não era lícito nele entrar.

Caríssimos, por te-lo ouvido daqueles hão chego até aqui, sei tudo isto e muitas outras coisas piores; mas, repito, quanto maior é o empenho destes por dominar a Igreja, tanto mais estão fora dela. Crêem estar dentro da verdade, embora na realidade estejam excluídos dela, prisioneiros de outra coisa, enquanto a Igreja, desolada, sofre a devastação destes supostos benfeitores" (Santo Atanásio; Patrologia Grega, tomo 26, col. 118/90).

São Tomás

“(...) Nem vai contra a natureza da paciência atacarmos, quando necessário, quem faz o mal; porque, como disse São João Crisóstomo (Hom. Op. imperf.) acerca daquilo da Escritura – ‘Vai-te satanás’ (Mt IV,10) – sofrermos com paciência as injúrias que nos atingem, é digno de louvor; mas é excesso de impiedade tolerar pacientemente as injúrias feitas contra Deus” (São Tomás de Aquino, Suma Teológica, 2a. 2ae., q. 136, a. 4, ad. 3)

São Pio X

"Estão, pois, muito equivocados os que acreditam possível e esperam para a Igreja um estado permanente de plena tranqüilidade, de prosperidade universal, e um reconhecimento prático e unânime de seu poder, sem contradição alguma; porém, é pior e mais grave o erro daqueles que se iludem pensando que alcançarão essa paz efêmera mediante a dissimulação dos direitos e interesses da Igreja, sacrificando-os aos interesses privados, diminuindo-os injustamente, comprazendo ao mundo, "no qual domina inteiramente o demônio" (I Jo. V, 19), com o pretexto de captar a simpatia dos fautores de novidade e atraí-los à Igreja, como se fora possível a harmonia entre a luz e as trevas, entre Cristo e o demônio.

Trata-se de sonhos doentios, de alucinações
que sempre ocorreram e ocorrerão enquanto houver soldados covardes que deponham as armas à simples presença do inimigo, ou traidores que pretendam a todo custo fazer as pazes com os opositores, a saber, com o inimigo irreconciliável de Deus e dos homens". (Papa São Pio X, Encíclica Communium Rerum de 21 de abril de 1909)

Carta de São Bernardo

“Tive uma grande alegria com a chegada de meu caríssimo irmão e colega, o abade Bernardo de Grandselve, pelas gratas notícias que me trouxe de vossa constância e lealdade no serviço que deveis à vossa Fé (...), bem como no ódio e zelo que alimentais contra os hereges, de modo que cada um de vós pode repetir sem mentira aquilo do Profeta: ‘Porventura não aborrecia eu, Senhor, os que Vos odeiam? E não me consumia por causa dos Vossos inimigos? Com ódio perfeito os aborrecia, e tive-os por meus inimigos, só por saber que eram Vossos inimigos’ (Sl CXXXVIII, 21-22).

Dou graças a Deus porque se dignou abençoar minha ida até vós e fez que minha permanência em vossa companhia, embora breve, produzisse algum bem. Pela verdade que vos manifestamos, não só com palavras, mas também por meio de prodígios, foram descobertos os lobos que, introduzidos entre vós, sob disfarce de ovelhas, faziam verdadeira devastação em vosso povo e devoravam as almas, tal como um homem esfaimado deglute o pão fresco e engole a carne das ovelhas que matou. E juntamente com os lobos descobrimos as raposas que devastavam a vinha preciosíssima do Senhor, a saber, vossa nobre cidade.

Pena é que, embora descobertos, esses inimigos ainda não tenham sido apanhados! Ao trabalho, pois, caríssimos meus: consagrai-vos a persegui-los sem afrouxar, acossai-os, encurralai-os, até dar cabo de todos e fazê-los desaparecer de vossa terra, pois não vos podeis entregar ao repouso enquanto houver à espreita serpentes que vos rondam a casa. Permanecem eles de emboscada, escondidos com os poderosos e ricos deste mundo, para assaltar e matar os inocentes.

São salteadores e ladrões
, como observa o Senhor no Evangelho; gente perdida, que cifra todo o seu prazer em perder os demais.

São corruptores ao mesmo tempo de vossos bons costumes e de vossa fé.
Bem se diz que ‘as conversas más corrompem os bons costumes’ (I Cor XV, 33), e que ‘a linguagem desses tais estende sua corrupção com a rapidez da gangrena’ (II Tm II,17)”. (Carta de São Bernardo, Doutor da Igreja, aos habitantes de Toulouse (In “Obras Completas del Doctor Melifluo, San Bernardo, Abad de Claraval”, tradução espanhola do Pe. Jaime Pons, S. J. – Rafael Casulleras Librero-Editor: Barcelona, 1929 , vol. V, “Epistolário”, carta CCXLII, p. 505)

----

Que maravilha nos deparamos com textos que estimulem o bom combate. No Exército de Bento XVI e de sua geração ratingeriana. Nosso coração não se engana, pela esperança contida neles. Sabemos que o Senhor é soberano que cuida de todas as coisas como um Pai amoroso e santo. Só posso louvar e exultar por Deus nos permitir vislumbrar esta graça concedida pelo seu amor.

A Igreja santíssima de Cristo permanecerá firme até que Ele volte. Aumentar o número de sacerdotes, santos, conhecedores da doutrina, orantes e cheios de fé, significa povo também santo, orante, conhecedor da doutrina e cheio de fé. Significa Jesus Eucarístico para nos alimentar e adorar. Significa, Cristo,verdadeiro Deus e verdadeiro homem no meio de nós. Ah! E eu amo tudo isso.

................

Santo Hilário de Poitiers: -"Foi sempre privilégio da Igreja vencer quando é ferida, progredir quando é abandonada, crescer em ciência , quando é atacada".

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino