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Existem outros deuses?

(Êxodo 12,12)

“Naquela noite, passarei através do Egito, e ferirei os primogênitos no Egito, tanto os dos homens como os dos animais, e exercerei minha justiça contra todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor."

A pergunta justifica-se porque a palavra fala sobre os deuses do egito, não sobre deuses simbólicos ou representações de deuses. O que podemos dizer é que se Deus fala sobre outros deuses, podemos deduzir que eles existem. Não se entra no mérito da superioridade do Deus verdadeiro em relação aos outros deuses.

Mas o que se pode questionar é se, para o bem ou para o mal, estes deuses realmente existiram/existem. Deus não exerceu sua justiça contra os homens que supostamente criaram os deuses. A palavra diz que Deus exercerá sua justiça(diretamente) contra os deuses. Ou seja, de Deus para deuses. Como fica essa questão?

Para acompanhar o raciocínio sobre os deuses, temos que levantar um pouco a questão de suas origens.

Podemos fazer uma comparação com a Mitologia Grega, cuja pluraridade de deuses gregos e também os babilônicos e egípcios tiveram inicio com lendas, justamente para responder os questionamentos humanos sobre a criação, os satélites, fenômenos naturais.

Prova disso é que se atribuem a esses deuses ofícios que cabem aos humanos, como a reprodução, nascimento, morte etc, isso levanto em conta que algumas áreas, os deuses eram mortais.

Estes deuses não são demonios, são invencões humanas para se colocar no lugar do verdadeiro Deus que é único.

Como se expressa o conceito de Deus?

Expressa-se como origem de todos os seres, acima e além de tudo o que existe, dizendo que Ele é o "Ser Supremo".

Daí resulta que não pode haver senão um Deus. A palavra supremo quer dizer: Acima dos demais, ou seja, se houvesse dois deuses poderosos, não poderiam ser "supremos"

Como diz Santo Atanásio: "Falar de vários deuses igualmente onipotente é falar de vários deuses igualmente impotentes".

Somente a partir de Elias o povo escolhido crê que não há outros deuses.

Uma pequena "contradição"

Santo Tomás de Aquino afirma:

“(...) nas coisas ordenadas pode encontrar-se algo de três modos: como propriedade, por excesso e por participação. (...) por participação quando o que se atribui a alguém não se encontra nele em sentido pleno, senão de um modo reduzido, como se diz que os santos são deuses por participação.” (Suma Teológica, Parte I, Questão 108, Artigo 5).

Santo Atanásio disse que “o Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus.” (Sobre a Encarnação, 54,3).

São João da Cruz afirmou que “O que Deus pretende é fazer-nos deuses por participação, sendo ele por natureza, como fogo que converte tudo em fogo.”

São Luiz Maria Grignion de Montfort disse que:


“Santo Agostinho chama a Santíssima Virgem ‘Fôrma de Deus’, Fôrma própria para formar e moldar deuses: ‘Sois digna de ser chamada Fôrma de Deus’. Aquele que é lançado nesta Fôrma divina depressa é formado e moldado em Jesus Cristo, e Jesus Cristo nele. Facilmente e em pouco tempo será transformado em Deus, divinizado, pois é lançado no próprio molde que formou um Deus.” (Tratado da Verdadeira Devoção, § 219).

O Beato João Paulo II, em sua encíclica Redemptoris Mater, disse que “Se Ele [Deus] quis chamar eternamente o homem para ser ‘participante da natureza divina’ (cf. 2 Pd 1, 4), pode dizer-se que predispôs a ‘divinização’ do homem em função das suas condições históricas, de modo que, mesmo depois do pecado, está disposto a ‘resgatar’ por elevado preço o desígnio eterno do seu amor, mediante a ‘humanização’ do Filho, que lhe é consubstancial. Tudo o que foi criado e, mais diretamente, o homem não pode deixar de ficar estupefato diante deste dom, de que se tornou participante no Espírito Santo: ‘Com efeito, Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito’ (Jo 3, 16).” (Encíclica Redemptoris Mater, nº 51)

Isso quer dizer que Deus quer divinizar o homem, ou seja, transformar-nos em deuses? Como o panteísmo, que prega que todos somos deuses, ou que tudo é deus, e é também o pensamento da Nova Era?

Não. Seremos mas no sentido de participantes de sua vida divina, não como entidades. Pois nossa natureza é elevada e não mudada.

“(...) Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio, mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo batismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos. (...)” (Concílio Vaticano II, LG 40, in: Denzinger, 4166).

“(...) Concretamente, a pastoral do batismo das crianças deverá inspirar-se em dois grandes princípios, dos quais o segundo está subordinado ao primeiro: 1) O batismo, necessário para a salvação, é sinal e instrumento do amor da parte de Deus, que nos liberta do pecado original e comunica a participação na vida divina: por si, o dom destes bens às crianças não deve ser adiado. (...)” (Instrução da Congregação da Doutrina da fé “Pastoralis actio”, de 20/10/1980, no papado de João Paulo II, in: Denzinger, 4674)

PARA CITAR ESTE ARTIGO:


Existem outros deuseus?
David A. Conceição, setembro de 2011, blogue Tradição em Foco com Roma.


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