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O Juízo particular


Seremos julgados perante Deus pelos nossos atos ou pela nossa religião ?

A fé sem obras é morta, e as obras sem a fé são estéreis para a salvação, logo a religião sem atos é morta, e os atos sem a religião são estéreis para a salvação.

Logo depois de morrer somos julgados. O julgamento de Deus sobre o homem não se faz como num tibunal deste mundo. Cada qual já vai com a sua sentença lavrada pelo próprio indivíduo ao optar por Deus ou contra Deus no fim de sua caminhada terrestre (por isso, a misericórdia de Deus vai até o nosso último instante de vida, depois vem a justiça divina). O Senhor respeita a escolha da criatura. Sendo assim, o juízo particular consiste na manifestação, à alma do falecido, dos valores e desvalores de sua vida; há de vê-los como Deus os vê.

A opção por Deus se dá na correlação entre fé e obras.

Quanto ao juízo final ou universal, será a manifestação de toda a trama da História, com o papel desempenhado por cada pessoa; os mistérios (desastres, silêncios de Deus...) serão postos às claras. Cada ser humano verá então o verdadeiro sentido da História e a responsabilidade de cada um nesse embate.

A religião se trata de religar a Deus aquilo que o pecado desligou. Esta religião começou em Abel que fez oferendas a Deus para se religar a Ele, mediante ao pecado que seu pai Adão cometeu. E só podemos ter esta atitude de nos religar a Deus se tivermos fé nEle.

A fé não é o que a sociedade secular de hoje pensa, ou seja, um pensamento positivo, nem mesmo se trata de um sentimento.

A fé é uma certeza daquilo que não se vê. É uma resposta ao amor de Deus que nos amou primeiro. Sem esta fé não é possível se religar a Deus. Somente pela fé acreditamos que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, e que esta imagem e semelhança foi desligada pelo pecado, e que devemos buscar este religamento ao logngo de nossas vidas, ou seja, viver a religião. Somente pela fé cremos que Deus nos deu o livre arbítrio para pecar ou não, e baseado na nossa escolha entre pecar (se desligar de Deus) ou não, receberemos a vida eterna na visão beatífica de Deus, com a imagem e semelhança dEle em plenitude, não mais sujeita ao pecado, depois de passada a prova do livre arbítrio, sem a qual o ser humano não seria o que mais o caracteriza entre todas as criaturas, um ser livre para escolher entre viver o amor de Deus ou não.

Portanto, não há religião sem fé, e não há fé sem religião, então podemos afirmar que fé = religião.

Pessoas que não tem religião que tem fé em Deus... Isto não existe.

Pode ter fé num Deus: Buda, Edir macedo, Lutero, a própria pessoa (o caso dos ateus)

Mas nunca do Deus Cristão revelado na bíblia.

A fé é um pacote que se adquire em conjunto e é chamado o depósito da Fé. Este depósito da fé trás consigo:

- Crer que há um único Deus.
- Crer que Deus se fez carne e habitou em nosso meio.
- Crer que ao morrer, Jesus Cristo, nos salvou de nosso pecado original e nos religou a Deus.
- Crer que Jesus nos deixou um pastor substituto, que é o Papa.
- Crer que Deus fundou uma Igreja e que nós devemos pertencer a ela.
- Crer que para pertencermos a Igreja necessitamos do Batismo ORDENADO por Cristo.

A falta de qualquer um desses pré-requistitos não é fé, é pura crendice.

É apenas ACREDITAR, estas pessoas não tem fé em Deus, apenas ACREDITAM EM DEUS, e isto não salva ninguém, pois segundo São Tiago, ATÉ OS DEMÔNIOS CREEM.

Só há um Deus e não vários Deus, não adianta acreditar somente, nem fazer obras somente.

Se não tiver a fé correta deixada por Cristo, não se tem nada.

Deus sabe tudo, porém podemos fazer tudo e escolher por iniciativa própria o caminho a trilhar.

Obviamente que para trilhar o caminho correto precisamos da Graça de Deus sempre, já que temos tendência a querer o errado.

Porém Deus de forma nenhuma obriga ao homem tomar uma decisão por ele. Este é o livre-arbítrio.

Catolicismo e heresia protestante comparados

Herege: Deus soberanamente determina a vontade
Católico: Deus soberanamente inclui o livre-arbítrio

Herege: Predestinação como predeterminação
Católico: Predestinação como presciência infalível

Herege: Deus deseja a salvação somente dos eleitos
Católico: Deus deseja a salvação de todos os homens

Herege: Deus confere a graça somente aos eleitos
Católico: Deus confere a graça a todos, apesar de muitos rejeitarem

Herege: Cristo morreu somente pelos eleitos
Católico: Cristo morreu por todos os homens

Herege: Deus predestina algumas pessoas ao inferno
Católico: Os homens merecem o inferno por seus pecados

Herege: Os eleitos incluem todos os regenerados
Católico: Os eleitos são os que perseverarão até o fim

Herege: A graça exclui o livre-arbítrio.
Católico: a graça aperfeiçoa o livre-arbítrio, que coopera

Herege: Os regenerados não se perderão
Católico: Os regenerados podem pecar livremente e perder a graça

Herege: Os eleitos estão seguros de sua salvação
Católico: Sim, mas somente Deus sabe quem são

Herege: Predestinação elimina o mérito e a culpa
Católico: Predestinação inclui mérito e culpa

Os hereges pelagianos afirmavam que o homem, sozinho (separado da graça de Deus), é o responsável por sua salvação. Os hereges protestantes (de linha calvinista) opõem-se com a premissa de que somente Deus é o responsável pela salvação do homem.

As Falhas do Calvinismo

Calvino colocou a razão da predestinação apenas na absoluta vontade de Deus. Mas, tornando Deus o único responsável por tudo, Calvino acabou por eliminar a cooperação livre da vontade em obter a felicidade eterna. Com isso logicamente foi forçado em admitir uma graça irresistível, para negar a liberdade da vontade quando influenciada pela graça, e para eliminar completamente os méritos supernaturais (como uma razão secundária para a vida eterna).

Deus não é, então, somente responsável pela salvação dos eleitos, como também se torna responsável pela condenação dos reprovados, até mesmo ao ponto de desejar seus pecados. Sendo, portanto, que Deus deseja todo o bem aos eleitos, e todo o mal aos reprovados, Calvino afirmou que Jesus morreu apenas pelos eleitos.

"Como claramente demonstra a Escritura, afirmamos que Deus decretou por seu eterno e imutável plano todos aqueles que Ele desde antes determinou de uma vez por todas a receber a salvação, e aqueles que, por outro lado, Ele encaminhará à destruição.

Afirmamos que, no que diz respeito aos eleitos, este plano foi formado por sua livre misericórdia, livre da influência humana. Mas por este justo e irrepreensível, e incompreensível, julgamento, Ele fechou as portas da vida àqueles a quem determinou à condenação".

João Calvino, Institutas da Religião Cristã. Livro III:21:7

Salvação e condenação dependendo exclusivamente de Deus - o homem é completamente predeterminado a um ou a outro pela graça irresistível ou pela sua ausência, sem cooperação ou resistência da vontade. Sendo a graça irresistível, a vontade do predestinado não é livre para cooperar com ela para praticar obras meritórias, e, com isso, a salvação é puramente arbitrária. Mais perturbador ainda, sendo a concupiscência irresistível sem a graça de Deus, a vontade do reprovado também não é realmente livre para pecar e praticar obras demeritórias, e, portanto, sua condenação não pode ser causa de seus deméritos.

Para Calvino, Deus salva quem elege, Deus condena quem reprova.

Mas consideremos o que isto significa e verifiquemos se é bíblico:

1) Não há livre-arbítrio (refutado pela experiência, e pelos mandamentos bíblicos de arrependimento, conversão, observância dos mandamentos, praticar obras de caridade, e perseverar até o fim);

2) Então, sem méritos ou deméritos (refutado por toda a Bíblia, que mostra as recompensas e as punições que Deus concede aos homens de acordo com suas obras: Mt 16,27; Rm 2,5-10; 2Cor 5,10; Ap 22,11-12);

3) Deus deseja a salvação apenas dos eleitos (refutada em 1 Tm 2,4; 2 Pd 3,9; Mt 23,37; Ez 18,23-32; 33,11);

4) Cristo morreu apenas pelos eleitos (refutada por Jo 3,16-17; 4,42; 1Jo 2,2; 4,9-14; Rm 5,6,18; 2Cor 5,14-15; 1Tm 2,6; 4,10);

5) Deus concede a graça somente aos eleitos (refutada por Tt 2,11; Jo 1,9,16; Rm 2,4);

6) Deus determina positivamente a condenação dos reprovados, inclusive seus pecados (refutado por Tg 1,13-14; Eclo 15,11-20; 1Cor 10,13);

7) O eleito será salvo sem participação alguma (isto rejeita a recompensa divina);

8) O reprovado será condenado sem culpa alguma (isto rejeita a verdadeira culpa e a punição por merecimento).

Entre estes dois extremos, o dogma católico da predestinação sustenta o significado áureo, porque relaciona a salvação eterna primariamente como obra de Deus e de Sua graça, mas secundariamente como fruto e recompensa das ações meritórias do predestinado.

A Doutrina Católica da Salvação e Condenação

O processo da predestinação e salvação consiste nos seguintes cinco passos:

1) A primeira graça do chamado, especialmente a fé no seu início, fundamento e base da justificação (Trento, sessão 6, cap. 8).

2) Um número de graças atuais adicionais, para o alcance firme da justificação e santificação (1Cor 6,11)

3) A justificação, em si mesma, como o início do estado de graça e amor

4) A perseverança final ou, pelo menos, a alegria de uma morte feliz

5) A entrada na segurança e glorificação eterna (Rm 8,28,30).

A doutrina calvinista é consistente por si mesma, mas não o é com a experiência humana ou com as Escrituras. Não concilia a cooperação e a resistência do livre-arbítrio, pecado e virtude, a possibilidade da perda da graça, punição e recompensa, e a universalidade da redenção e da graça. O Deus calvinista é despótico e arbitrário.

A doutrina católica é consistente consigo mesma e com a experiência humana e com as Escrituras. A presciência e a preordenação dos eleitos para a glória inclui o desejo universal divino e a concessão da graça a todos os homens, nossa livre cooperação com Sua graça, boas obras e a real possibilidade, devido nossa vivência e natureza terrena, de rejeitar a graça e a salvação, e merecermos a condenação eterna.

 

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