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Por que os sedevacantistas fogem da Verdade?

É um fenômeno que precisei parar para refletir e escrever. 

Afinal eu pude presenciar (isso ninguém vai tirar de mim) um sedevacantista sendo fuzilado por um seminarista (hoje padre) da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, abaixando o rosto e dando aquele sorrisinho estilo "pois é, dancei!" e tive uns tempos de debate virtual com um de Anápolis, que nunca conseguia me responder onde estava o pseudo-defeito da forma de ordenação no rito novo nem sobre a unicidade de Deus no Islã e no Cristianismo, até que diante da minha insistência ele me mandou ir para a PUTA QUE PARIU. 

Pois é caro leitores, e está tudo registrado, printado, testemunhado e arquivado para depois não viverem com o papo de levantamento de falso testemunho.

Sem contar que quando estavam na moda, foram mais do vencidos em debates de listas do Yahoo, comunidades do orkut e intercâmbio entre blogs e sites.

Mas, por que sedevacantistas mesmo refutados não se abrem para a verdade? Eles sofrem do Efeito Forer é sobre isso que esse artigo vai tratar. 
"Para qualquer pessoa temos algum truque." -- P.T. Barnum

O Efeito Forer ou Barnum é também conhecido como “Efeito da validação subjetiva” ou “Efeito da validação pessoal”. A expressão "Efeito Barnum" foi criada pelo psicólogo Paul Meehl, em consideração à reputação do artista de circo Phineas Taylor Barnum; mestre da manipulação psicológica. O Psicólogo Bertran. R. Forer descobriu que as pessoas tendem a aceitar descrições de personalidade vagas e generalizadas como se fossem aplicáveis unicamente a si próprias, sem perceber que a mesma descrição poderia se encaixar em praticamente qualquer pessoa.

Convidamos o amigo sedevacantista que estiver lendo esse artigo a considerar o texto seguinte como se tivesse sido oferecido como avaliação da sua personalidade:

1 - Você sente necessidade de que outras pessoas gostem e o admirem, e ainda assim tende a ser crítico em relação a si mesmo.

2 - Embora tenha algumas fraquezas de personalidade, geralmente é capaz de compensá-las.

3 - Você tem uma considerável capacidade não utilizada, que ainda não usou a seu favor.

4 - Disciplinado e com auto-controle por fora, tende a ser preocupado e inseguro no íntimo.

5 - Às vezes tem sérias dúvidas sobre se tomou a decisão correta ou fez a coisa certa.

6 - Prefere uma certa mudança e variedade, e fica insatisfeito quando é cercado por restrições e limitações.

7 - Também se orgulha de pensar de forma independente, e não aceita afirmações de outros sem provas satisfatórias.

8 - Descobriu que não é recomendável ser excessivamente sincero ao se revelar para outras pessoas.

9 - Às vezes é extrovertido, afável e sociável, embora às vezes seja introvertido, cauteloso e reservado.

10 - Algumas das suas aspirações tendem a ser irreais.

E aí? Acertamos alguma coisa a seu respeito? Se apenas quatro ou cinco das descrições acima se encaixaram no perfil do amigo leitor; a resposta é positiva. O Dr. Forer provou a existência desse fenômeno com uma experiência parecida com essa que fizemos: Ele aplicou um teste de personalidade aos alunos de uma faculdade, ignorou suas respostas e entregou a cada um deles a avaliação acima. Daí pediu a eles que pontuassem a descrição com uma nota de 0 a 5; com "5" significando que o aluno achava a avaliação "excelente" e quatro significando "boa". A média da classe foi 4,26. Esse teste foi realizado no ano 1948 e foi repetido centenas de vezes com estudantes de psicologia. Incrivelmente, nos dias atuais, a média ainda gira em torno de 4,2.

Em resumo, o Dr. Forer convenceu as pessoas de que podia ler suas personalidades com sucesso.  

A exatidão surpreendeu as pessoas testadas, embora à análise de personalidade tenha sido simplesmente inventada de modo aleatório. 

O “Efeito Forer” sugere explicar, ao menos em parte, por que tantas pessoas crêem em coisas absurdas: 

Sedevacantismo, conclavismo, palmarianismo e etc., parecem ter sentido porque – a princípio - oferecem "soluções para a crise" e análises acertadas de personalidade do candidato;como fazem por exemplo as artes orientais como cartomancia. porém estudos científicos dessas pseudociências demonstram que elas não são ferramentas válidas de avaliação de personalidade, embora todas tenham muitos envolvidos satisfeitos; convencidos sobre a precisão das mesmas.

As explicações mais comuns para o Efeito Forer, estão relacionadas com a esperança que as pessoas alimentam, com a influência dos seus desejos mais íntimos, a vaidade e uma forte tendência em procurar sentido em tudo o que acontece ao redor da pessoa. Acima de tudo, esse fenômeno se alicerça na tendência à credulidade que os seres humanos possuem.

                   Pessoas tendem a aceitar as convições, proporcionalmente a seu desejo de que elas sejam verdadeiras; em vez de em proporção à exatidão das afirmações que essas crenças trazem. Notadamente, as pessoas tendem a aceitar as coisas devido à padrões subjetivos que as mesmas buscam.

Os seres humanos tendem a aceitar afirmações questionáveis - mesmo falsas - sobre a realidade ao seu redor; se as considerarem suficientemente positivas ou lisonjeiras. Freqüentemente darão interpretações bastante duvidosas a afirmações vagas ou inconsistentes sobre suas próprias "posições"; isso simplesmente para fazer com que elas ganhem sentido dentro de sua própria mente. Elas não exitarão nem mesmo em mentirem para si mesmos, conquanto seja para reforçar suas próprias crendices.      

Os que “querem acreditar” em algo; frequentemente ignorarão afirmações contrárias, mesmo se estiverem alicerçadas com as devidas provas.  


Em muitos casos, atribuirão erroneamente o termo “mentira” a aquilo que comprovadamente for a mais absoluta verdade. Essa validação subjetiva – “Tenho que acreditar” – interfere no julgamento racional das coisas.


O Psicólogo Barry Beyerstein acredita que "a esperança e a incerteza” evocam processos psicológicos poderosos. Tentamos constantemente encontrar sentido na avalanche de informações desconexas que encontramos diariamente, e tornamo-nos tão bons em completar as coisas de forma a obter um quadro razoável a partir de dados incoerentes que às vezes encontramos sentido aonde ele simplesmente não existe.

Freqüentemente preenchemos as “lacunas” (coisas que não compreendemos) e inventamos uma imagem coerente do que ouvimos e vemos embora um exame cuidadoso das evidências pudesse revelar que a informação que está diante de nós é vaga, confusa, obscura, inconsistente, ou mesmo ininteligível.

Para que os nossos queridos leitores entendam melhor; seria em termos comparativos; como o que acontece com o sedevacantismo, que muitas vezes falam sobre tantas questões desconexas e ambíguas em uma rápida sucessão; que dão à impressão de que querem realmente confundir as pessoas. De fato confundem; daí o cérebro se apressa em corrigir, buscando sentido aonde ele simplesmente não existe. Não será necessário explicar nada a pessoa, uma vez que esta irá, voluntariamente ou não, fazer todas as associações e validações subjetivas necessárias. Simplificando: Ela irá acreditar naquilo que quiser acreditar e ponto final...

David Marks (grande xará meu) e Richard Kamman argumentam que; uma vez que seja encontrada uma posição ou expectativa, especialmente alguma que resolva incertezas desconfortáveis, isso predispõe o observador a notar novas informações que confirmem a crença, e a ignorar todas as evidências em contrário. Esse mecanismo “auto-perpetuante” consolida o erro original e cria uma confiança exagerada, na qual os argumentos dos opositores são vistos como fragmentados demais para desfazer a posição adotada. Frequentemente, tudo o que for contrário à posição alimentada, será visto como uma forma de ameaça; nalguns casos despertando até mesmo a violência.( Por isso o sedevacantista de Anápolis me mandou para aquele lugar). Compreendem?
Pedir a um sedevacantista que explique as bases racionais de sua posição é algo delicado e às vezes até perigoso. A verdade soará como uma forma de agressão a ser combatida. A pessoa se sente “confortável” naquela fé; e não exitará em combater tudo o que ameaçar sua “zona de conforto”.

Barry Beyerstein fala ainda sobre à “Predisposição para a confirmação”, dos seres humanos: A “Predisposição para a confirmação” refere-se a um tipo de pensamento seletivo em que tendemos a notar e ver apenas o que confirma as nossas crenças e a ignorar ou diminuir o que a contradiz. Por exemplo, se acreditamos firmemente que, “A Sé de Roma está vacante” reparamos somente na prática os que vivem como se assim fosse; mas não registramos os mesmos dados com relação aos católicos que amam a Tradição na hermenêutica da continuidade. A tendência com isto ao longo do tempo é reforçar a posição numa falsa relação entre o sedevacantismo e a doutrina católica.

Esta tendência dá mais atenção e peso a dados que suportem os nossos preconceitos e crenças do que aos dados contrários. Se as nossas crenças estão firmemente estabelecidas sobre bases sólidas; resistentes a qualquer tipo de questionamento, esta tendência não é grave; agora, se nos tornamos cegos às provas que refutam as hipóteses, atravessamos a linha divisória entre a razão e a irracionalidade.

Numerosos estudos demonstraram que as pessoas tendem a dar valor excessivo as informações confirmatórias - que defendem suas posições. Thomas Gilovich especula que a mais provável razão para a excessiva influência da informação confirmatória; seja porque ela é mais fácil de tratar cognitivamente.

O ativista da Sé vacante vai dizer: Não entendi bulhufas Neoconservador! Esse linguajar técnico é meio complicado caramba! Ok, vamos lá - Trocando em miúdos: Mesmo que a informação seja falsa, ela será mais facilmente “digerida/compreendida”, se assim ela estiver devidamente apoiando sua posição. Ainda não entendeu? Então entenderá agora:

- Sempre será mais fácil ver algo “a nosso favor” do que ver algo “contra nós” - Esse mecanismo também é conhecido como “auto-ilusão” e vamos abordar ele agora. 

Auto-ilusão
Bispo(?) ativista Pablo de Rojas

É o processo de enganarmos a nós mesmos de modo que aceitemos como verdadeiro ou válido o que comprovadamente é falso ou inválido. Numa linguagem mais simples, é uma maneira de justificarmos posições imaginárias.

Quando os Psicólogos discutem sobre esse assunto - a auto-ilusão - usualmente o foco é nas motivações inconscientes e nas intenções. De um modo geral; eles consideram a auto-ilusão uma coisa má, algo de que devemos nos proteger.

Para explicar aos nossos queridos leitores como funciona a auto-ilusão na cabeça de uma pessoa de um sedevacantista, devemos primeiramente levar em conta os desejos interesseiros, os preconceitos, a insegurança e outros fatores psicológicos (já vistos nesse artigo aqui) que, inconscientemente, afetam de um modo negativo a vontade de acreditar que uma pessoa possui. Um exemplo comum (para que todos compreendam melhor) é aquele em que encontramos uma pessoa defendendo uma mentira como se ela fosse a mais absoluta verdade, mesmo que todas as evidências apontem claramente o contrário (por acaso vocês conhecem alguma pessoa assim?).

A pessoa ilude-se porque deseja acreditar que sua alegação é verdadeira! Esse tipo de posição é considerada mais enganadora que a devida falta de habilidade em avaliar as provas corretamente. Ela consiste em um erro moral, uma espécie de desonestidade, algo irracional. Agora; não conseguir avaliar as provas é outra questão: Algumas pessoas simplesmente não são capazes de interpretar corretamente os dados obtidos através de sua percepção.

Contudo, é possível que a pessoa do exemplo anterior, acredite em algo porque conhece nos “mínimos detalhes”, e não conheça nada sobre os dados contrários. A pessoa pode não ser afetada por desejos inconscientes e raciocinar na base do que sabe sobre sua posição. A pessoa pode ter razões muito boas para confiar no que aprendeu e não confiar nas informações contrárias. Em resumo, esse tipo de “auto-ilusão aparente” pode ser explicado em termos puramente cognitivos sem nenhuma referência ou motivações inconscientes ou irracionais. Nesse caso, a auto-ilusão nem sempre surgirá de uma falha moral ou intelectual; ela poderá ser o resultado existencial inevitável de uma pessoa bàsicamente honesta e inteligente que tenha um conhecimento razoável sobre determinado assunto, mas que não tem quase nenhum conhecimento sobre os dados contrários; assim sendo, não teria razões suficientes para duvidar do que acredita...

Pode ser que um observador independente examine a situação e concorde que as provas indicam que a pessoa está mentindo, mas se assim for, nós ainda poderíamos dizer que a pessoa estava enganada, não auto-iludida. Consideramos então que a pessoa esta enganada; porém, se mesmo diante de observadores independentes, o sujeito insiste em alimentar sua posição; podemos assumir tranquilamente que ela não está apenas enganada, mas agindo de modo irracional, consequentemente alimentando sua auto-ilusão. Mas como poderemos ter certeza disso?

Thomas Gilovich descreve os detalhes de como avaliar a questão levantada - A auto-ilusão tem basicamente cinco traços distintos; acompanhem conosco:

1 - Erro de interpretação de dados aleatórios;

Ex: Dar três pulinhos para São longuinho. 

2 - Encontrar padrões onde eles não existem;

Ex: Enxergar figuras nas nuvens.

3 - Erro de interpretação de dados incompletos ou insignificantes;

Ex: Encontrar uma galinha morta no quintal e afirmar que foi o “chupa-cabras” que a matou.

4 - Dar atenção extra a dados que confirmam a hipótese, tirando conclusões sem esperar ou procurar dados que a negam;

Ex: Encontrar uma ferida no pescoço da galinha morta e deduzir que foram feitas pelas presas do “chupa-cabras”.

5 - Avaliar dados ambíguos (duplo sentido) ou inconsistentes, tendendo a aceitar os dados que o apóiam, rejeitando todos os outros dados.

Ex: Encontrar pelos na cerca de arame farpado e deduzir que são realmente do “chupa-cabras”.

Mas independente dos fatores mencionados acima; a auto-ilusão nem sempre será necessariamente uma fraqueza da vontade humana: Ela poderá ser em algumas ocasiões; uma questão de ignorância cognitiva, preguiça mental ou incompetência na avaliação das informações. De fato, a auto-ilusão poderá não ser sempre uma falha e em algumas ocasiões poderá ser até benéfica. Se fossemos brutalmente honestos e objetivos acerca das nossas capacidades e acerca da vida em geral, poderíamos ficar debilitantemente deprimidos. Às vezes a auto-ilusão fará com que a vida pareça menos dura diante dos nossos próprios olhos.

Mas então, como distinguir a forma prejudicial de auto-ilusão?


Simples: Quando a ilusão que alimentamos, passa a prejudicar nosso relacionamento com o mundo exterior. Conquanto tudo se restrinja a própria cabeça do individuo, nenhum mal sobrevirá, mas a partir do momento que as ilusões vão sendo gradual e insistentemente alimentadas; elas passam a ganhar “tamanho e força”; extrapolando o limite do imaginário e forçando a pessoa a acreditar que a realidade faz parte da fantasia. Quando isso acontece; a ilusão começa a fazer parte integrante da vida, prejudicando a convivência com outros seres humanos.

Veja o caso de Fernando (nome fictício), por exemplo: Após uma serie de conferências, leituras, ativismo ele aceitou o ritual de iniciação de uma determinada organização sedevacantista: Entrou. Foi nesta série de conferencias, que foi apresentada ao Sr. Fernando a fantástica cidade eterna governada por Pio XII...
Fernando mergulhou de cabeça nessas conferências e logo após já se sentia um feliz morador da imensa cidade eterna ao lado do seu Papa legítimo. Mas a ilusão tinha um preço: Fernando teria de se que afastar da Missa e dos sacramentos mesmo sendo na Forma Extraordinária celebrada por padres da "Roma modernista", pela infecção das heresias que os mesmos contém.

Antes de botar os pés naquelas ruas asfaltadas da pura Tradição; ele deveria cumprir uma série de exigências que incluíam trazer tradicionalistas e conservadores para o Sedevacantism. Ele ainda teria de ler e aprofundar todo o conteúdo da doutrina da vacância que seus guias indicassem; sob pena de se perder no caminho e acabar não chegando à tão cobiçada cidade eterna.

Até aqui tudo mais ou menos se restringia à imaginação de Fernando; porém à medida que ele foi assimilando mais e mais conteúdos dos seus gurus, a coisa começou a extrapolar os limites da racionalidade humana: Fernando queria levar de qualquer jeito todo mundo para o Sedevacantismo; nem que fosse à marra e para isso não media mais as conseqüências. Tornou-se um ditador religioso; um sociopata, um membro fanático do grupo dos MSRE – Movimento dos sem Roma Eterna. Sua personalidade entrou em colapso, sua família foi despedaçada; o mundo em que Fernando vivia foi engolido pela sua ilusão – sua doce e terna auto-ilusão...

Abre aspas:

Existe nesse exato momento, ainda que em números miseráveis, alguns “Fernandos” pelo mundo afora. Todos sendo esmagados pelas próprias ilusões que alimentam. O fato trágico reside em que nenhum deles conseguirá enxergar isso; apenas as pessoas ao redor poderão contemplar a lenta e gradativa destruição da personalidade do indivíduo...

Fecha aspas.

Aprofundando um pouco mais o tema

Podemos definir uma ilusão como sendo um engano dos sentidos; uma falsa idéia ou uma falsa posição. Entretanto o rótulo de falso deverá necessariamente estar vinculado a um conhecimento prévio do que seria verdadeiro.

Instintivamente, consideramos algo verdadeiro ou falso baseados no nosso conhecimento ou na confiança que temos no conhecimento dos outros. Mas essa confiança pode ser “traída”, pois nosso conhecimento depende dos nossos sentidos, que podem estar - podem ser - enganados. "- Mas Neoconservador; você começou a complicar tudo de novo e não entendi bulhufas do que acabou de escrever." Certo; vamos exemplificar: Se os prezados leitores tivessem nascido alguns séculos atrás, estariam andando tranquilamente sobre uma Terra plana, porque assim iria “parecer” pra vocês, e porque era assim que “parecia” a todos os habitantes do planeta. Entenderam agora? Os sentidos humanos às vezes nos traem e temos a tendência de acreditar nas coisas simplesmente porque a maioria acredita.

Poucas pessoas se dão ao trabalho de estudar a origem de suas próprias posições e convicções. De um modo geral, os seres humanos gostam de continuar a crer no que estão acostumados a aceitar como verdade. Por isso, a maior parte de seu raciocínio consiste em descobrir argumentos, que apóiem suas posições; rejeitando todo o resto...

Entretanto, para determinadas coisas nesta vida, podemos - e devemos – confiar plenamente em nossos sentidos, aliados ao conhecimento que temos de nossa realidade. Por exemplo: Se alguém mostrar aos nossos queridos leitores uma caixa de fósforos e disser que dentro dela há vários palitos, totalizando um numero de 50 (cinquenta palitos), vocês poderão até duvidar, mas não poderão descartar a hipótese rotulando-a como falsa. Em contrapartida, se ao invés de cinqüenta alguém afirmasse que na caixa de fósforos tem cinqüenta mil palitos... Pelo conhecimento que os amigos leitores têm sobre as dimensões de uma caixa de fósforos e seus respectivos palitos seguramente poderiam concluir que, ali naquela caixinha, não poderia caber 50 mil palitos; portanto a alegação seria falsa.

Um simples raciocínio; (nesse caso, completamente imune a qualquer falha dos sentidos) bastou para que vocês identificassem a alegação “falsa”, mesmo sem precisar conhecer a “verdade”, ou seja: Quantos palitos havia realmente na caixa de fósforos, ou até, se havia mesmo alguma coisa dentro dela. Portanto, para distinguirmos uma ilusão de algo real, nem sempre necessitaremos ter conhecimento profundo de um determinado assunto, mas sim, apenas raciocinar sobre as possibilidades e probabilidades daquilo ser verdade ou simplesmente uma mentira.

Foi por causa desse fenômeno natural, desse instinto inerente a nós, seres racionais; que o sedevacantismo blindou sua existência contra as investidas da razão. Alguns dis adeptos foram mais adiante: Aprenderam a blindar suas ilusões da ação reveladora do raciocínio e hoje empesteiam o mundo com ensinamentos que não fazem o menor sentido
Thuc, onde tudo começou.

Uma coisa é ver o mundo sendo soterrado por ilusões que ajudam as pessoas e extraem delas o que elas têm de melhor. Outra completamente diferente é ver seres humanos – até então animais racionais – tendo suas personalidades esmagadas pelas próprias ilusões que alimentam. Não bastando isso; famílias despedaçadas; o convívio social gravemente abalado; outra perspectiva ainda mais destruidora das ilusões: A segregação que causam. As ilusões sedevacantistas envenenam a personalidade das pessoas a ponto de fazê-las acreditar que são melhores – superiores - as demais, causando inimizades, desunião, desafetos...

Vão mais além: Transformam as pessoas em autômatos; incapazes de conceberem a própria realidade sem a presença da atmosfera ativista e o que é pior: Além de transformarem seus adeptos em “dependentes químicos do ativismo"; os transformam em verdadeiras “ovelhas kamikazes” dispostas a matar ou morrer em nome de sua doce e viciante ilusão...
Um convite à reflexão

Independente do ser humano ter a tendência de fugir da verdade apenas para alimentar suas ilusões (Efeito Forer); todos devem se proteger das ilusões destruidoras. Como já vimos alguns parágrafos atrás, não é necessário ser “expert” em determinadas coisas, para compreendermos que são falsas, e ainda por cima: Extremamente prejudiciais.

Não devemos permitir que nossa posição destruam nossa personalidade e tudo aquilo que nos faz especiais e únicos no universo: 

Lembre sempre; não existem dois de você.  

Fulano é melhor porque é lefebvrista” 

Beltrano é melhor porque é sedevacantista

Não; todos são iguais. Apenas alimentam ilusões que fazem parecer diferentes.

Como tem sido seu convívio social? Seu convívio familiar? E seu relacionamento com você mesmo? Tem sido um terno exemplo de humildade; exalando a doce fragrância duma existência perfeitamente em harmonia com Deus, com a natureza, com a sociedade e com o mundo num todo?

Ou tem sido o reflexo duma mente doente, abarrotada de ilusões que produzem resultados profundamente malignos em sua raiz? Estaríamos falando agora com os “Fernandos” da vida, que como no exemplo citado; não se importam em sacrificar nem mesmo os sentimentos alheios; conquanto isto alimente suas viciantes ilusões?

Se sim; existe uma maneira de libertar-se desse estado maligno de “catalepsia”:

Abra a caixa de fósforos e conte quantos palitos tem nela!  
   
Sedevacantista, não se contenteem acreditar naquilo que seus gurus falam: Olha para si, veja o qual definhado espiritualmente está por conta dessa posição diabólica que mais faz mal para as almas do que o modernismo que combatemos.

Avalie; questione, confira... 

Sempre tendo em mente que:

- Alegações extraordinárias exigem  evidencias extraordinárias...

- A verdade não teme o questionamento...

- A verdade resiste a qualquer tipo de investigação...

Não se entregue ao mero acaso - ao sabor dos ventos que a ilusão produz para arremessá-lo nas profundezas do oceano das idéias... Investigue... Novamente: Abra a caixa de fósforos e conte você mesmo os palitos...   


E que São Pio X vos conceda o bendito colírio para que enxerguem além das meras proposições.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino