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A Supremacia dos sedevancantistas sobre Padre Pio

E vamos dar sequência sobre o mundo fantástico dos ativistas e suas piruetas teológicas.

Algum de vocês, caro leitores, já leram por exemplo a argumentação protestante sobre a história da Igreja? Eles fazem de tudo para dar a entender que a Patrística era contra a Trindade, Primado Petrino, Sucessão Apostólica, Devoção Mariana, etc. A mesma coisa acontece com os ativistas, a única argumentação deles é caçando desde o século I frases e escritos de santos contra hereges e fazem delas "bulas infalíveis" dando a entender que sempre na história existiram sedevacantistas como hoje que lutam pela *verdade* e contra o Herege Mor usurpador da Cátedra de Pedro.


Descontextualizam dados da época, situações, heresias específicas, tudo. Basta algum Santo ter dito "Hereges são desprezíveis" que para eles a frase se referia à algum Anti-Papa e com isso se fortalecem na sua *batalha*, afinal de contas são soldados do exército de Macabeus, os eleitos, os escolhidos, o calcanhar da Virgem, os únicos encontrados com fé na vinda do Filho do Homem, etc.

Até "sedevacantinizar" pessoas falecidas eles fazem. Tem orgulho de citar que Dom Antonio de Castro Mayer morreu sedevacantista sendo que este nunca fez uma declaração pública sobre o fato e o mais interessante, foi a entrevista dele em 1990 , no Jornal O Globo sobre a história dos tradicionalistas de Campos. Nessa mesma entrevista, diz estar satisfeito pela atitude de João Paulo II pelo indulto dado aos padres de poderem celebrar a Missa tradicional. Ele também diz que se entristece pela excomunhão, que mesmo sendo *inválida*, foi um fator que favoreceu o episcopado progressista. Mas que tinha se tornado sedevacantista? Onde?

Eles atribuem a "graça" pelo testemunho infalível de seu guru português, o único a manter a confiança do bispo perante este segredo. Da mesma forma como o guru ganhou a confiança da Irmã Lúcia cujo possui uma carta dela de próprio punho afirmando que a Rússia não foi consagrada. Eis o pilar da fé dos ativistas.

Voltando aos Santos, suas frases, para os ativistas, tem o mesmo peso das encíclicas papais e fazem de suas frases Magistério da Igreja, dotando todos de hiper infabilidade e confiando-lhes obediência cega.

Nesse caso, veremos então um pouco da biografia do maior Santo franciscano de todos os tempos, que também é estimado e alvo de devoção pelos ativistas da Sé Vacante: Padre Pio de Pietrelcina.
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Em 12 de setembro de 1968, já pressentindo sua morte, Padre Pio escreveu uma carta ao Papa Paulo VI, oferecendo seu apoio, suas orações e seus sofrimentos diários:

"Eu bem sei que o vosso coração sofre muito neste dias pela sorte da Igreja, relativamente à paz no mundo e devido às inúmeras necessidades dos povos, mas sobretudo porque mesmo alguns católicos faltam à obediência às sábias instruções que dais, com o axilío do Espírito Santo e em nome de Deus.

Ofereço-vos as minhas orações e sofrimentos de todos os das, atenção insignificante mas sincera do último dos vossos filhos, a fim de que o Senhor vos reconforte pela sua graça, para prosseguir o caminho reto e peneso da defesa da verdade eterna, que nunca muda num mundo em evolução.

Igualmente, em nome de meus filhos espirituais e dos Grupos de Oração, vos agradeço pela vossa tomada de posição clara e decisiva, especialmente na vossa última carta, Humanae Vitae, e reafirmo minha fé e minha obediência incondicional a vossas iluminadas diretrizes.

Digne-se o Senhor conceder o triunfo à verdade e a paz à sua Igreja, a tranquilidade aos povos da terra, saúde e prosperidade a Vossa Santidade, a fim de que, uma vez dissipadas essas nuvens passageiras, o Reino de Deus triunfe nos corações, graças à vossa obra apostólica de supremo Pastor de toda a cristandade.

Prostado a vossos pés, peço-vos que me abençoeis, bom como aos meus confrades, filhos espirituais, Grupos de Oração, aos meus doentes, todas as inciativas do bem que em nome de Jesus nos esforçamos para realizar.
"
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O Seminarista Karol indo visitar Pe Pio pela primeira vez, foi recebido com muita estima e após sua saída comentou com um dos seus irmãos capuchinhos: "Esse seminarista é grande, ele será Papa."
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Na carta de João Paulo II a Pe. Pio ele recorre a oração do santo para receber de Deus verdadeiros milagres. Na verdade seu desejo é agradecer graças já recebida e fazer novos pedidos de intercessão.

Tradução

Roma, 14 de dezembro de 1963

Muito Reverendo Padre,

A vossa paternidade se recorda certamente que antigamente, alguma vez no passado me foi permitido recomendar a sua oração, casos particularmente dramáticos e dignos de atenção.

Irei, portanto, agradecer-lo vivamente também em nome dos interessados pela sua oração em favor de uma senhora, de um médico católico, doente de câncer, e do filho de um advogado de Cracóvia, gravemente doente desde nascido. Ambos estão graças a Deus bem.

Mi permita além disso, Padre muito reverendo, confiar a sua oração, uma senhora paralítica, desta arquidiocese.

Nesse mesmo tempo me permita recomendar as urgentes dificuldades pastorais que a minha pobre ação encontra na presente situação.

Aproveito essa ocasião para renovar os sensos de minha religiosa saudação, com o qual amo repetir

da paternidade vossa.

devotíssimo em Jesus Cristo.

+ Carol Wojtyla
Vicário Capitorale di Cracovia

Karol Wojtyla foi ordenado padre em 01/11/1946 e, em seguida, foi enviado a Roma para doutorar-se em Teologia. Na semana da Páscoa de 1948, nos primeiros dias de abril (com ano e meio de padre e quase 28 de idade), ele foi a San Giovanni Rotondo “para conhecer o Padre Pio, falar com ele, assistir-lhe a Missa e, possivelmente, confessar-se com ele”. Daquele dia em diante ele se tornou um admirador, um verdadeiro fã do Padre Pio.

Um segundo contato com o Padre Pio ainda vivo, desta vez por correspondência, aconteceu em 1962, quando Karol já era Bispo, Vigário Capitular da Diocese de Cracóvia, Polonia. Achando-se em Roma para a primeira fase do Concílio Vaticano II, foi informado de que a Dra. (médica psiquiatra) Wanda Poltawska, que trabalhara na pastoral universitária com ele em Cracóvia, estava desenganada em razão dum câncer generalizado nos intestinos. O marido dela, aflito, comunicou ao Bispo em Roma a situação desesperadora. Este não teve dúvidas em dirigir-se imediatamente ao Padre Pio por carta: “Venerável Padre, peço-te uma prece por uma mãe de 4 filhas, com 40 anos de idade, de Cracóvia, agora em perigo gravíssimo de saúde e da própria vida, em razão dum câncer: para que Deus pela intercessão da Beatíssima Virgem mostre sua misericórdia a ela e à sua família. Gratíssimo em Cristo. + Carlos Wojtyla”, isso em 17/11/1962.

A carta foi levada em mãos pelo Comendador Ângelo Battisti, que a entregou ao destinatário no dia seguinte, 18 de novembro. Padre Pio pediu ao próprio emissário: “Abre e lê!” – Ao tomar conhecimento do teor da carta, encarregou o portador de “garantir ao interessado que rezaria muito por esta mãe”, acrescentando também: “A este (Wojtyla) não se pode dizer não”. O Comendador, curioso, perguntou-lhe: “Porquê?” – Padre Pio sussurrou algumas palavras, ininteligíveis.

No dia 21 daquele novembro, em Cracóvia, antes da intervenção cirúrgica, a Dra. Wanda acordou sem dores. Foi submetida a radiografias de rotina antes de entrar na sala de cirurgia. O oncólogo, surpreendido, aproximou-se dela dizendo “que não havia mais necessidade de intervenção”. Ela não sabia dos trâmites do marido com Dom Wojtyla e deste com Padre Pio; pensou que se tratara apenas duma infeção e não dum câncer generalizado.

O marido de Wanda, porém, que havia pedido ao Bispo orações, comunicou ao mesmo a cura instantânea. E Dom Wojtyla, convencido de que se tratava dum milagre, no dia 28 de novembro, escreveu outra carta ao Padre Pio nos seguintes termos: “Venerável Padre, a senhora de Cracóvia, mãe de 4 filhas, no dia 21 de novembro antes da intervenção cirúrgica instantaneamente readquiriu a saúde graças a Deus e também a ti. Venerável Padre, apresento o meu maior agradecimento em nome dela, do seu marido e de toda a família. + Carlos Wojtyla, Vigário Capitular de Cracóvia”

O mesmo Comendador levou-a ao Padre Pio entregando-lha no dia 1º de dezembro. Padre Pio desta vez perguntou quem era o remetente. O portador não sabia (pois nas duas vezes recebera as cartas por intermédio dum terceiro), mas desconfiava que fosse o mesmo da carta anterior. Padre Pio ordenou: “Abre e lê!” Acabada a leitura, Padre Pio comentou: “Deus seja agradecido!” – Na mesinha encontrava-se ainda a primeira carta. Padre Pio entregou-a ao Comendador, dizendo: “Guarda estas duas cartas”. Battisti na ocasião não compreendeu o porquê disso; veio a compreendê-lo quando Wojtyla foi eleito Papa.

Padre Pio, Crucificado por amor. Silvana Cobucci Leite, 2006, Ed Loyola.
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Agora a pergunta, mediante o caráter sacro do Pe Pio, das virtudes e dons que ele recebeu de fazer milagres e prever o futuro, não saberia ele que Paulo VI e o Beato João Paulo II seriam na verdade Anti-Papas?

O que os sedevacantistas vão dizer a seu favor? Que Padre Pio, em toda sua vida santa, errou?

Que argumento racional vão elaborar para sair desse labirinto?

Ainda que por exemplo eles digam, "Sim, Pe Pio errou, Santos podem errar, Santos não é Magistério nem gozam de infabilidade", então porque os Santos das frases que eles usam também não poderiam ter errado? ( Não que tenham, mas levanto a possibilidade pela discussão ) Por que aplicar infabilidade nas palavras de Santos que *favorecem o sedevacantismo* se eles mesmo, supondo a contra-argumentação ativista, podem errar, não são Magistério e não gozam de infabilidade?

Talvez ainda usem a carta na manga de uma suposta frase do Santo:

“O Concilio, por piedade, acabai com ele depressa!”

O interessante mencionar é que nas diversas biografias do Santo, todas elas passadas por revisão e aprovação de seus filhos espirituais, não consta esse frase, nem tão pouco que Padre Pio tenha sido contra o Concílio. E a história de que Padre Pio presentiu a *negatividade* da Missa Nova e já tinha pedido dispensa de celebrá-la também é nula pois ele faleceu em 1968 e o Novus Ordo foi promulgado em vigor para a Igreja Universal em 1970.

Ainda que argumentem que teve uma filha espiritual de Pe Pio, Katarina Tangari que apoiou os padres da FSSPX em Ecône até a sua morte, que ocorreu um ano aós as sagrações, ela não representava Padre Pio nem sua posição era do Santo.

Ainda que argumentem que a Revista Il Settimanale em 1975 publicou um artigo em que um TRADICIONALISTA redigiu e citou essa frase, a mesma revista era uma Vozes brasileira que até publicava textos de maçons.

Pois é caro leitores, mais uma vez os soldados de Macabeus enfiam os pés pelas mãos, e nem esperem alguma respostas deles, pois sempre quando são acuados nos argumentos eles FINGEM que não é com eles e continuam seguindo seu rumo como se nada tivesse acontecido, vibrando com seus textos invencíveis e irrefutáveis no mundo de Alice. Esse fenômeno já expliquei aqui.

 

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