.

A natureza do interrogatório da Confissão


Um Padre pode tomar um comportamento/atitude invasiva em uma confissão? Até onde ele pode avançar?

O sacerdote pode perguntar, mas, claro, há limites, para não haver abusos. A pessoa pode perfeitamente não responder.

O sacerdote pode perguntar a você os pecados que você possa ter cometido, porque às vezes fazemos um exame de consciência falho. É salutar isto, mas supondo - já que você deu o exemplo da sexualidade - alguém que vá confessar que perdeu a virgindade. O padre pode perguntar quantas vezes foi, se a outra pessoa era ou não casada para tipificar o pecado (se adultério ou fornicação) e se a pessoa está arrependida. São elementos suficientes para se fazer uma boa confissão. Passar disto é abuso. Perungtar como foi, se gostou, e outros detalhes mais é risco para o sacerdote se expor à própria concupiscência, além de a, como disse, abuso. A pessoa pode não responder e não pecar. Um padre que pergunta: "Você gostou? Foi bom?" o fiel pode perfeitamente responder: "padre, estou aqui porque estou arrependido". Não responderia àquela pergunta impertinente e o corrigiria com humildade.

Mas é sempre bom levar em conta que devemos já ter em mente os tipos de pecado para evitar perguntas descabidas. Como asssim? Retomando ao mesmo exemplo: a menina confessa que foi para a cama com um cara casado. "Padre, eu adulterei X vezes". Se for com um solteiro: "Padre, eu forniquei X vezes". Contar mais do que isto é desnecessário e ja é o suficiente para o padre não perguntar nada impertinente.

Agora se a pessoa não souber o nome do pecado, o padre pode, sim, perguntar se o penitente já fez tais práticas. Ao penitente compete entender que se o padre está avaliando frequência, tipo e gravidade do pecado, ele está certo, mas se o padre perguntar além disto, tem o direito de não responder.

Padres durante a confissão ouvem pecados, não necessariamente as angústias da alma. Isto pode ser feito num acompanhamento espiritual. Uma confissão bem feita pode ser satisfatória em menos de cinco minutos, por exemplo. Claro, antes é necessário o arrependimento e um bom exame de consciência. Tipificar os pecados é vital. Outro exemplo:

Uma pessoa que seja fofoqueira. Em vez de ela confessar: "Padre, tem uma vizinha minha que..." e contar a vida da mulher para o padre, ela diz: "Padre, eu difamei minha vizinha X vezes". Em vez de alguém dizer: "Padre, eu saí com minha namorada e um sujeito cantou ela. O tempo fechou, eu saí de mim...", falar: "Padre, eu senti ódio e acabei brigando uma vez."

Se um fiel quiser relatar alguma falta com detalhes, deve partir do próprio confessor?

O penitente revelar seu pecado em detalhes?

Não!

Imagine uma moça bonita contando detalhes de sua vida sexual ao padre. Tudo o que fez e deixou de fazer com o namorado. O padre pode pecar por pensamento. Agora veja a diferença de dizer: "padre, eu forniquei. X vezes."

Quando se peca por violar a castidade deve-se dizer também o número de vezes, se foi sozinho ou com outra pessoa, se foi em atos ou em pensamentos, pois essas circunstâncias mudam a gravidade do pecado.

Vamos supor que alguém peque contra a castidade. Ok. "Padre, eu pequei contra a castidade", seria sua confissão. Mas que tipo de pecado? Não se pode comparar alguém que viu pornografia na internet de forma voluntária (pecado mortal) com alguém que comete pecado de homossexualismo (pecado que clama ao céu - o pior de todos os pecados mortais). Um padre sensato passará penitências distintas a estas duas pessoas. Quanto maior a gravidade do pecado, maior deve ser sua penitência.

Cân. 988 § 1. O fiel tem a obrigação de confessar, quanto à espécie e ao número, todos os pecados graves de que tiver consciência após diligente exame, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelas chaves da Igreja, nem acusados em confissão individual.

A confissão deve ser um ato espontâneo e a exposição do fiel deve partir do mesmo, conforme sinta-se seguro ou inspirado a avançar ou aprofundar no diálogo com o Padre, certo?

Não necessariamente. a confissão não consultório psicológico para se contar segredos a alguém em quem se confia ou não. Omitir pecados em confissão só porque não se confia no padre, além de invalidar o sacramento, faz o penitente acrescer a si outro pecado: sacrilégio. Onde fica então a espontaneidade da confissão? Em ir ou não ir. Se for, conta-se tudo, sob pena de invalidade (+ sacrilégio). Se não for, permanece em pecado mortal.

Do contrário, onde fica a liberdade do penitente?

Em ir ou não ir. Ninguém é obrigado a confessar-se, bem como ninguém é obrigado a ir ao Céu, por mais que seja o que mais Deus queira. Se eu for contar meus pecados "conforme eu me sinta seguro", se eu não me sentir seguro ao contar tal pecado ao padre, irei ao inferno. Não, isto não é confissão. Na penitência não se pode ter receio.

Se o penitente quiser ir para o céu, deve fazer uma confissão bem feita, em vez de se preocupar com essas futilidades e ser humilde. Se o penitente não quiser se expor, que não peque!!! O penitente tem livre arbítrio? Tem! De receber o prêmio ou a desgraça eterna. Tem, sim!

Nem todos os fiéis sabem fazer um exame de consciência decente. Se o padre percebe que o fiel não sabe nem se o que ele fez é pecado. Por exemplo: ficar. Tem gente que não sabe que é pecado. Se o padre perguntar, estará "avançando o sinal"? Ai, meu juízo! Eu já disse: o padre pode perguntar para auxiliar o penitente. Se passar disto, é abuso e o fiel pode não responder. Terá todo o direito de corrigir o padre, inclusive, com humildade. Se o abuso for grave, relatar ao bispo.

Um manual orientando o penitente no ato da confissão, algo simples, similar a um compêndio ou passo-a-passo q esteja de acordo com o Magistério: http://old.fatima.org/port/examconpt.htm
 

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

 

A natureza do interrogatório da Confissão David A. Conceição 10/2011 Tradição em Foco com Roma.




CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:


tradicaoemfococomroma@hotmail.com

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino