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O conceito de modernismo/progressismo


Existe uma identificação negativa em todos os erros do modernismo, que é a negação dos pilares da fé católica, mas não abarcam todos um mesmo significado. Poderíamos também encontrar para eles uma origem comum, que seria o racionalismo, a filosofia mundana, o agnosticismo, com todos os seus maus frutos desde a Idade Média, desde Rogério Bacon, Guilherme de Occam, até o relativismo cultural dos nossos dias.

Uma descrição histórica de "modernismo" de Rudolf Fischer-Wollpert:

"Sob a palavra modernismo se entende, em teologia, uma corrente que se empenhava em promover melhor entendimento da Bíblia e da Igreja. A polêmica sobre o modernismo foi desenvolvida pelo presbítero francês Alfred Loisy (1857-1940), o qual, estimulado pela crítica bíblica protestante da Alemanha, passara a empregar os princípios do método histórico para o estudo das Sagradas Escrituras e das fontes não-cristãs.

Declarou que os dogmas da Igreja não são "verdades caídas do céu", sendo passíveis de desenvolvimento correspondente à compreensão de cada época. Posulava por isso autonomia da ciência relativamente ao magistério eclesiástico.

Em 1903 os escritos de Loisy foram colocados no índex dos livros proibidos. Loisy submeteu-se à decisão. Mas quando Pio X, na enciclíca "Pascendi", em setembro de 1907, condenou solenemente os ensinamentos do modernismo, recusou-se Loisy à submissão exigida por Roma.

Em razão disso foi ele excomungado, isto é, excluído da comunhão eclesial.Em suas memórias, surgidas em 1930, declarou Loisy que há muitíssimos anos já tomara posição desvinculada de qualquer fé positiva, não sendo, portanto, fruto de estudos realizados em seus últimos anos de vida. Tal opinião, contudo, foi contestada por conhecedores de seus escritos.

- Por um lado oferecia Loisy vigorosos estímulos intelectuais ao desenvolvimento das ciências teológicas. Por outro lado, no entanto, receava-se o perigo de um desmonoramento interno do caráter sobrenatural da fé, substituindo-se a experiência interior por uma fé fundada em elementos de certeza externa. Temia-se, outrossim, um esvaziamento dos valores da revelação e da tradição. Em aditamento à encíclica aciam referida foi determinado, em 1910, o juramento antimodernista, que todos os sacerdotes deviam prestar antes da ordenação e sempre que assumissem um novo encargo eclesiástico.

Nele se faz menção expressa das verdades da fé católica frente ao modernismo. Em 1968 foi suprimido o juramento antimodernista na forma até então usada."

O modernismo é uma heresia que, a partir de refenciais criados pelo idealismo do século XIX, diz que o dogma evolui.

Dogma é uma verdade revelada por Deus e proposta a nossa fé pela Igreja. Logo, será preciso distinguir, num dogma, duas coisas: a verdade na sua essência, e a fórmula que a expõe, isto é, o fundo e a forma. É bem de ver que a união entre as duas coisas não será absolutamente rigorosa.Todo o mundo admite que a mesma verdade pode ser apresentada de vários modos. Todavia, é claro também que essas divergências de fórmula não podem ser tais que acarretem alteração de sentido.

1) Erro modernista – Segundo os modernistas (simbolistas e pragmatistas) o dogma, como ARTIGO DE FÉ, não somente é suscetível de variação, de desenvolvimento na sua fórmula, mas até de modificação quanto ao sentido que se lhe deve dar. A escola simbolista (Loisy, Tyrrel), ensina que os dogmas não passam de símbolos, de fórmulas destinadas a externar o sentimento religioso que está em nós. Ora, o sentimento religioso é coisa subjetiva, peculiar a cada indivíduo, e por conseqüência, coisa sujeita a mil transformações. Donde resulta que as fórmulas exprimindo tais sentimentos, têm de variar de acordo.

Pela escola pragmatista (W. James, F. Schiller, Le Roy G. Papini), consideram-se os dogmas como meras recitas práticas, como normas de proceder, cujo fim exclusivo é influir na vida do homem, para ele conseguir a salvação eterna. Não importará nada, pois, terem eles ou não algum valor de verdade, conquanto apresentem valor de vida e orientem o fiel para os caminhos do bem e do céu.

2) Doutrina católica - Para se entender bem a doutrina da Igreja, é preciso considerar as duas acepções da palavra dogma:

A. Se considerarmos o dogma como ARTIGO DE FÉ, condensa-se o endino da Igreja nos dois pontos a seguir:

I) A fórmula de um dogma poderá sofrer alterações. Desde que as fórmulas possuem apenas perfeição relativa, assiste à Igreja o direito de precisar, de explanar, de modificar os termos para melhorar a exposição e derramar, em torno da verdade, maiores luzes. Logo, não é imutável a fórmula dogmática, nem estereotipada: admite progressos.

II) Mas se bem que variável quanto à fórmula, não pode o dogma mudar no sentido; a sua substância permanece sempre a mesma. O concílio do Vaticano de 1870 decretou com efeito, (Const. de Fide, cap. II) “que é mister conservar perpetuamente o sentido que nossa mãe, a Santa Igreja, proclamou, e que não é lícito nunca, nem a pretexto de esclarecimentos mais profundos, desviar-se deste sentido”.

Neste segundo ponto, acha-se a tese modernista, simbolista ou pragmatista, em discordância flagrante com a doutrina da Igreja. Foi oportunamente condenada pela encíclica Pascendi e pelo decreto Lamentabili (1907). Aliás, é disparate, aberração, pretender que o dogma não passa de símbolo, de mera “receita prática”, nada importando qualquer sentido que se lhe ligue. Vejamos o dogma da Eucaristia. Não influirá ele, de modo totalmente diverso na vida religiosa, conforme acreditamos que a hóstia é símbolo de Nosso Senhor, ou cremos que contém verdadeiramente o próprio Cristo?

B. Se considerarmos o dogma como CONJUNTO DAS VERDADES DE FÉ, compendia-se igualmente o ensino da Igreja em dois pontos:

I) Nenhum acréscimo se pode fazer ao dogma por nova revelação. A Igreja tem a Revelação por terminada (com a morte do último apóstolo) e as provas que aduz são:

1- esta declaração de Nosso Senhor: “Tudo o que ouvi de meu Pai, eu vo-lo dei a conhecer” ;

2- esta outra palavra, a respeito da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos: “Depois de ter vindo o Espírito de verdade, guiar-vos-á em toda a verdade”. Destes textos, infere-se que os Apóstolos receberam o depósito completo da Revelação. Revelações posteriores terá havido, para instrução e santificação de algumas almas (as chamdas Revelações privadas), mas não pertencem à Revelação cristã geral (também denominada Revelação pública).

Aprovando-as, não tenciona a Igreja assimilar aos dogmas tais revelações. Quer afirmar simplesmente nada haver que neles se oponha à fé católica, à moral ou à disciplina cristã.

II) Mas, se é imutável a Revelação, não o é o conhecimento que possamos ter dela. Este pode, pelo contrario, progredir. Jesus Cristo confiou à sua Igreja a missão de ensinar aos fiéis de todos os tempos as verdades reveladas e defende-las contra os ataques dos adversários. Ora, essa missão inclui forçosamente certos desenvolvimentos na exposição da doutrina. Dogmas novos não são, portanto, verdades recentemente reveladas, senão recentemente propostas, pela Igreja à nossa crença.

Entre outras, a Imaculada Conceição e a Infalibilidade pontifical, que foram propostas no séc. XIX, como artigos de fé, já estavam contidas, latentes, na Escritura Sagrada e na Tradição. A Igreja, ao definir estes dois dogmas, limitou-se a tira-los do seio da Revelação. – Em resumo, quando, no decorrer dos séculos, vieram novos dogmas inscrever-se nos símbolos de fé, a Igreja sempre os tirou de uma dupla fonte: a Escritura Sagrada e a Tradição, onde já se encontravam quer explícita, quer implicitamente.

Progressismo

É uma palavra que se aplica aos referenciais e às ações dos novos-teólogos latino-americanos. Aqui a nova teologia se desprendeu da sua origem modernista (semelhante ao chamado liberalismo teológico dos proststantes) e se mesclou com outros elementos, como o marxismo (isso foi possível devido a origem desses dois erros: o idealismo). A palavra também foi adotada para se fazer uma falsa contraposição entre progresso e tradição (o que também é comum no nosso sistema de ensino).

 

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