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Palavra do bispo: Lázaro, vem para fora...


Dom Antonio Carlos Rossi Keller Bispo de Frederico Westphalen (RS) Bispo da Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana Igreja e respondendo ao apelo do Santo Padre, o Papa Bento XVI, presente nas redes sociais, para anunciar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

"Em tempos de materialismo e de laicismo galopantes não é difícil encontrar sinais de morte à nossa volta. Crise social, crise familiar, crise política são expressões que dizem que este mundo precisa de salvação ou de novos rumos.

Há uma humanidade ferida, que grita a sua dor e exprime as suas dúvidas quanto a um futuro promissor.

Há Lázaros «mortos há três dias», atados de pés e mãos, irmãos nossos caídos na beira da estrada da vida, marginalizados, entregues a si mesmos, incapazes de se reencontrarem ou de, por si mesmos, reconstruírem as suas vidas.

Há homens e mulheres que choram a morte, a precisarem de quem lhes diga que o sonho ainda é possível e que Deus não os esqueceu.

Há jovens com a vida estragada muito cedo, a tentarem «remendos» e a aprenderem à custa própria novos equilíbrios e a sonharem novos horizontes.

Já o Profeta Ezequiel anunciava a um povo «morto», caído por terra e sem esperança de remédio, que Deus os faria ressuscitar. Diante dos impossíveis dos homens, Deus agiria fazendo o que ao homem não era possível. E diante da ação de Deus, o povo reconheceria que Ele é o Senhor.

Diante da ação de Jesus, que ressuscita Lázaro morto e bem morto, todos reconheceriam que Ele é o Senhor.
Assim, diante do morto chamado à vida, há um anúncio de futuro, que reconstrói a humanidade ferida e desesperada, que acaba por reconhecer a ação que só o Senhor torna possível.

Maria, marcada pela dor da morte do seu irmão, chora aos pés de Jesus. Jesus faz silêncio e chora com ela. A compaixão, o sofrer com é a atitude mais sensata. Os discursos sobram em tais circunstâncias. Ela precisa apenas de uma presença, a de Jesus. Ela permite a Jesus mostrar toda a sua humanidade.

Mas a humanidade é impotente diante da morte consumada. Só Deus pode alterar aquela lógica seqüencial de vida tornada morte e morte que se perpetua para sempre.

Jesus, homem e Deus, o divino no humano, realiza aquilo que o humano deseja, mas não é capaz: gerar da morte a vida, fazer saltar vida dos túmulos de morte. A ressurreição de Lázaro torna-se, assim, um anúncio da ressurreição do próprio Jesus. E, ressuscitando Jesus de entre os mortos, tudo fica claro no projeto de Deus: a morte, expressão bíblica do pecado, é vencida para sempre. No combate entre a vida e a morte a vida saiu vencedora. Para sempre. Não mais haverá razões para um choro de desespero porque mesmo da morte Deus faz surgir a vida.

Há um campo vastíssimo onde os cristãos são chamados a atuar, o do nosso mundo carregado de tensões, desesperos e mortes. O cristão terá de ser sempre alguém que reserva a última palavra para o Deus que Jesus revelou, uma palavra que será sempre de vida. Urge, pois, encontrar as formas mais adequadas e credíveis para dizer essa palavra de vida e de esperança de que o mundo de hoje necessita. Ninguém se pode demitir de tal tarefa.

Concretizando, deveríamos cuidar seriamente a nossa postura, individual e comunitária, diante da morte, do acompanhamento dos moribundos, do apoio às famílias enlutadas, crianças incluídas, e da celebração das exéquias cristãs. Em tudo deve imperar a verdade, a presença muitas vezes silenciosa mas não desesperada ou continuadora e justificadora de desespero, antes anunciadora de esperança. Há que voltar a cristianizar a própria morte religando-a à ressurreição de Cristo. Tal é a tarefa de cada cristão.

«Eu sou a ressurreição e a vida», eis o anúncio de que os homens de hoje têm necessidade."

Referência: http://acrkeller.blogspot.com/

 

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