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Respostas enlatadas: analisando o fenômeno.


Quando se fala em razão, em argumentação racional, em filosofia, vem logo à mente a idéia de uma tentativa de se encontrar explicações racionais para os fenômenos naturais, uma tentativa de se dar sentido à vida, em síntese, uma tentativa de se encontrar a Verdade.

É claro, nem sempre existe a concilicação da razão com a emoção quando a segunda fala mais alto e sufoca a primeira quando o
ego corre o risco de ser diminuído diante do reconhecimento do seu erro. Essa é a natureza do orgulho, tal sendo o princípo da queda de Satanás. A natureza humana não compreende que a correção visa melhoria, ascese, crescimento, edificação.

Tal exemplo é constatado por alguns leitores que se aborrecem quando observam que o conteúdo aqui lido desmontam suas posições na sólida argumentação teológica, filosófica e sociológica. Diante da falta de respostas que dê sustento à crença que professam logo apelam para o que chamamos de "respostas enlatadas".

Um lefebvrista, no conforto do anonimato, enlatou uma resposta confirmando sua crença mas sem desmontar o conteúdo do argumentação lida nesse post aqui

"Sou católico não tão praticante, mas pelo que andei lendo sobre o assunto, acredito que já passou da hora de os católicos pararem com essa história de "religião verdadeira". O papa tem demonstrado muito bem que isso é assunto do passado. Todas as religiões são boas e levam a Deus e devo parabenizar o papa por dar um cara na tapa de tantos católicos que se acham donos absolutos da verdade e mostrar que todos tem coisas boas. Parabéns ao dono do blog, por ser um católico mais aberto e liberal que outros que andei lendo por ai.
"

Um sedevacantista, que sempre solta umas pérolas engraçadas quando se irrita mediante acuação, me fez lembrar aqueles índios primitivos que diante da perda de uma batalha com o tribo rival, recorre à Tupã clamando socorro contra os inimigos oponentes.

"
Existem ambientes que de tão promíscuos não devem ser frequentados, sobre pena de se perder a alma. E este endereço/lixo que você me aponta é um destes locais.

São Paulo diz que devemos falar uma ou duas vezes, e depois se não formos ouvidos batermos o pó de nossas sandálias, dando as costas aos infelizes que se recusam a ouvir a verdade católica.

E damos as costas sabendo, de acordo com São Paulo, que tais condenam-se a si mesmos.

A estes, que tanto defendem Bento, herege modernista que CRÊ E ENSINA tudo aquilo que a Igreja condenou infalivelmente na Pascendi, eu somente tenho para oferecer, além de minhas miseráveis orações, duas passagens bíblicas, que são estas:

Provérbios cap. 17, v. 15 - Quem declara justo o ímpio e perverso o justo, ambos desagradam ao Senhor .

Provérbios cap. 24, v. 24 - Ao que diz ao culpado: "Tu és inocente", os povos o amaldiçoarão, as nações o abominarão.

Ah, o dia do julgamento, o dia do julgamento! Tarda mas não falha... Neste dia o livro da vida de cada um será aberto, e seremos julgados pelo que nele estiver contido! "

Observem que ambos encontram conforto e esperança para suas crenças recorrendo aos mesmos tipos de resposta enlatadas para os diferentes questionamentos que colocam em xeque a sua posição.

Mas por qual motivo eles sempre repetem sucessivamente as mesmas palavras enlatadas?

O conteúdo de uma linguagem, aliado ao seu ritmo e entonação, ativa áreas do cérebro como o córtex pré-frontal, responsável pela cognição e pela memória, e o sistema límbico, no hipotálamo, onde se processam os sentimentos.

A partir desse
estímulo na massa cinzenta, ocorre uma série de reações pelo corpo, como a liberação de hormônios do estresse pela glândula suprarrenal ou, ao contrário, de substâncias como as chamadas endorfinas, que, no cérebro, induzem uma sensação de relaxamento e bem-estar.

É unâmide a posição entre os psiquiatras* de que o método da repetição de frases prontas, até mesmo as enlatadas, é colocado em prática por meio de diálogos ou até de meditação, quando a pessoa é orientada a se concentrar e repetir as frases como “coragem” para
superar sentimentos antagônicos.

Concluindo, nem é sempre por má-fé que esses leitores utilizam de respostas enlatadas para fugir do argumento que não conseguem encontrar, fatores sócio-neurológicos também implicam essa questão. Vamos ver qual será a próxima.

* Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo.

 

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