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Sedevacantismo, a religião que não leva a lugar algum.


Prezados e queridos leitores; neste artigo abordaremos de uma forma bem diferente, alguns tópicos já explanados no Blog sobre a religião sedevacantista; mas que nunca deixará de ser muito interessante. Pedimos a todos que leiam com calma e atenção; todas as diversas situações relacionadas e apresentadas durante o transcorrer do texto.

Nunca é pouco dizer: Nada contra os nossos amigos lefebvristas & adjacentes, certo? O objetivo é somente levar todos a uma profunda reflexão e análise. As situações que serão colocadas; são todas baseadas em acontecimentos reais, apenas os nomes são fictícios (para proteger os protagonistas, da retaliação por parte dos digníssimos “baluardes da Tradição”).

Situação nº. 1 - O que realmente vale: A ação ou a intenção?

Nessa primeira parte do artigo, a mensagem será transmitida na forma de uma simples conversa entre dois colegas. Na seqüência começaremos a problematizar as situações gradativamente.

O diálogo:

Dois amigos conversam no ponto de ônibus de frente a paróquia após o trabalho. Observando o padre, um deles levanta a seguinte questão:

- Você acha que um padre conciliar que move uma ação caritativa para distribuir cestas básicas para os mais necessitados do bairro, está fazendo o bem?

- Você sabe que eu não sou mais sedevacantista, mas tudo bem; vamos lá, pensando a meu modo antigo, como sedevacantista, eu diria que não, isso é profanação, pois nessa ação ele divulga, ainda de forma indireta, as heresias conciliares.

- Hum... É verdade; mas mesmo assim eu acho que ele está fazendo o bem, pois só a presença dele materializa o fato de haver um sacerdote do Altíssimo e nele subsiste a Igreja Católica, quando as familias receberem as cestas básicas, saberão que é da Igreja católica que estão recebendo, e esse fato me fez pensar muito no assunto.

- De fato, mas isso acontece, ou seja, ele faz o bem só se ele tiver a intenção de fazer o que Cristo ordenar ainda que esteja envolvido com a doutrina conciliar, e o resultado dessa ação é uma obra do bem.

- Então você acha que o que vale é o comportamento do padre, a sua intenção no pastoreio, e não especificamente o fato dele ser um padre conciliar?

- Sim, acredito que sim.

- Bom, mas se for assim, então quer dizer que ele faz duas coisas opostas ao mesmo tempo?

- Como assim?
- Ao distribuir as cestas básicas matando a fome de quem precisa ele faz as pessoas relacionadas terem fé na heresia conciliar, mas ao mesmo tempo, ele faz o bem. Ou seja, ele está ali, fazendo o bem e divulgando as heresias conciliares. Não é esquisito? Acho que isso não existe, ou é herege conciliar inimigo, ou é fazer o bem; além disso, essa questão da intenção não procede.

- Por quê?

- Como já foi dito, mesmo que ele se concentre somente na administração dos leigos da pastoral dos pobres em trabalho da distribuição das cestas para as familias sem os ajudar diretamente, ele faz o bem. E tem mais: lembra da sua dentista católica, melhor dizendo, conciliar que te atendeu na emergência na semana passada?

- Sim, eu estava com uma baita dor de dente, tomei uns analgésicos, mas não adiantou. Eu estava aflito... Mas o que isso tem haver?

- Muita coisa, lembra que você me falou que a dentista não estava muito disposta a lhe atender?

- É verdade, ela não me pareceu com boa vontade...

- Exatamente. Ela lhe atendeu meio a contra gosto, e cobrou caro, mas mesmo assim, te livrou da terrível dor de dente, não foi?

- Foi... Realmente custou caro... Mas foi um grande alívio.

- Ela não te fez o bem?

- Fez...

- Pois é; ela te fez o bem, mas sem a intenção filantrópica, sem compaixão, te fez o bem através do puro profissionalismo, por obrigação do cargo ou até com intenção mercenária, pois te cobrou caro; mas mesmo assim, fez o bem. E o caso do padre conciliar não me parece diferente; ele está fazendo o bem mesmo sem intenção, sem a intenção da ser a verdadeira Igreja catolica que subsiste apenas entre os sedevacantistas.

- Vendo as coisas assim, talvez, até pode ser... Mas como será que Deus julga um ato ser profanação ou fazer o bem? Pela ação ou pela intenção? Acho que existe uma diferença: Uma coisa é fazer o bem pelo puro senso de cumprimento do dever, pelo profissionalismo ou vocação; pela obrigação que o cargo lhe exige perante a sociedade; e outra coisa é fazer o bem como Nosso Senhor ensinou: por caridade, por compaixão e amor ao próximo. Uma coisa é fazer o bem só com a cabeça, outra coisa é fazer o bem com o coração. Veja essa questão: aquele leigo tradicionalista que não recebe os sacramentos do rito novo por objeção de consciência, que faltam a Missa dominical contra a vontade, sem qualquer ânimo na fé por não ter Missa Gregoriana na sua cidade, que está apenas “cumprindo o Estado de Necessidade, será que ele faz o bem, ou está apenas exercendo o seu ofício de fiel a Tradição? Entende o que digo?

- E tem outra coisa: imagine você, o seguinte caso: Um intrépido alpinista conciliar que é um caçador de recompensas, efetua um resgate de alguns alpinistas amadores sedevacantistas que desapareceram numa montanha após uma avalanche. Ele encara a sua missão como mais um trabalho da sua carreira. Faz somente pela recompensa, pelo dinheiro; ele não resgataria as sedevacantistas se não fosse bem pago. É um mercenário, é frio, não vê as coisas pelo lado da solidariedade, para ele, o resgate das vítimas é puro negócio. Então além de herege não cumpre com a caridade cristã que lhe é devida, não é?

- Concordo que salvar vidas por dinheiro é repugnante, mas tem uma coisa: Por dinheiro ou não, o fato é que vidas foram salvas, o bem foi feito.

- Mas como pode uma pessoa ser herege conciliar e ao mesmo tempo fazer o bem? Os hereges segundo Santo Agostinho são ajudantes do Diabo. Se o alpinista mercenário conciliar focalizou o resgate como negócio, então perante Deus, ele “secularizou”, pois simplesmente estava trabalhando. E o bem nunca deve ser feito por recompensa, ou fama e glória para si, ou por dinheiro.

- Vou lhe dar outro exemplo: um jardineiro conciliar ajuda seu amigo mais pobre, sedevacantista, a terminar o telhado da sua humilde casa. O jardineiro não entende nada de telhado, mas foi até a casa do amigo e o ajudou sem qualquer outra intenção, só pelo espírito de amizade, companheirismo e solidariedade; amor ao próximo. Agora me diga: entre o alpinista e o jardineiro conciliares, qual deles agradou mais a Deus?

- Acho que... Deixe-me pensar... A ação do alpinista conciliar foi aprovada, mas a intenção foi reprovada. E no caso do jardineiro conciliar, a ação foi reprovada, mas a intenção foi aprovada. Acho que Deus avalia cada coisa separada.

- Bela resposta, mas eu discordo, pois as ações são o resultado das intenções. São as intenções que movem as ações. A intenção é que vale. Você acha sinceramente, que Deus “ficaria revoltado” por um cidadão conciliar ajudar a dar um lar para outro sedevacantista mais necessitado? O que você acha que desagrada mais a Deus: Fazer o mal sem querer, sem intenção, ou fazer o bem com segundas intenções?

- Bom... Acho que entendo o que você quer dizer... Eu diria que, fazer o mal sem querer é um engano, é um ato de ignorância, não há a intenção maléfica. Já quem faz o bem com outras intenções, só pode ser más intenções, pois o faz por dinheiro, ou fama, ou por aproveitamento de uma situação... Acho que Deus fica triste com o segundo caso.

- Exatamente meu caro, eu também creio que Deus avalia mais pelas intenções dos nossos corações do que pelas nossas ações propriamente ditas. Leia e analise: Prov.16,2. 1º Cor 4,5, Mat. 5,27-28, 1º Tes. 2,4. e Santo Tomás Não se pode justificar uma ação má embora feita com boa intenção”. Os nossos propósitos é que são avaliados. E não se pode “heretizar” nada com boas intenções, com amor no coração. Não se pode “heretizar” fazendo o bem e nem fazer o bem “heretizado”. E esse é um dos vários motivos para que acreditemos firmemente que o herege pode fazer o bem mesmo na ignorância invencível.

Pois tudo o que você fizer com um bom propósito, para ajudar a família ou aos outros, nunca procurando prejudicar ninguém, ou com um trabalho justo e honesto, no qual o trabalhador o executa com o objetivo de dar um teto, alimentação, dignidade para si e para a família, não é uma boa ação? Ou será uma má ação? Trabalho honesto é um ato do maligno?

- É... Hum... Bom... Acho que...

- Quando você trabalha só por ganância pelo dinheiro, pelo poder; passa por cima de outros ou qualquer outra motivação má, acho que você peca em qualquer dia. E Jesus disse que o segundo maior e mais importante mandamento da lei é “amar ao próximo como a si mesmo”. Como pode o jardineiro conciliar com o espírito de amor ao próximo ser um herege desprezível, porque carregou umas telhas para ajudar seu amigo sedevacantista?

- Mas ele defende o Concílio Vaticano II...

- Sim, defende, e já que estamos falando de conciliares e sedevacantistas e de intenções, qual seria a intenção de João XXIII, ao mandar que o Concílio mantenha o depósito da doutrina cristã sendo guardada e de forma mais eficaz na luz da Tradição (discurso da abertura) se ele segundo os sedevacantistas era maçon?

- Acho que o jardineiro conciliar só não pecou contra a Tradição porque tinha boa intenção e não conhecia a “verdade”.

- Você não respondeu minha pergunta sobre a intenção de João XXIII... Mas deixa pra lá, senão ficaremos debatendo aqui a noite toda. Mas você falou em verdade... Que verdade? A verdade que o sedevacantismo prega? Dentro da interpretação de H.J, A.D?
- Eu acredito em H.J, A.D e no sedevacantismo.

- Tudo bem... Respeito sua opção. Mas não vamos alongar nosso debate por que pode virar discussão. Apenas analise uma coisa comigo - Você sabe que o sedevacantismo surgiu aqui entendido como "o papa não é papa", na França bem no início da década de 70? Um padre de nome Barbará, fez uma homilia em uma missa campal para milhares de fiéis dizendo que Paulo VI não era papa e elencando uma série de razões com as quais procurava justificar as suas declarações. O recente Novus Ordus de Paulo VI, pouquíssimo questionado no Brasil, mas odiado por um enorme percentual de católicos na França, não lhe angariava simpatias e pessoas começaram a se perguntar se Paulo VI seria mesmo papa. Uma delas foi o Abbé de Nantes, que não era abade de lugar nenhum, mas simples sacerdote diocesano. Abbé em francês quer dizer sacerdote. Esse inquieto sacerdote montou um enorme processo canônico, de pouco sabor jurídico mas impressionante pelo conteúdo, acusando Giovanni Battista Montini ( Paulo VI) de heresia. E remeteu o processo para a Rota Romana para ser julgado por Paulo VI, autoridade competente para tal. A resposta que obteve foi uma suspensão "a divinis" tendo sido proibido de atuar como sacerdote. Mas muitos vieram em sua defesa. Dois homens da Igreja se interessaram por ele. Um foi o Arcebispo de Dakar, Assistente do Sólio (Trono) Pontifício, ex- superior dos Padres do Santo Espírito, Monsenhor Marcel Lefebvre, amigo do Cardeal Ottaviani, então à testa do Santo Ofício, e que criticara fortemente a Missa de Paulo VI. O outro foi um bispo mais modesto. Fora Vigário Geral da maior Arquidiocese do mundo, São Paulo, mas considerado intransigente fora transferido para uma pequena paróquia num subúrbio de São Paulo. E foi na pequena paróquia de São José que o padre Antônio de Castro Mayer soube que o Papa Pio XII, de saudosa memória, o alçara a Bispo Diocesano de Campos dos Goytacazes, aqui no estado do Rio. Depois, enfim o Concílio, e os dois prelados ficaram amigos, ou melhor irmãos.

Por volta de 1960, um ex-deputado da LEC (Liga Eleitoral Católica), por São Paulo, o advogado e professor Plínio Correia de Oliveira, egresso de O Legionário, jornal da Arquidiocese de São Paulo, funda a TFP, sociedade civil que teria considerável influência junto a ambientes católicos conservadores em São Paulo e em Minas Gerias.

A agitação causada pelas reformas radicais, promovidas por Paulo VI, levaram o professor a solicitar a um de seus colaboradores, Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, que escrevesse sobre a Missa Nova e sobre a possibilidade de um papa herético. Tais trabalhos circularam intramuros e pessoas como nós, de fora da TFP, a eles não tinham acesso. Curiosamente pouco tempo depois, em Paris, na pela Maison Bleue ( extinta livraria católica da cidade, ficava bem em frente à Igreja de NS das Vitórias, uma das mais antigas da França) estava lá a edição francesa dos 2 trabalhos expostas na vitrine.

Enquanto isso Dom Marcel Lefevre funda o Seminário Internacional de Ecône, na diocese de Friburgo, com a aprovação do bispo local, na Suiça. Curiosamente seria o primeiro seminário internacional, prática essa proposta no CVII, e prontamente levada em frente pelo Arcebispo. Do corpo de professores
fazia parte o conhecidíssimo teólogo dominicano, o Frei Guérard de Lauriers, OP. A pedido do Santo Papa Pio XII, ele participara ativamente dos trabalhos que levariam à promulgação do dogma da Assunção de Nossa Senhora aos céus. Professor no seminário, ele a todos atraía pela lucidez do seu raciocínio e a inteligência de suas reflexões. Mas pouco a pouco se afastava de Mons. Lefebvre. Seus estudos sobre a heresia formal ( relativo a essência, a substância de uma realidade qualquer) e material ( que concerne ao aspecto exterior, visível) o levavam defender uma tese que Mons. Lefebvre não aceitava. A de que o papa não era papa. Essa tese era inaceitável para Mons. Lefébvre e eles se separaram. O Frei dominicano procurou então sagração episcopal sendo sagrado pelo Arcebispo Thuc, antigo Arcebispo de Palmar de Troya, excomungado por Paulo VI e que sagrara Clemente, o *papa* de Palmar de Troya.

Mas como perguntava o Arcebispo, com que autoridade pode alguém dizer que o papa não é papa? Quem tem tal competência se não outro papa? E tal é a realidade histórica. O Santo Papa Pio XII morreu há 50 anos. A barca de Pedro à deriva? Verdade que Paulo VI disse que por uma fissura a fumaça de Satanás entrara na Igreja. Ele por certo nos fará entender isso melhor no juízo final.

Não existe precedente histórico para meio século de sedevacante. Seriam então todos os atos dos últimos papas inválidos? E quem poria fim a tal estado de coisas? Nosso Senhor? Alguns sedevacantistas são acusados de promoverem conclaves, de querer eleger um papa. Mas com que autoridade fariam tal coisa? Aliás já há alguns *papas* espalhados pela Europa e pelos EUA. E cada vez há mais bispos da estirpe do Arc. Thuc, alguns com apenas algumas dezenas de seguidores. E vêm ordenando sacerdotes casados, alegando que há falta de padres. O H.J teria sido um candidato e que R., sua esposa, teria fincado o pé no chão e proibido. Ela que frequenta a Missa Nova...
Agora responda: Se hoje em dia, alguém saísse por aí pregando a teoria da Sé vacante, você acreditaria e seguiria essa pessoa?

- Claro que não! A Sagrada Escritura garante a fidelidade de Cristo ao seu Colégio Apostólico e seus sucessores, os bispos católicos.

- Correto, está claro em São Mateus 16,13. E por acaso a Sagrada Escritura, anunciada pela Tradição Oral nos primeiros séculos da Igreja Pirmitiva, era diferente das bíblias das edições de hoje?

- Não...

- Pois é, e quem deu autorização para Thuc e seus seguidores, como H.J, a desobedecerem às Escrituras, o Magistério e a Tradição para formarem e seguirem um movimento de sem papas? Se tivessem seguido até mesmo a posição de Monsenhor Lefebvre, o sedevacantismo não teria surgido. O sedevacantismo nasceu de uma desobediência da Tradição Católica.

- Mas há varios Santos que se revoltaram contra bispos e Papas, veja Santa Catarina de Senna.

- Mas meu amigo, veja bem: Santos não são Magistério nem infalíveis, e o corpus das argumentações deles eram em torno de ações imorais. No que era relativo à doutrina, nem mesmo Alexandre VI com toda corruptividade moral escreveu uma só virgula que atentasse contra a Sã doutrina. Com isso, para sintetizar, mostra que a teoria da Sé vacante é nula, pois até mesmo a bula Cum Ex Apostolatus Officio, único trunfo dos ativistas sedevacante, que tinha um contexto de situação da época, foi revogada pela Igreja. O sedevacantismo é certo? O certo que nasceu do errado? Isso é confusão. E Deus não é de confusão. Precisa dizer mais alguma coisa? Aliás, estamos saindo do assunto.

- Numa coisa você tem razão.
- No quê?

- Que não vamos mais discutir, vou embora de táxi!

- Até breve, vai com Deus! É sempre assim; é só apertar na argumentação que eles vão embora aborrecidos. Fazer o quê...

Situação nº2 - Sacramentos de padres conciliares ordenados no rito de São Pio V.


Daqui para frente, problematizaremos de forma gradativa as diversas situações apresentadas. O objetivo é despertar a percepção para detalhes e nuances que geralmente passam desapercebidos.

A Secretária:

Rosane (nome e personagem fictício) é sedevacantista e trabalha como secretária em um escritório de uma grande empresa. Num belo dia do mês de fevereiro, lhe ocorreu um problema: Uma pasta com documentos que seriam apresentados em reunião na semana seguinte, desapareceu. Rosane não conseguia pensar em outra coisa nem tirar esse problema da cabeça. Passou todo o fim de semana pensando sobre isso; e para se safar do pepino arranjou um modo de colocar a culpa em outro colega de trabalho, um conciliar. Mediante situação, o conciliar acabou sendo demitido e Rosane permanece no emprego.

Rosane, depois com a cabeça fria, se arrepende do que fez e pretende se confessar. Manda um e-mail para Pio XIII, um sacerdote sedevacantista argentino (nome e personagem fictício) relatando o que houve. O sacerdote, então, diz que ela se acalme e espere até novembro quando os ativistas sedevacantes do Brasil se reunirem, para poder confessar seu pecado e receber o perdão.

Rosane fica inquieta. Ela apela para a Contrição Perfeita mas sua consciência não lhe dá paz, então, ela investiga o passado do pároco conciliar da sua paróquia territorial e descobre que ele foi ordenado em 1968, no rito antigo. Na sua paróquia o padre diariamente celebra as duas formas do Rito Romano, de manhã ele celebra a Missa Tridentina ás 7:00 e a noite o Novus Ordo ás 19:00, inclusive aos domingos.

O coração de Rosane está aliviado, pois sendo padre válido pode se confessar e comungar. Como não pode ir na paróquia de dia por causa do trabalho, Rosane se direciona a ela após o expediente e procura o padre.

A funcionária da secretaria paroquial informa que o padre está na igreja atendendo confissões antes da Missa. Rosane entra na fila e aguarda ser atendida enquanto reza o terço.

Chegando sua vez, ela entra no confessionário e relata seu erro e sua angústia. Após receber sermão e direção , o padre a absolve, com a fórmula do rito novo.

Rosane aproveita e fica para a Missa. Se ajoelha no Cânon e comunga de joelhos. E segue para sua casa com paz no espírito e alívio no coração.



Problematizando:




1 - Rosane cometeu pecado ao desobedecer o sacerdote argentino em não esperar?

2 – Rosane não confiou no Estado de Necessidade para esperar, sabendo que se morresse naquela condição a sua fidelidade à verdadeira Igreja católica existente entre os sedevacantistas iria abonar sua culpa levando direto ao céu, sem passar pelo purgatório?

3 – Rosane confiou em um padre que aceita o Concílio Vaticano II e reza o nome de Bento XVI no cânon, logo, isso faz de Rosane também herege? Os ativistas usam o argumento de que Santo Atanásio se recusava a comungar nas mãos de bispos arianos...

4 - Rosane foi absolvida no rito novo, então ela teve sua confissão invalidada? Se os sedevacantistas aceitam a validade da fórmula nova do sacramento da confissão, porque recusam as das outras? E com isso, eles aceitam a legitimidade do Papa que o promulgou sendo o Romano Pontífice o legislador de toda lei eclesiástica?

5 - Rosane assistiu o Novus Ordo e comungou nele, se o rito de Paulo VI é inválido, herético e outros adjetivos dados pelos ativistas Rosane foi amaldiçoada então?

Comentando:

Vale a pena lembrar que situações como a da metafórica Rosane acontece diariamente com os ativistas sedevacante nesta terra de bananas, o que leva a acreditar que eles também dependem da Igreja Conciliar que eles tanto fazem alarde.

A pergunta que surge inevitavelmente agora é:

Será que os nossos irmãos sedevacantistas conseguem ficar 20 anos inteirinhos,[ Um dos principais argumentos deles, de que houveram Santos que ficaram vinte anos sem comungar ] sem receber nenhum sacramento dos padres conciliares estando à mercê da sorte?


O motivo de levantarmos esta questão é o seguinte: Se admitem a ortodoxia do sacramento da confissão do rito novo, porque não aos de outros sacramentos que são devidamente válidos conforme já mostrado em outro artigo? O que faz o Novus Ordo mau em sí é o padre que o celebra? Se um padre carismático ou da teologia da libertação rezar a Missa tridentina, o ativista assistirá essa Missa sem ploblemas?

Abre aspas:


Qual dos sedevacantistas que lêem nossos artigos; nunca como ativistas receberam sacramentos no rito paulino e assistiram a Novus Ordo com padres validamente ordenados? Quem nunca fez isso que atire a primeira pedra...
Fecha aspas.


Ainda sobre esse assunto; os sedevacantistas em seus blogs e reuniões dizem que devem se afastar totalmente da comunhão com os conciliares e suas estruturas. Vamos ver por exemplo, Daniel (nome e personagem fictício) é sedevacantista e conseguiu uma ótima colocação no Prouni garantindo um lugar na Universidade Católica, ops, Conciliar Santa Úrsula pioneira no curso de filosofia, os professores são padres e toda a administração da faculdade é feita por irmãs. Durante as aulas, em que seus pensamentos estavam? Não estavam preocupados em sedevacantinizar todo mundo ali presente? Nem por um momento? Ou estariam rezando assim:

"Grande e maravilhoso Pio XII; o senhor sabe que estou nessa faculdade conciliar pelo diploma, não compactuo com as heresias conciliares aqui ensinadas, aproveita aí e fazei-me lembrar que Δ = b² - 4ac"
= b² - 4a

O mais intrigante nisso tudo, é o princípio moral adotado pelos ativistas sedevacante para tratarem da questão:

** Quanto a nós, sedevacantistas, não temos parte com eles. Somos fiéis a Roma Eterna. E com a graça de Deus queremos morrer como verdadeiros filhos da Igreja **


Situação nº 3: O sedevacantismo e a Igreja visível



Alexandre (nome fictício) é sedevacantista e estuda história na USP, e no meio acadêmico convive com esquerdistas e adeptos de outras religiões. Numa aula de história do Brasil, a professora faz ataques à Igreja e um aluno protestante concorda com ela. Alexandre então se levanta e faz um belo discurso mostrando a verdade histórica ganhando assim a simpatia de seu colega protestante que fica admirado com o conteúdo de Alexandre, ambos se tornam amigos e Alexandre faz uma boa apologética com seu amigo para mostrar-lhe a ortodoxia da doutrina católica com o objetivo de levá-lo a conversão.

Alexandre o leva na Paróquia perto da faculdade, trata sobre a doutrina das imagens, do sacerdócio e da transubstanciação.



Problematizando:





1 - No momento em que Alexandre se levanta para defender a Igreja, ele ali é uma projeção do catolicismo tendo como Chefe visível Bento XVI para a professora e seu colega protestante. Alexandre então defendeu a Igreja Conciliar?

2 - Se a Igreja visível não existe mais, segunda a teoria ativista sedevacante, o que Alexandre fez? Defendeu uma instituição que só existiu até 1962?

3 - Se o colega de Alexandre como protestante acredita numa Igreja invisível, pra quê convencê-lo que a Igreja é visível para depois mostrar que ela ficou... invisível?

4 - Por que Alexandre sempre se apresenta como católico romano e nunca como sedevacantista?

5 - Se a professora e o colega de Alexandre chamasse Bento XVI de conservador, retógrado, ultrapassado? Alexandre defenderia Bento XVI? Ou diria:
Professora, eu tenho a posição de que Bento XVI não é Papa por ser herege público segundo a bula Cum ex Apostolatus Officio, mas ele traz consigo uma parcela de catolicidade e nessa parcela ele está correto em defender a castidade no lugar da camisinha, do casamento legítimo somente entre homem e mulher, e que a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo segundo o documento de sua autoria Dominus Iesus ?

6 - Por que Alexandre levou o amigo dele para uma paróquia conciliar, uma vez que Alexandre professa pra si que aquela igreja não é verdadeiramente católica?

Comentando:
Cobrar coerência do sedevacantista dá no mesmo que ordenar seu cachorro que fale português quando estiver sentido fome. Ainda que o ativista da Sé Vacante revele o seu segredo para seus amigos mais próximos, nunca mais eles o verão como católico romano, pois é impossível separar até mesmo o adjetivo
“católico” da pessoa de Bento XVI gloriosamente reinante. Ele pode até ser considerado conservador pela sua essência, mas sempre com aquele porém (Ele é esquisito, sobre um lance aí de papa que não é papa, por aí).

Abre aspas

“ Todo sedevacantista, inclusive VOCÊ que está lendo esse artigo já sentiu vergonha de sua posição fantasiosa quando indagado a sua profissão de fé. Por exemplo, numa reunião de pais da escola quando a professora pergunta um a um dos responsáveis qual é a sua crença, o ativista responde com um sorriso amarelado - sou católico Deixando no ar que há um pequeno “probleminha” atual com a sua religião...

Fecha aspas

Situação nº 4: Padre Pio de Pietrelcina e os sedevacantistas


Ninguém duvida da santidade deste frade capuchinho que mudou até mesmo a nossa vida ao ler sua biografia tão cheia de apostolado e conversão. As estigmas e seu dom sobrenatural de bilocação e previsão de futuro foi uma das virtudes que mais levou o povo cristão a procurá-lo e firmar sua fé na Igreja. Diante da início da crise da Igreja com o vendaval do progressismo começando a sacudir a Barca de Pedro, Pe Pio escreve a seguinte carta para o Papa Paulo VI:
"Eu bem sei que o vosso coração sofre muito neste dias pela sorte da Igreja, relativamente à paz no mundo e devido às inúmeras necessidades dos povos, mas sobretudo porque mesmo alguns católicos faltam à obediência às sábias instruções que dais, com o axilío do Espírito Santo e em nome de Deus.

Ofereço-vos as minhas orações e sofrimentos de todos os fiéis, atenção insignificante mas sincera do último dos vossos filhos, a fim de que o Senhor vos reconforte pela sua graça, para prosseguir o caminho reto e peneso da defesa da verdade eterna, que nunca muda num mundo em evolução.

Igualmente, em nome de meus filhos espirituais e dos Grupos de Oração, vos agradeço pela vossa tomada de posição clara e decisiva, especialmente na vossa última carta, Humanae Vitae, e reafirmo minha fé e minha obediência incondicional a vossas iluminadas diretrizes.

Digne-se o Senhor conceder o triunfo à verdade e a paz à sua Igreja, a tranquilidade aos povos da terra, saúde e prosperidade a Vossa Santidade, a fim de que, uma vez dissipadas essas nuvens passageiras, o Reino de Deus triunfe nos corações, graças à vossa obra apostólica de supremo Pastor de toda a cristandade.

Prostado a vossos pés, peço-vos que me abençoeis, bom como aos meus confrades, filhos espirituais, Grupos de Oração, aos meus doentes, todas as inciativas do bem que em nome de Jesus nos esforçamos para realizar.
"



Problematizando:




1 - Padre Pio com seu dom sobrenatural não conseguiu ver que Paulo VI não era Papa segundo os sedevacantistas?

2 - Padre Pio mostrou total submissão aos ensinamentos de Paulo VI sobretudo nos textos conciliares, isso faz de Pe Pio também um herege apóstata conciliar?

3 - A supremacia sedevacantista em julgar um Papa também se aplica aos Santos?

4 - Com que autoridade um pecador sedevacantista diz que Padre Pio errou?

5 - Um ativista da Sé Vacante desafiaria Padre Pio para um debate sobre a vacância da Sé?

6 - Um sedevacantista pode ser devoto desse Santo que mostrou adesão incondicional ao Papa Paulo VI? A confusão se encontra em Padre Pio ou no ativista?

Comentando:
Talvez o sedevacantista vá dizer que tudo tem um contexto... assim como eles gostam de contextualizar tudo para o lado deles, como em dizer que Dom Marcel Lefebvre tendeu para a posição sedevacantista mas fraquejou, assim também eles vão dar um jeitinho de fazer São Pio também sedevacantista, mas a questão que fica no ar é o seguinte: se tudo tem contexto, porque não contextualizar os textos conciliares com a Tradição se, como nas notas do rodapé de cada um dos documentos se exige como referência a própria Tradição?
Humanamente, é duro reconhecer publicamente que carregou um erro grave nas costas por um tempo...


Situação nº 5: O sedevacantismo e o profissionalismo.



Sandro (nome e personagem fictício) é um sedevacantista e marceneiro chefe de família que está há 8 meses desempregado, os benefícios do seu último emprego está chegando ao fim. Sua esposa está grávida de gêmeos e seus 4 filhos estão entrando na pré-adolescência e querem tudo que vê na tv. Depois de tanto implorar a Pio XII uma solução, eis que uma oportunidade lhe parte na porta.

O padre conciliar da paróquia do bairro onde mora Sandro o convocou para a construção de um altar lateral em madeira mogno e contorno de jacarandá. O orçamento do serviço ficou em 10 mil reais e o padre aprova após uma reunião no conselho paroquial.

Sandro nem acredita, e felicíssimo já planeja investir uma porcentagem em ações e outra para abrir seu próprio negócio, toda sua família comemora o fim da crise econômica no lar.

No primeiro dia do serviço, enquanto media a madeira para serrá-la, Sandro ouve as velhinhas do Apostolado de Oração comentando que a imagem do Beato João Paulo II foi comprada e está guardada na sacristia enquanto o altar dedicado pra ele está sendo construído.



Problematizando:





1 - Em nome do Estado de Necessidade e da fidelidade à sua posição, Sandro deve na mesma hora abandonar o serviço?

2 – Sandro deve continuar fazendo o serviço sabendo que o toda sua dedicação profissional será para a honra de um Anti-Papa herege conciliar?

3 – Sandro deve colocar palitos de fósforo ao invés de pregos para que o altar desmonte futuramente parecendo um acidente?

4 – Sandro estará vendendo sua fé legítima por 10 mil reais?

5 - Sandro deve unir a profissão e a fé através dessa oração :
Pio XII, o senhor sabe que não compactuo com esses hereges conciliares nem com esse Anti-Papa, mas 10 mil reais é muita grana!

Comentando:

A equipe do APOSTOLADO TRADIÇÃO EM FOCO Com Roma “aposta todas as fichas” que os 12 sedevacantistas dirão que nesse caso especifico, que trabalhar em prol da Igreja Conciliar ainda que indiretamente não significa aderir as heresias das mesma.

Situação nº 6: O sedevacantista e a situação de emergência


Roger (nome e personagem fictício) é um sedevacantista motorista de táxi muito empenhado no seu ofício e na sua fé no combate ás heresias conciliares, e numa bela tarde de quinta-feira, ele passa no aeroporto para pegar seu colega virtual Antunes (nome e personagem fictício) a fim de irem para o retiro anual dos ativistas sedevacantes em Volta Quadrada. No caminho, Roger encontra seu primo Fábio (nome e personagem fictício) que é conciliar e ministro extraordinário da comunhão em sua paróquia e aproveita para dar-lhe uma carona, sendo que como estava chovendo muito Roger acaba batendo no carro da frente deixando acidentalmente seu primo e seu colega gravemente feridos.

No hospital conciliar Santa Inês, o médico informa a Roger que naquele exato momento ambos precisam receber sangue pois tinham perdido muito no acidente e somente Roger era doador universal por ter o sangue O- .



Problematizando:




1 - Se pudesse escolher apenas um beneficiário, Roger deveria escolher o verdadeiro católico Antunes ou seu primo conciliar herege apóstata Fábio?

2 – Sedevacantista deve salvar vidas de hereges conciliares?

3 – Indo em um hospital conciliar Roger não estaria ajudando ainda que indiretamente a Igreja Conciliar?

4 - Os médicos sendo conciliares são dignos de confiança?

5 – Porque as faculdades, hospitais, prestação de serviços e caridade vinda dos conciliares são boas apenas quando lhe são convenientes?

6 - Vamos repetir um milhão de vezes se for necessário: Por que os sedevacantistas nunca respondem questão simples sobre a posição metafórica que arrogam ser legítimas?

Comentando:

Se eles são o Calcanhar da Virgem, o Exército de Macabeus, os escolhidos e os verdadeiros católicos, porque não começam a ter uma estrutura própria construindo seus próprios templos, escolas, hospitais, faculdades, livrarias, etc. Mas nisso tudo eles aproveitam bem dos conciliares hereges apóstatas. Infelizmente o ditado popular de que o mundo é dos espertos também se aplicam aos sedevacantistas.

Abre aspas:


Este texto acima, é mais um claro exemplo de que os ativistas da Sé Vacante não tem uma unidade doutrinária, moral e social sobre si mesmos nem com a sua Arqui-inimiga, a Igreja Conciliar. Tudo depende de como os sedevacantistas encaram as coisas. É relativo, conveniente e muito, muito flexível. Esse tipo de situação divide opiniões até mesmo entre os próprios sedevacantistas.

Fecha aspas.

Ah, os sedevacantistas estão rindo? Acham absurdo? Acham ridículo? Acham que estamos sendo “radicais”? Então por favor, nos mostrem onde “oficialmente” não há contradição entre e teoria da Sé vacante e suas consequências e sua prática; caso contrário vocês terão somente duas alternativas:

1 – Admitirem que socialmente vocês não se adequam com a posição de vocês.


2 – Admitirem finalmente que o sedevacantismo é uma loucura e deixa seus membros neurologicamente irracionais. Prova disso é um ex-sedevacantista F. que de tanto ser doutrinado com as palavras chaves “vacante, herege, apostasia, fim do mundo” abandonou o “catolicismo” e se encontra numa seita judaica esperando um Messias restaurador do mundo ocidental.
Os amigos sedevacantistas ainda não perceberam a gravidade da vossa situação espiritual?

O mais interessante de mencionar e grifar, é que os sedes molda o juizo de Deus segundo a posição que sustentam, como se realmente fosse vir um Amargedon em que todos os conciliares serão aniquilados e somentes os ativistas receberão a coroa da glória pela fidelidade à Tradição. Qualquer semelhança com as profecias de seitas neo-cristãs como adventismo do 7º dia, mórmons, testemunha de jeová, meninos de Deus e toma-lhe etc será mero acaso?

É sempre bom salientar, que o espírito sedevacantista não tem duração longa entre seus adpetos, por acaso onde estão os sedevacantistas da década de 80, 90 e meados de 2000? Pois essa geração nova foi doutrinada e amordaçada de 2007 pra cá, e logo logo vão se tornar extintos desse filme de terror do sedevacantismo. (Ou será filme de comédia?)

 

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