.

A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo (2ª Parte: Seção 1, Tópico 2)


“A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo” do Pe. Tomas Pégues, O. P., é uma excelente obra para aqueles que desejam iniciar o estudo da Obra Magna de Santo Tomás. Um tanto raro aqui no Brasil, haja vista que sua última edição em português data do início da década de 40, este livro é formulado como todos os catecismos tradicionais em perguntas e respostas e é de agradável leitura.

SEGUNDA PARTE: O HOMEM PROCEDE DE DEUS E PARA DEUS DEVE VOLTAR

PRIMEIRA SEÇÃO: NOÇÕES GERAIS ACERCA DO MODO COMO O HOMEM TEM DE VOLTAR A DEUS.

II. DO FIM ÚLTIMO DOS ATOS HUMANOS – A FELCIDADE
O homem tem sempre algum fim em vista para todas as suas ações?
Sim, quando ele age como homem e não como uma máquina, ou por impulso, ou por qualquer reação que é puramente física ou instintiva (I. 1).

No mundo material, o homem é o único que se propõe algum fim em suas ações?
Sim, no mundo material somente um homem pode agir para um fim.

Logo, todos os outros seres no mundo material agem sem um fim, ao acaso?
Não; as suas operações estão ordenadas para o alcance de um fim determinado, porém, não intentam, nem o propõem porque isto, em seu lugar, o faz Deus (I. 2).

Logo, todos os outros seres agem em vista do fim que Deus lhes assinalou?
Sim (I. 2).

Deus assinalou algum fim às ações humanas?
Na verdade, Deus lhes assinalou um fim.

Qual é, então, a diferença entre as ações do homem e das outras criaturas do mundo material?
A diferença é esta: o homem pode, sob o impulso e dependência de Deus, determinar o fim dos seus atos, ao passo que outras criaturas do mundo material propendem cegamente, por natureza ou instinto para o fim que Deus lhes assinalou (I. 2).

Em que se baseia esta diferença?
Em que o homem é dotado de inteligência, ao passo que as demais criaturas, não (I. 2).

O homem se propõe com seus atos alcançar algum fim último e supremo?
Sim, pois se não quisesse e não intentasse o seu fim último, nada poderia intentar nem querer (I. 4, 5).

O homem subordina ao dito fim todas as suas ações?
Sim, o homem ordena tudo a este fim último sempre que ele age, e se não o faz de forma consciente e explicitamente, faz pelo menos implicitamente e por uma espécie de instinto natural na ordem da razão (I. 6).

Qual é o fim último que o homem sempre tem em vista e que ele ordena tudo sempre ele age?
Este último fim que o homem sempre tem em vista quando ele atua e para o qual ele ordena tudo é a felicidade (I. 7).

O homem, então, necessariamente deseja ser feliz?
Sim.

É absolutamente impossível encontrar um homem que deseja ser infeliz?
Sim, é quase impossível encontrar um homem que deseja ser infeliz (V. 8).

O homem pode enganar-se ao escolher o objeto de sua felicidade?
Sim, pois uma vez que está em suas mãos escolher entre muitos bens, pode confundir os verdadeiros com os aparentes (I. 7).

O que acontece se o homem engana a si mesmo quanto ao objeto de sua verdadeira felicidade?
Acontece que, em vez de encontrar a felicidade no final da sua vida, ele só encontra a mais desconsoladora e irreparável desgraça.

Logo, é extremamente importante para o homem não se enganar quanto ao objeto de sua felicidade?
Sim. Não há nada de maior importância para o homem do que ele não se enganar quanto ao objeto de sua felicidade.

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino