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Considerações sobre o livro O Choque das Civilizações


O intelectual americano divide o mundo em grandes civilizações: Ocidental ( que inclui a Europa Ocidental, América Anglo-Saxônica e Austrália e Nova Zelândia ) , Ortodoxia ( que são os países de maioria cismática ) , Islâmica ( está na cara ), Africana ( países cristãos e islâmicos sub-saarianos , mas com menor influência, pelo menos em partes, do Cristianismo e do Islão ) , Latino-Americana ( ele diferencia a América Latina do restante do Ocidente pelo fato dela ter recebido importantes influências negras e ameríndias ), Japonesa ( Japão ) e Chinesa ( aqui ele conta também aquilo que chama de " Budismo ", ou seja, a maioria dos países amarelos, exceto alguns muçulmanos, um cristão, o Japão e a China, que ele qualifica um tanto isoladamente em virtude da forte formação confucionista ).

Nesse estudo, ele faz algumas classificações. Fala-se em países que vivem em choque cultural , ou seja, aqueles que são divididos por duas ou mais civilizações, como é o caso da Ucrânia, que está entre o Ocidente e a Ortodoxia. Além dos países fraturados, ou seja, aqueles que possuem uma minoria significativa de outra civilização

Também se menciona os estados-núcleo, ou seja, aquele país que irradia grande liderança dentro da civilização em que está incluso. Estados Unidos ( Ocidental ), Rússia ( Ortodoxia ), Japão ( Japonesa ), China ( Chinesa ) e Índia ( Hindu ) são exemplos claros. América Latina, Islâmica e Africana eram civilizações, até a época em que o livro foi escrito, sem estado-núcleo. Quiçá ele tenha considerado o Brasil como núcleo da América Latina. A África do Sul não sei nem se cogito.

Já o Islão, mesmo até hoje, não possui estado núcleo, nem mesmo em especulação.

Além dessa divisão em civilizações , o autor comenta sobre a História das mesmas em alguns sentidos, principalmente no que tange a Política, a Cultura e a Economia.

O livro comenta do declínio ocidental em todos os sentidos, principalmente nos campos econômico-comercial, político e cultural.

Ao que indica, Huntington mostra preocupação com a formação social do atual Ocidente. Não sei qual a formação religiosa que ele possuía ( o autor morreu em dezembro de 2008 ) , mas ele comentava muito do fervor religioso do Islão. Estava fazendo críticas às modinhas ateístas e agnósticas do Ocidente atual. Em suma, ele acredita na força da religião para a formação de uma sociedade.

No campo político, o autor preza por uma boa relação entre as civilizações, mas parece acreditar que o Ocidente, mesmo laico, ainda é o melhor que se pode viver, pois ele aponta sempre a China e o Islão como ameaças aos Estados Unidos e à Europa do Ocidente.

Ele, veladamente, parece fazer menção à possibilidade de justiça ocidental ao atacar países que coloquem em xeque tudo que foi erguido nos Estados Unidos e na Europa, tais como a Democracia, as liberdades individuais, império das leis etc.

Economicamente, ele aponta a queda da importância ocidental no comércio e finança mundiais, apresentando o crescimento do Japão e da China como principais ameaças.

Em suma, aí está o livro.

É recomendável a obra a todos aqueles que se preocupam com estudos de Geopolítica, Estudos Militares, História etc.

Mas não se iludam: o Marxismo e a Francofilia das academias brasileiras deixam o livro relegado apenas ao curso de Geografia, sendo quase impossível debater esta obra com os bitolados de esquerda, pelo menos em 99% , dos cursos de Ciências Sociais e História.

A análise de Huntington acerca da civilizações é belíssima e lúcida.

Nas faculdades brasileiras, comunistas e francófonas, jamais um autor desse naipe será lido e debatido.

Parecem-me proféticas essas palavras do então cardeal Ratzinger pronunciadas em um discurso no mosteiro beneditino de Subiaco no dia anterior à morte de João Paulo II. Penso que esse será o verdadeiro próximo choque de civilizações, se de fato chegar a haver algum:

"A AUTÊNTICA CONTRAPOSIÇÃO QUE CARACTERIZA O MUNDO DE HOJE NÃO É A QUE SE PRODUZ ENTRE AS DIFERENTES CULTURAS RELIGIOSAS, MAS ENTRE A RADICAL EMANCIPAÇÃO DO HOMEM DE DEUS, DAS RAÍZES DA VIDA, DE UM LADO; E, DE OUTRO LADO, AS GRANDES CULTURAS RELIGIOSAS. SE CHEGARMOS A UM CHOQUE DE CULTURAS, NÃO SERÁ PELO CHOQUE ENTRE AS GRANDES RELIGIÕES – que sempre lutaram uma contra a outra, mas que também sempre souberam conviver juntas – MAS, SIM, POR CAUSA DO CHOQUE ENTRE ESTA RADICAL EMANCIPAÇÃO DO HOMEM E AS GRANDES CULTURAS HISTÓRICAS."

Em outras palavras, nossas 'brigas' hoje apenas alentam o verdadeiro 'inimigo'.

Ao que parece, Fukuyama foi mal interpretado.

Ele não teria afirmado que Democracia Liberal e Capitalismo seriam valores insuperáveis no processo histórico.

Então ele não afirma que as civilizações se petrificaram, isto é, que novas não surgirão?

Ao que tudo indica, não.

E, apenas esclarecendo o contexto, a frase de Bento XVI que acima postei afirma que hoje temos duas grandes "civilizações" as que respeitam o sagrado e o transcendente" e a que as negam. Isto é, a civilização laicista/ateísta e as grandes tradições religiosas.

O mundo com os Estados Unidos tendo o papel de potência hegemônica, pesem os erros da constituição maçônica e do forte lobby sionista, é bem mais seguro do que um suposto cenário internacional sendo influenciado por Moscou ou Pequim.

Patrocinar a desestabilização de um povo, em termos de moral , não é nada cristão.
Nem vou entrar no mérito teológico da questão.
A resposta para um católico é óbvia.

O ódio contra o Ocidente existe entre os russo desde o período dos czares, remontando mesmo às origens dessa formação política.

E isso continua até hoje!

As provas de que a Rússia Soviética patrocinou movimentos abertamente contrários á moral cristã nos Estados Unidos são clarividentes. Todos sabemos que Hollywood, Woodstock, Movimento Hippie, Pacifismo e outras mazelas modernas foram profundamente manejadas e utilizadas pelos comunistas do leste. Tudo isso para deixar a população norte-americana sob o jugo mais imediatos das drogas, da pornografia e, por assim dizer, da alienação política total.

Sem contar que os russos, ainda sob o comando do Comunismo, utilizaram-se dos movimentos negros e de líderes políticos terceiro-mundistas para contestar a sociedade americana, quer seja internamente, quer seja externamente.

Infelizmente, o ódio aberto ao Ocidente, principalmente aos Estados Unidos, continua de Boris Yeltsin até hoje. As armas atuais são um tanto que diferenciadas e mais letais. Um delas é armar os países árabe-muçulmanos contra os americanos em todos os pontos da Terra, principalmente fornecendo armas, tecnologia nuclear e logística. Os programas nuclearas iraniano e norte-coerano não seriam nada se não contassem com a ajuda de Moscou. Até mesmo a tecnologia militar da China, principalmente em termos de mísseis intercontinentais, não seria nada se não contasse com a ajuda russa. Sendo assim, notamos que a luta contra os Estados Unidos e o restante do Ocidente continua viva dentro do poder russo.

Até mesmo a propaganda antiamericana atual é um trunfo russo. Notamos que o Brasil, um país que jamais sofreu interferência militar dos Estados Unidos e possui um histórico de boa relação com o mesmo, possui um dos maiores índices de antiamericanismo do mundo, perdendo apenas para a Jordânia.

É notória a aversão aos Estados Unidos dentro de círculos esquerdistas e religiosos
( os adventistas e outros religiosos protestantes possuem até escatologias antiamericanas ). Concomitantemente, o apreço pelos russos, visto como contraponto aos americanos, é alto.

Isso tudo, direta ou indiretamente, tem que ver com forte planejamento da política exterior dos russos e de forte propaganda dos mesmos.

Mas jamais a Rússia teria conquistado todo esse status geopolítico se não contasse com ajuda de traidores americanos. Gente como Joe McCarthy deveria ser lembrada para sempre e ter bustos e estátuas em cada esquina dos Estados Unidos, pois alertaram contra o perigo russo-comunista diante da civilização ocidental. Se não fossem os americanos da quinta-coluna, os russos não teriam recebido 11 bilhões de doláres para a reconstrução do seu país no pós-guerra. Se não fosse a conivência de traidores americanos, jamais os russos teriam conquistado a tecnologia para produzir armas nucleares.

Por isso gente como McCarthy é ridicularizada e caluniada na mídia.

Atualmente, os traidores estão ao monte no Governo Obama e tudo leva a crer que o expansionismo russo deve continuar pela Ásia e pela Europa, sem que qualquer cidadão americano ou europeu esteja atento a isso.

Infelizmente!

As desestabilizações católicas nem de longe podem ser comparar às maquinações russas contra os americanos e demais ocidentais, principalmente no período do domínio comunista.

Os Estados Unidos possuem formação maçônica. Reitera-se isso, principalmente quando se debate-se com protestantes, haja vista a insanidade de mostrar a pátria de Washington e Franklim como " benção divina "

Concomitantemente, não podemos nos furtar de afirmar a verdade: os Estados Unidos são mais seguros para o mundo do que Moscou ou Pequim. Disso ninguém duvido!

Todos os postulados de gerência econômica de Putin o colocam longe de ser um direitista.

Em várias ocasiões, um governo poder usar de elementos contrários aos seus para tocar um país. Não é o fato de possuir elementos diferentes de seu espectro ideológico que faz um governo está em linha oposta à sua plataforma política. Lula, por exemplo, é esquerdista, mas conta com elementos notoriamente conservadores em sua base de sustentação. O mesmo ocorre em Israel a cada situação em que o país se encontra sob o fogo cerrado de grupos jihadistas. Likud e trabalhistas cansaram de fazer aquilo que se chama " coesão nacional ".

Assim mesmo ocorre com Putin.

Sabemos perfeitamente, da influência sionista na elaboração desses projetos de destruição da moral cristã existente dentro dos Estados Unidos.

Mas se eram judeus soviéticos ou não, é claro que os russos comunistas ajudaram nesse processo também.

Não podemos ser confundidos com aqueles que defendem o estado norte-americano em si.

Devemos sim divulgar por aí: a formação americana é iluminista, antropocêntrica, maçònica e anticatólica.

Outro fato importante é apresentar os católicos americanos das décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960, como os elementos mais aguerridos no combate ao Comunismo e ao Poder Russo.

Além disso, boa parte dos intelectuais, militares e políticos que ajudou a desmoronar a União Soviética, algo inevitável, era católica: Dinesh D' Souza, William Buckley Jr. William Casey, Vernon Walters, Alexander Haig etc.

Se dermos uma olhadinha na literatura antirussa e anticomunista dos Estados Unidos, vamos notar uma coisa: quase todos os articulistas são católicos.

Graças a Deus!

Excelente site que esclarece muito da realidade russa da atualidade:

http://flagelorusso.blogspot.com/2010/02/ucrania-quer-nuremberg-para-julgar.html

A unica solução que há para o ocidente no atual contexto geopolítico - inclusive contra as pretensões expansionistas da Rússia - é um revigoramento total do catolicismo, contra os FUNDAMENTOS de toda a decadência do mundo contemporâneo: o iluminismo, o laicismo, etc. Em quê, exatamente, um alinhamento com o imperialismo americano seria favorável ao ocidente? Não vejo como a defesa do americanismo não implique, no longo prazo, numa adesão cada vez maior a seus contra-valores. Por mais que em tese, se diga que eles se encontrem num estágio menos avançado da Revolução (quando se tem o comunismo por referência máxima), não creio que o panorama esteja para escolhas. Talvez a cilivização ocidental, tendo renegado a Nosso Senhor, caia, e isto seja um ensejo para sua reconstrução.

Khomeini tinha uma cosmovisão revolucionária, que não tem relação com o catolicismo.

O que o advento do Cristianismo significou, em sua essência mais primordial, para a Humanidade?

Uma revolução que, ao mesmo tempo, não tirou um só ponto da lei É evidente, meu caro, que a quando denomino os agentes da insurreição iraniana de revolucionários faço isso não num sentido simples, isto é, de dizer que eles modificaram toda uma ordem de coisas, mas no sentido de que eles trabalham com uma visão de mundo que não leva em conta a complexidade da realidade (e, por isso, são perigosos).

A Redenção do homem e a entrada de Deus na História como pessoa humana. A possibilidade de se conhecer o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem.

Essa é a essência. O resto é derivação.

Misturar o conceito de revolucionário dos aiotalás iranianos com a revolução espiritual cristã é hegelianismo ou milenarismo.

O Socialismo Chinês é visto como distorcido entre linhas clássicas do Marxismo, haja vista seu caráter campesino.
Os grupos mais radicais entendem assim.

No contexto geopolítico, China e União Soviética tiveram problemas das mais diversas estirpes. Questões fronteiriças foram debatidas e a validade do Marxismo Chinês também.

Além disso, a China, além da Líbia e da Argentina, tentou liderar um bloco de países que não estava de acordo com as políticas de Washington e Moscou. Tanto é que alguns partidos comunistas pelo mundo, tais como o brasileiro, tiveram, por alguns anos, mais influência maoísta que soviética.

O Drs. Marcel de Corte e Plinio Correia de Oliveira denunciaram o caráter revolucionário e igualitário do Islão e da civilização nascente dele.

Texto do Dr. Marcel de Corte sobre o Islão:

http://traducoesgratuitas.blogspot.com/2007/06/marcel-de-corte-para-onde-vai-o-isl_23.html

Texto do Dr.Plinio Correia de Oliveira sobre o Islão:

http://www.lepanto.com.br/dados/NotMaome.html

A ligação entre os fundamentalismos islâmico e comunista:

http://www.lepanto.com.br/dados/estisla.html

O Beato Stepinac entendeu que o regime de Pavelic era um mal menor em relação ao Comunismo Internacional.

Além disso, as principais características do Nazismo foram negadas pelo mesmo.

Para o antropólogo Pierre Clastres, todo sociedade é etnocêntrica, tende a se afirmar como superior às outras. Mas a sociedade ocidental seria não apenas etnocêntrica, mas etnocidária, destruiria as culturas com as quais entra em contato, estas culturas são profundamente alteradas pela cultura ocidental.

Indo além desta constatação de Pierre Clastres, entende que a sociedade ocidental destruir por dentro outras formas culturais, porque é uma cultura baseada em abstrações, em valores e idéias bastante abstratos. E portanto, é mais difícil se contrapor.
Universalizar o hinduísmo seria inviável, porque é baseado em elementos bastante concretos. No exemplo, citado, chegar numa sociedade onde se come carne de vaca e querer convencer a população a abandonar este hábito é inviável, haverá luta, conflito, e dificilmente haverá assimilação. Agora, a concepção ocidental de Deus é facilmente permeável a qualquer cultura, os valores de racionalidade, a ciência, a filosofia, (hoje também, a propaganda, o consumismo, o relativismo), todos esses elementos da cultura ocidental são suficientemente abstratos para parecer que podem ser assimilados sem destruir a cultura que está sendo penetrada pelo Ocidente, quando a sociedade perceber o que está se passando de fato, ela já foi destruída.

Muito do radicalismo islâmico hoje é uma reação à penetração dos valores ocidentais, princípios ocidentais que corroem os fundamentos da sociedade islâmica, transmutam a doutrina islâmica em seu oposto, esvaziam o seu significado.

Não deixa de ser esta a dificuldade dos grupos mais tradicionalistas católicos de se oporem à modernidade. A modernidade é fluída o suficiente para se expandir, penetrar diferentes espaços, são um conjunto de valores abstratos contra os quais não é possível se contrapor diretamente, porque ele não está fixado em um grupo específico, permeia todas as relações. Mas é preciso um inimigo, aí cada grupo escolhe o seu, sem rotular um inimigo torna-se difícil lutar.

Em filosofia, o Ocidente pós-medieval é de fato o reino do abstratismo.

Do ponto de vista teológico, a superioridade só pode ser avaliada pela adesão ao catolicismo.

Mas as civilizações são construídas em torno de elementos mais mundanos do que sagrados, e creio que as civilizações possam ser hierarquizadas também por estes elementos mundanos. não vejo, por exemplo, sentido em igualar uma comunidade indígena primitiva com uma sociedade complexa e desenvolvida como a britânica, espanhola, francesa e mesmo brasileira.

Extraído cmm Apologética Católica

 

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