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Et Verbum caro factum est. Evangelizando Cristo vivo!

Certa vez a (santa) Madre Teresa de Calcutá chamou a atenção para uma verdade fundamental. Disse ela: “Tome muito cuidado com sua vida, pois ela pode ser o único Evangelho que seu irmão lê”. Eis a força do testemunho! Ser uma provocação, no melhor sentido da palavra, para que se recorde o amor de Deus. Também nós temos sempre esta opção que, quando bem compreendida, ganha força de missão.

Citando São Francisco: “Pregai sempre! Se preciso for, usai palavras


Evangelização.

Segundo momento: quando os magos chegam em Jerusalém. A Este momento gostaria de chamar de evangelização. E aí neste momento alguém poderia perguntar: — mas como evangelização se eles pouco falaram e só perguntaram? Ao que se pode responder que só nasce essa dúvida diante da não compreensão do que seja evangelizar em toda sua essência. O tipo de evangelização feita por aqueles homens do oriente é a mais profunda e bela forma de evangelizar. Ora, evangelizar é, ao pé da letra, levar uma boa nova, uma boa notícia. E não foi exatamente isso que os magos fizeram? Ao chegarem em Jerusalém eles perceberam que a estrela que os havia guiado até aquele momento desapareceu, ou seja, aquilo que tinha sido o motivo daquela conversão havia misteriosamente sumido. Eles estavam diante de duas escolhas: voltar para suas casas decepcionados e maldizendo a Deus que os tinha feito sair do conforto de seus lares para seguir um sonho impossível, ou ainda, perceber mais uma vez o sinal que Deus lhes estava dando e não desanimar, ir em busca de algo mais profundo e claro, amadurecer mais na fé.

Eles optaram pela Segunda alternativa e em função disso adentraram a cidade santa em busca da palavra de Deus. Foram ao povo escolhido esperando uma grande festa pelo nascimento do Salvador e encontraram a mais forte indiferença, de tal sorte que causou um espanto enorme na cidade a pergunta que eles fizeram: — onde está o Salvador que nasceu? Houve uma mobilização no sentido de buscar nas escrituras o local onde nasceria o Messias. Portanto eles foram evangelizadores com a vida, ao se colocarem na estrada em busca do Deus Menino.

Conversão é, em linhas gerais, transformação, redirecionamento, troca.... Mas não uma troca qualquer, não um redirecionar-se para qualquer lado e jamais uma transformação aleatória. Na verdade, em seu sentido religioso, ela tem como principal característica a mudança de vida em função de algo que está para além do sujeito em questão. Em todas as descrições de processos de conversão autênticos podemos notar que ele começa por uma experiência, que pode ser marcante ou sutil, que dá início a todo o processo. Uma vez tida a experiência acontece uma necessária reordenação de vida. Então, para melhor compreender, eu vejo algo, sinto algo, experimento algo que me faz modificar toda minha forma de conduta e toda minha forma de pensar e ver o mundo. Me faz caminhar em direção a horizontes nunca antes pensados, ir em busca daquilo que nunca havia percebido mas que sempre me faltara.

Pois foi exatamente isso que aconteceu com os magos: viram uma estrela no céu e, tendo identificado como um sinal, tomaram a firme decisão de ir atrás do motivo de tão belo sinal. Dura decisão: deixar o conforto de suas casas para ir em busca de algo que desconheciam. Também conosco isso acontece. É difícil deixar o conforto de nossos pecados, para ir em busca da santidade. Contudo, nunca se ouviu dizer que alguém que tenha ido em busca do Bem maior tenha se desapontado.

Eis o que, por hora, importava dizer sobre a conversão.

O primeiro dos três momentos faz menção a uma visão e, em conseqüência disso, uma mudança de rumo. Estando estes três magos no lugar onde habitavam foram surpreendidos por algo de novo no quadro celestial ao que eles atribuíram um valor de sinal: uma estrela, de brilho singular, surgiu no céu. Neste momento vem a minha cabeça as palavras de São Paulo, quando ele diz: “Porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível — seu eterno poder e sua divindade — tornou-se inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas, de sorte que não têm desculpa.”(Rm 1,19s). Esta afirmação do apóstolo dos gentios revela-nos que uma das formas mais contundentes da qual Deus utiliza-se para comunicar-se com os homens é a sua própria criação, de sorte que ninguém pode desculpar-se diante de Deus. Os magos do oriente tiveram a felicidade de verem a estrela que anunciava a vinda do Salvador, e não só isso, foram felizes por abrirem seus corações a este sinal divino.

Partindo daí podemos traçar uma comparação com o que chamamos de conversão. Esta palavra habita, com larga freqüência, o vocabulário de quase todos nós cristãos. Normalmente nas seguintes formulações: — Graças a Deus já me converti, agora sou de Jesus... e — nossa, fulano precisa se converter!!! Tudo isso como se falar da vida alheia fosse o maior dos sinais de conversão. O que esquecemos, até com bastante facilidade, é o que essa pequena palavra quer dizer. O conceito de conversão precisa ser melhor trabalhado em nossas mentes e corações.                                           

No primeiro dos evangelhos sinópticos, o de São Mateus, podemos ver, no segundo capítulo, a aparição de homens vindos do oriente (Mt 2,1-12). A estes homens, quis a tradição, determiná-los num número de três, dar a eles o título de reis e nomeá-los como: Gaspar, Baltazar e Belchior. Sendo que nada disso pode se deduzir do texto bíblico. A única coisa que podemos retirar daí é que eram magos, ou seja, possíveis estudiosos de astronomia e/ou astrologia e que talvez tenham entrado em contato com algo da cultura judaica. O fato é que o percurso que eles fizeram é indiscutivelmente uma belíssima representação de uma caminhada de crescimento espiritual. Se levarmos em consideração a narração bíblica poderemos perceber que eles, em suas peregrinações para adorar o Salvador que havia nascido, viveram intensamente três momentos distintos:

1) Quando eles vêem a estrela que seria o sinal do nascimento do Salvador;

2) Quando chegam em Jerusalém;

3) Quando finalmente encontram o Senhor e o adoram.

A cada um destes momentos correspondem aspectos específicos de nossas vidas espirituais: ao primeiro momento podemos relacionar a Conversão, ao segundo podemos nomear como momento de Evangelização. E, nesta mesma linha, o terceiro ficaria caracterizado como ato de Adoração. É bem verdade que não podemos considerá-los como momentos consecutivos, no sentido de se seguirem ao modo dos momentos da narração bíblica, eles se tocam, se entrecortam e se apresentam como um corpo indistinto. Contudo, a título de compreensão, podemos recortar cada um destes pontos percorridos pelos três homens do oriente relacionando-os com características muito específicas da vida de todos os que buscam uma verdadeira vida com Deus. Tentemos essa estratégia...

Refletindo sobre a preparação.

Quero oferecer mais uma meditação pessoal, sobre a preparação em vista da celebração do Natal. Embora já esteja pronta, vou postar em partes, para permitir uma leitura calma e a participação de quem desejar.

Irmãos, estamos novamente às portas de mais uma celebração do inefável mistério da Encarnação Dito de modo bem simplista, comemoramos o aniversário de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como todos sabem, é de bom-tom que, ao unirmo-nos ao aniversariante para celebrar, ofereçamos um presente afetuoso. Também Nosso Senhor ficará muito feliz com nossa oferta, e ninguém mais que Ele merece tal demonstração de carinho e gratidão. Gostaria de meditar, não propriamente no presente a ser ofertado, mas no como ofertar. Na adequada preparação para celebrarmos tão grande Mistério.

Cabe então uma pergunta: de que forma chegaremos aos pés da manjedoura onde repousa tranqüilo o menino Deus, onde se derrama de amor a sua santíssima mãe e o homem justo que lhe amou de todo coração e entregaremos, com toda a adoração que lhe é devida, o nosso humilde presente? Disso trataria uma boa preparação: ensinar-nos a sermos agradáveis a Deus. E também nisso nós podemos aproveitar o ensinamento que nos vem da palavra de Deus. Dando ouvidos à esta Palavra podemos encontrar verdadeiros professores, com os quais caminharemos e aprenderemos a sermos adoradores em espírito e verdade. E quem seriam?

Por todo este trabalho, Nosso Senhor não poderia deixar de nos indicar uma nova forma de vida. Uma proposta radical de conversão — baseado nos dois pilares de amor: amar a Deus acima de tudo, e ao próximo como a si mesmo — que vai no sentido inverso da proposta que o mundo nos oferece. Esta nova forma de vida pode ser resumida pela máxima de Jesus que dizia àqueles que lhe interrogavam sobre a felicidade plena e perfeita: — “Vem e segue-me”. Evidentemente Jesus não traria uma proposta vazia de sentido e carente de aplicabilidade. Ao contrário, Ele mesmo vivenciou todos os seus mandamentos com profusão. Sabendo que Jesus nos garantiu a filiação divina devemos crer que, do mesmo modo, Ele nos queria “à cara do Pai”, santos como Deus é Santo. Logo, Temos mais uma resposta para a nossa pergunta: para ser nosso modelo de santidade.

E claro que não se esgota aqui todo o assunto, existe ainda muito a ser dito a este respeito. Eis um início de conversa, não um fim...

Porém, o ser humano, dando ouvidos às astúcias do demônio, caiu em tentação e quis tornar-se como um deus, conhecedor do bem e do mal. Isto implicou em um desprezo de Deus pois o homem virou as costas ao seu Criador. Ora, se todo o sentido da vida humana estava em Deus, princípio e fim do amor dos homens, ao virar-lhe as costas o homem passou a desconhecer o seu Criador e à si mesmo, pois seu sentido reside na relação amorosa com Deus. Desconheceu o Amor do qual ele é dependente e tributário. Neste momento, já podemos ter uma primeira resposta à pergunta: o Verbo se fez carne para que assim conhecêssemos o amor de Deus, uma vez que já não sabíamos mais quem éramos. Veio tornar visível o quanto Deus nos ama.

A Consequência natural deste pecado original descrito acima foi uma queda do homem, o afastamento da amizade com Deus e a morte. Fomos, por livre e espontânea vontade, vendidos ao pecado e não podíamos mais habitar o paraíso. A ofensa feita a Deus, Ser infinito, tinha uma dimensão infinita e, portanto, requeria uma expiação também infinita que somente um ser dotado de um amor perfeito e jamais marcado pelo pecado poderia oferecer. Glória sejam dadas ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Eis uma Segunda resposta: para salvar-nos reconciliando-nos com Deus.

Ao morrer na cruz, pregado por nossos pecados, verdadeiramente Jesus selou uma nova aliança, em nome da humanidade, com nosso Deus. Salvou-nos da condenação eterna. Sendo assim, reabriu as portas do céu e nos deu a graça de chamarmos a Deus de Pai, por adoção divina, recuperando o mais alto grau da dignidade humana que é estar em plena comunhão com Deus. Quis ser um de nós para que fossemos seus irmãos. Portanto, temos aí uma nova resposta: o Verbo se fez carne para tornar-nos participantes da natureza divina.

Amados irmãos, aproximando-se o Natal e já inseridos no tempo do Advento, tempo de graça, gostaria de oferecer a vocês uma reflexão pessoal sobre a Encarnação do Verbo. Uma breve síntese, fruto de meditações sobre a Palavra de Deus. Espero com isto inaugurar uma diálogo sobre este profundo Mistério, tendo em vista a nossa adequada preparação para bem celebrarmos.

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E O VERBO SE FEZ CARNE...

A frase acima faz menção ao maior acontecimento de todos os tempos: o Filho único e muito amado de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Deus com o Pai e o Espírito, veio ao mundo e assumiu a natureza humana.

Meditando sobre ela, uma pergunta que pode certamente surgir é a de porque Deus faria algo deste tipo. Qual o sentido desta Encarnação tão espetacular? Por que o Verbo se fez carne? A Resposta, que talvez pareça simples e evidente num primeiro momento, pode, porém, nos servir para uma pequena mas profunda reflexão à qual me presto aqui.

A Bíblia nos mostra que o homem foi feito por Deus à sua imagem e semelhança. Ora, ela também revela-nos que Deus é amor. Sobrepondo estas duas verdades, podemos chegar a belíssima conclusão de que somos imagem e semelhança do Amor Eterno. Deus concedeu ao homem uma necessidade infinita de amor e uma capacidade infinita de amar. Criou-o para ter uma profunda relação com Ele. Nesta relação essencial, Deus mesmo supria abundantemente esta necessidade de amor e ao mesmo tempo oferecia-Se como alvo perfeito do amor humano pelo fato de ser infinito. Era, sem sombra de dúvida, uma condição maravilhosa a dos homens.


PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Et Verbum caro factum est. Evangelizando Cristo vivo!

David A. Conceição 11/2011 Tradição em Foco com Roma.

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