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A existência de fantasmas e o estado de alma.


Uma possibilidade é ser uma projeção mental .

Outra possibilidade é manifestações demoníacas, objetivando a perturbação.

É plausível que seja almas de mortos do Purgatório, pedindo orações.

O que a Igreja condena é a invocação dos mortos, mas nunca disse que as almas (quer as bem-aventuradas, quer as que se purificam no Purgatório) não podem aparecer. Certos teólogos, muito ortodoxos, também admitem a possibilidade de almas condenadas aparecerem com o mesmo fim dos demônios.


As almas dos falecidos poderem se manifestar entre os vivos está em perfeita consonância com um filme perfeitamente católico: "A casa das almas perdidas" (The Haunted: A True Story, 1991).

Este filme, longe de ser um filme de terror, é baseado numa história real, sobre os tormentos vividos por uma família católica atormentada por um demônio e almas de falecidos, sendo que o demônio era o pior de todos. O filme é perfeitamente ortodoxo e a devoção católica é dignamente mostrada no filme.

No final do filme, temos a informação de que o demônio só deixou de atormentar aquela família (fato real) depois que a Igreja autorizou o exorcismo.

São João Bosco conta nas suas "Memórias do oratório" uma experiência com uma alma na glória celestial. Ele não aconselha ninguém a "mexer" com essas coisas. É demais para nós.

A explicação parapsicológica para fenômenos preternaturais não é válida, ainda que tais fenômenos tenham sido realmente constatados. Uma coisa é dizer que o fenômeno acontece, outra é dizer que o parapsicólogo avalia corretamente suas causas.

O que nos diz São Tomás, sobre os corpos ressuscitados:

Quanto à segunda consideração, isto é, a respeito dos efeitos da ressurreição para todos os homens, quatro deles devem ser apontados:

* O primeiro, com relação à identidade dos corpos que ressurgirão: o mesmo corpo que existe agora, quer quanto à carne,quer quanto aos ossos, ressurgirá . Apesar de alguns dizerem que este corpo que agora se corrompe não ressurgirá, o Apóstolo afirma o contrário: Convém que este corpo corruptível seja revestido da incorrupção (1 Cor 15,33). Em outro lugar encontra-se escrito na Sagrada Escritura que este mesmo corpo ressurgirá para a vida: Novamente serei revestido da minha pele, e, na minha carne, verei o meu Deus (Job 19,26).

* O terceiro efeito refere-se à integridade, porque os bons e os maus ressurgirão em toda integridade da perfeição corpórea do homem: não haverá cego, nem coxo, nem ninguém com outro qualquer defeito. Escreve o Apóstolo que os mortos ressurgirão incorruptíveis (1 Cor 15,52) para significar que eles não sofrerão mais as corrupções atuais.

* O quarto efeito refere-se à idade, porque todos ressurgirão na idade perfeita, nos trinta e dois anos. A razão disto é que, os que ainda não atingiram esta idade, não chegaram à idade perfeita, e, os velhos, já a ultrapassaram. Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e, aos velhos, restituído. Lê-se: Até que cheguemos todos ... ao homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo (Ef 4,13).

Quanto à terceira consideração, é de se saber que os bons receberão uma glória especial, porque os santos terão os seus corpos glorificados por quatro qualidades :

* A primeira, é a claridade. Lê-se: Os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai(Mt 13,43);

* A segunda, é a impassibilidade. Lê-se: É semeado na ignorância, ressurgirá na glória (1 Cor 15,43); e: Deus tirará toda lágrima dos seus olhos; não haverá mais morte, nem luto, nem gemidos, nem dor (Ap 21,4);

* A terceira, é a agilidade. Lê-se: Os justos resplandecerão, e passarão pela palha como centelhas (Sa!b 3,7);

* A quarta, é a sutileza. Lê-se: É semeado no corpo animal que ressurgirá em corpo espiritual (1 Cor 15,44). Não se queira entender isso como se todo corpo se transformasse em espírito, mas que estará totalmente submisso ao espírito.

* O segundo efeito da ressurreição refere-se à qualidade, porque os corpos ressurgidos terão outra qualidade que o atual, já que os corpos dos bons e dos maus serão incorruptíveis. Os corpos dos bons estarão na glória para sempre; os dos maus, porém, para que por eles sejam punidos, na pena etema. Lê-se: Convém que este corpo corruptível seja revestido da incorrupção, e que este corpo mortal seja revertido da imortalidade (1 Cor 15,53). Porque os corpos serão incorruptíveis e imortais, não terão necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: na ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres terão maridos,· mas serão como Anjos de Deus no Céu (Mt 22,30). Nesta verdade de fé não acreditam nem os Judeus, nem os Maometanos. Lê-se ainda: Os que desceram aos infernos ... não voltarão mais à sua casa (Job 7,10). (64)

O que São Tomás pensaria sobre esse versículos bíblico?

(Isaías 55,2)

Por que despender vosso dinheiro naquilo que não alimenta, e o produto de vosso trabalho naquilo que não sacia? Se me ouvis, comereis excelentes manjares, uma suculenta comida fará vossas delícias.

Sobre o trecho de Isaías não sabemos o que comentar, mas o segundo é claramente uma metáfora e o terceiro pode ser tomado como um comportamento derivado da necessidade de mostrar aos Apóstolos que o que eles viam não era um "fantasma".

É interessante que alguns Padres e teólogos chegaram a cogitar que no Paraíso nossos primeiros pais não tinham sistema excretor, sob o argumento de que tudo era perfeito, ou seja, o que comíamos devia ser aproveitado 100%. Acho que isso já é querer saber demais sobre o que não dá para saber (de uma hora para outra foi criado, então, o sistema excretor em Adão e Eva), fora que o ciclo natural da vida no âmbito infra-humano não me parece algo derivado do pecado original (ou seja, plantas e animais morreriam e se degradariam de uma forma ou de outra). Agora, no casos dos corpos ressuscitados, de fato, pela impassibilidade eles não sentirão fome, mas isso não implica em não-alimentação; alimenta-se não por fome, mas porque isso deve ser feito para que se mantenha a ordem material intacta.

O Apocalipse (VII, 16ss) nos diz:

Não terão mais fome, não terão mais sede; o ardor do Sol não os abaterá, nem algum calor abrasador; pois o Cordeiro que está em meio ao trono, será Seu pastor e os conduzirá às fontes das águas da vida, e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.

Devemos entender o seguinte para captar o sentido dessa reflexão: o espírito do homem, no Paraíso, se rebelou contra Deus; em conseqüência, o corpo passou a se insubordinar à alma, e as criaturas inferiores, por sua vez, deixaram de servir devidamente ao homem, ocasionando a aflição e a desordem que caracterizam o atual estado de coisas. Na restauração as almas se acharão confirmadas na total adesão a Deus: unidas ao Senhor possuirão o pleno domínio sobre seu corpo; haverá ordem perfeita entre carne e espírito; a seu turno, as demais criaturas materiais reconhecerão o lugar eminente do homem no plano de Deus e com ele se harmonizarão.

Sobre São Lucas 24,

39. Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.

40. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.

41. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer?

42. Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado.

43. Ele tomou e comeu à vista deles.

A Bíblia de Navarra diz que ainda que o corpo ressuscitado seja impassível e, por conseguinte, não necessite já de alimentos para se nutrir, o Senhor confirma os discípulos na verdade da Sua ressurreição com duas provas: convidando-os a que O toquem e comendo na sua presença.

"Eu por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia, sei muito bem e nisto ponho minha fé que, depois da Sua ressurreição, o Senhor permaneceu na sua carne. E assim quando se apresentou a Pedro e aos companheiros, disse-lhes:Tocai-Me, Palpai-me e compreendei que não sou um espírito incorpóreo E prontamente tocaram-no e aacreditaram, ficando persuadidos se Sua carne e do Seu espírito (...) Mais ainda, depois da Sua ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai ( Carta aos de Esmirna, III, 1-3)

O Catecismo Romano nos diz que a restauração será total pois é de opinião que a ressurreição faz parte das grandes obras de Deus, em pé de igualdade com a própria criação.Assim como desde o início da CRiação, Deus faz todas as coisas perfeitas, assim tbem na ressurreição. É o que devemos crer com certeza absoluta.

É bom lembrar que a natureza humana no Paraíso não é mesma que a dos corpos após a ressurreição.

A natureza humana pode existir em seis estados:

1 – Estado de natureza pura: só se constitui das perfeições essenciais à natureza humana. Lutero, Baio e Jansênio negaram que fosse possível semelhante estado de natureza pura, mas a Igreja o afirma com certeza.

2 – Estado de natureza íntegra: além das perfeições essenciais à natureza humana, o homem possuiria dons preternaturais que o ajudariam a alcançar mais fácil e seguramente o seu fim natural. Tais dons preternaturais foram dados ao primeiro homem: a imortalidade corporal, a impassibilidade, a imunidade de concupiscência, etc.

3 – Estado de natureza elevada: além dos dons preternaturais, possui-se também o dom sobrenatural da graça santificante. Nesse estado, Adão foi criado.

4 – Estado de natureza caída: estado que se seguiu a perda da graça santificante e dos dons preternaturais, como castigo pelo pecado.

5 – Estado de natureza reparada: estado do homem reparado pela graça redentora de Cristo, em que se possui a graça santificante, mas não os dons preternaturais

6 – Estado de natureza glorificada: é o estado daqueles que alcançaram a visão beatífica, que é o fim sobrenatural do homem neste e nos últimos três estados descritos. Compreende a graça santificante em toda sua perfeição, e, após a ressurreição, também os dons preternaturais de integridade, em toda sua perfeição.

Estados meramente possíveis:

1 - Estado de natureza pura

2 - Estado de natureza íntegra

Estados reais (ou realmente criados):

3 - Estado de natureza elevada

4 - Estado de natureza caída

5 - Estado de natureza reparada

6 - Estado de natureza glorificada

Em todos os estados reais, dependentes da doação da graça santificante, o fim sobrenatural do homem é a visão beatífica.

Portanto, quando é citado o Paraíso não foi para dizer que se lá Adão e Eva comiam, teremos de comer no Céu. Na Nova Terra, nossa alma imortal comandará o corpo e, além disso, ele não sentirá necessidades.

Alguém, então, pode perguntar: então para que o corpo? O corpo é necessário pelo fato de nossa alma ter sido criada para existir com ele.

PARA CITAR ESTE ARTIGO:



A existência de fantasmas e o estado de alma.
David A. Conceição, novembro de 2011, blogue Tradição em Foco com Roma. RJ



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