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Fotos post mortem



Artigo elaborado por David A Conceição e Marcelo Maciel

Mesmo levando em consideração a normalidade do costume da época, é impossível não ver essa prática em um tom macabro e sadomasoquismo psicológico.

Como ter uma recordação sabia e bonita de um ente querido com uma foto dessas?

No século XIX esse costume mórbido e curioso se espalhou por diversas partes do mundo.

"Post Mortem" vem do Latim, significando "Pós Morte", ou após a morte.

As fotos "Post Mortem" aparentemente tiveram origem na Inglaterra, quando a Rainha Victoria pediu que fotografassem um cadáver de uma pessoa conhecida, ou um parente, para que ela guardasse como recordação.

A partir desse momento, o "costume" lentamente se espalhou por diversas partes do mundo, sendo que várias familias passaram a fazer amesma coisa, guardando para si uma mórbida recordação do ente querido que havia partido.

Até os dias de hoje, por mais estranho que se possa parecer, em alguns lugares ainda se tem esse costume.

Durante o século XIX, o ato de fotografar os falecidos era bem mais comum, parecendo nos dias de hoje algo "mórbido" e sem sentido, mas naquele tempo se tornou um costume natural.

Criar álbuns com fotos dos familiaares e amigos mortos, era uma espécie de negação da morte, ao mesmo tempo que as fotografias tornavam-se recordações guardadas pela família para se lembrar daqueles que se foram.

Além disso, observa-se que "fotografias" naquela época era um grande luxo, devido ao elevado preço para produzi-las e também devido à pouca quantidade de câmeras fotográficas e profissionais disponíveis.

A fotografia "Post Mortem" em si era algo bem caro, e funcionava como última homenagem aos falecidos.

No ato de fotografar a pessoa que morreu à pouco tempo, estando o corpo em estado "fresco", eram criados verdadeiros cenários elaborados com composições muitas vezes complexas de estúdio para fazer os álbuns dos mortos, e assim tornar a morte menos dolorosa.

Em outros casos, após algum tempo do falecimento da pessoa, e ocorrido o "rigor mortis", era necessário inventar situações complicadas para a foto ficar natural, envolvendo a instalação de calços sob cadeiras e inclinar a câmera fotográfica para que a cena se ajustasse a posição fixa do cadáver.

Para essas fotos o importante era fazer parecer que os falecidos estivessem dormindo ou em posições de pessoas "vivas".

Com isso, era comum fotos com grupos de mortos e também de pessoas vivas sentados fazendo poses com cadáveres.

Em algumas montagens, eram colocadas estacas de madeira por dentro da roupa dos cadáveres, ao mesmo tempo que eram maquiados e colocados em posições como se estivessem vivos, como: em pé ao lado de familiares, sentados com pernas cruzadas em sofás, lendo livros, abraçando um ente querido, ou outra pose que fosse normal para quem estivesse vivo.

Grande parte das fotos de bebês eram coloridas artificialmente para dar um tom de vida ao cadáver das crianças.

*Observa-se que fotos "Post Mortem" se diferem de fotos tiradas normalmente de cadáveres após acidentes ou decomposição, pois o intuíto das fotografias e a "arte" por trás das montagens tinham finalidades apenas sentimentais, e não de impressionismo, como tirada por repórteres ou curiosos.

Obs: Rigor Mortis = Rigor mortis é um sinal reconhecível de morte que é causado por uma mudança química nos músculos, causando aos membros do cadáver um endurecimento ("rigor") e impossibilidade de mexê-los ou manipulá-los.

Tipicamente o rigor acontece várias horas após a morte clínica e volta espontaneamente depois de dois dias, apesar do tempo de início e duração depender da temperatura ambiente.

Na média, presumindo-se temperatura amena, começa entre 3 e 4 horas post-mortem, com total efeito do rigor em aproximadamente 12 horas, e finalmente o relaxamento em aproximadamente 36 horas.

A causa bioquímica do rigor mortis é a hidrólise do ATP no tecido muscular, a fonte de energia química necessária para o movimento.

Moléculas de miosina derivados do ATP se tornam permanentemente aderentes aos filamentos e os músculos tornam-se rígidos.

A circulação sanguínea cessa, assim como o transporte do oxigênio e retirada dos produtos do metabolismo.

Os sistemas enzimáticos continuam funcionando após algum tempo da morte.

Assim, a glicólise continua de forma anaeróbica, gerando ácido láctico, que produz abaixamento do pH.

Neste momento, actina e miosina, unem-se formando actomiosina, que contrai fortemente o músculo.

A seguir estão expostas algumas fotos "Post Mortem" originais tiradas em vários países, mostrando como eram feitos os retratos "tenebrosos" dos falecidos.

Observa-se que uma das fotos foi tirada no Brasil nos anos 1930, mostrando que o costume das fotos "Post Mortem" se espalharam pelo mundo na época: referência

Pai com criança dormindo, ambos mortos


Criança morta em pose como se estivesse dormindo

Menino "dormindo", com blush rosa para dar aparência de vida ao morto


Criança morta colocada sobre a cadeira como se estivesse viva

Quem está morto na foto é a menina do meio

Crianças apareciam no colo de adultos vivos ou mortos

Familia posando ao lado da falecida, em pose de como se estivesse dormindo no chão. Observa-se que haviam alguns petiscos na mesa ao lado.

Pode-se notar a apreensão da garotinha, a qual estava posando ao lado do irmão morto, e que estava abraçando seu ombro como se estivesse vivo.

Nesta foto, todas as moças que aparecem estavam mortas.
A que está abaixada "olhando" para trás, estava com o rosto disfigurado.

Esta foto "Post Mortem" foi tirada na Vila de São João Velho, ao lado do município de São João Novo - S.P. - Brasil.

A data é dos anos 1930, com comentários dizendo: (Julieta Bosco e Idalina Tozzi em um enterro).

Por incrível que pareça, esta jovem está morta, estando seu corpo apoiado por madeiras por trás de suas roupas, permitindo uma pose praticamente natural.

Por incrível que pareça, quem está morta é a moça em pé.

A sentada está viva. Este é um exemplo clássico da arte fotográfica "Post Mortem" que era utilizada na época.

Exemplos de fotos clássicas post mortem:



O mais interessante, é mencionar que é muito comum nos EUA a necromaquiagem, para deixar o falecido com semblante mais 'vivo' esse tipo de arte vem começando a ganhar espaço em São Paulo.

Há também quem coleciona esses tipos de fotos.

Um bom exemplo desse tipo de foto é apenas as relíquias de Santos, veja por exemplo a foto posto mortem de Santa Teresinha:



Era muito comum a execução da marcha fúnebre, que era uma marcha com seu andamento baseado em uma procissão de funeral. São apropriadas para ocasiões tais como cortejos fúnebres.

A marcha fúnebre mais conhecida é o terceiro movimento da sonata nº 2 para piano em si bemol menor, op. 35 de Frédéric François Chopin (Fryderyk Franciszek Chopin, 1810–49).

Podemos comparar como a morte era encarada nos tempos antigos e nossos atuais.

Antigamente esse assunto sobre a morte era melhor entendido e vivido. Os mortos eram velados em suas casas, junto das famílias, onde as crianças cresciam conscientes que a morte, embora difícil, era algo natural e inevitável. Hoje não encaramos esse fato. Empurramos a morte para longe e vivemos como se não existisse. Ninguém quer sequer envelhecer.

Isso é triste, mas esse tipo de decadência aconteceu em todas as famílias que se afastaram da prática religiosa.

Os túmulos dos antepassados, que eram tão bem cuidados, hoje pedem uma reforma...

Em alguns lugares ainda vigora o costume dos ossários em igrejas, as famílias podem manter um vínculo com sua história. A família vai à Missa ou a outra atividade paroquial, e depois visita seus falecidos.

Duas passagens bíblicas para refletir sobre a morte:

1) "Porque agora vemos por um espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." (I Cor 13, 12)

2) "Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me [...]" (Mateus 25)

O segundo é aquele que diz como devemos nos comportar perante as pessoas, como ver Jesus no próximo e respeitá-lo como criatura e filho de Deus, parte integrante do plano de salvação.

O primeiro faz com que eu procure julgar o mínimo possível o meu próximo, já que é impossível não julgar o outro algumas vezes. Tenho uma tendência a deixar a ira me dominar por períodos breves, porém intensos, principalmente quando sou ofendida sem razão. É até automático me lembrar deste verso de São Paulo, é como se ele me dissesse: "filho, você não sabe o que está se passando no coração do seu irmão, mas um dia você saberá". Só Deus sabe o que há no mais íntimo do coração de cada um, portanto acredito que todo julgamento humano é limitado.

Preparação para a morte, de Santo Afonso Maria Ligório é uma boa leitura.

As orações de Santa Brígida também são uma boa reflexão, sobre a Paixão de Cristo e sobre nossa própria vida e morte.

As orações pelos agonizantes, pelos que hoje ainda vão morrer, também é uma boa oração para ser feita.

A idéia da morte era algo que perpassava os mais simples atos devocionais dos católicos até algumas décadas atrás. Num Adoremos que tenho (1951) a última oração da noite era esta:

Oração para alcançar uma boa morte


Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor. Ó meu Deus, hei de morrer com certeza, mas não sei quando, nem de que modo, nem onde. Só uma coisa sei, que perecerei eternamente, se expirar em algum pecado mortal. Beatíssima Virgem Maria, Santa Mãe de Deus, rogai por mim pecador agora e na hora de minha morte. Amém.

 

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