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In Festo Omnium Sanctorum: Apologética sobre imagens e culto.


Beáti mundo corde, quóniam ipsi Deum vidébunt: beáti pacífici, quóniam fílii Dei vocabúntur: beáti qui persecutiónem patiúntur propter iustítiam, quóniam ipsórum est regnum coelórum. Proprium de Sanctis, Communio (Matth. 5, 8-10)

Sobre imagens e o culto ao Santos:

Intercessão dos santos

(APOCALIPSE 8,3 E 4)

Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, PARA QUE OS OFERECESSE COM AS ORAÇÕES DE TODOS OS SANTOSNO ALTAR DE OURO, que está adiante do trono.
A fumaça dos perfumes SUBIU DA MÃO DO ANJO COM AS ORAÇÕES DOS SANTOS, DIANTE DE DEUS.

(APOCALIPSE 6 DE 9 A 11)

Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.
E CLAMAVAM EM ALTA VOZ, DIZENDO: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?
Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.

Aqui os textos mostram claramente que os santos oram diante de Deus em seu Trono.

(II Coríntios 5,8-9)

8. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor.
9. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe.

Apoc. 5, 6 – 8:

6 - Eu vi no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos um Cordeiro de pé, como que imolado. Tinha ele sete chifres e sete olhos (que são os sete Espíritos de Deus, enviados por toda a terra).
7 - Veio e recebeu o livro da mão direita do que se assentava no trono.
8 - Quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos).

São Lucas 20, 38.

Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele.

São Marcos 12,25-27

Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus.
Mas quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Êx 3, 6)?
Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados.

Romanos 8, 38-39

Pois estou persuadido de que nem a MORTE, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Coríntios 7,2-3

Acolhei-nos dentro do vosso coração. A ninguém temos ofendido, a ninguém temos arruinado, a ninguém temos enganado.
Não vos digo isto por vos condenar, pois já vos declaramos que estais em nosso coração, conosco unidos na MORTE e unidos na vida.

Jeremias: "E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se" (Jer 15, 1 ss).

No tempo de Jeremias, estavam mortos Moisés e Samuel, mas sua possível intercessão é confirmada pelas palavras do próprio Deus: "ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim...", quer dizer que eles poderiam se colocar diante de Deus para pedir clemência para com aquele povo. Em outras palavras, Deus deixa clara a possibilidade da intercessão após a morte.

Zacarias diz: "que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos" (1, 12 -13)

Filipenses 1,20

Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte.

Hebreus 11,4

Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício bem superior ao de Caim, e mereceu ser chamado justo, porque Deus aceitou as suas ofertas. Graças a ela é que, apesar de sua morte, ele ainda fala.

Sobre a inconografia e imagens

O catolicismo hoje é visto em muitos círculos como uma religião calminha, tranqüila, pacífica. Nem sempre foi assim. A aceitação das imagens está ligada às contradições da sociedade bizantina da época. A classe rica do Império Romano do Oriente era fortemente iconoclasta (contra as imagens). O exército, então, era fanático. Quem gostava de sua pintura de Maria, sua escultura de Jesus, era o povão. Quando o imperador mandou quebrar uma imagem que havia sob um portão do Palácio um grupo de mulheres cercou os funcionários e sacudiu as escadas e os fez despencar lá de cima! Alguns imperadores não eram tão iconoclastas, mas tinham medo do exército. Outros eram fanáticos, como Leão III, Constantino V. Esse pessoal mandava cortar aos pedaços gente que tinha imagens.

Os argumentos sobre o uso das imagens brandindo hoje nos sites e blogs católicos foram coligidos por um homem chamado João, filho de Mansur. Escreveu os “Discursos sobre as imagens”. Não foi morto. E por quê? Porque ele estava sob o domínio muçulmano. Mas o Imperador falsificou uma carta dizendo que ele era um espião, e os muçulmanos cortaram sua mão. A maldade humana chega a isso. Mas Maria restaurou sua mão. É o que diz a lenda. Hoje ele é conhecido como São João Damasceno, comemorado a 04 de dezembro. Foi o principal argumentador na luta pelas imagens. (Nos últimos tempos do catolicismo, o Papa é tudo, ou quase. Temos que nos reportar a um tempo em que outras pessoas tinham importância. A luta foi conduzida por este e outros homens).

Os Papas foram fortemente iconófilos (a favor das imagens). Os Imperadores escorchavam a Itália de impostos e o povo de lá estava de paciência esgotada. O Imperador decretou a quebra das imagens pouco depois de criar um novo imposto. A revolta econômica se somou à revolta religiosa e o Papa liderou as duas. Isso gerou o descolamento dos Papas do Império Bizantino, e a Igreja se voltou para o Ocidente e se tornou uma religião de europeus. Veja quanta conseqüência!

Idolos remete à idolatria, que na doutrina judaico-cristã é adorar algo em lugar de Deus. O sentido de "ídolo" que é dado hoje, como inspiração em algum caráter de outra pessoa, não tem nada a ver com o sentido teológico. A veneração e o reconhecimento dos exemplos dos santos recebe na doutrina católica o nome de dulia -- no caso de Maria Santíssima, Mãe do Senhor, é hiperdulia, também por razões teológicas.

Sendo assim, adorar um bezerro de ouro como se fosse Deus e rezar olhando para uma imagem de São José são coisas bem diferentes.

Os
Santos são os nossos heróis, assim como a Pátria tem seus heróis, como Tiradentes, e os venera com um dia especial de comemoração.

O II Concílio de Nicéia (787) deixou muito clara a distinção entre:

latreia ("verdadeira adoração")

timetiké proskynesis ("prosternação de honra")

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_19871204_duodecim-saeculum_po.html

Quem se prostra em sinal de reverência, por exemplo, diante de um rei, não está adorando. Quando eu chamo meu pai de "senhor" ou minha mãe de "senhora", não estou adorando.

A Bíblia (Almeida) diz "A quem honra, honra" (Romanos 13:7).

E só isso que a doutrina católica autoriza: ela não manda que se adore os santos, apenas autoriza que veneremos. Se alguém os adora como se fossem ídolos, não está fazendo o que ela manda.

Santos são pessoas que foram justificadas por Jesus Cristo, pela ação de Sua graça conquistada na Cruz. Assim, quem está em santidade, rompeu com o pecado, não o comete mais, é santo e, se morrer assim, continuará sê-lo na eternidade. Em uma palavra, santo é o amigo de Deus, que se deixou inundar de Sua graça.

Por isso, nós os imitamos. Se eles chegaram no céu, nós também podemos!

Por isso, nós os respeitamos. Alguém que muito serviu a Cristo deve ser alvo de nossa admiração. Esse respeito é um tipo de culto, mas não se assemelha, em nada, ao culto devido a Deus. Aos santos prestamos culto de respeito, veneração, enquanto a adoração, o reconhecimento da divindade, só tributamos ao Senhor.

Também por isso nós os invocamos. Assim como os irmãos podem orar uns pelos outros, os santos, na glória, não deixam de poder fazê-lo. Nada melhor, para apresentar a Cristo os nossos pedidos, do que quem está mais perto d'Ele, não.

Os santos são modelos, mas modelos porque unidos a Jesus. Não são substitutos nem estão em pé de igualdade. Nosso amor aos santos é apenas por causa do amor a Jesus.

 

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