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Index Librorum Prohibitorum


O Index Librorum Prohibitorum foi abolido em 1966 pelo Papa Paulo VI.

Hoje, a maioria das pessoas lêem besteiras pela Internet. Seria preciso um Index que incluísse todos os sites errados.

Ao longo desses séculos, desde a sua criação até a sua abolição, tivemos muitas edições do Index, e muitos autores tiveram seus nomes acrescentados lá, com suas obras.

Eu acho que está muito bom como está. Não desejo, em absoluto, a volta do Index. Embora compreenda as razões da Igreja ao ter instituído o Index, no século XVI, a abolição deste é mais compatível com a perspectiva do livre arbítrio, uma vez que uma fé que se abala com qualquer leitura, ou é muito fraca, e nesse caso deve ser abandonada em prol da verdade (é a verdade que procuramos), ou é a pessoa que é pouco instruída (e nesse caso deve buscar corrigir esse defeito).

A fé católica nunca teve nada a temer da verdade. Portanto, grandes estudiosos como Santo Tomás sempre deixaram as questões muito claras, enfrentando todo tipo de oposição às verdades cristãs. Se há falta de instrução, isso não é motivo de instituir uma regra geral, mas cada um busque corrigir a si próprio.

Por último, de nada adiantaria um Index de Livros Proibidos hoje, com os fiéis conectados ao mundo virtual e lendo besteiras em sites e blogues por esta Internet afora. Seria necessário um Index Interneticum.

E também um Index de filmes, já que há muitas aberrações cinematográficas que fazem muito mal às almas.

É bem verdade que um mau livro, mesmo que não atinja diretamente o intelecto, ludibriando a razão com artifícios, pode despertar paixões, como ira, ódio, tristeza, e essas paixões podem, por sua vez, afetar o intelecto, e pôr em perigo a fé. E ninguém deve expor-se sem motivo a esse perigo. Todavia, os efeitos do pecado original não são tais que não permitam ao homem desvencilhar-se das paixões da alma, e, para isso, deve previamente ser instruído no estudo da sã filosofia e da sã teologia. Também é correto que cada um saiba responder às questões dos infiéis, e busque por si próprio a verdade, a qual adira livremente (Dignitatis humanae, 2), já que o perigo de pecar existe inerente à nossa própria natureza.

Mas isso mostra como houve uma sadia preocupação da Igreja com o bem-estar dos fiéis. No século XVI, a tranquilidade dos fiéis era ameaçada por agitações de todo o tipo, e o perigo da literatura protestante e da má filosofia tornavam iminente o risco de apostasia mesmo num clero pouco instruído. Muitas dessas razões são comuns a todas as eras da Igreja, pois, a todo momento, a fé é agitada por inovações, daí haver desde o início do cristianismo a queima de má literatura (At 19,19). Todavia, há boas razões também para que os fiéis busquem instruir-se a respeito de todo tipo de literatura, e essas razões foram colocadas no parágrafo acima.

O INDEX foi criado numa época em que a imprensa se afirma e traz uma revolução em matéria de escrita. Na Idade Moderna surgem novos centros de saber desligados da Igreja e fundamentados em iniciativas particulares ligadas a pequena burguesia comercial etc. A novidade da livre interpretação da bíblia trazida por Lutero, aliada ao advento de novas iniciativas literárias desligadas de um sólido conhecimento científico - numa época em que grande parte da população não tem conhecimento acadêmico e que a influência dos pregadores heréticos passa de oralidade para a escrita, popularizando de forma inconsequente algo que antes pertencia aos circulos eruditos - contribui para a adoção do INDEX.

Acho um bom exemplo do que ocorria com essa popularização da cultura o caso de um processo de inquisição de um moleiro da península itálica, narrado pelo historiador Carlo Ginzburg em o Queijo e os Vermes. Percebo aí a confusão que a leitura, sem o lastro do conhecimento, pode trazer.

Sou contra uma lista de livros proibidos, mas acho que deve ter uma lista de livros não recomendados para quem não tem uma boa formação!

 

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