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Milagre sedevacantista confirma a tese da vacância?


Finalmente os 12 ativistas da Sé Vacante estão pulando de alegria porque agora não precisam tanto das teorias das conspirações inventadas para dar sustento à ideologia vacante surgido na França em 1974 que eles outorgam como doutrina tradicional católica, pois um fenômeno denominado por eles como "milagre eucarístico" ocorreu entre com padre Paul Schoonbroodt, o mesmo padre que cria teses (ou seja, uma pode ser verdadeira e ou falsa) sobre a "invalidade" das ordenações no rito de Paulo VI, já refutada aqui.

Mas é possível mesmo haver milagres entres os sedevacantistas?

O que é interessante mencionar, é que Schoonbroodt é louvado por eles como teólogo expert sobre a invalidade do rito de ordenação de Paulo VI mas o mesmo padre só usa os argumentos católicos sobre as ordenações nulas anglicanas, ou seja, ele trabalha sua "teologia" em cima do defeito antigo da fórmula anglicana (eles corrigiram, mas já era tarde) aplicando na fórmula do rito novo como se ambos tivessem as mesmas palavras.


Trecho de uma série da documentação mais aplaudidas entre os ativistas
Quando li uma de suas teses, pensei encontrar algum argumento novo, mas nada de novo debaixo do sol. Ele elabora textos misturando elementos teológicos com a fictícia posição adotada, como os atuais anglicanos que expressam uma ótimo tratadbre eclesiologia, mas insere nele a ordenação feminina.

E enfatiza que a nova fórmula não expressa a forma tradicional. Como não? A forma tradicional é fazer o que a Igreja diz, oferecer sacerdotes para a Igreja, cumprindo a ordem metafísica de Cristo da sua presença física através dos sacramentos agindo in persona Christi. Logo trata-se apenas de uma especulação subjetiva particular de
Schoonbroodt.

Vamos fazer um quadro dos sacramentos, segundo sua divisão tradicional, como foi sistematizada pela Escolástica. É difícil definir sob a ótica de hoje o que seria exatamente "matéria e forma", já que são conceitos, frutos de uma linguagem antiga, um tanto imprecisa.

Uma coisa em comum é sobre a Intenção de quem ministra o Sacramento. Sempre que houver uma "reta intenção", ainda quem o administra não conheça todas as conseqüências do ato ou mesmo não tenha uma fé perfeita ou se lhe falta o "estado de graça", o Sacramento é sempre válido. Afinal, quem age no Sacramento e transmite a Graça Santificante é próprio Deus, portanto, o ministro é um simples "executor" do mesmo.

Batismo

Matéria: a água e o ato de batizar;
Forma: Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
Ministro: ordinário: bispo, padre ou o diácono; extraordinário: qualquer pessoa;
Intenção: Ter aquela que a Igreja tem ao administrar o Batismo.

Crisma

Matéria: a unção e imposição das mãos;
Forma: As palavras do Rito
Ministro: Bispo, padre (extraordinário)
Intenção: a mesma de cima

Eucaristia

Matéria: o pão e o vinho;
Forma: as palavras consacratórias;
Ministro: Sacerdote (bispo ou padre)
Intenção: a mesma de cima

Penitência

Matéria: o arrependimento, contrição e satisfação;
Forma: a absolvição
Ministro: Sacerdote (bispo dentro de sua jurisdição, e o padre que recebe a provisão do mesmo);
Intenção: a mesma acima.

Ordem

Matéria: a imposição das mãos por parte do bispo;
Forma: as palavras pelas quais é designado para que fim está sendo ordenado;
Ministro: Bispo
Intenção: a mesma acima.

Matrimônio

Matéria: sua consumação;
Forma: a aceitação pública mútua dos noivos;
Ministro: os noivos
Intenção: as mesmas acima.

Unção dos Enfermos

Matéria: os santos óleos
Forma: a unção como os óleos e as palavras do Rito;
Minsitro: o Sacerdote (bispo ou padre)
Intenção: as mesmas acima.

Ninguém pode por em causa a intenção do ministro, ela está salvaguardada em dogma no concilio de Trento.

2. Doutrina da Intenção

A doutrina romanista ensina também que o valor do sacramento não depende do caráter moral ou espiritual do ministro oficiante. "Por esta razão os sacramentos produzem seus efeitos, ainda que os ministros secundários não sejam dignos de administrá-los."

O Concilio de Trento (Sessão VII, Cân. XII) decretou: "Se alguém disser que o ministro que está em pecado mortal não efetua Sacramentos, ou não o confere, ainda que observe quantas coisas essenciais pertencem para efetuá-lo ou conferi-lo, seja excomungado."

A forma da Eucaristia são só as palavras da Instituição, e é precisamente nesse momento que o pão e vinho com alguns gotas de água se tornam Cristo, com seu Corpo, Alma e Divindade (Trento, Dz 876). Este é o ensino do Catecismo de S. Pio X.

Em Trento:

"Foi também sempre esta a fé na Igreja de Deus: que logo depois da consagração estão o verdadeiro corpo de Nosso Senhor e seu verdadeiro sangue conjuntamente com sua alma e sua divindade, sob as espécies de pão e de vinho, isto é, seu corpo sob a espécie de pão e seu sangue sob a espécie de vinho, por força das palavras mesmas"

No Catecismo de S. Pio X:

602.- ¿Cuál es la forma del sacramento de la Eucaristía? - La forma del sacramento de la Eucaristía consiste en las palabras que empleó Jesucristo: éste es mi Cuerpo; ésta es mi Sangre.

Quando do momento da Consagração na Missa, há uma divergência entre Oriente e Ocidente. No Oriente, sempre se considerava a Epiclese com a imposição das mãos sobre as oferendas como o momento da Consagração. No Ocidente predominou a doutrina que seria no momento que o Sacerdote recita as palavras da narrativa da Ceia que seria a consagração, provavelmente, porque o "Cânon Romano" não nomeia explicitamente o Espirito Santo. Atualmente, há uma tendência em considerar a consagração como um todo. Assim no momento que o Sacerdote invoca o Espírito Santo, impondo as mãos sobre as oferendas, deve-se considerar como o início da consagração, que termina com a palavras da narrativa da instituição.

O que diz o Catecismo da Igreja Católica:

1105. A epiclese («invocação sobre») é a intercessão mediante a qual o sacerdote suplica ao Pai que envie o Espírito santificador para que as oferendas se tornem o corpo e o sangue de Cristo e para que, recebendo-as, os fiéis se tornem eles próprios uma oferenda viva para Deus.

1106. Juntamente com a anamnese, a epiclese é o coração de qualquer celebração sacramental, e mais particularmente da Eucaristia:

«Tu perguntas como é que o pão se torna corpo de Cristo, e o vinho [..] sangue de Cristo? Por mim, digo-te: o Espírito Santo irrompe e realiza isso que ultrapassa toda a palavra e todo o pensamento. [...] Baste-te ouvir que é pelo Espírito Santo, do mesmo modo que é da Santíssima Virgem e pelo Espírito Santo que o Senhor, por Si mesmo e em Si mesmo, assumiu a carne» (São João Damasceno, De Fide Orthodoxa, 4,13).

Em 1729, o Papa Bento XIII escreveu aos melquitas:

"Não pela invocação do Espírito santo, mas pelas Palavras da Consagração [da Instituição] é que ocorre a transubstanciação."

A tese do Príncipe Maximiliano da Saxônia, que tentava reconciliar as duas teorias, de que as Palavras da Instituição seriam necessárias para a igreja latina e a epiclese para a igreja grega, foi condenada por São Pio X em 1910 (D. 3556).

No decreto de reunião com os armênios e jacobitas no Concílio de Florença (1439-1445) não há nenhuma referência sobre a epiclese, mas estava colocado que as Palavras da Instituição são a forma da Transubstanciação (D. 1320, 1352).

Poderia, aliás precisar uma, a de Bento XII (1334-1342), que me seu Libellus "Cum dudum" ad Armenios (agosto de 1341), na qual ele não se dirige à Igreja Armênia, como um todo, mas a quibusdam zelantibus sine mandato officialli instituta et hostilem in Armenios animum redolente. Errores notati plerumque apud solos Armenios dissidentis inveniuntur. Enchiridion Symbolorum, 1002, Hen. Denzinger - Herder 1965) e lembra a doutrina exposta por você. Nada tenho contra ela e a entendo como fruto de um contexto peculiar.

A epliclese não é uma invenção modernista. Ela se tornou controvertida, opondo o costume do Oriente ao do Ocidente, por motivos políticos bem conhecidos, elencados por Fócio na destituição do Patriarca Inácio, não aceita por Roma. Fócio trouxe à baila a questão do filioque, do uso do pão não-fermentado, a questão da epiclese, tão relevantes em suas anáforas eucarísticas, que aparece discretamente no Cânon Romano. Por exemplo em sua conclusão: "Per ipsum... in unitate Spiritus Sancti...". Isso resultou numa repulsa por parte da Igreja Latina contra tais insinuações. Parece que há hoje um consenso que a consagração acontece "num todo": a epiclese, a imposição das mãos, as palavras da narrativa.

Em todas as narrativas sobre a instituição, o primeiro ato de Jesus é de tomar o pão e o abençoar, (de "dar graças" - grego ευχαριστησας, que nos deu a palavra "Eucaristia"), depois pronunciar as palavras. Muito dos Padres da Igreja entenderam ao dizer: Hoc est enim corpus meum, a matéria já não era mais pão, mas já o seu verdeiro corpo. O verbo "est" (εστιν) parecia confimar isso. Afinal, a "narrativa da instituição" não é uma fórmula mágica. Infelizmente há quem pensa assim e muitos procuram o Batismo, por exemplo, porque acham que seus filhos batizados estarão com o "corpo fechado"... etc.

Aliás, há um rock'n'roll dum grupo holandês, Focus, chamado Hoco Copus, que evoca uma fórmula mágica medieval sobre as palavras latinas da consagração. Uma blasfêmia medieval numa língua que vagamente lembra o latim. Hélas.

É doutrina católica certa que não se requer a epíclese para realizar a transubstanciação. Isso ensinou expressamente S. Pio X (D 2147a), e já havia sido transmitido por Clemente VI, por Bento XIII, por Bento XIV e por Pio VII. Mas pode ser depreendido também do fato de que a epíclese, estritamente tal não se encontra em todas as liturgias, nem sequer em todas as orientais.

As palavras da epíclese não têm efeito consecratório, mas declaratório: são a explicação litúrgica do que ocorre no momento da transubstanciação.

O Sacramento da Eucaristia, como os demais sacramentos, é um grande mysterium, que foge a toda compreensão humana. Como dizia São Tomás com muito acerto: Praestet fides supplementum sensuum defectui. A fé é razoável, embora escape com freqüência da senso comum.

Acima foi mencionado, uma citação sobre a epiclese do Catecismo da Igreja Católica que explica alguma coisa. Não vejo problemas nenhum em relação à transubstanciação. Pois é no momento que o Sacerdote impõe as mãos, pedindo ao Pai que envie o seu Santo Espírito sobre as oferendas (a matéria), repetindo as palavras da instituição da Eucaristia por Jesus, que ocorre a transubstanciação. Por isso, ao meu ver, a "forma" seria todo o conjunto: a invocação, a imposição das mãos, a narrativa.

Chequemos a autoridade de Clemente VI (1342-1352). Epistola "Super Quibusdam" de 29 de setembro de 1351. Para o nosso assunto, ele escreve: Quod corpus Christi post verba consecrationis sit idem numero quod corpus natum de Virgine et immolatum in cruce.

Não contradiz em nada do que disse acima, embora ele não cite, especificamente, como verba consecrationis somente: "Hoc est enim corpus meus" e "Hic est enim calix sanguinis meis...".

Entendemos a Missa tanto a de Paulo VI como a de São Pio V como ela deve ser. Um refeição ritual, onde se comporta um sacrifício. Os judeus ao fazerem, louvavam a Deus pela libertação do Egito, sacrificavam um cordeiro que poupara a vida dos hebreus. Era a recordação de uma aliança perpétua entre Deus e seu povo. Foi nesse contexto que Jesus instituiu o Sacrifício da Nova Aliança, que já não é mais uma mera recordação, mas uma atualização de seu próprio sacrifício. Ele é o cordeiro e também o sacerdote. Para haver um sacrifício, carece das ofertas, por isso temos o ofertório e todo o que segue.

Quando recorremos a definição do Concílio de Trento, temos que ver a que era destinado.

Ora, os protestantes negavam não só o sacrifício da Missa, portanto, o sacerdócio, mas também a presença de Cristo após a Ceia. Em vida, Lutero pediu a Melanchton uma espécie de pesquisa sobre o que os demais reformadores pensavam sobre o que ele chamava a Ceia do Senhor. Melanchton apresentou mais de 50 interpretações divergentes sobre a Eucaristia.

Sei que vocês sabem, mas se alguém ler este artigo e não conhecer esta tragédia protestante, gostaria de elencar, ainda que superficialmente, três teorias mais importantes. Todas divergem da Eucaristia católica e muito:

LUTERO: Ensinava a "impanatio" (já cogitada por Berengário no século XI, que voltara atrás diante do enérgico Umberto, cardeal da Silva Candida), uma presença real, negando, no entanto, a transubstanciação. Conclusão, após a Ceia, o pão e o vinho voltam a ser pão e vinho, que podem ser descartados. Desconhece assim a "reserva" eucarística;

ZWINGLIO: Tomava uma posição totalmente oposta. Tudo é um puro simbolismo. O corpo e o vinho já não mais "são", mais "significam" o corpo e o sangue do Senhor. Aqui, até a Bíblia foi corrompida. A ele seguiu, Carlstadt, Butzer... os "sacramentários", como os chamava Lutero;

CALVINO: Assume uma posição intermediária. Quem comunga come o pão, toma o vinho, mas "espiritualmente" recebe o Cristo glorioso que está no Céu. Melanchton parece que também se inclinava para esta posição;

RESUMO: Destas três doutrinas, todas elas excluem a transubstanciação. Terminada a Ceia, pão é pão, vinho é vinho. Aí entra o ensino do Concílio de Trento que após a narração da instituição, ainda que permaneçam os acidentes da matéria, são e permanecem o Corpo e o Sangue de Cristo. Daí a insistência que após as palavras da consagração, não há mais volta, mas neste aspecto, não entra no mérito do que vem antes das palavras do Senhor contidas no Novo Testamento.

A Missa começa com o ofertório, passa pela consagração e termina na consumação (a comunhão). Sendo que na oração eucarística, repete-se a mesma dinâmica da Ceia judaica: o louvor, a ação de graças, a bênção e "o novo", isto é, não mais um cordeiro, mas o próprio Cristo como sacerdote e vítima.

Ainda assim, sedevacantistas se prendem com as teorias de seus mágicos.

Ordem

Matéria: a imposição das mãos por parte do bispo;

Rito de Paulo VI


Rito de São Pio V


Forma: as palavras pelas quais é designado para que fim está sendo ordenado;

Rito de Paulo VI:

Ó misericordioso Deus e Pai, louvamos-Te porque enviaste Teu Filho Jesus Cristo, que tomou sobre si a forma de servo e se humilhou, tornando-se obediente até a morte de cruz. Louvamos-Te porque O exaltaste e fizeste Senhor sobre todos e, através d’Ele, nos ensinaste que o maior entre todos é aquele que serve. Louvamos-te pelos diversos ministérios em Tua Igreja e por teres chamado ________ para a Ordem de Presbítero.

Portanto, ó Pai, por Jesus Cristo, Teu Filho, concede o Espírito Santo a ________________. Enche-o de graça e poder, e faze-o um Presbítero na Tua Igreja.

Faze-o, ó Senhor, modesto, humilde, forte e constante para praticar a disciplina de Cristo. Permite que sua vida e ensino sejam reflexos de Teus Mandamentos para que, por eles, muitos venham e Te conhecer e amar. Assim como Teu amado Filho não veio para ser servido, mas para servir, possa este Presbítero compartilhar do serviço de Cristo e venha a usufruir a sua sempiterna glória, que contigo e o Espírito Santo reina um só Deus, por todos os séculos.

Receba a autoridade para exercer o Ofício de Presbiterado, agora a ti conferido pela imposição de mãos. E sê um fiel despenseiro da Palavra de Deus e dos Seus santos Sacramentos. Em Nome do Pai, do Filho e Espírito Santo.

Ministro: Bispo

Intenção: Ter aquela que a Igreja tem ao administrar o sacramento

O erro dos anglicanos foi justamente a supressão das palavras designatórias do sacerdócio após a invocação do Espírito Santo, como menciona o Papa Leão XIII em na bula Apostolicae curae.

"[...] No rito da execução e administração de qualquer sacramento corretamente distinguimos entre parte cerimonial e a parte essencial, que são usualmente chamadas matéria e forma. E todos sabem que os sacramentos da nova lei, sendo sinais sensíveis e eficazes da graça invisível, devem tanto significar a graça que produzem como o efeito da graça que significam. ...Ora, as palavras que até a última geração estavam universalmente em uso pelos anglicanos, a fim de serem a forma propriamente dita da ordenação ao sacerdócio, a saber, Recebe o Espírito Santo, estão certamente longe da significação precisa da ordem do presbiterato, ou de sua graça e poder, que é especialmente o poder de consagrar e oferecer o verdadeiro corpo e sangue do Senhor naquele sacrifício que não é mera comemoração do sacrifico cumprido na cruz. Essa forma foi, é verdade, posteriormente acrescida das palavras para o ofício e a obra de um sacerdote, mas isso antes prova que os anglicanos estavam conscientes de que as primeiras palavras eram defeituosas e inadequadas. E a adição, mesmo que fosse capaz de dar a necessária significação à forma, foi introduzida muito tarde, porque um século já se escoara desde a aceitação do "Edwardian Ordinal": a hierarquia tinha terminado e já não restava nenhum poder para ordenar.

Assim também no caso da consagração episcopal. Pois à fórmula Recebe o Espírito Santo as palavras para o ofício e a obra de um bispo não só foram acrescentadas muito tarde, como logo notaremos, mas uma interpretação diferente deve ser-lhes dada daquela do rito católico... Assim se chega ao resultado que, visto que o sacramento da ordenação e o verdadeiro sacerdócio cristão foram totalmente eliminados do rito anglicano e visto que na consagração dos bispos daquele rito não é conferido o sacerdócio, não pode ser conferido um verdadeiro episcopado... Com esse profundo defeito na forma coexiste um defeito de intenção, a qual também é necessária para a execução de um sacramento[i]... E assim... pronunciamos e declaramos que as ordenações feitas segundo o rito anglicanos são totalmente inválidas e inteiramente vãs."

Os sedevacantistas se apóiam na carta Saepius Officio que os anglicanos escreveram em resposta ao Papa Leão XIII para afirmar a continuidade da Sucessão Apostólica na Igreja Anglicana, de que apenas a intenção bastaria para que o sacramento fosse válido, sendo que no rito de Paulo VI não consta apenas a intenção, mas toda matéria e forma necessária para a validação das ordenações.

Portanto, ao repetir a sentença do "teólogo" sedevacantista de que a fórmula nova não expressa a forma tradicional, eles admitem ainda que inconscientemente que a nova fórmula é válida mas que insuficiente para expressar a intenção da Igreja.

O que eles nunca nos respondem é porque eles classificam como inválidas as fórmulas do rito novo se procuram absolvição com os padres na confissão do rito de Paulo VI.

Milagres no sedevacantismo e nas falsas religiões, possível?

Em tese sim, assim como outros fenômenos extraordinários, mas eles devem promover a conversão dos protestantes ou ser uma "graça" dada a quem está em ignorância invencível.

No protestantismo luterano e sedevacantista e na Ortodoxia, há a presença de meios de santificação, como o batismo, a Bíblia, sacramentos válidos (alguns), que estão ausentes das religiões pagãs. É claro que quem se salva fora da Igreja visível, salva-se por ignorância invencível e por intermédio da Igreja Católica, como membro invisível desta. Mas dispondo a igreja à qual pertence materialmente, de sacramentos válidos, recebe a graça e os sacramentos, posto que são necessários para sua salvação.

Deus não descuida daqueles que estão em ignorância invencível. No filme "Apocalypto", embora seja uma obra de ficção, passa-se essa mensagem. Mas há casos relatados desses acontecimentos, e como temos a nossa crença na Providência, tomamos também esses fatos como sendo a própria intervenção divina, tencionando levar os homens ao arrependimento. É claro que o milagre difere de uma ação ordinária da Providência porque se subtrai às próprias regras da natureza. Mas a Providência também não exclui o milagre.

Há um milagre que, segundo a Igreja Ortodoxa, ocorre todo ano na Páscoa por intermédio do Patriarca ortodoxo de Jerusalém: é o chamado "milagre do fogo sagrado":

http://www.amen-etm.org/MilagrePascalnoSantoSepulcro.htm

Esse milagre dá autenticidade para o cisma da Igreja Ortodoxa?

Um milagre pode ser feito visando a conversão de alguém que já está de alguma forma orientado para Deus. É o caso relatado nas Sagradas Escrituras, de Cornélio, o qual parece ter sido um prosélito ou simpatizante do judaísmo, porque dava esmolas e orava a Deus (At 10,2). Contudo, Deus impulsionou-o a se tornar católico através de um milagre, pelo qual apareceu-lhe um anjo de Deus e lhe disse que suas esmolas e orações tinham subido para memória diante de Deus.

É um caso que cito, inclusive, contra os jansenistas, que diziam que tudo o que fazemos antes da regeneração tem valor de pecado, ou que o homem não pode merecer, ao menos de côngruo, a graça da regeneração, como sugere Santo Tomás (S. Th., I-II, q.114, a.3,6,7).

Deus não tem necessidade operar milagres em canto nenhum. A hipótese do milagre numa falsa religião ou numa missa sedevacantista está desconectada da possibilidade de confirmar qualquer erro, mais ainda sobre a famigerada vacância da Sé.

 

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