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Subjetivismo e critério quantitativo na crítica ao Opus Dei

Dos 90 mil membros do Opus Dei no mundo, 98% são leigos, homens e mulheres. Os restantes são sacerdotes. São 1.600 membros na África, 4.700 na Ásia e Oceania, 29.500 nas Américas e 49.200 na Europa.

Em nossos dias, alguns santos, pelo exemplo de sua vida e pela eficácia de seus ensinamentos, contestam conceitos defendidos pela sociedade secularizada. Em conseqüência, tornam-se alvo de crítica que busca neutralizar o sucesso do trabalho de evangelização, que contraria falsos princípios, em voga no ambiente anticlerical. A fidelidade à diretriz da Igreja contradiz o que é ensinado na sociedade atual por vários grupos bem organizados, de maneira particular, nos meios de comunicação social. Como exemplo, campanhas contra São Josemaria Escrivá e a instituição “Opus Dei” (Muitas vezes por ditos tradicionalistas que ficam meses sem Missa e sacramentos), que tantos beneméritos serviços presta à Igreja do Senhor Jesus. Vivem até às últimas conseqüências a fidelidade ao magistério eclesiástico. E isto desagrada a certas correntes de pensamento, em voga.

Questões objetivas e doutrinárias estão descartadas, o que vale são opiniões subjetivas quanto ao caráter "exagerado" das práticas do Opus Dei e das teorias das conspirações sobre São Josemaria Escrivá.

Vejamos por exemplo, esse artigo entitulado:

A falsa ortodoxia do Opus Dei “Au royaume des aveugles, le borgne est roi.”

Esse provérbio francês, melhor traduzido por “Em terra de cegos dos dois olhos, quem é cego de um olho só é rei.”, pode ser muito bem aplicado a diversos “movimentos” e personagens da triste era pós-conciliar. A tão grandes abusos, escândalos e apostasias chegaram muitos dos seguidores do Concílio Vaticano II, que certos elementos menos heréticos chegam mesmo a serem considerados conservadores. Um destes grupos, considerado “ultra-conservador” é o Opus Dei. A imprensa gosta de criticá-lo por aquilo que ainda restou de católico nele. Mas aqui a minha intenção é mostar exatamente o contrário: de como o Opus Dei não é legitimamente católico e, aliás foi um grande precursor do ecumenismo suicida do Vaticano II. Este meu primeiro artigo sobre o tema é uma simples tradução de um trecho do original francês encontrado no site Virgo Maria (www.virgo-maria.org). Esse artigo mostra, através de citações dos livros do próprio Opus Dei, a forma como eles foram precursores da apostasia conciliar e pós-conciliar

O modo de direção das obras… apostólicas. Esses trabalhos, como se sabe, respondem a uma finalidade sobrenatural. Eles são, entretanto, concebidos e dirigidos com uma mentalidade laica…, e portanto não são confessionais. (Mons. Escriva de Balaguer, Salvator Bernai, ed. Rialp, p. 309)

As casas do Opus Dei são residências interconfessionais onde «vivem estutandes de todas as religiões e ideologias.(Conversaciones con Mons. Escriva de Balaguer, éd. Rialp, p. 117).


A afimação do pluralismo para os católicos, nos primeiros anos do Opus, foi uma novidade incompreensível por muitos, porque eles tinham sido formados em uma linha completamente oposta. (”Mons. Escrivá…” p. 311).


A Obra era assim a primeira associação da Igreja que abria fraternalmente seus braços a todos os homens, sem distinção de credo nem de confissão. (Tiempo de caminar, ed. Rialp, Ana Sastre, p. 610).


Nós amamos a necessária conseqüência da liberdade, isto é, o pluralismo. No Opus Dei, o pluralismo é desejado, amado e não somente tolerado, e não causa qualquer dificuldade. (p. 127).


Não são apenas palavras: nossa Obra é a primeira organização que, com a autorização da Santa Sé, admite não católicos, cristãos ou não. Eu sempre tomei a defesa da liberdade de consciência. (Mgr Escriva…, p. 296).


Quando, em 1950, o Fundador obteve enfim da Santa Sé a permissão de admitir na Obra padres diocesanos e de poder nomear não católicos - incluindo não cristãos - como cooperadores da Obra, a família espiritual do Opus Dei ficou completa. (p. 244).


Que a Santa Sé pudesse admitir como cooperadors todas as pessoas (católicos ou não, mesmo não cristãos) que desejassem colaborar materialmente ou espiritualmente com o apostolado da Obra, havia algo de inaudito na prática pastoral da Igreja; este ruído de fechaduras, de portas que se abrem, integrando as almas dos benfeitores protestantes, cismáticos, judeus, muçulmanos e pagãos…


Foi somente depois de lustros, e com o início do atual ecumenismo, que este passo audacioso lhes tinha podido causar muita incompreensão tomou lugar naturalmente na história contemporânea. (El Fundador de l’Opus Dei, Andrés Vasquez de Prado, éd. Rialp, p. 235).

Para mantê-la (a Obra), além dos membros do Opus Dei, havia outras pessoas que ajudavam, algumas delas não católicas e um grande número, um número muito grande não são cristãs… (da boca do próprio Monsenhor Escrivá de Balaguer, Tiempo… p. 615).

Os organismos competentes da Santa Sé chegaram à convicção de que uma tal concessão é para o momento impossível. A Obra não entra em nenhuma forma associativa reconhecida pelo direito da Igreja. Um alto personagem da Cúria disse a Dom Álvaro del Portillo: Vocês chegaram um século antes. (Tiempo… p. 326).

O Concílio Vaticano II promulgou solenemente aquilo que Monsenhor Escrivá de Balaguer, por sua espiritualidade e sua vida, e o Opus Dei, ensinaram e praticaram já há muitas décadas. (p. 14).


O fundador do Opus Dei, depois de muitos anos de incompreensão, teve a satisfação de ver importantes Padres conciliares, tais como os Cardeais Frings (Colônia), König (Viena), Lercaro (Bolonha) e outros, reconhecê-lo como um verdadeiro precursor do Vaticano II, especialmente em que concerne os pontos capitais que marcam para o Concílio a rota a seguir no futuro. (p. 303)


Diante dos jornalista, Monsenhor Escrivá declarou que na ocasião de uma audiência ele havia dito ao Papa João XXIII: “Em nossa Obra, todos os homens, católicos ou não, encontraram um lugar amável: eu não aprendi o ecumenismo por meio de Vossa Santidade. (p. 246)


Para os Papas João Paulo I e João Paulo II, o Opus Dei e seu fundador eram já fatos históricos objetivos que anunciavam o início de uma nova época do cristianismo. (Opus Dei, Peter Bergler, éd. Rialp, p. 243).


Deve-se estar satisfeito ao terminar este Concílio. Há trinta anos, tratavam me por herético, por ter pregado um certo espírito que agora reconhecido de maneira solene pelo Concílio na Constitiuição dogmática De Ecclesia. Vê-se que nós caminhamos na frente, que vocês rezaram muito. (Tiempo…, p. 486).


O Fundador do Opus Dei é um “conservador” [...] de uma profundidade e de uma convicção tais que elas fizeram por sua vez as maiores revoluções católicas destes dois últimos séculos. (Opus Dei…, p. 243).


A realidade ecumênica de “Camino” obriga a se perguntar como páginas, onde o texto é profundamente marcado, pôde se espalhar entre pessoas pertencendo aos meios culturais, não somente afastados da origem do “Camino”, mas tão diferentes entre eles. (Estudios sobre Camino, Mgr Alvaro del Portillo, éd. Rialp, p. 48).

Esta dimensão humana de “Camino” explica a capacidade demonstrada por este livro de entrar em contato com as aspirações de todo homem ou mulher realmente consciente de sua própria dignidade, independente de suas convicções religiosas; assim se oferece ao leitor o desejo e o impulso na direção de uma vida humanamente mais limpa e mais nobre. (p. 52)


Durante meu trabalho nas Comissões do Concílio Vanticano II, eu pude constatar como atualizava, às vezes laboriosamente, em seus documentos, uma concepção de vida cristã e de critérios pastorais que são como a atmosfera de “Camino”. (p. 55).

Por esta época, “Camino” preparou milhões de pessoas para entrar em sintonia e receber em profundidade certos ensinamentos dos mais revolucionários que, trinta anos mais tarde, seriam promulgados solenemente pela Igreja no Concílio Vaticano II. (p. 58)

O Papa: “Vocês tiveram certamente um grande ideal, porque desde o início ele antecipou a teologia do laicato que caracterisou pela seguida da Igreja do Concílio e do pós-Concílio. (Alocução de 19 agosto de 1979)


Depois de todas essas citações, já não há quem possa tentar defender a ortodoxia do Opus Dei. Mesmo sendo o site (do qual eu traduzi o artigo) radical nas suas posições sedevacantistas, eu considerei o artigo excelente pois ele desmascara o Opus Dei, não deixando margem para contra-argumentos de seus defensores. A não ser aqueles argumentos estúpidos e visivelmente mentirosos do nível do Falsitatis Splendor. Será que eles virão?

(adaptado - sem os negritos- de http://intribulationepatientes.wordpress.com/category/opus-dei/ )

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Um velho ditado espanhol nos ensina que "A palabras locas, orejas sordas". Os espanhois estão certos...

Eles sempre estiveram certos, até mesmo depois que uma parte deles foi envenedada com o veneno francês.

Enfim. Há coisas que realmente não valem a pena refutar. Uma delas é esse tipo de argumento que insiste em dizer que a iniciativa ecumênica encontrada no Concilio Vaticano II e praticada pela Obra ANTES mesmo do Concilio é o ecumenismo modernista, o ecumenismo dos frades de Assis ou dos padres da TL. Ora, ortodoxo é justamente quem sem mantem fiel a doutrina da Igreja, sem os exageros a mais ou a menos. Dessa maneira, entre o titulo do texto e os recortes a respeito da Obra e do seu Santo Fundador há um "non sequitur" gritante.

Como o artigo é quase só citação, 80% do artigo [tudo o que está em itálico] é excelente!

Vou guardar, porque eles se deram ao trabalho de fazer uma ótima coletânea, que evidencia o papel de "precursor do Concílio" que teve S. Josemaria. Somente na perspectiva deles isso pode ser ponto negativo...

Foi traduzido do francês, e a tradução está mesmo sofrível! Em alguns pontos, pode provocar mal entendidos, talvez propositais...

Vale a pena discutirmos alguns aspectos. Essas críticas são muito diferentes das "a la Dan Brown" ou das lapiseiras, que são pura lenda ou ridículo estereótipo. O Opus Dei sofre incompreensão no sentido mais literal do termo. E certamente os que o qualificam como “ultra-conservador” se surpreenderiam ao ler citações como estas.

Vindas de tradicionalistas, essas incompreensões não se restringem à Obra. São uma boa mostra das suas principais dificuldades com relação ao CV II. E é por isso que vale a pena aprofundar.

Espero não faltar ao que chamamos na Obra de "humildade coletiva" com o comentário que vou fazer agora... Se o faço, é porque penso que pode ajudar, e que deve-se a pura graça de Deus.

S. Josemaria foi, como dito, um precursor do Concílio. Por isso, os ensinamentos do CV II foram assimilados com muitíssima facilidade pela Obra. E como S. Josemaria ainda viveu 10 anos do pós-Concílio [10 anos nos quais sofreu muito pela situação da Igreja], teve condição de separar com muita clareza o joio do trigo, de fazer uma adequada interpretação dos documentos conciliares, em harmonia com a Tradição. E todos nós bebemos desta fonte.

Tomando como exemplo a liturgia, na Obra sempre se celebrou a Missa na forma ordinária [depois explico a exceção do próprio S. Josemaria], mas nunca se abandonou o latim, nem o gregoriano, nem o "coram Deum", embora se celebre também em vernáculo e tenhamos altares "coram populo". Totalmente em harmonia com o CV II, usa-se o pastoralmente mais adequado a cada situação, sem dramas nem complicações.

Talvez seja exatamente isso que irrita alguns lefebvristas...

Laicidade e laicismo

Já na primeira citação há uma tradução inadequada:

O modo de direção das obras… apostólicas. Esses trabalhos, como se sabe, respondem a uma finalidade sobrenatural. Eles são, entretanto, concebidos e dirigidos com uma mentalidade laica…, e portanto não são confessionais. (Mons. Escriva de Balaguer, Salvator Bernal, ed. Rialp, p. 309)

A expressão correta, ao menos a que usamos habitualmente, é mentalidade laical. E a confusão feita, que faz com que alguns se escandalizem com o trecho, é entre laicidade e laicismo. A laicidade, que está na entranha do espírito da Obra, e que é um dos pontos altos do CV II, é o correto entendimento do papel do leigo cristão na Igreja e na sociedade. Não apenas não se confunde com o laicismo como, é seu melhor antídoto.

A exceção do próprio S. Josemaria que continuou a celebrar a Missa tradicional

S. Josemaria tinha enorme amor à Santa Missa, e a vivia de forma muito intensa, totalmente absorto em Deus. Com o passar dos anos, foi adquirindo muitos costumes de piedade pessoal, ligados a cada parte, cada oração. Eram orações ou atitudes interiores, que não transpareciam, mas que preenchiam cada minuto com uma intensa relação de intimidade com Deus.

Algo dessa sua piedade pode ser percebido na homilia A Eucaristia, mistério de fé e de amor:

http://www.escrivaworks.org.br/book/cristo_que_passa-capitulo-9.htm

A homilia data de 1960, portanto ele está comentando a Missa Tridentina, como se pode perceber também pelos trechos citados.

Teria S. Josemaria críticas à nova liturgia aprovada por Paulo VI? Se tinha, não as externou. Ele também tinha imenso amor ao Papa e à virtude da obediência, e sua reação imediata foi aderir a ela e passar a celebrar de acordo com o previsto. Ou pelo menos tentar fazer isso...

Ele já tinha quase 70 anos, e a intensa vivência a que me referi acima. Por isso, com freqüência se enganava nas novas rubricas. Para piorar o assunto, tinha um sério problema de visão, que lhe dificultava acompanhar o Missal. Pediu a D. Javier [o atual prelado], que fazia de acólito quando ele celebrava, que o advertisse quando errava, porque queria aprender a celebrar corretamente. Mas isso o desconcentrava, fazia com que perdesse o clima de oração...

Além disso, ele tinha ciência de que muitos iam além das mudanças previstas e havia abusos litúrgicos, o que muito lhe doía. Queria desagravar o Senhor cumprindo perfeitamente as rubricas, e sentia ainda mais dor quando errava.

D. Álvaro sugeriu-lhe que fizesse uso do indulto que havia sido concedido a padres idosos, para que continuassem a celebrar a Missa Tridentina. Mas ele recusou, porque queria oferecer a Deus o sacrifício de obedecer às novas normas, e não queria que o seu pedido pudesse ser interpretado como crítica. Proibiu expressamente D. Álvaro de pedir para ele o indulto.

Um dia, D. Álvaro [que trabalhava como consultor no Vaticano] cruzou no corredor com o Cardeal encarregado desses indultos, que lhe perguntou por S. Josemaria. Durante a conversa, D. Álvaro contou-lhe a situação, inclusive o fato de que fora proibido de pedir o indulto, ao que o Cardeal respondeu:

"
Pois diga ao Monsenhor que o senhor não me pediu o indulto, mas que eu o concedi".

Foi então que S. Josemaria voltou a celebrar no rito antigo, sempre privadamente.

Isso soa amistoso demais, uma amizade do tipo que valorizo demais. Lembra-me de como eu me relaciono com meus melhores amigos. "ad Deum qui laetificat iuventutem meam!".

Sobre o ecumenismo

Sobre o ecumenismo e diálogo inter-religioso, acho que a experiência da Obra traz um problema para os lefebvristas. Afinal, fica evidente que Pio XII aprovou, em 1950, um documento no qual se autoriza o Opus Dei a aceitar como Cooperadores os não-católicos e não-cristãos.

Então, fica claro para quem considera isso um problema, que não é um "problema" que seja fruto do CV II.

Adaptando de uma frase muito conhecida: Os lefebvristas vieram para resolver os problemas que não existiam ANTES deles.

 

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