"Galton, que teve excelentes oportunidades de observar os arménios semi-selvagens do sul da África, diz que os mesmos não podem suportar nem sequer uma separação momentânea do grupo (20). São essencialmente escravos, não procurando sorte melhor do que aquela de serem dirigidos por um boi qualquer que tenha suficiente confiança em si mesmo para aceitar a posição. Os homens que irrompem entre estes animais para domesticá-los, põem-se a espiar atentamente aqueles que, pastando separados, revelam uma disposição de autoconfiança e estes são adestrados como guias. Galton acrescenta que tais animais são raros e preciosos e, se deles nascessem muitos, seriam imediatamente eliminados, de vez que os leões estão sempre de emboscada contra os chefes que se distanciam do grupo" (p. 127 - referência 1)
"Como às vezes se pode ver que está se travando uma batalha entre os vários instintos nos animais inferiores, assim não é estranho que exista uma luta no homem entre os seus instintos sociais, com as suas virtudes derivadas e os seus impulsos e desejos inferiores, embora momentaneamente mais incitantes. Conforme observou Galton, isto é tanto me nos surpreendente, porquanto o homem foi imerso por um estado de barbárie num período relativamente recente" (p. 150).
"Até aqui tenho considerado somente o progresso do homem, saindo de uma condição semi-humana para aquela do moderno selvagem. Merece que se acrescentem algumas referências a propósito da ação da seleção natural nas ações civilizadas. Este tema tem sido discutido com habilidade por W. R. Greg e anteriormente por Wallace e por Galton. Muitas das minhas observações são extraídas destes três autores" (p. 160)
"Pela primogenitura, os homens que são ricos são capazes de selecionar, geração após geração, as mulheres mais lindas e atraentes que em geral gozam de saúde do corpo e são ativas de intelecto. As consequências danosas, que podem existir, de uma contínua conservação da mesma linha de descendência, sem seleção de nenhum gênero, podem ser freadas por homens capazes que desejam sempre incrementar a sua riqueza e o seu poder, o que realizam mediante o casamento com as herdeiras. Mas as filhas únicas, conforme demonstrou Galton, são elas mesmas levadas a ser estéreis; assim as famílias nobres são continuamente partidas na linha direta e as suas riquezas se extravasam para alguma linha lateral; mas, infelizmente, esta linha não é determinda por uma superioridade de um gênero qualquer" (p. 163)
"Muitas vezes se tem objetado, para ideias semelhantes, que os homens mais eminentes não têm deixado descendentes que herdassem o seu grande intelecto. Galton afirma: "Sinto desgosto em ser incapaz de resolver a simples questão sobre até que ponto homens e senhoras, que são muito geniais, são estéreis. Contudo, tenho demonstrado que homens eminentes não são absolutamente assim". Grandes legisladores, fundadores de religiões benéficas, grandes filósofos e gênios da descoberta científica ajudam o progresso do gênero humano em medida mais elevada com as suas obras do que gerando uma numerosa prole. No caso das estruturas corpóreas, o fator que contribui para um progresso de uma espécie é a seleção de indivíduos ligeiramente mais dotados e a eliminação daqueles menos dotados, e não a conservação de anomalias fortemente acentuadas e raras. O mesmo se dará com as faculdades intelectuais, visto que os homens um pouco mais hábeis em qualquer grau da sociedade têm melhor êxito do que os menos hábeis e, conseqüentemente, progridem em número, quando não são obstaculados de um outro modo. Quando numa nação o nível de inteligência e o número de pessoas inteligentes cresceram, de acordo com a lei do desvio da média, podemos contar com o aparecimento dos gênios com um pouco mais de frequência do que antes" (p. 164).
"Greg e Galton muito têm insistido sobre o obstáculo mais importante, existente nos países civilizados, contra o aumento do número dos homens de classe superior, isto é, sobre o fato de que os mais pobres e os negligentes, que frequen temente são degradados pelo vício, quase invariavelmente se casam antes, enquanto que os prudentes e os frugais, que em geral são virtuosos também em outras maneiras, contraem matrimônio em idade avançada, com a finalidade de poderem ser capazes de permanecer, eles mesmos e os seus filhos, na comodidade" (p. 165).
"Conforme observou Galton, numa época antiga, quase todos os homens nobres, que se dedicavam à meditação ou à cultura, não pos suíam nenhum refúgio a não ser no seio da Igreja, que exigia o celibato ; isto dificilmente podia ter deixado de causar uma influência deteriorante nas sucessivas gerações" (p. 168).
"Baseados na lei do desvio da média, tão bem ilustrada porGalton em seu livro Hereditary Genius, podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas" (p. 648).
"Por outro lado, Galton observou que, se o prudente evita o matrimônio enquanto que o incauto se casa, os membros inferiores tendem a suplantar os membros me lhores da sociedade. Como qualquer outro animal, o homem sem dúvida chegou à sua atual condição elevada através de uma luta pela existência, devida ao seu rápido progresso; se deve progredir ainda mais, teme-se que deva estar sujeito a uma dura batalha. Se assim não fosse, chafurdaria na indolência e os mais dotados não teriam mais êxito na luta pela vida do que os menos dotados. Por isso a nossa natural taxa de aumento, embora leve a muitos prejuízos óbvios, não deve ser de algum modo muito reduzida. Deveria estar aberta a competição para todos os homens; e com as leis e os costumes não se deveria impedir que os mais capazes tivessem melhor êxito e que criassem o maior número de filhos. Por mais importante que a luta pela existência tenha sido e ainda continue sendo, contudo no que diz respeito ao desenvolvimento das qualidades mais elevadas da natureza humana existem outros fatores mais importantes. Com efeito, as qualidades morais progrediram, tanto direta como indiretamente, muito mais por efeito do hábito, das faculdades raciocinantes, da instrução, da religião, etc., do que pela seleção natural; muito embora a esta última se possam com segurança atribuir os instintos sociais, que constituíram a base para o desenvolvimento do senso moral" (p. 710).