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A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo (2ª Parte, Seção 1, Tópico 14)


“A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo” do Pe. Tomas Pégues, O. P., é uma excelente obra para aqueles que desejam iniciar o estudo da Obra Magna de Santo Tomás. Um tanto raro aqui no Brasil, haja vista que sua última edição em português data do início da década de 40, este livro é formulado como todos os catecismos tradicionais em perguntas e respostas e é de agradável leitura.

SEGUNDA PARTE: O HOMEM PROCEDE DE DEUS E PARA DEUS DEVE VOLTAR

PRIMEIRA SEÇÃO: NOÇÕES GERAIS ACERCA DO MODO COMO O HOMEM TEM DE VOLTAR A DEUS

XIV. DOS PECADOS MORTAIS E VENIAIS

Que pecados Deus castiga com a pena eterna?
Os pecados mortais (ibid.).

O que entendeis por pecado mortal?
O que causa a morte da alma, destruindo nela a caridade, que é o princípio e fonte da vida sobrenatural (LXXXVIII, 1).

Por que Deus castiga esses pecados com pena eterna?
Porque, ao destruir-se o princípio da vida sobrenatural infundido por Deus na alma, o pecador fica impossibilitado de remediar os efeitos da sua culpa naquela ordem; portanto, enquanto durar o estado de pecado, e durará sempre, deve durar o castigo (ibid.).

Todos os pecados que o homem comete são mortais?
Não (LXXXVIII, 1, 2).

Que nome têm os que não o são?
São chamados de pecados veniais (ibid.).

O que entendeis por pecados veniais?
Os pecados menos graves, e cujos efeitos o homem pode resistir com o auxílio ordinário da graça, visto que não têm o funesto poder de privar a alma da vida sobrenatural da caridade; não merecem, portanto, castigo eterno, e são chamados de veniais, isto é, facilmente perdoáveis, da palavra latina “venia” que significa perdão.

Se um homem, em pecado mortal, comete outros veniais e neste estado a morte o surpreende, padecerá também castigo eterno pelos pecados veniais?
Sim; porque, privado da caridade, não pode nesta vida dar-lhes remédio, e após a morte, todos são eternamente irreparáveis.

De que provém que uns pecados são mortais e outros veniais?
Por parte do objeto, - da natureza e importância da desordem que provoca o ato pecaminoso, por parte do sujeito, - do grau de liberdade com que se executa (LXXXV, III, 2).

O que quereis dizer quando afirmais que, por parte do objeto, da natureza e importância da desordem que provoca o ato pecaminoso?
Entendo que há pecados que por sua natureza se opõem diretamente, ou são incompatíveis com a submissão e amor a Deus, na ordem sobrenatural; e há os que constituem uma menor insubordinação e são, no entanto, compatíveis com o amor habitual de Deus na ordem da graça (ibid.).

Quais são os pecados que se opõem diretamente ao amor sobrenatural de Deus, ou são incompatíveis com este amor?
São os daquele que recusa a prestar a Deus o obséquio do amor sobrenatural; os que essencialmente quebram, e, enquanto deles depende, destroem a subordinação do homem a Deus; os que lesam gravemente a harmonia e a boa ordem da sociedade; os que invertem a ordem de dependência e subordinação entre as diversas partes do indivíduo.

Podereis dizer-me alguns em concreto?
Sim; tais são os pecados de desprezo do amor divino, e os cometidos contra a honra de Deus; os de roubo, homicídio, adultério e os pecados contra a natureza.

Qual é o critério mais seguro para distinguir as diversas classes de pecados e sua gravidade?
O de contratá-los com as virtudes opostas, não só em geral, como em particular.

Teremos ocasião de verificar esse contraste?
Fá-lo-emos, com o auxílio divino, ao terminar o estudo em geral dos meios conducentes à pratica das virtudes, e necessários para evitar vícios e pecados.

O que nos resta saber nesta matéria?
O referente aos auxílios ou princípios exteriores das boas ações.

Quais são os auxílios exteriores de que o homem necessita para bem proceder?
Existem dois: A lei para dirigi-lo, e a graça para socorrer a tua debilidade (XC-CXIV).

 

©2009 Tradição em foco com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino