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Novela “Que Rei Sou Eu?” e a Monarquia na ótica católica


O canal Viva já tem uma novela substituta para Roque Santeiro (de segunda a sexta-feira à meia-noite e quinze): é Que Rei Sou Eu?, já com teasers no ar (as primeiras chamadas curtas que aguçam a curiosidade do telespectador). A estreia é em 7 de maio.

Que Rei Sou Eu? é um dos maiores sucessos da teledramaturgia da Globo. A novela foi ao ar originalmente entre fevereiro e setembro de 1989, e reprisou uma única vez, logo após sua apresentação, entre outubro e dezembro de 1989, em forma compacta. Escrita por Cassiano Gabus Mendes, com a colaboração de Luís Carlos Fusco, a novela foi dirigida por Jorge Fernando, Mário Márcio Bandarra, Lucas Bueno e Fábio Sabag.


No fictício reino de Avilan, três anos antes da Revolução Francesa, o Bruxo Ravengar (Antônio Abujamra), de conluio com a Rainha Valentine (Tereza Rachel), põe no trono um mendigo, Pichot (Tato Gabus Mendes), o que vem atender aos interesses dos nobres, para evitar que os rebeldes – os representantes do povo – assumam o poder, mais especificamente Jean-Pierre (Edson Celulari), filho bastardo do falecido rei e legítimo herdeiro do trono de Avilan.

A trama de capa e espada propunha uma paródia bem humorada do Brasil do final da década de 1980. O reino de Avilan era um micro cosmo do país, onde os conselheiros reais representavam os políticos corruptos. A novela retratou a instabilidade financeira do Brasil, com sucessivos planos econômicos, moeda desvalorizada que mudava de nome, elevada carga de impostos, entre outros acontecimentos comuns ao brasileiro daqueles tempos.

Que Rei Sou Eu?
, estreia 07/05/2012, 0h15 com reprise às 12h no dia seguinte.


A Monarquia como doutrina da Igreja


Como católicos devemos sempre procurar, acima de tudo, a salvação da alma. É dever do Estado Católico facilitar para que isso ocorra. Nesse sentido,
O Regime do Príncipe, de Santo Tomás de Aquino, que inspira o espírito monárquico. O Brasil já de início, por vocação, trazia estampado no céu o Cruzeiro do Sul, somos a Terra da Santa Cruz. E as naus de Cabral aqui chegaram trazendo estampada nas velas a Cruz da Ordem de Cristo. E o primeiro ato em Ilha de Vera Cruz foi o Santo Sacrifício da Missa, em latim, na língua da Igreja, unindo nossa terra à Roma de Sempre semeando a boa semente que faria dessa terra o maior país católico do mundo.

E crescemos na Graça de Deus. Lá estão as Missões no Rio Grande do Sul, em pleno século XVI, aonde índios de pés descalços aprendiam o catecismo, cantavam a Santa Missa em gregoriano e aprendiam a ler e a escrever. Não eram mais selvagens, eram nossos irmãos mais bronzeados e com eles e elas casaram-se os portugueses formando uma nova raça, uma nova etnia, o Povo de Deus. E foram os padres como Manuel da Nóbrega, José de Anchieta e o Pe. Antonio Vieira que foram pouco a pouco batizando esta terra, cristianizando este povo.

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Um dia crescemos. Um piedoso Rei católico, educado pelos monges beneditinos, aportou neste país. Vinha com ele todo um séquito de nobres, de profissionais, de estudiosos e de religiosos que se transferiam para esta terra deixando o velho Portugal, invadido pelas tropas revolucionárias de Napoleão. E foi com um Te Deum na primeira Catedral do Rio, hoje a Igreja do Rosário da Imperial Irmandade dos Homens Pretos, que Lisboa se mudava para o Rio e éramos a nova capital do Reino. E foi aqui que cresceu D. Pedro de Alcântara, aquele jovem heróico, que com apenas 24 anos de idade, foi nosso primeiro Imperador. E Debret desenhou a Bandeira do Império figurando nela a Cruz da Ordem de Cristo.

Quem visita a Basílica antiga de Aparecida lá encontra na frente uma placa singela historiando que foi ali que D. Pedro I consagrou o Brasil a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Essa mesma Nossa Senhora que, por paternal decisão do Santo Padre Pio XI, foi coroada Rainha do Brasil, em 1931, com uma coroa que lhe oferecera D. Isabel. Aqui no Brasil, sua festa era originalmente no dia 7 de setembro, dia da nossa Independência. É a Padroeira Principal do Brasil. São Pedro de Alcântara é nosso Padroeiro Secundário.


Em 15 de maio de 1827 o Santo Papa Leão XII, pela Bula
Praeclara Portugalia, criou no Brasil a Ordem de Cristo, desligando-a de Portugal e concedendo-lhe o Padroado das Igrejas e Benefícios do Império, sendo os Imperadores do Brasil perpétuos Grão-Mestres. Eis aí o Padroado Brasileiro, que vigorou durante o Primeiro e Segundo Império. D. Pedro I nos concedeu a primeira e mais duradoura constituição de nossa história, a Carta de 1824, que inspiraria inúmeras constituições pelo mundo, principalmente a da Bélgica e, mais modernamente, a do Reino do Marrocos. Nela eram reconhecidos os direitos da Santa Igreja e o Brasil tinha por religião de Estado a Igreja Católica Apostólica Romana, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.



D. Pedro I casou-se com a Arquiduquesa d'Áustria D. Leopodina, botanista e pianista, e que foi Regente do Império nas viagens pelo Brasil de D. Pedro I. Foi portanto a primeira mulher a governar um país neste continente. A segunda seria sua neta, D. Isabel. Em 1831 uma conspiração de origem maçônica poria fim ao reinado de D. Pedro I, mas não à Monarquia.

Deixava D. Pedro I, no Brasil, um órfão de 5 anos de idade, D. Pedro II. Em 1826 morrera-lhe a mãe, D. Leopoldina, aos 29 anos de idade. Ele tinha 1 ano. Aos 5 viu partir, para sempre, o pai para Portugal. D. Pedro I lá morreu em 1834 aos 35 anos de idade.

Foi D. João VI, pai de D. Pedro I, quem proibiu as atividades da Maçonaria no Brasil. É verdade, no entanto, que muitos brasileiros eram maçons e que se destacava entre eles José Bonifácio. Frequentava uma loja alternativa que procurava continuar existindo mesmo depois do decreto de D. João VI. Para lá ele levou o Príncipe D. Pedro, ainda muito jovem, e o recebeu dando-lhe o nome de Guatimozin. D. Pedro lá ficou por muito pouco tempo. Quando compreendeu a verdadeira natureza da Maçonaria, não só saiu de lá como fechou a loja e todas as que encontrou em território brasileiro.

Foi por isso derrubado. Hoje impossível uma união do Altar e do Trono nos moldes que havia no Império. Convém lembrar, no entanto, que no Brasil Imperial, ninguém era convertido à força. Aqui tínhamos alemães luteranos, suíços calvinistas e judeus eslavos e ibéricos. E ninguém foi perseguido ou proibido de praticar o seu culto. Quanto ao Catolicismo ser a religião do Estado nada demais vejo nisso. Já na Inglaterra a religião oficial é o Anglicanismo, na Escócia, o Presbiterianismo, nos países escandinavos o luteranismo, na Holanda a Igreja reformada e assim por diante. E os católicos são as vezes perseguidos.

Por exemplo, a Princesa Irene da Holanda, irmã da Rainha Beatrix, converteu-se ao catolicismo e se casou com o Príncipe de Bourbon Parma que é católico. Foi forçada a renunciar a eventuais direitos ao Trono. O atual Príncipe Consorte da Dinamarca, que era católico, foi forçado a apostatar para se casar com a Rainha Margareth II. O Duque de Gloucester, primo da Rainha da Inglaterra, foi obrigado a renunciar a eventuais direitos ao trono para se casar com uma condessa austríaca que é católica.

Mas... as coisas mudam. O Duque de Kent, grão-mestre da Maçonaria inglesa, o Príncipe Charles não é maçom, vai à Missa todo o domingo com a esposa, convertida ao Catolicismo, sem que tenha tido de renunciar .

Os republicanos e maçons, disfarçados de católicos, pensam que o Estado Católico é um acidente histórico e, por isso, não fundam a ordem na Fé; têm uma atitude puramente crítica e postulam uma ordem puramente racional. Querem uma socioanálise, uma doutrina de ordem humana como condição de progresso. Devemos então esquecer uma ordem social, coroada por uma religião, e adotar uma ordem fundada na observação dos fatos sociais e nas leis daí derivadas. Como católicos não devemos e nem podemos concordar com isso.


Os monarquistas dizem que o rei é necessário pra dar segurança e estabilidade. Quem deve fazer isso são não são as leis?


Mas se as leis são criadas pelos políticos, como elas vão dar segurança e estabilidade?

A princípio esse pensamento poderia até estar certo, mas como as leis podem ser mudadas, no fim elas não servem pra substituir o poder moderador.

Se demos uma olhada no que anda acontecendo na América Latina veremos que a democracia sem poder moderador não funciona.

A democracia contém a semente da própria ruína. Ela sempre precisa de poder moderador.

A democracia pura funciona onde os eleitores tem acesso aos atos dos políticos eleitos, onde existe circulação livre de informações e onde o nível intelectual e cultural do povo é alto ( já que cada bóia-fria do país vai ter que entender de política).

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Mas nesse caso o povo seria o poder moderador.

Botar o rei como poder moderador não é idolatrar ninguém, é apenas botar alguém para exercer essa função. SE ele for mau caráter, a coisa desanda do mesmo jeito.

Felizmente a Família Imperial Brasileira é composta por pessoas de muito bom caráter.

A simpatia pelo regime monárquico não se dá não só pela Igreja ser uma monarquia, ou por teólogos como S. Tomás defenderem tal regime. Mas, parece-me, de todo, razoavel a idéa de que uma familia represente as familias e que um homem (ou uma mulher) seja um tipo de
depósito da tradição do povo. A monarquia é isso; mas não é só isso, claro. E também tem lá seus defeitos.

No entanto, é tremendamente estúpida a ideia de que iremos sustentar
um bando de parasitas ou que os impostos em paises monárquicos sejam maiores.

Primeiro, um principe - qualquer principe - é educado para governar. A vida dele é pública desde o nascimento, quer ele queira ou não. Desde os primeiros passos, até os desempenhos dele na escola, no exército, etc são expostos. Deste modo, a vida do sujeito é um belo fardo, e a idéia de
parasitas ociosos cheira a um jacobinismo besta.

Eu conheço capitalistas que nunca precisaram - e nunca vão precisar- mover um só dedo para ganhar dinheiro. Esses poucos sortudos podem ter uma vida de "Lord", mas estão bem longe de ter a vida infernal de um Rei.

Por outro lado, um dos países em que se paga mais imposto no mundo é o Brasil e que eu saiba um bando de milico iluminado botou o imperador em um navio rumo a Paris há tempos.

Vejam, para outros exemplos, é só pegar um atlas e algumas tabelas da ONU para chegar a conclusão óbvia de que a quantidade de imposto não tem absolutamente nada a ver com reis ou presidentes. Tem a ver - e muito- com a importância que se dá a propriedade privada e ao livre mercado.

São Tomás de Aquino não criou a tese que que a Monarquia era a melhor forma de governo, na verdade ele foi beber no pensamento de Aristóteles (384-322 a. C) a cerca das diversas formas de governo, que tem sua classificação clássica na obra A Política. Noberto Bobbio aborda a teoria das formas de governo de maneira muito boa em A TEORIA DAS FORMAS DE GOVERNO (10º ed. Editora UNB).

Mas na verdade o que existe são discussões meio boba sobre como a monarquia em tese pode ser boa, mas ora a democracia em tese também, com o fato de que não ficaremos presos a uma exigência legal de sermos governados por um rei e sua família, seja ela boa ou ruim, sem termos a capacidade, ou ao menos o direito, de mudar o rei se não o acharmos digno.

Se alguém defende uma uma monarquia eletiva não hereditária (que tecnicamente é o sistema de governo do Vaticano) isso me parece mais próximo de um Presidencialismo puro, do que de fato uma monarquia, a única diferença é a duração do mandato e o limite constitucional de poder.

Mais um modelo monárquico é extremamente complicado, quando estudamos a fundo a história do Brasil verificamos que a corrupção na verdade não vem exatamente aumentado não, o que vem de fato aumentando é a liberdade de imprensa. Na época imperial, os “amigos do rei” cometiam todo tipo de falcatrua e tráfico de influencia, mas como a imprensa ela controlada, ninguém ficava sabendo de nada... é o caso da ditadura brasileira e das ditaduras de modo geral.

A possibilidade que a democracia nos dá é fantástica, julgar seus próprios governantes é uma arma poderosa na mão de um povo educado, nosso problema então é mesmo educação.
 

Se se quiser julgar retamente, nenhuma das várias formas de governo é de si repreensível, pois nada têm que repugne à doutrina católica, e podem mesmo, se postas em prática com sabedoria e justiça, conservar o Estado numa ordem perfeita (Leão XIII. Encíclica Immortale Dei)

Nem aqui se põe o problema das formas de governo: não há razão para que a Igreja não aprove o governo de um só ou de muitos, contanto que seja justo e atenda ao bem comum. Pelo que, salva a justiça, não se proíbe aos povos que adotem o sistema de governo que mais adequadamente convenha ao seu genio próprio ou às instituições e costumes dos seus maiores (Leão XIII. Encíclica Diuturnum Illud)

A Igreja Católica, não estando de modo algum ligada a uma forma de governo mais do que a outra, ressalvados os direitos de Deus e da consciência cristã, não encontra dificuldades em compor-se com as diversas instituições políticas, sejam elas monárquicas ou republicanas, aristocráticas ou democráticas. (Pio XI. Encíclica Dilectissima Nobis)

A democracia, entendida num sentido amplo, admite distintas formas e pode realizar-se tanto nas monarquias como nas repúblicas. (...) O Estado democrático, seja monárquico ou republicano, deve, como qualquer forma de governo, estar investido do poder de mandar com uma autoridade verdadeira e efetiva. (Pio XII. Rádio-mensagem de Natal de 1944)

Diversos governos políticos se sucederam em França no decurso deste século, e cada um com a sua forma distinta: impérios, monarquias, repúblicas. Encerrando-se nas abstrações, chegar-se-ia a definir qual é a melhor dessas formas, consideradas em si mesmas; pode-se afirmar igualmente, em toda a verdade, que cada uma delas é boa, desde que saiba rumar diretamente ao seu fim, ou seja o bem comum, para o qual a autoridade social está constituída; convém acrescentar finalmente que, a partir de um ponto de vista relativo, tal ou tal outra forma de governo pode ser preferível, por se adaptar melhor ao caráter e aos costumes de tal ou tal Nação. Nesta ordem de ideias especulativas, os católicos, como qualquer cidadão, têm plena liberdade de preferir uma forma de governo à outra, precisamente em virtude de que nenhuma destas formas sociais se opõe, em si mesma, aos dados da sã razão, nem às máximas da doutrina cristã (Leão XIII. Encíclica Au Milieu des Sollicitudes)



Todos os que estão defendendo a tese de que a monarquia é, em si, má, injusta, etc, é porque ou desobedecem ao Magistério ou não leram as citações de Papas e de Santo Tomás de Aquino ou não entenderam. De qualquer modo: a Igreja considera que todas as formas de governo puras (democracia, aristocracia e monarquia) são boas, sendo que, em tese, a monarquia é a melhor; em concreto, na situação específica de um povo, a democracia poder ser melhor e mesmo a aristocracia; todavia, não será uma condenação à monarquia em si, mas à monarquia naquele caso concreto; ainda assim, defende a Igreja que, na monarquia, os resultados mais excelentes se alcançam quando a ela se juntam elementos aristocráticos e democráticos (exemplo: nobreza e parlamento).

Por isso, pode o católico ser republicano ou monarquista. O que não pode é o católico republicano considerar que a monarquia é, em si, errada, nem o católico monarquista considerar a república, em si, errada. Também o católico republicano não pode ignorar que, em tese, a monarquia é melhor, defendendo a república não por princípio, mas com base na eficácia, na análise da cultura de um povo etc. Quem defende a monarquia não é, por causa disso, um amante da injustiça ou da opressão.

Santo Tomás não conhecia os regimes de governo democráticos que temos atualmente, portanto precisa ser usado com muito cuidado, neste contexto.

O católico é livre para pensar como quiser, em termos políticos, exceto apoiando regimes que contrariam a Lei Natural.

A melhor forma, para Santo Tomás e Leão XIII, é uma combinação de monarquia com democracia e aristocracia. De qualquer forma, é uma
melhor forma em tese, dado que, em situações concretas, pode ser a democracia pura eletiva a melhor.

O povo tem uma percepção da realidade diferente da nossa, e aí entra o papel da propaganda ideológica que precisa se adequar à esse povo. Mas o ponto não é bem esse. O que questiono, é a necessidade de tomada de consciência do que os conservadores querem enquanto grupo no Brasil, e a necessidade de um plano que oriente e dê coerência às suas ações tanto pela Monarquia como por uma República de direita.

O problema é que os conservadores parecem não se reconhecerem como tal, e não há organização que possa levar a cabo um debate, uma vez que se reconheçam como tal. Não há instituição ou organismo nenhum que nos represente politicamente, e isto não só nos deixa à deriva, como impede a evolução do grupo. Que pelo menos houvesse um organismo que servisse para congregar e comunicar os conservadores brasileiros entre si.

É que a reação não passa de discussões ideológicas sem consequência material nenhuma. Ficamos com a sensação de que está se tentando criar terreno fértil para que, um dia, quem sabe, surjam os indivíduos e organizações para dar esta consequência material, enquanto no presente todos vivem motivados por essa esperança. É claro que é preciso levar em consideração as alternativas que a realidade brasileira viabiliza ao problema.

Por exemplo, a própria ideia de ter educado uma elite pensante. Quantos professores já formados com algum grau de afinidade com os valores conservadores uma organização não poderia congregar, de modo que esse coletivo agisse de modo coerente com vistas ao mesmo fim? É básico a necessidade de uma referência que articule o grupo. 


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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Novela “Que Rei Sou Eu?” e a Monarquia na ótica católica
David A. Conceição 03/2012 Tradição em Foco com Roma. RJ

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