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Dom de Línguas: RCC versus Tradição


Acredita-se que no instante da oração, do pedido feito, recebe-se a vinda do Espírito Santo e este pedido é a base de todo grupo de oração. Se ele não ocorrer, o grupo não cumpriu seu papel.

Como pedimos à muito na Igreja: Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis. E é lícito, ali se faz a mesma coisa. É o momento de pedir. Agora, se o Espírito Santo 
veio (este vinde é no sentido de que O deixamos agir - pois se estivermos em graça, Ele já está em nós - ) ninguém pode afirmar.

A questão é: se a pessoa que participa da oração, estiver em pecado mortal, ele não receberá a Efusão, caso ela aconteça de fato. Pois o divino Espírito habita numa alma limpa após a confissão sacramental. Creio que o máximo que pode ocorrer, é a pessoa, por uma graça de Deus, acordar para as coisa santas, se arrepender e voltar a Ele, o que efetivamente acontece.

Falta ensinar aos membros e aos servos estes conceitos e que eles não façam como se fosse mágica, que absolutamente não é. A vida cristã é luta e luta de morte.

Da maravilhosa pregação que fez Santo Antônio, frade menor, no consistório.

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O maravilhoso vaso do Espírito Santo monsior Santo Antônio de Pádua, um dos escolhidos discípulos companheiros de São Francisco, a quem São Francisco chamava de seu bispo, pregando uma vez diante do Papa e dos cardeais em um consistório em que havia homens de diversas nações, isto é, grega, latina, francesa, alemã, eslavos e ingleses, e de outras diversas línguas do mundo, inflamado pelo Espírito Santo, propôs a palavra de Deus tão devota, sutil, doce, clara e indelevelmente, que todos os que estavam no consistório, embora fossem de diversas línguas, entendiam clara e distintamente todas as suas palavras, como se ele tivesse falado na língua de cada um deles. E todos estavam estupefatos, e parecia que se havia renovado aquele antigo milagre dos Apóstolos no tempo de Pentecostes, os quais falavam em todas as línguas por virtude do Espírito Santo.


E diziam um ao outro, com admiração: “Não é da Espanha esse que prega? E como ouvimos todos nós que ele fala nas línguas de nossas terras?”. O Papa, semelhantemente, considerando e se maravilhando da profundidade de suas palavras, disse: “Verdadeiramente este é a arca do Testamento e armário da Escritura divina”. Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.


(I Fioretti de São Francisco, cap. XXXIX)

O Fioretti deixa claro o que é o dom de línguas. Ele nada tem haver com a 
oração em línguas da qual falam hoje em dia. O Churi Churin Fun Flais

O Dom existe, cremos que até mesmo a oração em línguas atestada pelas cartas de São Paulo exista, o problema é : isso que vemos hoje é o Dom de Línguas? Por que o que parece é que é mais um fenômeno provocado por sugestão mental, algo vinculado ao transbordamento de emoções em eventos religiosos de massa, uma espécie de transe. É só ver que em geral quem puxa a tal oração em línguas nestes eventos de massa é um animador que começa e a assembléia continua. A ação do Espírito é espontânea e não provocada nem tem hora marcada.

Mas dizer isso é pregar no deserto por que o que muita gente quer hoje é a sensação, a experiência do inefável mesmo que seja uma falsa experiência, por que o que importa é a comoção sentimental que aquilo causa , a sensação de conforto, etc.

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A efusão do Espírito Santo é fato, e a Igreja nos dá certeza dela em Pentecostes, nos Sacramentos da Confirmação e da Ordem, por exemplo. Claro, pois o Espírito Santo, outrora dado aos Apóstolos por Nosso Senhor, é dado pela imposição das mãos dos mesmos (cf. CIC §699). 
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A citação do CIC colabora com o foi dito. O que pode acontecer é que o Espírito Santo age ou pode agir, trazendo a pessoa para Deus, ou a tornando mais firme, caso já caminhe, já que é momento de orações num ambiente de louvor e escuta da palavra.

O divino Espírito sempre levará a pessoa à confissão e a Santa missa, onde receberá o próprio Cristo. Ele sempre levará à fonte das graças, que são os sacramentos da Igreja, instituídos por Cristo.
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É inclinável à tese de que o que hoje muitos chamam de efusão do Espírito Santo, e que acontece em grande massa, frize-se, seria tão somente a aceitação da parte do fiel a esta efusão que nos foi dada desde a Encarnação, por todos os tempos, o que causaria êxtase, júbilo...
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O erro que acontece e pode acontecer, é de se deixar as pessoas numa expectativa de que, exatamente naquele momento está acontecendo a efusão ou a vinda do Espírito Santo.

Rezar O pedindo nunca foi errado. Errado é afirmar ou deixar com que acreditem que realmente aconteceu, mesmo que muitos estejam até em pecado mortal.

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A Efusão do Espírito Santo pode acontecer até com a pessoa rezando o terço. Se aconteceu no grupo de oração ou não, tudo bem, o que não se pode é parar aí, onde se busca somente os dons e mais dons, sem que se ensine que existe vias de crescimento e que necessariamente passam por quebrantamentos e mortificações, e não em êxtases e orações desconexas.

A RCC precisa ordenar seus ensinos à doutrina da Igreja tal qual ela se apresenta, buscando o necessário e primordial.
O Espírito Santo sobrenaturaliza o homem.

Pois bem, Ele assim faz quando vem habitar em nossa alma e o faz nos ajudando a cumprir nossos deveres para com Ele, gozar da Sua presença e deixar-nos conduzir por Ele com docilidade, a fim de alcançarmos as disposições e virtudes de Jesus Cristo. Esta vida sobrenatural é a participação da vida divina, conferida pelo Espírito Santo que habita em nós, em virtude dos méritos de Jesus Cristo, a qual devemos cultivar contra as tendências opostas. A parte principal desta vida é Deus, pois Ele nos faz comparticipantes de sua própria vida, em virtude dos merecimentos de Jesus, que é causa: meritória, exemplar e vital de nossa santificação, portanto temos uma vida semelhante à de Deus.

A nossa vida consiste em utilizar os dons divinos, para vivermos em Deus e para Deus, em união com Jesus, imitando-o e combatendo a todo custo a tríplice concuspicência que persiste em nós, e como o Senhor nos dotou deste organismo sobrenatural, temos obrigação de o fazer crescer por meio de atos meritórios e da fervorosa recepção dos sacramentos.

Ter Deus dentro de si, este tesouro, deve fazer pensarmos sempre nesta presença e como consequência, nasce três sentimentos: adoração, amor e imitação.

Resumidamente é isto, se vermos bem, a presença do divino Espírito nos leva sempre à santidade se combatermos o mal sem esmorecer utilizando a Sua ajuda santíssima. Isto nós devemos buscar em primeiro lugar, para nosso bem e para a glória de Deus.

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Outra coisa: Os últimos tempos, que estamos vivendo, são os tempos da efusão do Espírito Santo.” Catecismo da Igreja Católica, 2819 Esta parte do catecismo explica bem onde queremos chegar a respeito da Efusão do Espírito:

A vinda final do Reino de Deus pelo regresso de Cristo (78). Mas este desejo não distrai a Igreja da sua missão neste mundo, antes a empenha nela. Porque, desde o Pentecostes, a vinda do Reino é obra do Espírito do Senhor, «para continuar a sua obra no mundo e consumar toda a santificação» (79).

2819. «O Reino de Deus [...] é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17). Os últimos tempos em que nos encontramos são os da efusão do Espírito Santo Trava-se desde então um combate decisivo entre «a carne» e o Espírito (80): «Só um coração puro pode dizer com confiança: 
Venha a nós o vosso Reino. É preciso ter passado pela escola de Paulo para dizer: Que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal (Rm 6, 12). Quem se conserva puro nos seus actos, pensamentos e palavras é que pode dizer a Deus: Venha a nós o vosso Reino!» (81).

Destaco uma reflexão do confrade Rafael Vitola Brodbeck:


Por ora, algumas indicações:

a) uma visita extraordinária do Espírito Santo, além daquelas recebidas nos sacramentos, é possível, sim, segundo a doutrina católica; nisso a RCC está de acordo com a ortodoxia da Igreja;

b) essa visita pode vir acompanhada de sinais sensíveis, mas nem sempre o vem; esses sinais podem ser manifestações místicas extraordinárias (dons carismáticos); o erro, em boa parte dos ambientes carismáticos, é tanto a indevida ênfase na manifestação dos dons, como se ordinários fossem (tornando trivial o que é extraordinário), quanto a pregação de que, ainda que não se manifestem dons, essa visita do Espírito Santo deva ser acompanhada de sinais sensíveis (emoções, consolações, coração aquecido); tudo isso pode ocorrer, mas na maioria das vezes não ocorre;

c) tal visita é uma graça de Deus, e nunca esteve ausente da vida da Igreja, não podendo ser fruto da RCC; a RCC cultiva com maior particularidade o amor, a busca e o estudo de tal visita, e aqui está sua riqueza; todavia, não se pode pretender que, sem a RCC, não há essa visita, esse enchimento do Espírito Santo, que sempre ocorreu na história da Igreja, com os leigos, com os diversos movimentos, ordens religiosas etc; até hoje, é possível e muito comum experimentar-se uma ação mais vigorosa do Espírito (até mesmo com sinais sensíveis!!!!) fora da RCC;

d) a expressão
batismo no Espírito é absolutamente inadequada; confunde-se com o sacramento do Batismo (pelo qual recebemos, de fato, o Espírito Santo), tem origem e forte conotação protestante (que não aceitam o Batismo como autêntico canal da graça, pelo qual recebemos o Espírito, distinguindo batismo das águas e batismo do Espírito; a Igreja ensina que o que é chamado por alguns evangélicos de batismo nas águas é, propriamente, um Batismo no Espírito, o sacramento do Batismo!);

e) erros na RCC não são a mesma coisa que erros da RCC. Ambos existem, mas muito mais os primeiros do que os segundos.

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Temos de matizar, como, aliás, é próprio do católico. Analisar tudo e reter o que é bom, conforme nos ensina São Paulo.

Muitos grupos, movimentos (num sentido amplo, não só as associações de fiéis) surgem fora da Igreja, e, após um tempo, nela ingressam. Foi assim com os movimentos de pobreza da Idade Média. Surgiram no meio dos hereges, dos espirituais. Aos poucos, alguns católicos começavam a se interessar por eles, mas não foi fácil a
descontaminação, se é que podemos dizer assim. Precisou vir um São Francisco e um São Domingos para purificar esses movimentos de pobreza, surgidos fora da Igreja e que nela agora ingressavam, pedindo cidadania católica.

Caso semelhante é o da RCC. O movimento pentecostal surgiu fora da Igreja, entre protestantes no fim do século XIX, início do XX. Aos poucos, alguns católicos (antes de Duquesne mesmo) foram se interessando pela explosão carismática/pentecostal, através do contato com os protestantes. Não demorou para que esses católicos aderissem ao pentecostalismo (como os católicos medievais que aderiram ao movimento de pobreza).

Como todo movimento surgido fora da Igreja, é possível que haja coisas boas nele, que devem ser aproveitadas. Mas, imitando São Francisco, é preciso purificar esses movimentos, pois, ao lado do trigo, há muito joio.

Assim entendo a RCC. Por ter surgido fora da Igreja, nem por isso temos de descartar. Porém, pelo mesmo motivo, é preciso purificá-la. É um processo lento, demorado, cauteloso. Os Papas estão fazendo isso. E a RCC, no geral, está cada vez mais católica.

É normal, entretanto, que alguns ambientes da RCC não consigam se purificar tanto, e seja difícil para eles livrar-se da herança protestante (que se manifesta de modo inconsciente, por vezes, na maior boa vontade e na melhor das intenções). Se a RCC for humilde (e seus líderes o são!), aceitará ser corrigida, para sua purificação.

Fosse um movimento surgido exclusivamente dentro da Igreja, não seria preciso tamanho trabalho. Mas Deus tem seus caminhos...

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Quando um rccista menciona que Jesus não usava o poder do Espírito para evangelizar também? E depois apóstolos e discípulos depois de Pentecostes? Falo mais em dons para evangelização, no qual ajuda a converter e evangelizar, entende-se a confusão que se faz ao ler a Bíblia sem se levar em conta o momento histórico e a quem Jesus se referia quando ensinava os Apóstolos e quando a eles dava todo seu poder.

Eles eram os bispos, aqueles que seriam os guardiões da fé, aqueles que levariam adiante Sua Igreja, portanto, todo poder dado a eles, era realmente o poder que a Igreja teria neste mundo para ensinar, governar e sobretudo santificar seus membros, os filhos de Deus, com os méritos que Ele iria adquirir na Cruz, com sua paixão, morte e ressurreição. Poder este que ela terá até a volta de Cristo.

Não podemos tomar para nós o que lemos nas cartas e nos atos dos apóstolos, e não estou aqui dizendo que o Espírito Santo não derrama seus carismas, isto não poderia faze-lo nunca, mas o que quero salientar é que existe um saudosismo ou mesmo um desejo de se fazer exatamente como aconteceu em atos,nos primórdios da Igreja e se tenta a todo custo repetir o que se lê nestes livros inspirados. Só que o momento é outro e não somos aqueles que detem o poder de Cristo, somos membros que podemos e devemos exercer os carismas, mas num contexto diferente. Eles nem de longe são o que se tem de mais importante na vida cristã, a santidade e o serviço sim.

São João da Cruz


- A Subida do Monte Carmelo -

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.E eu temo muitíssimo pelo que está acontecendo nesses nossos tempos: se qualquer alma, seja lá qual for, depois de um pouquinho de meditação, tiver em suas recordações uma dessas locuções, e imediatamente batizá-las” como vindas de Deus e com tal suposição disser: Deus me disseDeus me respondeu. Ainda que não seja exatamente assim, mas, como já dissemos, essas pessoas são frequentemente os autores de suas próprias locuções. ( São João da Cruz- A Subida do Monte Carmelo).

Através do desejo de aceitá-las, eles abrem as portas para o demônio. O demônio pode então enganá-los usando outras comunicações espertamente fingidas e disfarçadas como genuínas. Nas palavras do Apóstolo, ele pode transformar-se em anjo de luz” (II Cor. 11,14)... Independentemente da causa dessas apreensões, é sempre bom para um homem rejeitá-las de olhos fechados. Se ele fracassa em assim fazer, ele acabará por dar espaço para aquelas que tem origem diabólica e dará poder ao demônio para que se aposse de suas próprias comunicações. E não é só isso, as representações diabólicas se multiplicarão enquanto aquelas que vem de Deus gradualmente cessarão, de forma que dali a pouco todas virão do demônio e nenhuma delas de Deus. Isso tem ocorrido com muitos incautos e não-instruídos. ( S. João da Cruz)

Santo Agostinho e o Dom de linguas:

Uma vez que mesmo agora quando o Espírito Santo é recebido, ninguém fala nas línguas de todas as nações, é porque a própria Igreja já fala na língua de todas as nações: Já que quem quer que seja que não está dentro da Igreja, não recebeu ainda o Espírito Santo
 (Santo Agostinho, Tratado de XXXII sobre João).

E ainda:

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.Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas , saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou 
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Santo Tomás de Aquino admite a possibilidade de grossa caricatura diabólica dos verdadeiros carismas em questões, sobre as quais o leitor é livre para examinar com atenção.
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II-IIæ, Q.172,A.5: Se alguma profecia pode vir do demônio (RESPOSTA: SIM)

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II-IIæ,Q,172,A.6: Se as previsões dos profetas dos demônios podem ser verdadeiras (RESPOSTA: SIM).

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II-IIæ, Q.178,A.2: Se o Malígno pode operar milagres (RESPOSTA: SIM).

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Ao condenar os modernistas, São Pio X parece até falar especificamente da tal (falsa) experiência com Cristo:

..., eles dizem assim: no sentimento religioso deve-se reconhecer uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidadede Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais, que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir.- Quanto estamos longe dos ensinamentos católicos! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I. Veremos ainda como, com semelhantes teorias, unidas a outros erros já mencionados, se abre caminho para o ateísmo. ( São Pio X, Pascendi Dominici Gregis, 37)

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), bispo e Doutor da Igreja, talvez a maior autoridade em Teologia Moral e também conhecido como Doutor da Oração (se dedicava cerca de oito horas diárias à oração), em sua obra A Oração, de 1758, diz:

Bela advertência de monsenhor Palafox:

É de utilidade citar aqui uma bela advertência de monsenhor Palafox, piedosíssimo bispo de Osma, às pessoas piedosas que procuram santificar-se, em sua anotação à 18ª carta de Santa Teresa ao seu confessor. Ali conta-lhe a Santa todos os degraus de oração sobrenatural com que o Senhor lhe havia favorecido.

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A este propósito, o mencionado prelado prescreve que estas graças sobrenaturais, que Deus se dignou conceder à Santa Teresa e tem concedido a outros santos, não são necessárias para alcançar a santidade, porque muitas outras almas chegaram à santidade sem estas graças extraordinárias e até há muitas que, apesar de terem recebido aquelas graças, estão condenadas. Portanto, diz ser coisa supérflua e presunçosa desejar e pedir tais dons sobrenaturais, quando o verdadeiro e único caminho para a santidade é o exercício de todas as virtudes, especialmente do amor de Deus; e a isto se chega por meio da oração e pela correspondência às luzes e aos auxílios de Deus, o qual outra coisa não quer senão a nossa santificação. Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação (1 Ts 4,3).

Verdadeiro dom de línguas: capacidade de falar outros idiomas sem os haver estudado. Recurso divino para facilitar a pregação do Evangelho aos estrangeiros.

Falso dom de línguas: “palavras” complicadas, esquisitas, incompreensíveis, proferidas por alguém em delírio, em transe, ou mesmo em estado normal (neste caso por pura vaidade, condicionamento da mente ou exibicionismo).

O Espírito Santo só atua assim:

No silêncio absoluto (Heb. 2,20)

Sem confusão (I Cor. 14,33)

Com decência e ordem (I Cor. 14,40)

Com reverência (Heb. 12,28)

Sem gritaria (Efés. 4,31)
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É válido para nós o que ensina S. Leão Magno, papa e Doutor da Igreja. sobre os fenômenos extraordinários, presentes no início:

“Será que, meus caros irmãos, pelo fato de que vós não fazeis nenhum destes milagres, é sinal de que vós não tendes nenhuma fé?Estes sinais foram necessários no começo da Igreja. Para que a Fé crescesse, era preciso nutri-la com milagres. Também nós, quando nós plantamos árvores, nós as regamos até que as vemos bem implantadas na terra. Uma vez que elas se enraizaram, cessamos de regá-las. Eis porque São Paulo dizia:”O dom das línguas é um milagre não para os fiéis, mas para os infiéis” (I Cor, XIV,22)”.

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Muitas almas bebem da Palavra de Deus por meio de leigos ligados (formalmente ou materialmente) a este movimento aprovado pelo Papa. E isso é muito bom!

Costumo sempre dizer aos amigos inconformados com os erros dos membros e mesmo dos membros responsáveis da RCC: Não apagueis a chama que fumega!

E isso não é odiar a RCC, não é aprovar seus equívocos, nem mesmo dizer que deve ser extirpada da Igreja, porque quem deve ser extirpado da Igreja sou eu com meus pecados, se eu tivesse que usar a justiça pela justiça. Quantos leigos, sacerdotes e religiosos da RCC são um zilhão de vezes mais piedosos, amantes da virtude que eu! Deus tenha compaixão de nós.

Entretanto, precisam de formação doutrinária. Não podem negar isso.

E teologia não se faz com 
achismos, mas com a Palavra de DEUS (objeto material da mesma), da maneira como sempre se creu em todos os tempos e lugares na história da Igreja, tal qual como na Tradição temos, e confirmada pela Autoridade de Cristo por meio de Seu Magistério Vivo.

A experiência pessoal não é o princípio fundamental da teologia, e como fonte teológica (ou lugar teológico) é nociva demasiadamente. Assim surgem os pseudos-místicos, e posteriormente várias heresias, como quietismo, por exemplo.

Se Deus te concedeu a graça de livrar-se de uma tentação e/ou pecado, como citaste, isso é uma graça divina que não necessária nem acidentalmente ligada ao que ensina a RCC sobre o mesmo.

Por exemplo, quando um santo adquire dons sobrenaturais - que não são o fundamento da santidade -, isso é acidental na vida dele. Deus concedeu-o estas graças depois de ter alcançado as virtudes humanas e as divinas sobrenaturais. E virtude se adquire com o hábito, não da noite para o dia. Cura, é fruto de um hábito, ordinariamente. Não é que Deus não possa curar alguém 
ex nihit, mas é próprio dEle ser ordenado, uma vez que concedendo alguma virtude a uma alma, concede sem violar as capacidades da mesma, ou seja, sem violentá-la.

Se Deus encontrou abertura, ou correspondência, isso foi fruto do hábito que gerou uma virtude, isso é a cura. E precisa ser sempre alimentado por meio dos sacramentos, virtudes e vida de piedade.

Resumo: não foi o suposto e inexiste dom quem curou, as a graça de Deus, que precisa ser cuidada até que germina com a vida eterna. A Graça é semente de glória.
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Se algum leitor aqui é da RCC e sabe desta urgência doutrinária, forme bem seus amigos. Monte grupos de estudo da Fé Católica, ouça bons áudios de formação e debatam os temas.
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Exatamente porque também esperamos este crescimento e amadurecimento da RCC - mesmo que muitos membros não concordem que ela precisa de algo a mais que já tem -, é que consigo até louvar pelo facebook e pelas redes sociais. Já não são poucos aqueles que tem descoberto a sã doutrina, a busca da vida da Igreja com seu tesouro e o verdadeiro espírito da Liturgia. E são estes que Deus tem usado, caso permaneçam nos grupos, a ajudar os seus e ao movimento.

Sempre achei e acho ainda, que o dia que a RCC descobrir estes tesouros, ninguém segura os católicos. Haverá mesmo um exército de santos que rechaçarão as falsas doutrinas e os desvios que estão bem diante de nós.
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Se a RCC é um movimento católico, ela deve seguir o que Deus deixou a sua Igreja como caminho de salvação, Com certeza, apesar da redescoberta do divino Espírito Santo pela RCC -, Ele não mudou nada do que disse e ensinou em toda a história da salvação. Com certeza Ele não mudou as regras, os mandamentos, a santa Liturgia, a doutrina que nos faz católicos, e a RCC como movimento católico que é, não pode desprezar tudo isto, para que não se desvie do caminho e desvie outros.

As pessoas que amam o Santo Magistério, o Santo Padre, a Tradição são pessoas católicas, que podem pertencer ou não a RCC ou qualquer movimento que veio para servir a Igreja e não ser servido por ela. Por isso, todo movimento - caso queira mesmo servir a Deus com zelo, deve necessariamente obedecer a Igreja, cuja cabeça é Cristo.

Fazemos parte de um mesmo corpo e somos guiados por uma só cabeça, portanto, tratemos de ser doceis a sua voz, caso queiramos permanecer fiel até o fim e ver a Glória.

Referências:

Afonso Maria de Ligório, Santo. A oração: grande meio para alcançarmos de Deus a salvação e todas as graças que desejamos. Tradução do original por Pe. Henrique Barros - 4ª edição - Aparecida, SP: Editora Santuário, 1992

A ação do Espírito Santo na alma. Coleção: Vértice. Autor: Alexis Riaud. Editora: Quadrante. Nº de Páginas: 136. Ano de Publicação: 1998.

São Gregório Magno, Papa, Sermões sobre o Evangelho, Livro II, Les éditions du Cerf, Paris, 2008, volume II, pp. 205 a 209


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PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Dom de Línguas: RCC  versus Tradição
David A. Conceição et alli,  03/2012 Tradição em Foco com Roma.

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