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Mortos ressuscitados após a Crucificação



“ E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas. O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”! (Mt 27, 51-54)

Trata-se de um fato verídico, histórico (embora não conste em livros de história).

Foi um autêntico MILAGRE ou trata-se de uma alegoria ou uma linguagem simbólica?
A Bíblia de Navarra diz que os grandes escritores eclesiásticos propuseram 3 possíveis explicações.

1 - Tratar-se-ia mais que de ressurreições no sentido estrito, de aparições destes defuntos.
2- Seriam mortos que ressucitaram a maneira de Lázaro para voltarem a morrer
3 - Teriam ressuscitado com ressurreição gloriosa como antecipação da ressurreição universal.

Ela diz que a primeira parece menos fiel ao texto, que emprega a palavra ressurreição. A terceira é dificilmente conciliável com a clara afirmação da Escritura de que Cristo é primogênito entre os mortos.

Para a segunda inclinam Santo Agostinho, São Jerônimo e São Tomás, por lhe parecer que respeita melhor o texto e por não apresentar as dificuldades teológicas da terceira (cfr Suma,III, q.53,a.3) E é congruente com a solução proposta pelo Catecismo Romano, I,6,9

Essas ressurreições foram reais (aliás, na história temos muitas ressurreições efetuadas pelos santos), e esses ressuscitados, é bom notar, tiveram de passar pela morte novamente (pelo menos é essa a tradição mais forte na Igreja).

Como o primeiro dos homens: É tbem um apanágio de Cristo, ter sido o primeiro de todos os homens a receber o divino benefício da ressurreição. Nas Escrituras, não só é chamado "Primogênito dentre os mortos", como "Primogênito dos mortos". Ver Rm 8,34

De modo perfeito: Estas palavras devem ser entendidas no sentido de uma ressurreição perfeita, pela qual despertamos para uma vida imortal, ficando cabalmente abolida toda necessidade de morrer. Este genero de ressurreição, cabe a Cristo Nosso Senhor o primeiro lugar.

Sem morrer outra vez: Se falarmos, porém, de ressurreição no sentido de regresso à vida, mas ao qual se liga a necessidade de morrer pela segunda vez, muitos outros houveram que, antes de Cristo, foram ressuscitados dos mortos, todos porem, voltaram a viver, sob a unica condição de morrer outra vez. Cristo Nosso Senhor, ao contrário, ressurgiu de tal forma, que vencendo e subjugando a morte, já não pode morrer. Confirma este fato a evidencia daquela passagem: Ressuscitado dos mortos, Cristo já não morre. A Morte já não tem poder sobre Ele - Rm 6,9

essa mesma noção (de que todos devem morrer antes do Juízo Final) é reforçada quando o CR fala sobre o arrebatamento. Ele assume a doutrina de Santo Ambrósio, que ensinava:

Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá, mas para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatados, morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão suas almas, em virtude da própria presença do Senhor; porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor.

Diz ainda:

Esta interpretação tem por si também a autoridade de Santo Agostinho, que a expõe em sua obra "A Cidade de Deus"

Portanto, todos que foram afetados pelo pecado original têm de passar pela morte e pela ressurreição no fim dos tempos. Os homens que por um milagre ressuscitem antes do dia do Juízo terão de morrer novamente, ou, de outro modo, já teriam antecipado a ressurreição gloriosa.

Este episódio sempre me instigou e me via imaginando a linda e chocante cena dos mortos saindo do túmulo para voltar a viver, assim como sempre me emociono com Lázaro e imagino a festa que houve naquele dia com Jesus ao lado de todos. Nenhum evangelista mais o narra, além de Mateus e não entendo porque não o fizeram já que para mim foi um dos episódios mais portentosos de todo Evangelho.

Por incrível que pareça ou não, muitos católicos não entendem este arrebatamento ou apenas a menção do termo. Veêm como algo protestante.

Todos que tiveram o pecado original devem necessariamente passar pela morte, deixando de lado portanto, a Santíssima Virgem, que nasceu sem ele, mas aí já é outra história.

Segunda uma tradição Moisés e Elias, e segunda outra Elias e Enoc, não morreram e voltarão no fim dos tempos, sendo as testemunhas descritas no Apocalipse, mas terão de morrer.

Nos trechos onde Elias e Henoc são apresentados em seus momentos finais, o arrebatamento ao Céu pode querer dizer simplesmente ser elevado no ar. Muitos teólogos defendem a idéia que eles estão num local, uma espécie de paraíso, de onde virão no fim dos tempos.

Aliás, que Elias não morreu e foi arrebatado para algum lugar, é crença firmemente estabelecida na Igreja. As opiniões se dividem quanto ao lugar para onde foi arrebatado. A Escritura diz simplesmente: “E enquanto (Elias e Eliseu) andavam, e caminhando conversavam, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, separou um do outro; e Elias subiu ao céu num torvelinho” (II Reis II, 11).

Cornélio A Lápide, maior exegeta católico de todos os tempos, assim resume as quatro posições adotadas pelos autores:

1)Alguns pensam que ele foi realmente arrebatado ao céu, não o Céu dos bem-aventurados, mas o firmamento, onde leva uma vida quase celeste (Doroteu, São Jerônimo, Santo Ambrósio, Alcimo e Senário);

2)Outros pensam que ele foi levado para o paraíso terrestre, onde se encontra também Enoch (Santo Irineu, São Justino, Santo Isidoro, Santo Tomás);

3)Outros pensam que ele foi levado para alguma região da terra, desconhecida (São Gregório, Magno, Ruperto);

4)Mais verossimilmente, outros dizem que é incerto o lugar onde estão Enoch e Elias (São João Crisóstomo, Teofilacto e Ecumênio, Santo Agostinho, São Cipriano, Teodoreto).

Onde quer que esteja, Elias leva uma vida tranqüila e santa, na contínua contemplação de Deus, como diz Santo Agostinho e voltará no fim do mundo para pugnar com o Anticristo e “pagar o tributo da morte”, como diz São Gregório Magno.

Como candidatos à vida eterna e cidadãos do Paraíso, Enoch e Elias estão confirmados em graça. E se bem que não vejam a Deus, recebem de Deus muitas luzes e consolações. Vivem como que “no átrio da Casa do Senhor”, onde são freqüentemente visitados pelos Anjos, e com eles estão em constante colóquio. Deus os conserva incorruptos (bem como as suas vestes dos hebreus, durante 40 anos no deserto), sadios, vigorosos, animados, contentes e exultantes com sua situação, estado e ofício, rendendo a Deus contínuas ações de graças.

Discute-se se estão em condições de merecer ou não. Os que o afirmam, alegam a sua condição de viajadores. Os que negam, consideram que o terem sido arrebatados desta vida equivale à morte.

Estão os mortos submetidos ao parâmetro do tempo? Ou todos já ressuscitaram e já passaram pelo juízo final? Quando morremos vamos só em alma para o nosso destino enquanto aguardamos a resssurreição ou já vamos depois do juízo particular direto ao juízo final reclamar nossos corpos? As almas estão submetidas ao tempo? E se estão, será que estará a humanidade submetida ao tempo após o juízo final?

A tradicional noção de tempo e espaço, presentes em nossa vida, não vale para as realidades espirituais.

Com efeito, não se pode avaliar, por exemplo, a duração do Purgatório, baseando-se em nosso sistema de meses, dias, anos, pois a duração dessas penas é medida através de "atos espirituais" (de conhecimento e amor) praticados pelas almas. Cada ato é, então, um instante espiritual, e cada instante espiritual pode corresponder a algumas horas, alguns dias, alguns anos, alguns séculos, a um valor indeterminado, como uma pessoa pode permanecer durante tempo não definido concentrada num mesmo pensamento. À seqüência de instantes espirituais produzidas nós denominamos "evo".

O juízo particular é, como o próprio nome diz, de natureza particular, trata-se do pecador ante Deus.

O juízo final (ou universal) tem, poderíamos dizer, três vértices, Deus, o pecador, a Igreja (a Comunhão dos Santos).

Compreenda-se que, unidos em Cristo, os homens perfazem um só Corpo, a Igreja, daí seus pecados terem conseqüências em todo o Corpo. No juízo final, serão expostos e extirpados os débitos a fim de que não haja, efetivamente, nenhuma dívida, nenhum dano, nenhuma conseqüência, nenhuma conta, para com Deus e/ou os seus filhos, a fim de que a Justiça reine soberana por toda a eternidade. O juízo final está associado à ressurreição da carne, ao fim dos tempos.

Em suma, há dois aspectos a se considerar, um particular, individual; o outro, comunitário, universal. Ao primeiro, corresponde o juízo particular. Ao segundo, o juízo universal.

Não tem explicação científica porque foi milagre. Milagre por essência é algo que contraria as leis físicas, biológicas, whatever.

Daí a diferença entre milagre e graça. A graça pode até ser difícil, mas é perfeitamente possível e explicável. Milagre não. Fulano passou no vestibular? Por mais burro que ele seja, é graça. Beltrano tinha um tumor do tamanho de uma maçã no cérebro, e no dia seguinte sumiu tudo tudinho? Milagre.

Todos se submeterão a este juizo. Bons e maus.

Neste dia Cristo sera o Juiz, ele vira julgar todo o genero humano. Este dia que ninguem sabe quando se dará, é chamado nas Escrituras como o Dia do Senhor, para que cada um receba retribuição do bem e do mal, que tiver praticado aqui. Este dia deve ser para nós, um sinal de esperança, porque sabendo que Cristo ressuscitou e que Ele nos remiu, deveremos esperar este dia, com temor e esperança porque será chegado a hora de tudo se consumar.

Todos comparecerão diante dEle, para saber a setença que a seu respeito foi lavrada. Porque é importante que se tenha este juizo? Para abrir todas as consciencias e todos saberemos se nossas obras foram ruins ou mas e que a influencia que tiveram sobre as pessoas, tendo por isso maior peso diante do Senhor. Tambem para a reabilitação dos justos que muitas vezes por serem justos foram ridicularizados e sofredores neste mundo. Eles recuperarão a boa fama, que lhes fora roubada aos olhos do mundo.

Também para responsabilizar o corpo, pois estes foram participantes de nossas obras, boas ou mas - portanto devem partilhar com as almas dos premios ou dos castigos. Para isso é preciso que haja a ressurreição da carne, para que estes se unam as almas para seus destinos eternos. E por fim para alentar os bons e para aterrar os maus.

Cristo será o Juiz, porque sendo Ele Deus e homem, para nós homens será uma facilidade de O vermos, O escutarmos e pelos sentidos podermos chegar ao conhecimento da acão judicial. E é justo para com Cristo, que inocente morreu por nós, depois de ter passado e condenado pela mais iniqua das sentenças humanas.

 

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